Estava a meio de um post a relembrar outras peripécias vividas com o Inácio e a Leninha na Índia, quando a barriga começou a "dar horas", no relógio passava da uma da tarde, uma mensagem dizia-me "já cheguei". Pára tudo, vamos almoçar.
E porquê um post sobre a interrupção de um post por causa de um almoço?
Porque depois de mais um belo repasto fomos à Padaria Ribeiro, onde eu tomo o pequeno almoço todos os dias, quando estou no Porto, e deram-me a provar uma daquelas coisas que apetece dizer "mas só agora?".
Venho ao Porto há não-sei-quantos anos... e só agora?
Enfim: mais vale tarde que nunca, lá diz o ditado. E a boas horas provei a fresquíssima e deliciosa Tarte de Maracujá da Padaria Ribeiro. :)
Retomamos com as aventuras e as voltas já de seguida.
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30/07/2014
23/07/2014
ALMOCINHO
Logo no primeiro dia em Battambang fui ao mercado central almoçar. Comi uns bifinhos com arroz acompanhados por uma sopa khmer... tão bons que voltei no segundo dia. E só não repeti terceira vez porque achei um bocadinho "demais" e acabei por experimentar um novo restaurante mesmo ao lado do mercado, novíssimo em folha, fui o primeiro cliente e até tive direito a fotografia. ;)
12/07/2014
SAI UM KRALAN QUENTINHO!
Como se não bastasse o mangostão e o rambutan, agora deu-me para comer kralan todos os dias.
E o que é kralan, pergunta o ávido leitor?
Kralan é um petisco tradicional khmer (ou seja: do Cambodja), feito de arroz, coco e feijões pretos... todos muito aconchegadinhos dentro de uma cana de bambu. Tem adaptações na Tailândia, Malásia e Laos, entre outros países - mas dizem os entendidos que o melhor é mesmo o do Cambodja. Eu cá não sei, nunca tinha experimentado até esta semana. Tanto tempo desperdiçado, hem?
Ou seja: ando a ver se recupero todos os kralans que desperdicei, ao longo dos últimos anos ;)
Mas vamos ao que interessa: algumas imagens, como se faz... e como se come.
Em primeiro lugar, é preciso encontrar uma senhora sentada à beira da estrada, a cortar canas de bambu no formato tradicional. Ok, também pode ser só uma senhora a vender o kralan já feito... mas se conseguirem encontrar quem o esteja a fazer, melhor ainda.
Depois de cortar o bambu, a senhora enche-os com a mistura de ingredientes que já mencionei uns parágrafos acima, faz uma espécie de rolha com folhas e tapa tudo muito bem tapadinho.
Vai ao fogo, então. Diz que antigamente se fazia debaixo do chão, numa espécie de forno - mas demora muito tempo, e hoje em dia essa técnica quase desapareceu e deu lugar a uma simples fogueira.
Vai ao fogo, portanto. Devagarinho, com calma e muita paciência, até ao bambu ficar ligeiramente queimado.
Claro que o cliente não tem de esperar por este processo. Basta comprar um dos kralans já prontos... ou dois, ou três, ou os que quiser. Normalmente custam mil riels - mais ou menos vinte cêntimos! - mas em Siem Riep já vi à venda pelo dobro, e até mais.
E depois, para comer, basta tirar a "rolha" e abrir o bambu como se fosse uma banana muito dura. Depois é tirar o arroz, que vem todo pegajoso... mas delicioso :)
E o que é kralan, pergunta o ávido leitor?
Kralan é um petisco tradicional khmer (ou seja: do Cambodja), feito de arroz, coco e feijões pretos... todos muito aconchegadinhos dentro de uma cana de bambu. Tem adaptações na Tailândia, Malásia e Laos, entre outros países - mas dizem os entendidos que o melhor é mesmo o do Cambodja. Eu cá não sei, nunca tinha experimentado até esta semana. Tanto tempo desperdiçado, hem?
Ou seja: ando a ver se recupero todos os kralans que desperdicei, ao longo dos últimos anos ;)
Mas vamos ao que interessa: algumas imagens, como se faz... e como se come.
Em primeiro lugar, é preciso encontrar uma senhora sentada à beira da estrada, a cortar canas de bambu no formato tradicional. Ok, também pode ser só uma senhora a vender o kralan já feito... mas se conseguirem encontrar quem o esteja a fazer, melhor ainda.
Depois de cortar o bambu, a senhora enche-os com a mistura de ingredientes que já mencionei uns parágrafos acima, faz uma espécie de rolha com folhas e tapa tudo muito bem tapadinho.
Vai ao fogo, então. Diz que antigamente se fazia debaixo do chão, numa espécie de forno - mas demora muito tempo, e hoje em dia essa técnica quase desapareceu e deu lugar a uma simples fogueira.
Vai ao fogo, portanto. Devagarinho, com calma e muita paciência, até ao bambu ficar ligeiramente queimado.
Claro que o cliente não tem de esperar por este processo. Basta comprar um dos kralans já prontos... ou dois, ou três, ou os que quiser. Normalmente custam mil riels - mais ou menos vinte cêntimos! - mas em Siem Riep já vi à venda pelo dobro, e até mais.
E depois, para comer, basta tirar a "rolha" e abrir o bambu como se fosse uma banana muito dura. Depois é tirar o arroz, que vem todo pegajoso... mas delicioso :)
A QUANTO É O QUILO?
Ontem já evoquei aqui o quanto gosto e abuso de mangostão.
Também mencionei, assim-de-raspão, quase sem se dar por isso, o rambutan. Essa é outra fruta que me tira do sério. A sério. ;)
É uma especie de líchia peluda. E também se encontra em todo o lado, no Sudeste Asiático. Ontem fui comprar um saquinho, coisa pouca - a menos de sinquenta cêntimos o quilo, trouxe dois. Não me vá dar umas vontades de repente.
Já com o mangostão é a mesma coisa. Cinquenta cêntimos o quilo, no máximo. Incrível. Lembro-me de ter ido ao Mercado de Campo de Ourique, da última vez que estive em Lisboa, e uma das senhoras que vende fruta tinha algumas opções "exóticas". Encontrei rambutan, com um nome qualquer que agora não me lembro... mas além de custar uma fortuna, tinha um ar nojento. Por muito que eu dissesse que aquilo já estava passado, a senhora insistia que ainda estava comestível - na boa, sem discussão, uma conversa amigável. Enfim: a senhora lá abriu uma para eu provar, à borla, e eu agradeci a amabilidade e comi... mas nem pensar, para quem conhece a versão fresca é impensável comer aquilo assim.
Frutas exóticas comem-se em lugares exóticos.
(Eis outra discussão que merece um post próprio...)
Já nem me lembro quanto era, mas custava uma fortuna. E aqui: uma ninharia.
