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06/06/2016

UM PITADA DE AÇÚCAR

Encontrei-me com o Filipe Morato Gomes no café que me indicara no mapa - e findos os salamaleques que já se sabe, pedi um chá de qualquer-coisa que me foi recomendado por uma iraniana. Estava bom mas confesso que não me surpreendeu por-aí-além. É que: o que mais me chamou a atenção foi o açúcar.

Ao longo das três semanas passadas no Irão, haveria de encontrar muitas vezes esta particularidade da cultura iraniana - e se por um lado deixou de ser surpresa, por outro nunca deixei de me impressionar.

No Irão, em vez de pacotinhos de açúcar a acompanhar o chá, vem isto:

É açúcar cristalizado, metido num pauzinho como se fosse um gelado ou um chupa-chupa. Mete-se na chávena e depois é só deixar derreter. Muito original!



16/05/2016

HAVIJ BASTANI... QUE DELÍCIA!

Um dos pitéus mais deliciosos que provei no Irão foi o Hajiv Bastani, uma espécie de snack/sobremesa muito popular e tradicional, feito de:

a) sumo de cenoura
b) gelado de baunilha, açafrão e água-de-rosas
c) pistachio

Muito fresco, saboroso e saudável, óptimo para os dias de calor que aí vêm ;)

Muito simples de preparar:

Deixe "de fora" uma caixa de gelado de baunilha, para descongelar.

Dissolva meia colher de açafrão em quatro colheres de água quente; e depois misture esse líquido com o gelado de baunilha já "derretido".

Se encontrar à venda "água-de-rosas", óptimo. Eu nunca vi em lado nenhum, mas confesso que nunca estive muito atento. Junte uma colher ao gelado e misture. Senão paciência, fazer-o-quê. ;)

Guarde o gelado novamente no congelador, até ficar
bom para consumo.

E quando for para servir... ponha duas ou três bolas num copo e junte o sumo de cenoura acabado de fazer. Misture três ou quatro pistachios esmagados, uma pitada de canela... e bom proveito! :)

18/02/2016

O MEU PAD THAI PREFERIDO FECHOU :(


Aproveitando o facto de seguir "lançado" com o tema pad thai, aproveito para partilhar aqui a minha profunda tristeza pelo desaparecimento de uma "loja" que eu muito acarinhava, e onde há mais de cinquenta anos se comia aquele que, na minha opinião, era um dos melhores pad thai de Bangkok.

Chamava-se The Original Pad Thai at Tha Chang Pier e, como o próprio nome diz, situava-se junto ao cais Tha Chang, uma das principais paragens nos barcos que sobem-e-descem o rio Chao Pharaya, pois é a que tem acesso ao Grand Palace. Acontece que as autoridades locais decidiram fechar o mercado de comida que aqui estava há décadas, de acordo com uma política de "embelezamento" da cidade que, infelizmente, está a pôr em causa a própria identidade de Bangkok. Na minha modesta opinião, pois claro.

O The Original Pad Thai at Tha Chang Pier foi fundado em 1963 por uma jovem de 17 anos, que desde o primeiro dia cozinhou o pad thai no método tradicional - ou seja, num wok sobre um fogão de carvão. Cada dose custava, ao início, apenas 1,50 baht.

O talento foi passando de geração em geração - da fundadora para a filha, e depois para a neta - mas ao longo dos tempos só mudaram os nomes, porque os sorrisos (ao que se diz) continuavam os mesmos de há cinquenta anos, bem como a receita original do pad thai, uma das mais autênticas e originais.

Como disse, este "estabelecimento" foi encerrado. Bem como dezenas de outros no cais de Tha Chang. Os edifícios em redor estão agora recuperados, com muito bom aspecto, mas a zona ganhou um vazio triste. Falta-lhe vida. Falta-lhe alma.

