Só a mim.
Quando estava a fazer as malas em Singapura, há alguns dias, deixei de parte o carregador da máquina fotográfica, porque tinha a bateria extra a carregar. Espreitei várias vezes, para ver se a luzinha já tinha passado de vermelha para verde.
E no final, quando saí a correr porque tinha chegado o táxi... oops.
Pois: ficou o carregador, mais a bateria, mais as fotografias todas que poderia tirar com a máquina aqui em Bali, esta semana. Tenho-a comigo, felizmente, mas a bateria que lá está dentro já só tem uma réstia de energia. Não há-de dar para muito.
Ou seja: iphone para o registo desta semana e não refila.
E assim que voltar a KL compro outro carregador.
Grrr...
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05/01/2015
03/01/2015
BOM DIA... E BOM ANO!
Neste momento estou em Bali, na costa norte. O tempo não está nada de especial, mas está-se muito bem de papo para o ar, por aqui. Que óptima forma de começar o ano: a descansar.
Já conversamos.
02/01/2015
BOLLYWOOD STYLE
Trinta e um de Dezembro, dez da noite.
Tínhamos acabado de jantar e íamos a pé para a Marina Bay, para assistir ao fogo-de-artifício à meia-noite. E de repente, assim do nada: música. Bollywood style. Começa tudo a dançar, braços no ar e ombros a dar-e-dar. Aparecem três motas todas "artilhadas", com a música aos altos berros - e não digo mais nada. Ficam três fotos só para terem uma ideia ;)
Que belo momento, estes oito minutos de música e cor, antes do ano acabar.
Melhor que o fogo-de-artifício, se tivermos em conta as expectativas.
Tínhamos acabado de jantar e íamos a pé para a Marina Bay, para assistir ao fogo-de-artifício à meia-noite. E de repente, assim do nada: música. Bollywood style. Começa tudo a dançar, braços no ar e ombros a dar-e-dar. Aparecem três motas todas "artilhadas", com a música aos altos berros - e não digo mais nada. Ficam três fotos só para terem uma ideia ;)
Que belo momento, estes oito minutos de música e cor, antes do ano acabar.
Melhor que o fogo-de-artifício, se tivermos em conta as expectativas.
PRIMEIRO DE JANEIRO
A primeira manhã: a dormir.
A primeira tarde: a passear junto ao rio Singapura, com direito a sangria, cervejas e tapas.
O primeiro fim-de-tarde, o lusco.fusco, a primeira noite: caminhada até ao Marina Bay Sands, a subida até ao deck, a vista espectacular lá de cima.
E para acabar: um chili crab e boa companhia.
Esteve-se bem em Singapura, no primeiro de Janeiro. Entretanto viemos hoje para Bali, o dia todo em viagem, de táxi para o aeroporto, de avião para a Indonésia, de carro para Lovina, no norte da ilha.
Fica aqui uma amostra desse passeio de ontem ao anoitecer; e Singapura vista de cima. Até já!
A primeira tarde: a passear junto ao rio Singapura, com direito a sangria, cervejas e tapas.
O primeiro fim-de-tarde, o lusco.fusco, a primeira noite: caminhada até ao Marina Bay Sands, a subida até ao deck, a vista espectacular lá de cima.
E para acabar: um chili crab e boa companhia.
Esteve-se bem em Singapura, no primeiro de Janeiro. Entretanto viemos hoje para Bali, o dia todo em viagem, de táxi para o aeroporto, de avião para a Indonésia, de carro para Lovina, no norte da ilha.
Fica aqui uma amostra desse passeio de ontem ao anoitecer; e Singapura vista de cima. Até já!
01/01/2015
FELIZ 2015!
Contagem decrescente, fogo-de-artifício, multidão aos gritos.
Foi assim em quase todo o mundo. Particularidades culturais à parte, quase todos sorrimos e abraçámos aqueles com quem partilhámos o momento. Lembrámos os momentos menos bons do ano, demos graças pelas alegrias e pelas conquistas. Uns mais que outros, assim é a vida e o caminho que cada um percorre.