Aceitam-se encomendas ;)
Também mencionei, assim-de-raspão, quase sem se dar por isso, o rambutan. Essa é outra fruta que me tira do sério. A sério. ;)
É uma especie de líchia peluda. E também se encontra em todo o lado, no Sudeste Asiático. Ontem fui comprar um saquinho, coisa pouca - a menos de sinquenta cêntimos o quilo, trouxe dois. Não me vá dar umas vontades de repente.
Já com o mangostão é a mesma coisa. Cinquenta cêntimos o quilo, no máximo. Incrível. Lembro-me de ter ido ao Mercado de Campo de Ourique, da última vez que estive em Lisboa, e uma das senhoras que vende fruta tinha algumas opções "exóticas". Encontrei rambutan, com um nome qualquer que agora não me lembro... mas além de custar uma fortuna, tinha um ar nojento. Por muito que eu dissesse que aquilo já estava passado, a senhora insistia que ainda estava comestível - na boa, sem discussão, uma conversa amigável. Enfim: a senhora lá abriu uma para eu provar, à borla, e eu agradeci a amabilidade e comi... mas nem pensar, para quem conhece a versão fresca é impensável comer aquilo assim.
Frutas exóticas comem-se em lugares exóticos.
(Eis outra discussão que merece um post próprio...)
Já nem me lembro quanto era, mas custava uma fortuna. E aqui: uma ninharia.
Aceitam-se encomendas ;)
11/07/2014
LAMBÃO!
Não sei se alguma vez comentei aqui, mas ADORO mangostão.
Provei esta fruta pela primeira vez no Vietname, há três ou quatro anos, e agora não perco uma oportunidade de ir "picando" sempre que a vejo à venda. Felizmente, aqui no Sudeste Asiático há bastante.
Nos dias que passei em Pequim, no final deste Transiberiano, foi uma tentação: todas as bancas de fruta no meu hutong tinham mangostão à venda - e depois de comprar um primeiro saco para dar a provar aos meus companheiros de viagem, acabei por me tornar cliente habitual de uma das lojinhas. Comprava a minha dose todos os dias.
Em Macau voltei a encontrar mangostão à venda - e lá vai mais uma mão cheia. Em Hong Kong a mesma coisa. Só em Kuala Lumpur é que não dei por isso. Mas se calhar é porque não estava atento. E agora chego ao Cambodja e não sei se é a época, mas há por todo o lado. Mangostão e rambutan, que também adoro. Mas mangostão: a sério, é mesmo um vício.
Já ouvi dizer que faz bem a isto-e-aquilo, parece que está na moda em Portugal e tudo, uns comprimidos ou uns batidos, nem sei bem. Mas nada como a fruta fresquinha, no seu estado natural... que delícia.
Hoje comprei um sacalhão, desculpem-me o francês - e ainda não parei de comer. Que lambão. Será que de fazer tão bem, comer tanto faz mal? ;)
Provei esta fruta pela primeira vez no Vietname, há três ou quatro anos, e agora não perco uma oportunidade de ir "picando" sempre que a vejo à venda. Felizmente, aqui no Sudeste Asiático há bastante.
Nos dias que passei em Pequim, no final deste Transiberiano, foi uma tentação: todas as bancas de fruta no meu hutong tinham mangostão à venda - e depois de comprar um primeiro saco para dar a provar aos meus companheiros de viagem, acabei por me tornar cliente habitual de uma das lojinhas. Comprava a minha dose todos os dias.
Em Macau voltei a encontrar mangostão à venda - e lá vai mais uma mão cheia. Em Hong Kong a mesma coisa. Só em Kuala Lumpur é que não dei por isso. Mas se calhar é porque não estava atento. E agora chego ao Cambodja e não sei se é a época, mas há por todo o lado. Mangostão e rambutan, que também adoro. Mas mangostão: a sério, é mesmo um vício.
Já ouvi dizer que faz bem a isto-e-aquilo, parece que está na moda em Portugal e tudo, uns comprimidos ou uns batidos, nem sei bem. Mas nada como a fruta fresquinha, no seu estado natural... que delícia.
Hoje comprei um sacalhão, desculpem-me o francês - e ainda não parei de comer. Que lambão. Será que de fazer tão bem, comer tanto faz mal? ;)
14/06/2014
PAPAROCA
Há quem prefira saladas, outros ficam-se pelas sandes, uns misturam noodles com ingredientes vários, ou couscous, sopas, purés instantâneos. Variedade de refeições não falta, no Transiberiano. O limite é a imaginação.
Normalmente fazemos umas compras antes de embarcar no comboio. Mas há quem prefira o vagão-restaurante, claro. Cada pessoa tem os seus gostos, feitios, manias e disponibilidade. O que interessa é chegar ao fim do viagem satisfeito.
Fica uma foto-exemplo de algumas opções ao almoço, ontem. A ver se um dia destes partilho aqui umas receitas, para inspirar futuros viajantes ;)
Normalmente fazemos umas compras antes de embarcar no comboio. Mas há quem prefira o vagão-restaurante, claro. Cada pessoa tem os seus gostos, feitios, manias e disponibilidade. O que interessa é chegar ao fim do viagem satisfeito.
Fica uma foto-exemplo de algumas opções ao almoço, ontem. A ver se um dia destes partilho aqui umas receitas, para inspirar futuros viajantes ;)
28/11/2013
LAAP DE GALINHA
Hoje passei o dia a cozinhar... e a comer :)
Fiz uma cooking class no restaurante Tamnak Lao, aqui em Luang Prabang - e recomendo. Que experiência enriquecedora... e deliciosa. Estou de barriga cheia, hoje já não janto. :)
E enquanto tento pôr em ordem as ideias e relatos, aproveito para partilhar a receita de um dos meus pratos preferidos em toda a Ásia: chicken laap. É um prato fresco, uma salada de carne para se comer com arroz. Espero que gostem.
(É o prato da esquerda, mas os outros também fui eu que fiz eheh)
Ingredientes
(para uma pessoa, ou duas/três se estiverem a partilhar outros pratos)
200g de peito de frango picado, sem gordura
1 cubo de caldo de galinha
1 lima
2 colheres de sopa de água quente
2 folhas de lima kafir, cortadas aos bocadinhos (já se pode encontrar em alguns supermercados, na prateleira da comida tailandesa)
1 cebolinho, cortado em fatias fininhas
2 chalotas, cortadas em fatias fininhas
2 dentes de alho, cortados em fatias fininhas
1 mão cheia de coentros
2 pés de erva-príncipe: só parte branca, cortada em fatias fininhas; se não encontrar erva-príncipe fresca - é muito difícil, em Portugal - pode sempre comprar em pó. E se encontrar, por favor diga-me onde.