Fui apanhado de surpresa, no último grupo. Ia "lançado" para lá almoçar, como de costume, como fiz com a maior parte dos grupos da Indochina... e, quando lá chegámos... :(

17/02/2016

O MELHOR PAD THAI DO MUNDO?

Este último fim-de-semana, em Bangkok, fui finalmente experimentar aquele que é considerado, por muitos, o melhor pad thai da Tailândia. O que, por uma questão de lógica, faz com que seja o melhor pad thai do mundo.

Quem me falou do Thip Samai foi uma viajante de um dos meus grupos. Tinha lido algures sobre o local, mas como não ficava "no caminho" do nosso programa, nunca experimentei com grupo nenhum. Mas já tinha tentado ir lá comer, noutra ocasião, e fui dar com a cara na porta, como se costuma dizer.

Seja como for: desta vez consegui.

E, já agora, para quem possa não estar a par: o pad thai é o "prato nacional" da Tailândia. Uma mistura de noodles com vegetais e camarão, amendoins e rebentos de soja - que é incontornável, numa viagem à "Terra dos Sorrisos". É normalmente feito em bancas de rua... e é uma pechincha.

Mas continuando: o Thip Samai (que, traduzindo, quer dizer qualquer coisa como "o portão fantasma") é um dos restaurantes mais famosos de Bangkok, muito por culpa do pad thai que servem, que tem sido considerado por publicações internacionais, críticos e clientes como o melhor do mundo.

A expectativa era alta, portanto.

Cheguei por volta das dez da noite e dei de caras com uma fila de vinte ou trinta pessoas, mas que nem sequer demorou muito tempo a despachar. O meu amigo Joe não parecia muito entusiasmado com a experiência, insistindo que o restaurante está sobrevalorizado e que é mais caro que outras opções tão boas ou melhores. E embirrou especialmente com o sumo de laranja, que (há que concordar) era estupidamente caro.

Mas eu queria mesmo experimentar o Thip Samai, nem que seja para opinar, nem que seja só para dizer que Já Fui.

Dez da noite, vinte pessoas, uma azáfama de empregados a andar para-a-frente-e-para-trás com pad thais a fumegar, clientes à espera das suas encomendas para take-away, turistas a tirar selfies. A cozinha do restaurante fica na rua, um fogão a carvão com um wok enorme onde se cozinham uns 10-15 pad thais de cada vez, mais a placa onde são feitos os ovos, pilhas enormes de pratos, o ritmo da espátula a bater no wok, os empregados a mandar vir com isto-e-aquilo... e os tais sumos de laranja enfiados numa arca cheia de gelo. Um colorido típico de Bangkok, portanto.

Nem dez minutos à espera. Chegou a nossa vez.

Da rua fomos levados para o interior do restaurante, as salas com muito "boa pinta", as paredes cheias de recortes de jornais e revistas, da CNN e da Time, de prémios em concursos de comida tailandesa, mais cartazes a fazer publicidade ao sumo de laranja.

Pedi um Pad Thai Haw Kai Goong Sot, que é uma variação da receita tradicional, em que o pad thai traz dois camarões enormes e é enrolado numa omolete. O Joe pediu a versão tradicional. E (não resisti!) para beber pedi o tal sumo de laranja.

150bahts, que roubalheira, são quase cinco euros por uma garrafinha... okay, serve duas doses, menos mal... e deixa lá experimentar... hmmmmm... parece-me mais clementina, ou tangerina, do que laranja... muito bom! E por muito que o Joe revirasse os olhos para me lembrar que achava um absurdo ("a bebida foi mais cara que o jantar propriamente dito", haveria de escrever ele no seu facebook), a verdade é que o sumo era mesmo delicioso.

Mas e o pad thai?

É o melhor do mundo ou não?