Aqui em Singapura não foi diferente. Especial, sem dúvida, para mim e para os amigos que cá estão, e para os milhões de pessoas nas ruas da cidade. Como foi para quem passou em Lisboa e em Nova Iorque, em Moscovo e em Sydney, no Rio de Janeiro, no Algarve, em Paris e no Dubai. E em casa de cada um, das cidades mais caóticas à mais bucólica das aldeias.
Geografias à parte: que seja um Ano Bom para todos nós, com muitas voltas à mistura, reviravoltas das boas, surpresas e sorrisos, reencontros e alegrias várias.
Neste cantinho da internet e do mundo, cá continuarei a partilhar as minhas voltas e as curiosidades que vou encontrando pelo caminho. Inspirando alguns, espero; desafiando outros, despertando memórias, curiosidade e alguma inveja, que também é saudavel.
Abraço de Singapura! Feliz Ano Novo!
Foi assim em quase todo o mundo. Particularidades culturais à parte, quase todos sorrimos e abraçámos aqueles com quem partilhámos o momento. Lembrámos os momentos menos bons do ano, demos graças pelas alegrias e pelas conquistas. Uns mais que outros, assim é a vida e o caminho que cada um percorre.
Aqui em Singapura não foi diferente. Especial, sem dúvida, para mim e para os amigos que cá estão, e para os milhões de pessoas nas ruas da cidade. Como foi para quem passou em Lisboa e em Nova Iorque, em Moscovo e em Sydney, no Rio de Janeiro, no Algarve, em Paris e no Dubai. E em casa de cada um, das cidades mais caóticas à mais bucólica das aldeias.
Geografias à parte: que seja um Ano Bom para todos nós, com muitas voltas à mistura, reviravoltas das boas, surpresas e sorrisos, reencontros e alegrias várias.
Neste cantinho da internet e do mundo, cá continuarei a partilhar as minhas voltas e as curiosidades que vou encontrando pelo caminho. Inspirando alguns, espero; desafiando outros, despertando memórias, curiosidade e alguma inveja, que também é saudavel.
Abraço de Singapura! Feliz Ano Novo!
04/10/2013
ERA UMA VEZ... UM LEÃO-SEREIA?!
"Há muito-muito-tempo, existiu
um monstro com cabeça de leão e corpo de peixe - o Merlion - que vivia em
Singapura e protegia os seus habitantes de inimigos, guerras e catástrofes.
Sempre que havia perigo, os olhos do monstro lançavam chamas que reduziam
fosse-o-que-fosse a cinzas. O Merlion nunca perdeu uma batalha. Um dia,
abateu-se sobre Singapura uma violenta tempestade, a maior tempestade que a
cidade alguma vez vira, e quando tudo parecia perdido o Merlion surgiu das
profundezas do oceano... e mais uma vez salvou os habitantes da morte certa, e
a cidade da destruição. Desde então, o monstro tornou-se o símbolo de
Singapura. Os cidadãos ergueram uma estátua de 37 metros e..."
Calma lá. Alto e pára o baile! Esta
história não está nada bem contada.
Esta história, seja fábula ou lenda
ou ficção científica, não aconteceu assim. E a descrição do parágrafo que lança
este post é, nada mais nada menos,
que conversa fiada de um anúncio de televisão.
Quem é o Merlion, afinal? Existirá
uma história "verdadeira"? E porque é esta criatura mítica, com
cabeça de leão e corpo de peixe, a mascote/emblema de Singapura?
Isso mesmo: cabeça de leão e corpo
de peixe. Tipo sereia. Aliás: o nome diz tudo. "Mer" (de mermaid) e
"lion".
Quem já foi a Singapura, concerteza dispensa grandes
apresentações. Esta fera-sereia, representada numa estátua de oito metros na
Marine Bay, é o ex-libris do pequeno estado - e está presente em tudo o que são
canecas, t-shirts, postais, porta-chaves e ímanes para o frigorífico.
"Diz" que o corpo do bicho representa a origem de
Singapura como aldeia piscatória; e a cabeça tem a ver com o nome, que
significa cidade-leão. O que é, de certa forma, enganador - porque não há
registos de alguma vez terem existido leões por estas bandas.