6 folhas de dente serrado... hmmm... não temos disto em Portugal, nem nada que se pareça, o mais próximo em termos de sabor são os coentros... por isso é carregar nos coentros ;)
1/4 colher de chá de sal
1 colher de sopa de pó de arroz (enfim... não aquele que estão a pensar... penso que não deve existir em Portugal, mas é fácil de fazer, basta fritar a seco um pouco de arroz e depois moer os grãos até ficar um pó)
1 colher de chá de malagueta em pó - ou, para quem gosta de sabores mais intensos, como eu, é cortar duas ou três malaguetas frescas às fatias
1/4 de colher de chá de molho de peixe (já se vende em muitos lugares, em Portugal)
1 colher de sopa de alho frito
1 colher de sopa de chalotas fritas
Preparação:
1. Junte no wok o caldo de galinha, a carne picada, metade do sumo de lima e a água.
2. Aqueça em lume brando e mexa até que a carne esteja cozinhada e o líquido desapareça.
3. Tire a carne do wok e guarde num recipiente.
4. Acrescente à carne, sem usar o wok, as folhas de lima kafir, o cebolinho, as chalotas, o alho, os coentros, a erva-príncipe... e as folhas de dente serrado, se as tiver encontrado. Caso contrário: junte mais coentros.
5. Acrescente a esta mistura o sal, o pó de arroz, a malagueta, o molho de peixe, o alho frito e a chalota frita. Misture muito bem toda esta salganhada.
6. Finalmente, quando já estiver tudo misturado, junte o restante sumo de lima. Está pronto a servir, de preferência com sticky rice... mas à falta de sticky rice, vai uma dose de arroz branco. E não ficamos nada mal servidos.
Esta é a receita como a aprendi a fazer, na cooking class de hoje. Mas pessoalmente gosto mais de acrescentar folhas de hortelã-pimenta, como se faz em quase todo o Laos. Por isso já sabe: além dos ingredientes mencionados em cima, dê-lhe também um toque de hortelã-pimenta. Fica maravilhoso!
Fiz uma cooking class no restaurante Tamnak Lao, aqui em Luang Prabang - e recomendo. Que experiência enriquecedora... e deliciosa. Estou de barriga cheia, hoje já não janto. :)
E enquanto tento pôr em ordem as ideias e relatos, aproveito para partilhar a receita de um dos meus pratos preferidos em toda a Ásia: chicken laap. É um prato fresco, uma salada de carne para se comer com arroz. Espero que gostem.
(É o prato da esquerda, mas os outros também fui eu que fiz eheh)
Ingredientes
(para uma pessoa, ou duas/três se estiverem a partilhar outros pratos)
200g de peito de frango picado, sem gordura
1 cubo de caldo de galinha
1 lima
2 colheres de sopa de água quente
2 folhas de lima kafir, cortadas aos bocadinhos (já se pode encontrar em alguns supermercados, na prateleira da comida tailandesa)
1 cebolinho, cortado em fatias fininhas
2 chalotas, cortadas em fatias fininhas
2 dentes de alho, cortados em fatias fininhas
1 mão cheia de coentros
2 pés de erva-príncipe: só parte branca, cortada em fatias fininhas; se não encontrar erva-príncipe fresca - é muito difícil, em Portugal - pode sempre comprar em pó. E se encontrar, por favor diga-me onde.
6 folhas de dente serrado... hmmm... não temos disto em Portugal, nem nada que se pareça, o mais próximo em termos de sabor são os coentros... por isso é carregar nos coentros ;)
1/4 colher de chá de sal
1 colher de sopa de pó de arroz (enfim... não aquele que estão a pensar... penso que não deve existir em Portugal, mas é fácil de fazer, basta fritar a seco um pouco de arroz e depois moer os grãos até ficar um pó)
1 colher de chá de malagueta em pó - ou, para quem gosta de sabores mais intensos, como eu, é cortar duas ou três malaguetas frescas às fatias
1/4 de colher de chá de molho de peixe (já se vende em muitos lugares, em Portugal)
1 colher de sopa de alho frito
1 colher de sopa de chalotas fritas
Preparação:
1. Junte no wok o caldo de galinha, a carne picada, metade do sumo de lima e a água.
2. Aqueça em lume brando e mexa até que a carne esteja cozinhada e o líquido desapareça.
3. Tire a carne do wok e guarde num recipiente.
4. Acrescente à carne, sem usar o wok, as folhas de lima kafir, o cebolinho, as chalotas, o alho, os coentros, a erva-príncipe... e as folhas de dente serrado, se as tiver encontrado. Caso contrário: junte mais coentros.
5. Acrescente a esta mistura o sal, o pó de arroz, a malagueta, o molho de peixe, o alho frito e a chalota frita. Misture muito bem toda esta salganhada.
6. Finalmente, quando já estiver tudo misturado, junte o restante sumo de lima. Está pronto a servir, de preferência com sticky rice... mas à falta de sticky rice, vai uma dose de arroz branco. E não ficamos nada mal servidos.
Esta é a receita como a aprendi a fazer, na cooking class de hoje. Mas pessoalmente gosto mais de acrescentar folhas de hortelã-pimenta, como se faz em quase todo o Laos. Por isso já sabe: além dos ingredientes mencionados em cima, dê-lhe também um toque de hortelã-pimenta. Fica maravilhoso!
07/11/2013
SAI UM "SECRET SPOT" FRESQUINHO!
Hànôi tem mais cantos que aquela pedra muito famosa em Machu Picchu. São tantos, escondidos entre vielas e edifícios, esquinas e lances de escada, árvores e pátios... que há sempre coisas novas para descobrir, por muito bem que se conheça a cidade. E ainda bem. As minhas cidades preferidas são estas que nunca estão completas, onde se pode sempre acrescentar, onde há espaço para descobrir, para revolucionar, para criar. Para deixar um bocadinho de nós. E Hànôi é assim.
Nas minhas mil-e-uma pesquisas sobre sabe-se lá o quê, descobri que há na capital vietnamita um tipo de café especial: iogurte com café e gelo - e são muito poucos os sítios que o servem. Um destes lugares vinha mais ou menos descrito num site, com uma foto da entrada e outra da vista da varanda - ambas muito, muuuuito vagas.
E eu, porque provavelmente não regulo muito bem da cabeça, resolvi que a partir destas fotos e das indicações dadas pelo autor, ia conseguir descobrir este sítio secreto.
O texto com as indicações mencionava uma rua perto do lago Hoan Kiem. Conheço bem esta zona, e pelas fotografias reduzi a área a explorar para um quarto do perímetro do lago.
Saí do hotel de manhã, a Maria José e a Conceição (as duas viajantes da Nomad que vieram uns dias mais cedo) juntaram-se nesta minha quimera... e lá fomos. Acabámos por dar uma volta inteira ao lago, sem descobrir o café, mas eu insisti em verificar novamente a zona onde começáramos. Tinha quase a certeza que era ali, queria procurar melhor. E quando para lá caminhávamos, de repente reparei numa varanda no topo de um pequeno prédio...
