06/03/2013

A MINHA PRIMEIRA PIZZA PAULISTANA


É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Aí galera! Estou teclando de Sampa, essa cidade que - tal como Caetano - ainda "nada entendi".

E agora em Português de Portugal: cá estou em São Paulo, a primeira paragem destes noventa e nove dias, vou já no terceiro e confesso que fiz pouco até agora. Estou em casa do meu primo Pedro, já encontrei alguns amigos, temos comido bem e pago balúrdios... Sampa não é nada amiga do bolso.

Logo no primeiro dia, estava estafado da viagem e da semana de correrias em Lisboa e das voltas com os grupos na Indochina... e deixei-me cair no sofá, a dormitar. Só recuperei alguma energia quando o meu primo chegou a casa e me anunciou que íamos à Vila Madalena beber um chopp, e depois íamos jantar ao Bráz.

Eu já tinha ouvido falar do Bráz.

Dizem o Lonely Planet, todas as críticas no tripadvisor e algumas pessoas que me deram dicas sobre "onde ir e o que fazer" em São Paulo, que o Bráz serve a melhor pizza da cidade. E até li alguns comentários mais emocionados a dizer que é mesmo a melhor do mundo. Hmmm... enfim. Ok. De certeza que nunca foram à Pizza Hut na estação de comboios de Sintra. Isso é que é pizza. ;)

Mas a verdade é que estava curioso. Felizmente não fui ver o site deles antes, pois lá explicam que o tomate é "plantado aos pés do vulcão Vesúvio" e que é mais "adocicado e de acidez perfeita"; que a farinha é "100% Napolitana, a Farina Caputo 00, produzida no pequeno "paese" Capua, em um moinho de 1924"; que as alcachofras "chegam à Bráz vindas diretamente da Puglia, o salto da Bota".

Não sei porquê, mas há uma poesia na proveniência de cada ingrediente que  acrescenta mística à pizza e faz disparar as expectativas. O que pode ser perigoso. Mas a verdade é que a pizza da Bráz cumpre.

Em primeiro lugar: o restaurante é simpático, muito clássico, nada pretensioso. E o serviço: impecável.

Começámos pela tradicional entrada da casa: o pão de calabresa. Uma espécie de bola cheia de presunto lá dentro, que molhámos em azeite... e tudo isto muito bem acompanhado da cerveja Original - que, confesso, gostei mais que o chopp da Brahma que experimentei na Vila Madalena, umas horas antes.

Depois veio a pizza. E como quem sabe, sabe - deixei os meus amigos escolher. Veio uma pizza enorme, que na verdade era um mix de três sabores, cada qual melhor que o outro - com destaque para a Fosca, uma especialidade do Bráz que leva presunto, queijo catipury, mozzarella e tomate.


Há mais de seis mil pizzerias em São Paulo - e este fenómeno deve-se a um fluxo de milhares de imigrantes italianos, que aqui se estabeleceram no final do séc. XIX, e que criaram uma das maiores comunidades de italianos do mundo. Por isso não é surpresa que, tantos anos depois, haja uma tradição tão forte de comida italiana em São Paulo.

Aliás: "diz" que a pizza paulistana é tão boa, que até os "italianos de Itália" têm ciúmes.

2 comentários:

Clara Amorim disse...

Bem, uma pizza assim tão "poética" só podia ser de comer deliciosa...!

Paulo Santos disse...

Italianos de Itália. lindo :P
Se te acontecer como me aconteceu a mim quando andei por aí, ainda te vão perguntar se és português de Portugal! ;)