Talvez não haja registos. Mas há uma lenda.
Descobri na internet algumas explicações bastante curiosas,
e todas muito parecidas. A primeira é tirada de um livro infantil russo e conta
uma lenda do séc. VIII, em que um príncipe Malaio teve um "encontro
imediato" com um monstro marinho, metade-peixe, metade-leão. Ao que
parece, o príncipe ficou tão impressionado que decidiu mudar o nome da cidade
para Singapura (em malaio, "singhha" significa "leão", e
"pura" quer dizer "cidade").
Outras fontes, como o épico malaio "Sejarah
Melayu", contam a história de Sang Nila Utama, o primeiro rei Malaio, que
reinou entre 1299 e 1347. E desculpem o tom, mas agora é mais-ou-menos
copy/paste daquilo que li online.
Filho de um príncipe indiano e de uma fada que vivia debaixo
do mar, Sang Nila Utama foi proclamado rei de Suvarnabhumi (o nome, em
sânscrito antigo, da Península da Malásia) e passou a ser chamado de Sri Tri
Buana, ou seja: "Senhor dos Três Mundos". Nesta altura, acreditava-se
que o Universo era composto pelo mundo dos deuses, o mundo dos humanos e o
submundo.
A lenda conta como Sri Tri Buana decidiu um dia deixar a
capital do seu reino e ir à procura de novas terras e fortunas. Resumindo mais
ou menos a coisa: o senhor descobriu uma ilha com uma praia de areia tão branca
que parecia um lençol de algodão - chamava-se Temasek. Quis então investigar
este lugar fascinante e, à chegada, avistou um estranho animal, de corpo
vermelho e cabeça negra, peito branco e maior que uma cabra. Ninguém sabia que animal
era, mas os conselheiros do rei explicaram-lhe que, em tempos idos, era assim a
aparência dos leões. Impressionado, o rei mandou saber que "um lugar que
abriga este tipo de criaturas, de certeza que é um bom lugar para viver". E
decidiu colonizar a ilha. Mudou o nome de Temasek para Singapura e reinou
durante 48 anos, até morrer.
Ficção ou factos, realidade ou imaginação: a curiosa verdade
é que estas criaturas míticas com corpo de peixe e cabeça de leão são
representadas em diversas culturas, ao longo dos tempos. Dos murais de Ajanta e
Mathura, na Índia; a moedas etruscas do período Helénico e ao próprio brasão da
cidade de Manila... as referências são inúmeras.
História e histórias àparte, nos anos 60 um designer criou
um logotipo para a Comissão de Turismo de Singapura, baseado no tal Merlion que
até já tinha estátua e tudo. E ao que parece: o boneco pegou. Desde então
tornou-se no símbolo deste pequeno estado, e como já disse aparece em tudo o
que é souvenirs.
E em milhares de fotos de turistas que, como eu e o Bunty na
semana passada, fazem estas bonitas figuras:
SINGAPURA BY NIGHT
Não é a primeira vez que faço um post deste "teor": com fotos de uma cidade à noite. E agora como das outras vezes, ao escrever o título fui teletransportado, como que por magia ou ficção científica, para uma das minhas primeiras "viagens": Benidorm.
Não estou a brincar.
Sim, eu confesso: já fui a Benidorm. Duas vezes.
E gostei. Tinha uns quinze anos, nunca tinha viajado sem a supervisão de um adulto - e passar uma semana nesta cidade-resort com os colegas do meu primo Diogo, que estudava no Maria Amália... para mim isto era liberdade. E adorei. Das duas vezes. Fazíamos pouco mais que praia, noitadas, andar de mota e dormir... mas isso era viajar, para nós, nessa idade.
Mas voltemos ao principal deste post: Singapura.
E o que tem Singapura a ver com Benidorm?
Nada, aparentemente. Mas, como estava a dizer: sempre que faço um post destes "by night", lembro-me de Benidorm. Ou, para ser mais preciso: lembro-me de um postal que comprei em Benidorm. Todo preto em fundo preto, com letras brancas a um canto, a dizer "Benidorm by night". Na altura achei imensa piada. Comprei um. Levei para casa. Um postal todo preto: que original, achava eu.