"É aquela! Tenho a certeza que é aquela!"
Demos a volta ao quarteirão, a entrada era pela rua de trás. Vimos a loja com o chão que vinha na fotografia, entrámos por um corredor escuro que dava acesso a um pátio lindo, cheio de velharias e charme, onde encontrámos umas raparigas muito tímidas.
"Café?", perguntei. Ao que uma delas me respondeu:
"Tomorrow."
Agora que tínhamos descoberto o lugar, não íamos embora assim tão depressa. Resolvemos subir para ver a vista - mesmo que não houvesse café, ao menos desfrutávamos um bocadinho do lugar. Subimos as escadas até um primeiro alpendre, muito giro, com duas mesas e cadeiras - vazio. Outro lance até um templo antigo muito engraçado. Umas escadas de caracol que davam acesso a um andar com uma sala, onde havia mesas e quatro ou cinco pessoas. Mas no tal site, o autor avisava para não ficarmos por ali. "Vão até ao topo, que vale a pena" - e nós fomos. Subimos mais um lance de escadas e chegámos ao Everest desta nossa aventura matinal. A vista, dentro daquilo que se pode esperar de uma vista urbana no meio de outros prédios, era engraçada. O lugar era calmo, praticamente só nosso, um verdadeitro "secret spot". A voltar, estava decidido - e ainda nem tínhamos bebido o café.
Deixei as minhas companheiras de viagem a gozar a vista e desci até aos rés-de-chão, preparado para me degladiar pelo café com iogurte. Perguntei por café e insistiram que já não havia, que tinha de voltar no dia seguinte. Sorri, fiz cara triste, insisti - nada. E quando estava prestes a desistir, resolvi perguntar:
"Iogurt?"
"Iogurt with coffee?", reage uma das meninas.
"Yes!"
E assim foi. Nem um minuto depois estava a subir as escadas com três copos de iogurte e gelo, com café por cima. Uma mistura nova, nunca tinha experimentado tal coisa - e gostei. Uma variação interessante, refrescante, original. É para repetir.
Nas minhas mil-e-uma pesquisas sobre sabe-se lá o quê, descobri que há na capital vietnamita um tipo de café especial: iogurte com café e gelo - e são muito poucos os sítios que o servem. Um destes lugares vinha mais ou menos descrito num site, com uma foto da entrada e outra da vista da varanda - ambas muito, muuuuito vagas.
E eu, porque provavelmente não regulo muito bem da cabeça, resolvi que a partir destas fotos e das indicações dadas pelo autor, ia conseguir descobrir este sítio secreto.
O texto com as indicações mencionava uma rua perto do lago Hoan Kiem. Conheço bem esta zona, e pelas fotografias reduzi a área a explorar para um quarto do perímetro do lago.
Saí do hotel de manhã, a Maria José e a Conceição (as duas viajantes da Nomad que vieram uns dias mais cedo) juntaram-se nesta minha quimera... e lá fomos. Acabámos por dar uma volta inteira ao lago, sem descobrir o café, mas eu insisti em verificar novamente a zona onde começáramos. Tinha quase a certeza que era ali, queria procurar melhor. E quando para lá caminhávamos, de repente reparei numa varanda no topo de um pequeno prédio...
"É aquela! Tenho a certeza que é aquela!"
Demos a volta ao quarteirão, a entrada era pela rua de trás. Vimos a loja com o chão que vinha na fotografia, entrámos por um corredor escuro que dava acesso a um pátio lindo, cheio de velharias e charme, onde encontrámos umas raparigas muito tímidas.
"Café?", perguntei. Ao que uma delas me respondeu:
"Tomorrow."
Agora que tínhamos descoberto o lugar, não íamos embora assim tão depressa. Resolvemos subir para ver a vista - mesmo que não houvesse café, ao menos desfrutávamos um bocadinho do lugar. Subimos as escadas até um primeiro alpendre, muito giro, com duas mesas e cadeiras - vazio. Outro lance até um templo antigo muito engraçado. Umas escadas de caracol que davam acesso a um andar com uma sala, onde havia mesas e quatro ou cinco pessoas. Mas no tal site, o autor avisava para não ficarmos por ali. "Vão até ao topo, que vale a pena" - e nós fomos. Subimos mais um lance de escadas e chegámos ao Everest desta nossa aventura matinal. A vista, dentro daquilo que se pode esperar de uma vista urbana no meio de outros prédios, era engraçada. O lugar era calmo, praticamente só nosso, um verdadeitro "secret spot". A voltar, estava decidido - e ainda nem tínhamos bebido o café.
Deixei as minhas companheiras de viagem a gozar a vista e desci até aos rés-de-chão, preparado para me degladiar pelo café com iogurte. Perguntei por café e insistiram que já não havia, que tinha de voltar no dia seguinte. Sorri, fiz cara triste, insisti - nada. E quando estava prestes a desistir, resolvi perguntar:
"Iogurt?"
"Iogurt with coffee?", reage uma das meninas.
"Yes!"
E assim foi. Nem um minuto depois estava a subir as escadas com três copos de iogurte e gelo, com café por cima. Uma mistura nova, nunca tinha experimentado tal coisa - e gostei. Uma variação interessante, refrescante, original. É para repetir.
AH POIS É!
Voltei, voltei
Voltei pra lá
O lugar onde eu comi
O mais delicioso bun chá
Isto ia acontecer, mais cedo ou mais cedo. Cheguei a Hànôi há quatro dias e fiz um esforço para resistir à tentação... mas hoje não consegui aguentar mais.
Voltei ao lugar onde, há oito meses, descobri com o Tiago Costa o melhor bun chá do Universo.
Está um bocadinho diferente: antes era preciso entrar por um corredor estreito entre dois prédios, ao fundo havia um pequeno pátio onde os clientes se apertavam para de deliciarem com a iguaria que é símbolo de uma cidade. Agora o "34" ganhou fama, conquistou a garagem virada para a rua, o passeio em frente, o passeio ao lado, e até o outro lado da rua.
Só locais: e todos sabem ao que vêm. Como eu.
No primeiro dia tinha comido bun chá aqui na rua, mesmo à frente do meu hotel. No segundo dia, fui ao "sítio do costume", a caminho do lago, onde fui recebido com um sorriso de "há muito tempo!".
Estava só à espera que chegasse a Maria José e a Conceição, duas aventureiras que vão fazer a viagem da Indochina, mas que vieram uns dias mais cedo para Hànôi. Já nos conhecemos de outras viagens, por isso combinámos uns programas "extra". E começámos por esta deliciosa aventura, uma viagem de paladares única, uma surpresa que provoca sorrisos, no curto prazo - e saudades, um dia mais tarde.