Se é o melhor, não sei. Não experimentei todos. Mas é, sem dúvida, um dos melhores que já provei. Os noodles são alaranjados por serem fritos em óleo de camarão, tem uma equilíbrio perfeito entre o salgado do molho de peixe, o doce do açúcar de palma e o amargo do tamarindo; e os noodles, soube mais tarde, vêm de Chanthaburi, famosos porque são secos ao sol, como antigamente, sem recurso a qualquer tipo de máquina.

O Joe continuava a embirrar, "é bom mas também não é o que se diz", mas a verdade é que não acrescentou açucar, amendoins, vinagre, chili ou lima - ingredientes que estão sempre disponíveis e dos quais o meu amigo normalmente abusa... menos hoje, porque "já está bem temperado". ;)

Se é o melhor? Não sei, mas convido todos os seguidores deste blog a virem experimentar, para assim poderem dar a vossa opinião.

Pad Thai Thip Samai
313, Thanon Maha Chai
Phra Nakorn
(muito perto da Golden Mountain, a poucos minutos a pé do Democracy Monument)

Aberto das cinco da tarde às duas, três da manhã.

16/02/2016

SAI UM "PEIXE ATRAVÉS DA MANHÃ" PARA A MESA DO FUNDO!

Às vezes, ler o menu do restaurante é uma experiência em si mesma.

Há com cada tradução:





01/03/2015

SAI UM CAFÉ COM OVO PARA A MESA DO CANTO

Ainda não foi este fim-de-semana que encontrei um bun chá melhor que o meu preferido... e também não foi este ano que ganhei o prémio para o qual este blog estava nomeado (aliás: muitos parabéns ao Filipe, à Carla e aos outros vencedores)...

...mas ontem foi o dia em que finalmente provei o famoso Ca Phé Trung, uma especialidade muito particular de Hanói.

Já tinha ouvido falar desta bebida, tinha até procurado por ela - mas nunca a encontrara em lugar algum. E não é que, sem me dizer nada, o meu amigo Quang levou-me a dar uma volta de mota em Hanói, ontem ao final da tarde - e, para minha surpresa, levou-me a experimentar o tal café com ovo que tantas vezes imaginei/temi.

Confesso que a ideia me fazia alguma comichão. Vá-se lá saber porquê, mas na minha cabeça visualizava sempre um café servido com uma clara crua. Que estupidez.

Tem ou não bom aspecto? No fundo é uma espécie de gemada. E vem a acompanhar uma dose de café vietnamita.

Que delícia!

Quais prémios da BTL, quais quê! ;)

UM BUN CHÁ ASSIM-ASSIM

"Meet me in front of the Royal City", dizia o SMS que recebi ontem ao final da manhã. Eu nem sabia que havia uma Cidade Real em Hanói.

Muito bem, pensei. Passo a conhecer mais uma parte da cidade. E, pelo nome, pode ser que até valha a pena levar os grupos da Nomad lá, da próxima vez. A ver vamos. Sempre a aprender.

Mas vamos por partes:

A razão de ser desta combinação nada tinha nada a ver com turismo. Eu estava prestes a meter-me em cima de uma mota e atravessar meia-Hanói... por um bun chá. E para quem não sabe o que é um bun chá, por favor clique aqui antes de prosseguir a leitura deste post. Tenham algum decoro, por favor.

Esclarecidos? Continuemos. ;)

Acho que nunca tinha comentado acerca disto no blog, mas tenho esta mania (chamem-lhe pancada) de desafiar os meus amigos de Hanói para me darem a provar o seu bun chá preferido. E até já tenho o meu, aqui, mas continuo à procura de ser surpreendido - e, quem sabe, render-me a outro. Podia até dar-me por satisfeito com os bun chá que já experimentei (e não foram poucos), mas querem o quê?, no que diz respeito à minha "cena" com o raio do prato, não há como conformar-me.