O mais engraçado é que Benidorm era tudo menos escura, à noite. Mas não serve o presente post para considerações históricas, críticas ou nostalgias.
Adiante: Singapura. By night.
Uma dúzia de fotos tiradas no último fim-de-semana, neste meu regresso ao pequeno estado rodeado de Malásia, um regresso triunfal, arrisco-me a dizer - porque depois de uma tímida passagem há quatro anos, que deixou poucas memórias além dos enfeites de Natal sabe-se lá em que rua; desta vez aproveitei ao máximo e passeei por toda a cidade, vi-isto e vi-aquilo, comi-de-tudo, deixei pouco por explorar. E fiquei cheio de vontade de voltar.
Não estou a brincar.
Sim, eu confesso: já fui a Benidorm. Duas vezes.
E gostei. Tinha uns quinze anos, nunca tinha viajado sem a supervisão de um adulto - e passar uma semana nesta cidade-resort com os colegas do meu primo Diogo, que estudava no Maria Amália... para mim isto era liberdade. E adorei. Das duas vezes. Fazíamos pouco mais que praia, noitadas, andar de mota e dormir... mas isso era viajar, para nós, nessa idade.
Mas voltemos ao principal deste post: Singapura.
E o que tem Singapura a ver com Benidorm?
Nada, aparentemente. Mas, como estava a dizer: sempre que faço um post destes "by night", lembro-me de Benidorm. Ou, para ser mais preciso: lembro-me de um postal que comprei em Benidorm. Todo preto em fundo preto, com letras brancas a um canto, a dizer "Benidorm by night". Na altura achei imensa piada. Comprei um. Levei para casa. Um postal todo preto: que original, achava eu.
O mais engraçado é que Benidorm era tudo menos escura, à noite. Mas não serve o presente post para considerações históricas, críticas ou nostalgias.
Adiante: Singapura. By night.
Uma dúzia de fotos tiradas no último fim-de-semana, neste meu regresso ao pequeno estado rodeado de Malásia, um regresso triunfal, arrisco-me a dizer - porque depois de uma tímida passagem há quatro anos, que deixou poucas memórias além dos enfeites de Natal sabe-se lá em que rua; desta vez aproveitei ao máximo e passeei por toda a cidade, vi-isto e vi-aquilo, comi-de-tudo, deixei pouco por explorar. E fiquei cheio de vontade de voltar.
03/10/2013
PRIVILÉGIOS E CONTRARIEDADES
Neste post volto a um tema que já foi aqui abordado, mas em diferentes geografias, condições meteorilógicas e estados de espírito.
Habituados a entrar em quase todos os países sem grandes contrariedades, os viajantes europeus nem se apercebem do privilégio que gozam por terem o passaporte que têm.
A última peripécia a envolver este tema aconteceu à entrada de Singapura, na semana passada. E, mais uma vez, a "vítima" foi o meu amigo Bunty - que tem passaporte indiano. O Bunty veio ter comigo a Kuala Lumpur há dez dias, pois vai acompanhar-me nas próximas semanas, nas voltas pré-Birmânia e Indochina. Ainda na Índia, renovou o seu visto da Malásia: ao contrário dos europeus (que não precisam de visto), aos indianos é requerido um visto de entradas múltiplas, válido por um ano. E como já estava planeado passarmos uns dias em Singapura, fez também o visto correspondente. Válido por dois anos, entradas múltiplas, tudo em ordem. Pensava ele.
Na passada sexta-feira, saímos de Kuala Lumpur num autocarro da empresa "Super Nice" e, depois de várias horas de viagem e das rápidas formalidades à saída da Malásia, chegámos ao "lado de lá": a entrada em Singapura.
Foi preciso tirar as mochilas do autocarro e passar pela Imigração, Alfândega - o normal, numa fronteira.
Eu não tive qualquer problema. Carimbo-aqui e carimbo-ali, toca a andar, bem vindo a Singapura. Mas o mesmo não aconteceu com o Bunty.