O que eu gosto de bun chá! :)
Voltei pra lá
O lugar onde eu comi
O mais delicioso bun chá
Isto ia acontecer, mais cedo ou mais cedo. Cheguei a Hànôi há quatro dias e fiz um esforço para resistir à tentação... mas hoje não consegui aguentar mais.
Voltei ao lugar onde, há oito meses, descobri com o Tiago Costa o melhor bun chá do Universo.
Está um bocadinho diferente: antes era preciso entrar por um corredor estreito entre dois prédios, ao fundo havia um pequeno pátio onde os clientes se apertavam para de deliciarem com a iguaria que é símbolo de uma cidade. Agora o "34" ganhou fama, conquistou a garagem virada para a rua, o passeio em frente, o passeio ao lado, e até o outro lado da rua.
Só locais: e todos sabem ao que vêm. Como eu.
No primeiro dia tinha comido bun chá aqui na rua, mesmo à frente do meu hotel. No segundo dia, fui ao "sítio do costume", a caminho do lago, onde fui recebido com um sorriso de "há muito tempo!".
Estava só à espera que chegasse a Maria José e a Conceição, duas aventureiras que vão fazer a viagem da Indochina, mas que vieram uns dias mais cedo para Hànôi. Já nos conhecemos de outras viagens, por isso combinámos uns programas "extra". E começámos por esta deliciosa aventura, uma viagem de paladares única, uma surpresa que provoca sorrisos, no curto prazo - e saudades, um dia mais tarde.
O que eu gosto de bun chá! :)
05/10/2013
O LEITÃO DO ANTHONY
No blog que Anthony Bourdain mantém no Travel Channel, há um post chamado "A Hierarquia do Porco" - em que o conhecido chef dá conta do seu nervosismo relativamente ao programa que fez sobre as Filipinas. Diz o senhor que, num país de sete mil ilhas - onde só visitou duas - é impossível fazer justiça à riqueza cultural que representam as centenas de pratos regionais.
E a determinada altura, fala do lechon.
E diz o seguinte:
"Posso agora dizer que de todos os pratos de porco assado que já experimentei por todo o mundo, o lechon que comi em Cebu foi o melhor."
Andei a pesquisar na net, como de costume, e descobri um pouco mais acerca do leitão que o sr. Bourdain experimentou.
Era uma vez um cozinheiro amador chamado Joel Binamira, que mantinha um blog de comida chamado www.marketmanila.com e que decidiu experimentar assar o leitão "à maneira antiga", porque estava farto das inovações que tinham tomado conta do mercardo, em Cebu. Muito simples: só podia usar leitões que tivessem crescido no quintal, ingredientes frescos, sem quaisquer aditivos e outros truques artificiais. O leitão tinha de ser assado num pau de bambu, muito lentamente, e "furado" ocasionalmente, para conseguir uma pele mais estaladiça. Após várias experiências, Joel chegou a uma versão que o satisfazia - e comunicou o feito no seu blog.
Pouco tempo depois, o filipino foi contactado pela produção do "No Reservations", que estava a preparar um programa sobre a comida nas Filipinas - e queriam fazer do lechon o "protagonista principal".
Em frente às câmaras, Bourdain disse que a pele do leitão "sabe a rebuçado". E quando foi convidado, mais tarde, a assinar o livro de convidados, escreveu três palavras mágicas:
"Best pig... EVER!"
Não é preciso ser bruxo para adivinhar o que aconteceu a seguir.
No Domingo seguinte, Joel mandou preparar dois leitões inteiros. Venderam-se em dez minutos. Uma semana depois, preparou cinco. Apareceram cem pessoas - e em meia hora, já não havia leitão para mais ninguém.
Joel tem agora dois restaurantes em Cebu. E eu jantei num deles, esta noite.
Sim, estou nas Filipinas. De Singapura voei para Manila, de Manila para Cebu - e tenho andado a recuperar sono e energias por aqui. Mas cada coisa a seu tempo. Depois falamos com mais calma sobre estas voltas - só que não resisto a partilhar aqui estas sensações de hoje :)
Hoje jantei no Zubuchon, em Cebu. E comi o quê? Comi frango em leite de coco, lulas recheadas e beringe... a sério?! Nããã... nada disso.
Comi, claro está, o "melhor porco do mundo". Um leitão assado acompanhado de arroz de alho e um sumo natural de lima e erva-príncipe.
O leitão: pele estaladiça e temperada na perfeição, quebrando a cada dentada com um som só possível em publicidade... e a carne tão tenra, a desfazer-se entre garfadas... tanto prazer a comer devia ser interdito a menores - isto é autêntica pornografia!
No entanto, tenho que fazer aqui justiça aos injustiçados. O lechon de Cebu é realmente "do outro mundo" - mas o "nosso" da Bairrada não lhe fica muito atrás, nem a sandes de pernil com queijo da serra da Casa Guedes... nem aquele pernil que comi no Leblon, como é que se chamava o restaurante... não interessa agora.
E a determinada altura, fala do lechon.
E diz o seguinte:
"Posso agora dizer que de todos os pratos de porco assado que já experimentei por todo o mundo, o lechon que comi em Cebu foi o melhor."
Andei a pesquisar na net, como de costume, e descobri um pouco mais acerca do leitão que o sr. Bourdain experimentou.
Era uma vez um cozinheiro amador chamado Joel Binamira, que mantinha um blog de comida chamado www.marketmanila.com e que decidiu experimentar assar o leitão "à maneira antiga", porque estava farto das inovações que tinham tomado conta do mercardo, em Cebu. Muito simples: só podia usar leitões que tivessem crescido no quintal, ingredientes frescos, sem quaisquer aditivos e outros truques artificiais. O leitão tinha de ser assado num pau de bambu, muito lentamente, e "furado" ocasionalmente, para conseguir uma pele mais estaladiça. Após várias experiências, Joel chegou a uma versão que o satisfazia - e comunicou o feito no seu blog.
Pouco tempo depois, o filipino foi contactado pela produção do "No Reservations", que estava a preparar um programa sobre a comida nas Filipinas - e queriam fazer do lechon o "protagonista principal".
Em frente às câmaras, Bourdain disse que a pele do leitão "sabe a rebuçado". E quando foi convidado, mais tarde, a assinar o livro de convidados, escreveu três palavras mágicas:
"Best pig... EVER!"
Não é preciso ser bruxo para adivinhar o que aconteceu a seguir.
No Domingo seguinte, Joel mandou preparar dois leitões inteiros. Venderam-se em dez minutos. Uma semana depois, preparou cinco. Apareceram cem pessoas - e em meia hora, já não havia leitão para mais ninguém.
Joel tem agora dois restaurantes em Cebu. E eu jantei num deles, esta noite.