Continuando: ontem recebi um SMS de um amigo que já me "devia" há algum tempo uma visita a um bun chá. Depois de algumas ameaças e tantos outros cancelamentos, finalmente desafiava-me a ir ter com ele para cumprir a missão que sabia estar por cumprir. Pediu-me para ir ter com ele à tal cidade real, que eu não fazia ideia existir em Hanói - e como sou obediente e bom rapaz, saí para a rua e abordei o primeiro moto-taxi que encontrei. Como o senhor não entendia nada do que eu dizia, liguei ao meu amigo e ele explicou-lhe onde ir.

E lá fomos. Entre trânsito e peões e cartazes de publicidade, lojas com nomes engraçados e os tradicionais emaranhados de fios de electricidade, mais as montras decoradas com imagens de cabras (começou há uma semana o respectivo ano lunar).

Até que chegámos à Royal City.

A sério.

Nem queria acreditar. Aquilo que eu pensava ser um landmark histórico, um potencial ponto de visita para os grupos da Nomad - afinal era um Mega Mall.

Com estátuas gregas.

Pois. Ou romanas. Eu-sei-lá.

Enfim: o driver deixou-me à porta e eu liguei ao meu amigo a avisar que estava à espera dele à porta da... hmmm... cidade real. O Quang apareceu pouco depois a rir, já estava à espera que eu tivesse "vindo ao engano". Com amigos assim... ;)

Montei-me então na sua mota e lá fomos por entre bairros residenciais, em zonas da cidade que me eram completamente desconhecidas. Parámos finalmente em frente a uma garagem muito simples, parecia uma oficina, completamente despretensiosa, sem nada de muito interessante que mereça aqui destaque. Parámos a mota e sentámo-nos a uma mesa (confesso que prefiro a versão banquinhos-rentes-ao-chão) e esperámos que nos viessem servir.

E chegados a este ponto, tenho que admitir aqui a minha desilusão. Tanto mistério, tanta volta e tanta coisa... para nada.

Não era mau, o bun chá. Mas também não era excelente. Nem óptimo. Nem muito bom.

Era um bun chá... assim-assim. :/

(eu, desiludido)

14/06/2014

PAPAROCA

Há quem prefira saladas, outros ficam-se pelas sandes, uns misturam noodles com ingredientes vários, ou couscous, sopas, purés instantâneos. Variedade de refeições não falta, no Transiberiano. O limite é a imaginação.

Normalmente fazemos umas compras antes de embarcar no comboio. Mas há quem prefira o vagão-restaurante, claro. Cada pessoa tem os seus gostos, feitios, manias e disponibilidade. O que interessa é chegar ao fim do viagem satisfeito.

Fica uma foto-exemplo de algumas opções ao almoço, ontem. A ver se um dia destes partilho aqui umas receitas, para inspirar futuros viajantes ;)


05/10/2013

O LEITÃO DO ANTHONY

No blog que Anthony Bourdain mantém no Travel Channel, há um post chamado "A Hierarquia do Porco" - em que o conhecido chef dá conta do seu nervosismo relativamente ao programa que fez sobre as Filipinas. Diz o senhor que, num país de sete mil ilhas - onde só visitou duas - é impossível fazer justiça à riqueza cultural que representam as centenas de pratos regionais.

E a determinada altura, fala do lechon.

E diz o seguinte:

"Posso agora dizer que de todos os pratos de porco assado que já experimentei por todo o mundo, o lechon que comi em Cebu foi o melhor."

Andei a pesquisar na net, como de costume, e descobri um pouco mais acerca do leitão que o sr. Bourdain experimentou.

Era uma vez um cozinheiro amador chamado Joel Binamira, que mantinha um blog de comida chamado www.marketmanila.com e que decidiu experimentar assar o leitão "à maneira antiga", porque estava farto das inovações que tinham tomado conta do mercardo, em Cebu. Muito simples: só podia usar leitões que tivessem crescido no quintal, ingredientes frescos, sem quaisquer aditivos e outros truques artificiais. O leitão tinha de ser assado num pau de bambu, muito lentamente, e "furado" ocasionalmente, para conseguir uma pele mais estaladiça. Após várias experiências, Joel chegou a uma versão que o satisfazia - e comunicou o feito no seu blog.