Apesar de ter o visto feito, pediram-lhe cópias do voo de saída do país, e o itinerário completo da viagem até chegar à Índia. O Bunty providenciou tudo o que tinha de providenciar: bilhetes de Singapura para Manila, Manila para Cebu, Cebu para Kuala Lumpur, Kuala Lumpur para Yangon, Yangon para Bangkok e Bangkok para Calcutá... uff! E, mesmo assim, havia dúvidas. Tem um passaporte cheio de vistos e carimbos, com três páginas em branco, é claramente um viajante. Tem dinheiro na conta - mostrou os papéis, mais uma vez. E, mesmo assim, pediram-lhe para aguardar um pouco, e para acompanharem uma pessoa até uma sala, onde iam confirmar todos os dados.
Eu fui para o autocarro. E fiquei à espera.
"Se houver algum problema eu ligo-te," disse-me o meu cúmplice de viagem.
Passaram dez minutos. Nada. Toda a gente dentro do autocarro, pronta para seguir viagem. Eu e o condutor sentados do lado de fora, à espera. Onde estará o Bunty?
"Onde é que está o seu amigo?", perguntou-me o condutor.
"Na Imigração, a verificar uns papéis."
"Primeira vez em Singapura?"
"Para ele, sim."
Acenou que sim com a cabeça, satisfeito com a resposta. Isto deve acontecer imensas vezes, pensei. Mas passaram-se outros dez minutos, e mais cinco... e o Bunty nem vê-lo.
"Só podemos esperar mais cinco minutos. Se o seu amigo não vier entretanto, temos que seguir viagem."
Claro que têm, pensei. Não refilei, não "levantei ondas", já estava satisfeito por terem esperado tanto tempo, nunca pensei que fossem ter tanta paciência.
Os cinco minutos passaramn num instante:
"Temos que ir embora, desculpe."
Tirei as mochilas da bagageira, o condutor despediu-se e lá se foi embora o autocarro. Super Nice, agora estamos presos aqui na fronteira, um de cada lado. O autocarro desapareceu na primeira curva e eu sentei-me num murete, à espera, a tentar não pensar no pior, porque não havia razão para pensar no pior. E o pior é o quê, afinal?
Passaram-se outros dez minutos. Eu à espera, o Bunty sabe-se lá onde, já não conseguia evitar conjunturas e planos B. Vamos voltar para a Malásia, está-se mesmo a ver.
E eis que subitamente surge o sorridente indiano, a descer as escadas com a mochila às costas, cinha aborrecido com o sucedido mas conformado porque são "as contrariedades do costume". Explicou-me que havia imensa gente na tal sala para onde foi levado, "especialmente indianos e brasileiros", e que passou a maior parte do tempo à espera. Mas assim que foi atendido, confirmaram as reservas dos voos e deixaram-no vir embora.
O problema agora era outro: não tínhamos transporte para a cidade. O autocarro desaparecera, havia dezenas de outros mas de certeza que ninguém nos levaria. Estávamos dispostos a pagar qualquer coisa extra... um taxi, se tiver de ser.
Olhei em redor, à procura de alguma indicação... e eis que a pouca distância estava um autocarro da mesma empresa em que viajáramos. Super Nice! Estava a arrancar por isso desatámos a correr, eu à frente cheio de planos e ideias, o Bunty atrás a perguntar "o que foi, o que foi".
Bati à porta do autocarro e o "pica" fez sinal que "não", com a cabeça. Eu insisti e saquei dos bilhetes. Que eram do outro autocarro, não deste. Mas o senhor abriu a porta. O que foi? Expliquei-lhe que tínhamos vindo de Kuala Lumpur num autocarro da mesma empresa, contei-lhe do problema do Bunty na fronteira, etc, etc... e não é que o senhor nos manda entrar?
Sentámo-nos. Singapura, here we go.
Privilégios de que nem damos conta. Contrariedades a que já nem ligamos. A vida é feita de uns e outros - e são tantas as vezes que nem damos valor à sorte que temos, ou damos demasiado importância aos pequenos azares. E depois há as coincidências, os desencontros e as surpresas. E há estes momentos de sorte: num instante estávamos "presos" na fronteira sem saber o que fazer, no outro estamos dentro de um autocarro luxuoso, a viajar "à borla" até Singapura.