Sim, estou nas Filipinas. De Singapura voei para Manila, de Manila para Cebu - e tenho andado a recuperar sono e energias por aqui. Mas cada coisa a seu tempo. Depois falamos com mais calma sobre estas voltas - só que não resisto a partilhar aqui estas sensações de hoje :)
Hoje jantei no Zubuchon, em Cebu. E comi o quê? Comi frango em leite de coco, lulas recheadas e beringe... a sério?! Nããã... nada disso.
Comi, claro está, o "melhor porco do mundo". Um leitão assado acompanhado de arroz de alho e um sumo natural de lima e erva-príncipe.
O leitão: pele estaladiça e temperada na perfeição, quebrando a cada dentada com um som só possível em publicidade... e a carne tão tenra, a desfazer-se entre garfadas... tanto prazer a comer devia ser interdito a menores - isto é autêntica pornografia!
No entanto, tenho que fazer aqui justiça aos injustiçados. O lechon de Cebu é realmente "do outro mundo" - mas o "nosso" da Bairrada não lhe fica muito atrás, nem a sandes de pernil com queijo da serra da Casa Guedes... nem aquele pernil que comi no Leblon, como é que se chamava o restaurante... não interessa agora.
31/05/2013
SURPRESA Nº 4: BACALHAU
O segundo autocarro do dia chegou ao seu destino, Punta del
Diablo, já noite cerrada. Como foi uma viagem não planeada, decidida "em
cima do joelho", não tínhamos qualquer expectativa sobre o que nos
esperava. O novo plano era ficar ali uma noite e sair, na manhã seguinte, para
Cabo Polónio, o tal muito bem recomendado, e que nem ficava longe.
A mesa quase encheu com as quatro opções de picante que nos ofereceram. E nós
saímos para a rua de barriga cheia, felizes e satisfeitos por estes primeiros
momentos em Punta del Diablo.
Vamos a contas: mais do que apenas o bacalhau, neste post há a surpresa do picante, a surpresa do hotel, a surpresa desta simpática terrinha chamada Punta Del Diablo.
Mas assim que chegámos, percebemos que este lugar não tinha
nada a ver com a ibizesca Punta del Este. Fomos largados numa estrada de terra
batida, perto de um pequeno restaurante praticamente vazio - que era a única
porta aberta. Tudo o resto estava de luzes apagadas.
Tínhamos encontrado no guia um hostel chamado "El
Diablo Tranquilo" e perguntámos por direcções a uma pessoa que estava à
porta do restaurante.
"Segues por aquela rua, viras na terceira à direita, ou
será na segunda... bem, mas depois é a primeira à esquerda e sobes... tens o
hostel do lado direito... não, do lado esquerdo... é mais ou menos por
aí", e apesar de tudo lá fomos pelas ruas largas mal iluminadas, sempre
por terra batida, entre casas com "boa pinta", algures entre cabanas
de praia e casas "de arquitecto". Não se via viv'alma na rua, mas
também não nos sentíamos ameaçados.
A primeira impressão de Punta del Diablo não podia ser
melhor. Apesar de ainda nem termos a noção de onde estávamos, apesar de
estarmos perdidos à noite numa terra que não conhecíamos... a verdade é que
este lugar tinha uma energia especial.
Quando vimos uma bicicleta a descer por uma rua, acenámos a
pedir ajuda. Estávamos completamente à nora. O rapaz fez sinal para sairmos da
frente e passou por nós com um sorriso rasgado, mas sem conseguir parar a
tempo. Não tinha travões. Mais à frente conseguiu abrandar e deu a volta,
voltou para perto de nós a rir e perguntou se podia ajudar.
"Sabes onde fica o Diablo Tranquilo?"
"Sim, claro. Descem por esta rua e viram na segunda à
esquerda, sobem e vão ver o hostel do lado esquerdo, mais à frente. Querem que
eu vá convosco?"
Agradecemos a simpatia e deixámo-lo seguir caminho, não
havia necessidade de nos acompanhar, agora que estávamos tão perto. Mas a
sinceridade do gesto tocou-nos, e chegámos ao Diablo Tranquilo com um sorriso
estampado nos rostos.
No hostel estavam mais de dez pessoas a beber e à conversa,
o lugar parecia muito simpático e com "boa onda". Mas estávamos
cansados e cheios de fome, por isso largámos as mochilas na camarata e saímos
quase de imediato, à procura de comida.
E agora entra o bacalhau.
Apesar da grande surpresa do dia ser Punta del Diablo
propriamente dita, penso que essa surpresa só seria completamente revelada na
manhã seguinte. Por isso dividi os relatos de hoje em quatro, com as pequenas
quatro surpresas... e a quarta, que é a estrela deste post, é o bacalhau.
Quando finalmente nos sentámos à mesa de um restaurante (vazio, mas era o único ali perto e estávamos cheios de fome),
muito nos surpreendeu o facto do menu conter dois pratos feitos à base de
bacalhau. Pedimos duas Patrícias e depois de estudarmos todas as opções, decidimos experimentar:
O Bunty pediu o Bacalhau à
Veneziana com papas de milho, uma receita renascentista - segundo o menu - inventada
por Miguel Angel Buonarotti, que segundo a wikipedia era um escultor, pintor,
poeta e engenheiro italiano, um dos melhores do seu tempo, o primeiro a quem
foram dedicadas duas biografias, e que teve uma influência sem paralelo no
desenvolvimento da arte ocidental. Nunca tinha ouvido falar do senhor, mas o
bacalhau estava óptimo e fiquei curioso ;)
E porque queríamos experimentar
mais que um novo sabor, pedi os raviolis de bacalhau com molho de tomate e
amêndoa. Que combinação de sabores! Estava óptimo, muito saboroso... mas apetecia-me
algum picante. Falta um bocadinho de picante.
O Bunty vinha traumatizado com a
falta de picante na Argentina, apesar de ter gostado da comida lá. Em Montevideo
também não tivémos sorte, a única coisa que nos deram nos restaurantes fora
pimenta preta - que não é bem um picante, convenhamos.
Por isso, quando pedimos neste
restaurante se tinham picante, qual não foi a surpresa quando nos trazem um
piri-piri. E, caso, prefiram, têm aqui Tabasco. Ou então malaguetas esmagadas.
Vamos a contas: mais do que apenas o bacalhau, neste post há a surpresa do picante, a surpresa do hotel, a surpresa desta simpática terrinha chamada Punta Del Diablo.
O Cabo Polónio que se "ponha
a pau", que este lugar está mesmo a pedir para ficarmos só mais um
bocadinho....
SURPRESA Nº 1: EMPANADAS
O dia em que saímos de Montevideo foi recheado de
inesperados pormenores, de pequenos nadas e surpresas.
Mal saímos do hotel passámos numa loja de empanadas em que tínhamos reparado na noite anterior, com o
objectivo de levar algumas para a viagem de autocarro até Punta del Este - e não é que, além de sabores
típicos como carne de vaca, galinha ou vegetais... os senhores faziam uma
originalíssima e deliciosa empanada de dulce de leche!