Pouco tempo depois, o filipino foi contactado pela produção do "No Reservations", que estava a preparar um programa sobre a comida nas Filipinas - e queriam fazer do lechon o "protagonista principal".

Em frente às câmaras, Bourdain disse que a pele do leitão "sabe a rebuçado". E quando foi convidado, mais tarde, a assinar o livro de convidados, escreveu três palavras mágicas:

"Best pig... EVER!"

Não é preciso ser bruxo para adivinhar o que aconteceu a seguir.

No Domingo seguinte, Joel mandou preparar dois leitões inteiros. Venderam-se em dez minutos. Uma semana depois, preparou cinco. Apareceram cem pessoas - e em meia hora, já não havia leitão para mais ninguém.

Joel tem agora dois restaurantes em Cebu. E eu jantei num deles, esta noite.

Sim, estou nas Filipinas. De Singapura voei para Manila, de Manila para Cebu - e tenho andado a recuperar sono e energias por aqui. Mas cada coisa a seu tempo. Depois falamos com mais calma sobre estas voltas - só que não resisto a partilhar aqui estas sensações de hoje :)

Hoje jantei no Zubuchon, em Cebu. E comi o quê? Comi frango em leite de coco, lulas recheadas e beringe... a sério?! Nããã... nada disso.

Comi, claro está, o "melhor porco do mundo". Um leitão assado acompanhado de arroz de alho e um sumo natural de lima e erva-príncipe.

O leitão: pele estaladiça e temperada na perfeição, quebrando a cada dentada com um som só possível em publicidade... e a carne tão tenra, a desfazer-se entre garfadas... tanto prazer a comer devia ser interdito a menores - isto é autêntica pornografia!

No entanto, tenho que fazer aqui justiça aos injustiçados. O lechon de Cebu é realmente "do outro mundo" - mas o "nosso" da Bairrada não lhe fica muito atrás, nem a sandes de pernil com queijo da serra da Casa Guedes... nem aquele pernil que comi no Leblon, como é que se chamava o restaurante... não interessa agora.

07/11/2012

UM EMPATURRADO DOMINGO

No domingo passado, fui convidado para ir almoçar com uns amigos. Como sabiam que sou bom garfo e gosto de experimentar "coisas novas", levaram-me a um "buffet de domingo vietnamita". Eu não fazia ideia sobre o que era um "buffet de domingo vietnamita".

Assim que parámos a mota à orta do restaurante, avisaram-me que era caro, "se preferires ir a um sítio mais barato não faz mal".

Eu fiz-me de Quase Ofendido e fiz questão de comer ali.

O restaurante chama-se Sen Hà Thành, ou Sen Tâi Hô, ou Sen Nam Thàn... não tenho a certeza, havia três nomes à entrada, todos da mesma família - e eu estava num deles.

Primeira impressão: o chão. Gostei e tirei logo duas fotografias para acrescentar ao álbum da minha página no facebook.

Um empregado começou por nos indicar uma mesa no primeiro andar - mas nem nos sentámos logo, porque tivemos de descer ao rés-do-chão para nos servirmos do almoço.

Servi-me de uma tigela de sopa de abóbora, "tens de entregar ao empregado que ele depois leva", obedeci às instruções e voltei à carga. Uma salada de manga verde aqui, uns rolinhos vietnamitas ali, mais uns camarões com óptimo aspecto, bifinhos de vaca guisados, arroz "cinco cores"... e isto deve ser língua de boi, deixa cá experimentar um bocadinho... e isto, desculpe, o que é isto... pulmões de cabra?

Enchi dois pratos e entreguei ao empregado, ainda me perguntaram se queria mais, ao que respondi "não obrigado, já levo imensa comida, nem sei se consigo comer tudo isto."