Habituados a entrar em quase todos os países sem grandes contrariedades, os viajantes europeus nem se apercebem do privilégio que gozam por terem o passaporte que têm.
A última peripécia a envolver este tema aconteceu à entrada de Singapura, na semana passada. E, mais uma vez, a "vítima" foi o meu amigo Bunty - que tem passaporte indiano. O Bunty veio ter comigo a Kuala Lumpur há dez dias, pois vai acompanhar-me nas próximas semanas, nas voltas pré-Birmânia e Indochina. Ainda na Índia, renovou o seu visto da Malásia: ao contrário dos europeus (que não precisam de visto), aos indianos é requerido um visto de entradas múltiplas, válido por um ano. E como já estava planeado passarmos uns dias em Singapura, fez também o visto correspondente. Válido por dois anos, entradas múltiplas, tudo em ordem. Pensava ele.
Na passada sexta-feira, saímos de Kuala Lumpur num autocarro da empresa "Super Nice" e, depois de várias horas de viagem e das rápidas formalidades à saída da Malásia, chegámos ao "lado de lá": a entrada em Singapura.
Foi preciso tirar as mochilas do autocarro e passar pela Imigração, Alfândega - o normal, numa fronteira.
Eu não tive qualquer problema. Carimbo-aqui e carimbo-ali, toca a andar, bem vindo a Singapura. Mas o mesmo não aconteceu com o Bunty.
Apesar de ter o visto feito, pediram-lhe cópias do voo de saída do país, e o itinerário completo da viagem até chegar à Índia. O Bunty providenciou tudo o que tinha de providenciar: bilhetes de Singapura para Manila, Manila para Cebu, Cebu para Kuala Lumpur, Kuala Lumpur para Yangon, Yangon para Bangkok e Bangkok para Calcutá... uff! E, mesmo assim, havia dúvidas. Tem um passaporte cheio de vistos e carimbos, com três páginas em branco, é claramente um viajante. Tem dinheiro na conta - mostrou os papéis, mais uma vez. E, mesmo assim, pediram-lhe para aguardar um pouco, e para acompanharem uma pessoa até uma sala, onde iam confirmar todos os dados.
Eu fui para o autocarro. E fiquei à espera.
"Se houver algum problema eu ligo-te," disse-me o meu cúmplice de viagem.
Passaram dez minutos. Nada. Toda a gente dentro do autocarro, pronta para seguir viagem. Eu e o condutor sentados do lado de fora, à espera. Onde estará o Bunty?
"Onde é que está o seu amigo?", perguntou-me o condutor.
"Na Imigração, a verificar uns papéis."
"Primeira vez em Singapura?"
"Para ele, sim."
Acenou que sim com a cabeça, satisfeito com a resposta. Isto deve acontecer imensas vezes, pensei. Mas passaram-se outros dez minutos, e mais cinco... e o Bunty nem vê-lo.
"Só podemos esperar mais cinco minutos. Se o seu amigo não vier entretanto, temos que seguir viagem."
Claro que têm, pensei. Não refilei, não "levantei ondas", já estava satisfeito por terem esperado tanto tempo, nunca pensei que fossem ter tanta paciência.
Os cinco minutos passaramn num instante:
"Temos que ir embora, desculpe."
Tirei as mochilas da bagageira, o condutor despediu-se e lá se foi embora o autocarro. Super Nice, agora estamos presos aqui na fronteira, um de cada lado. O autocarro desapareceu na primeira curva e eu sentei-me num murete, à espera, a tentar não pensar no pior, porque não havia razão para pensar no pior. E o pior é o quê, afinal?
Passaram-se outros dez minutos. Eu à espera, o Bunty sabe-se lá onde, já não conseguia evitar conjunturas e planos B. Vamos voltar para a Malásia, está-se mesmo a ver.