Exactamente, não me enganei: empanada de dulce de leche.
Pesando bem os prós e os contras, depois de ter provado uma e repetido a dose: ainda bem que só estivemos um dia em Montevideo. Empanadas de dulce de leche? Perigosíssimo!
Muito perigosíssimo :)
10/04/2013
QUARTA-FEIRA É DIA DE FEIJOADA!
Bate leve, levemente. Como quem chama por mim. Será chuva? Será gente? Gente não é certamente. E a chuva, assim-assim ;) abrigámo-nos num restaurante e fomos ver: era uma feijoada.
Quarta-feira é dia de feijoada, no Brasil. E como feijoada leva feijão e choriço e porco... mas não leva vaca, até o Bunty se juntou a nós para este almoço leve-levezinho ;)
Foi a primeira feijoada do Bunty. Eu já comi muitas vezes em Portugal, claro - e adoro. Também já tinha experimentado a versão brasileira no Rio. Mas esta, acompanhada com costoleta, arroz, picante e uma espécie de caipirinha, foi sem dúvida a melhor.
Ainda por cima, regada com azeite da Figueira da Foz. :)
Quarta-feira é dia de feijoada, no Brasil. E como feijoada leva feijão e choriço e porco... mas não leva vaca, até o Bunty se juntou a nós para este almoço leve-levezinho ;)
Foi a primeira feijoada do Bunty. Eu já comi muitas vezes em Portugal, claro - e adoro. Também já tinha experimentado a versão brasileira no Rio. Mas esta, acompanhada com costoleta, arroz, picante e uma espécie de caipirinha, foi sem dúvida a melhor.
Ainda por cima, regada com azeite da Figueira da Foz. :)
28/03/2013
06/03/2013
A MINHA PRIMEIRA PIZZA PAULISTANA
É
que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da
deselegância discreta de tuas meninas
Aí galera! Estou teclando de Sampa, essa cidade que - tal
como Caetano - ainda "nada entendi".
E agora em Português de Portugal: cá estou em São Paulo, a
primeira paragem destes noventa e nove dias, vou já no terceiro e confesso que
fiz pouco até agora. Estou em casa do meu primo Pedro, já encontrei alguns
amigos, temos comido bem e pago balúrdios... Sampa não é nada amiga do bolso.
Logo no primeiro dia, estava estafado da viagem e da semana
de correrias em Lisboa e das voltas com os grupos na Indochina... e deixei-me
cair no sofá, a dormitar. Só recuperei alguma energia quando o meu primo chegou
a casa e me anunciou que íamos à Vila Madalena beber um chopp, e depois íamos
jantar ao Bráz.
Eu já tinha ouvido falar do Bráz.
Dizem o Lonely Planet, todas as críticas no tripadvisor e
algumas pessoas que me deram dicas sobre "onde ir e o que fazer" em
São Paulo, que o Bráz serve a melhor pizza da cidade. E até li alguns comentários
mais emocionados a dizer que é mesmo a melhor do mundo. Hmmm... enfim. Ok. De
certeza que nunca foram à Pizza Hut na estação de comboios de Sintra. Isso é
que é pizza. ;)
Mas a verdade é que estava curioso. Felizmente não fui ver o
site deles antes, pois lá explicam que o tomate é "plantado aos pés do
vulcão Vesúvio" e que é mais "adocicado e de acidez perfeita";
que a farinha é "100% Napolitana, a Farina Caputo 00,
produzida no pequeno "paese" Capua, em um moinho de 1924"; que
as alcachofras "chegam à Bráz vindas diretamente da Puglia, o salto da
Bota".
Não sei porquê, mas há uma poesia na
proveniência de cada ingrediente que
acrescenta mística à pizza e faz disparar as expectativas. O que pode
ser perigoso. Mas a verdade é que a pizza da Bráz cumpre.
Em primeiro lugar: o restaurante é
simpático, muito clássico, nada pretensioso. E o serviço: impecável.
Começámos pela tradicional entrada da
casa: o pão de calabresa. Uma espécie de bola cheia de presunto lá dentro, que
molhámos em azeite... e tudo isto muito bem acompanhado da cerveja Original -
que, confesso, gostei mais que o chopp
da Brahma que experimentei na Vila Madalena, umas horas antes.
Depois veio a pizza. E como quem sabe, sabe - deixei os meus
amigos escolher. Veio uma pizza enorme, que na verdade era um mix de três sabores,
cada qual melhor que o outro - com destaque para a Fosca, uma especialidade do
Bráz que leva presunto, queijo catipury, mozzarella e tomate.
Há mais de seis mil pizzerias em São Paulo - e este fenómeno
deve-se a um fluxo de milhares de imigrantes italianos, que aqui se estabeleceram
no final do séc. XIX, e que criaram uma das maiores comunidades de italianos do
mundo. Por isso não é surpresa que, tantos anos depois, haja uma tradição tão
forte de comida italiana em São Paulo.
Aliás: "diz" que a pizza paulistana é tão boa, que
até os "italianos de Itália" têm ciúmes.
19/02/2013
AS 10 MAIS DELICIOSAS COMIDAS DA INDOCHINA
Apesar de já estar com as energias concentradas na minha próxima
aventura, decidi partilhar hoje uma espécie de reflexão gastronómica que fiz ontem no aeroporto do Dubai, acerca destas voltas no sudeste asiático. Uma reflexão em formato "top ten".
Confesso que não foi fácil escolher dez comidas entre tantas maravilhas gastronómicas. Foi um exercício de profundo masoquismo. Mas eu tenho espírito de sacrifício, e submeti-me a este horror que foi recordar, seleccionar, pesquisar fotos no google e descrever, num só post, cada um dos pratos escolhidos.
Confesso que não foi fácil escolher dez comidas entre tantas maravilhas gastronómicas. Foi um exercício de profundo masoquismo. Mas eu tenho espírito de sacrifício, e submeti-me a este horror que foi recordar, seleccionar, pesquisar fotos no google e descrever, num só post, cada um dos pratos escolhidos.
O meu "top ten" não tem ordem. É como as 7 Maravilhas. Não há um primeiro lugar, nem um último. Estão todas empatadas. Aliás, complicado foi mesmo escolher; tive de deixar de parte alguns pratos que não ficam muito atrás destes dez. Mas teve de ser.
A ordem em que as comidas são apresentadas aqui é meramente geográfica, segue o "mapa" da minha viagem com os grupos Nomad (Vietname, Cambodja,
Tailândia e Laos). Ah: e a maior parte das fotos não são minhas - é que tenho um
grave problema com a comida na Indochina. Quando chega à mesa, esqueço-me
de registar o momento e muitas vezes só me lembro de o fazer quando o prato já
vai meio comido. Ou seja: o google resolve. ;)
Fica a lista, então - e começa logo com aquele prato de
Hànôi que já "celebrizei" aqui no blog, há cerca de um mês.