Sentámo-nos. E o espectáculo começou.

Começaram por servir a sopa, mas à medida que a comíamos foram pousando os pratos na mesa. Os seis pratos. Nós éramos três. E assim que a tigela já sem sopa foi levantada, "trouxe sushi para todos, sirvam-se à vontade" e comentários do género. A comida era para partilhar - ok, nem me lembrara disso antes, mas adapto-me bem à coisa, continua a ser seis pratos para três, nada muda.

Pensava eu.

Qual não foi a minha surpresa quando surge um vietnamita de chapéu de cowboy a segurar num facalhão e num espeto, de onde três nacos de picanha brilhavam a olhar para mim.

"Queres?"

"Quero."

E depois da picanha veio ananás no espeto, e um tabuleiro com um peixe delicioso, e outras coisas que não sei dizer o nome. Os pratos na mesa foram sendo levantados, à medida que ficavam vazios - e quando eu achava que estava prestes a rebentar e que era chegada a hora de pedir a conta:

"Vamos lá abaixo buscar a segunda rodada."

Antes de avançar, deixem-me que vos descreva um pouco o ambiente em redor. O restaurante, composto de várias salas em vários andares, estava lotado. Eram 11 da manhã - e estava completamente cheio. Muitos grupos de amigos, um ou outro casal... mas na grande maioria: famílias. Famílias inteiras, vietnamitas, nem um estrangeiro na minha sala, nem um estrangeiro em todo o restaurante. Crianças a correr de um lado para o outro, crianças a chorar, adolescentes de aparelho agarrados ao iphone, criancinhas de colo com ipad à frente, para não chorarem, a ver desenhos animados, a ser estupidificados logo aos seis meses de idade... maridos e respectivas sogras, gente de sucesso, muitos relógios dourados e saltos altos, a roupa de domingo - tudo a rigor.

Estão a ver o cenário, não estão?

Continuando.

Já sem muita imaginação, optei por um esparguete com molho de marisco. Levei tubarão e recusei lulas, apesar de que tinham bom aspecto. Experimentei salada russa e uns fritos que não sei identificar. E quando me sentei novamente à mesa, para a segunda rodada, foram servidos cinco pratos cheios para os três. Eu tinha sido o único a encher um só prato.



Obviamente que não se comeu tudo - pois tínhamos de guardar um pouco de apetite para a sobremesa.

"Só como um bocadinho de fruta," declarei.

Mas no meu prato acabou por vir ananás, pêra, melancia e um fruto cujo nome não conheço, mas de que gosto muito... e uma mousse de maracujá, uma espécie de pudim flan e ainda uma gelatina. Nos pratos dos outros: mais fruta, doces e bolos - tudo para partilhar.

Só de visualizar a cena, sinto-me a rebentar outra vez.

Não comi o resto do dia, claro está - e se já me sentia meio adoentado (que sina esta a minha, acontece sempre que chego a Hanói, na primeira Indochina da época), pior fiquei ao fim deste tão empaturrado domingo.

Saímos do restaurante à uma da tarde - a rebolar.

E a conta: 10 euros por pessoa. Dez. Inacreditável.

22/11/2009

EXPERIENCIAS GOURMET #02



E umas rãs acompanhadas de cerveja fresquinha? Que delícia! Também sabe a frango, curiosamente. :)

















21/11/2009

EXPERIENCIAS GOURMET #01

Começo, com este post, uma “rubrica” que promete alguns arrepios, sorrisos e, quem sabe, água na boca.



Hoje ficam as fotos daquela que foi a minha experiência mais radical, a nível gastronómico. Um ovo cozido que estava algures entre a gema e o pintainho. Aconteceu numa aldeia algures no centro do Vietname, quando fiquei retido com o primeiro grupo nomad num comboio, por causa do tufão Mirinae.













Um ovo com sabor a frango, portanto.