BUN CHA
(HÀNÔI)
(HÀNÔI)
Não há muito a acrescentar ao que já foi escrito aqui sobre o
bún chà. É um dos meus pratos preferidos. Ponto. Seja na Ásia, Europa ou noutra
galáxia qualquer - poucas coisas se aproximam deste nước mắm (caldo de peixe)
servido nas ruas de Hànôi. Um prato tão simples - e tão rico, tão completo. A
combinação perfeita de noodles de arroz com a carne de porco grelhada, as ervas
a acompanhar... e se houver um pratinho de rolinhos de caranguejo ao lado...
hmmm... que saudades, só de imaginar.
NEM CHUA
(VIETNAME)
Não sei se já alguma vez tinha falado de nem chua, aqui.
Acho que sim. Nem chua são uns rolinhos de carne de porco fermentada, tipo chouriços,
normalmente com alho e malagueta, enrolados em folhas de bananeira. Há várias versões pelo Vietname fora, umas mais picantes, outras mais gelatinosas, depende das regiões. Apesar de muita gente ficar de pé atrás
ao ver um bocado de carne aparentemente crua enrolada numa folha, a verdade é que o sabor ao mesmo
tempo doce, amargo, salgado e picante é, na minha opinião, dos melhores no
Sudeste Asiático.
BERINGELA REFOGADA COM CARNE DE PORCO PICADA
(HÀNÔI)
Os turcos chamam-na de "rainha dos vegetais" e cozinham-na de mil e uma maneiras diferentes. Em Portugal, habituámo-nos à sua presença e é cada vez mais frequente à mesa de muitas casas. No Sudeste Asiático, a beringela é discreta... mas está em todo o lado. E é no Vietname, principalmente em Hànôi, que encontra, na minha humilde opinião, a combinação perfeita. O nome diz tudo, é provar para crer.
BIFINHOS DE VACA COM MOLHO DE TAMARINDO
(HUÉ)
Este prato é um clássico da cozinha tradicional do centro do Vietname, mas não é muito comum encontrá-lo em restaurantes. Chama-se trai me thit bo, e apresenta uma mistura simples mas extraordinária de sabores.
KHMER SOUR SOUP
(PHNOM PENH)
Os locais chamam-lhe Samlar Machu e é a base para uma variedade grande de sopas com um travo amargo a tamarindo - sendo que a minha preferida é a de peixe, servida com ananás e tomate.
AMOK
(CAMBODJA)
É um dos pratos mais apreciados pela maioria das pessoas que visitam o país, e sem dúvida dos meus preferidos na Ásia.
O amok é um caril com influências óbvias da Índia, apesar de mais doce e
nada picante. O mais famoso é feito com peixe, mas há versões para todos os
gostos: amok de frango, vaca, porco e até tofu. Seja como for, o caril é feito com
leite de coco, amendoim torrado, alho, erva-príncipe, folha de lima kaffir,
rabanetes... e depois de tudo muito bem misturado, é envolvido em folhas de
bananeira e vai a cozer. Dependendo do sítio onde é feito, pode ter uma
consistência mais líquida, tipo sopa; ou mais pastosa, tipo molho. O meu preferido é servido num restaurantezinho de estrada, em Angkor Wat, onde costumo ir almoçar com os grupos.
TOM YUM
(BANGKOK)
Um dos pratos mais famosos da Tailândia - nem que seja pelo facto de ser tão picante. Esta sopa de erva-príncipe, folha de lima kaffir, gengibre tailandês, sumo de lima, molho de peixe e malaguetas pode ser servida com carne ou peixe, mas a versão mais popular (e também a minha preferida) é a de camarão. Deliciosa - mas só para corajosos! E se não for picante, não é Tom Yum a sério.
MASAMAN
(BANGKOK)
A CNN colocou este prato tailandês de origem persa no topo das 50 melhores comidas em todo o mundo - e eu percebo porquê. É um caril adocicado, à base de leite de coco, amendoim e/ou caju torrados, batata, cardamomo, canela, estrela de anis, açucar de palma, molho de peixe, malaguetas e tamarindo. Normalmente é servido com carne de vaca, mas como quase todos os pratos de caril nesta zona do mundo, pode-se comer com galinha, pato, etc, etc. Por ser de origem muçulmana, é raro encontrar um masaman de porco.
LAAP
(LAOS)
É o prato nacional do Laos. E, como os outros desta lista, um dos meus preferidos em toda a Ásia. O laap é uma espécie de salada de carne (galinha, pato, vaca ou porco - mas também há de peixe e cogumelos, por exemplo), que é picada ou cortada em pedaços muito pequenos, e até pode ser servida crua ou ligeiramente cozinhada em molho de peixe e lima. A carne é servida com rebentos de soja, chili, alho e muita hortelã-pimenta fresca. Às vezes também vem com coentros frescos. É acompanhada à temperatura ambiente, com sticky rice e é ao mesmo tempo fresca e picante. Hmmmm...
SALADA DE CAMARÃO COM MOLHO PICANTE
(LUANG PRABANG)
Nunca na vida comi coisa mais picante. Mas é tããão bom.
Agora vou só ali buscar um guardanapo para limpar o teclado do computador, que está todo babado.
09/02/2013
JANTAR NO PHNOM PENH NIGHT MARKET
Voltando ao tema "comida":
Na última noite em Phnom Penh, antes de seguirmos viagem para Angkor, trocámos as mesas de um restaurante por esteiras no chão do Night Market e jantámos com as famílias locais.
A comida nem sequer foi especialmente exótica: espetadas de camarão e caranguejo, arroz com carne de vaca e ervas, coxinhas de frango, lulas grelhadas com limão e ovo cozido com feto de pato. Tudo delicioso, e regado a sumo de cana do açúcar e batido de lima, gengibre e menta.
Desta vez ninguém experimentou aranhas fritas... mas alguns dias depois, em Bangkok, houve quem desse umas trincas nuns escorpiões! :)
E já agora: vai umas espetatinhas de Angry Birds? eheh
Na última noite em Phnom Penh, antes de seguirmos viagem para Angkor, trocámos as mesas de um restaurante por esteiras no chão do Night Market e jantámos com as famílias locais.
A comida nem sequer foi especialmente exótica: espetadas de camarão e caranguejo, arroz com carne de vaca e ervas, coxinhas de frango, lulas grelhadas com limão e ovo cozido com feto de pato. Tudo delicioso, e regado a sumo de cana do açúcar e batido de lima, gengibre e menta.
Desta vez ninguém experimentou aranhas fritas... mas alguns dias depois, em Bangkok, houve quem desse umas trincas nuns escorpiões! :)
E já agora: vai umas espetatinhas de Angry Birds? eheh
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