E eis que subitamente surge o sorridente indiano, a descer as escadas com a mochila às costas, cinha aborrecido com o sucedido mas conformado porque são "as contrariedades do costume". Explicou-me que havia imensa gente na tal sala para onde foi levado, "especialmente indianos e brasileiros", e que passou a maior parte do tempo à espera. Mas assim que foi atendido, confirmaram as reservas dos voos e deixaram-no vir embora.
O problema agora era outro: não tínhamos transporte para a cidade. O autocarro desaparecera, havia dezenas de outros mas de certeza que ninguém nos levaria. Estávamos dispostos a pagar qualquer coisa extra... um taxi, se tiver de ser.
Olhei em redor, à procura de alguma indicação... e eis que a pouca distância estava um autocarro da mesma empresa em que viajáramos. Super Nice! Estava a arrancar por isso desatámos a correr, eu à frente cheio de planos e ideias, o Bunty atrás a perguntar "o que foi, o que foi".
Bati à porta do autocarro e o "pica" fez sinal que "não", com a cabeça. Eu insisti e saquei dos bilhetes. Que eram do outro autocarro, não deste. Mas o senhor abriu a porta. O que foi? Expliquei-lhe que tínhamos vindo de Kuala Lumpur num autocarro da mesma empresa, contei-lhe do problema do Bunty na fronteira, etc, etc... e não é que o senhor nos manda entrar?
Sentámo-nos. Singapura, here we go.
Privilégios de que nem damos conta. Contrariedades a que já nem ligamos. A vida é feita de uns e outros - e são tantas as vezes que nem damos valor à sorte que temos, ou damos demasiado importância aos pequenos azares. E depois há as coincidências, os desencontros e as surpresas. E há estes momentos de sorte: num instante estávamos "presos" na fronteira sem saber o que fazer, no outro estamos dentro de um autocarro luxuoso, a viajar "à borla" até Singapura.
30/09/2013
OUTRAS CORES
Nem só de côr-de-rosa se pinta Singapura ;)
Voltando às voltas e às surpresas: outra agradável descoberta do fim-de-semana foi a ponte Alkaff, construída em 1997 e uma das três pontes pedonais sobre o rio Singapura. Com a forma de um tongkang - um barco tradicional utizado para transportar bens no rio, nos tempos antigos -, tem 55m de comprimento e mais de 230 toneladas, dizem. Mas não confirmei. Podem estar a exagerar.
Em 2004, a artista filipina Pacita Abad fez uma intervenção na ponte, utilizando cerca de 900 litros de tinta industrial e 55 tipos diferentes de cores... e o resultado final foi este:
Voltando às voltas e às surpresas: outra agradável descoberta do fim-de-semana foi a ponte Alkaff, construída em 1997 e uma das três pontes pedonais sobre o rio Singapura. Com a forma de um tongkang - um barco tradicional utizado para transportar bens no rio, nos tempos antigos -, tem 55m de comprimento e mais de 230 toneladas, dizem. Mas não confirmei. Podem estar a exagerar.
Em 2004, a artista filipina Pacita Abad fez uma intervenção na ponte, utilizando cerca de 900 litros de tinta industrial e 55 tipos diferentes de cores... e o resultado final foi este:
SINGAPURA APAIXONADA
Uma das muitas surpresas que tive este fim-de-semana em Singapura foi (mais uma) colecção de cadeados do amor.
Claro que, sendo Singapura, o fenómeno estava muito controlado - e os cadeados tinham zona especial para serem colocados, num grandeamento ao pé do rio, perto da entrada de um centro comercial... onde, curiosamente, havia um quiosque que vendia cadeados em forma de coração.
Enfim: o que interessa agora é que Singapura junta-se, desta forma, à já vasta colecção de cadeados que tenho conseguido juntar aqui no blog. Seja aqueles que encontrei nas minahs voltas, como aqueles que me foram enviados por vocês.
(Aliás: ainda tenho uns que me foram enviados recentemente, e que ainda não publiquei.)
A outra coisa em que reparei, além da organização do espaço e da "coincidência" do quiosque ali mesmo ao lado, foi o facto de predominar o côr-de-rosa. Mais do que noutros lugares. Talvez seja uma tendência mais asiática, não sei. Mas julguem vocês mesmos.
Eis mais cadeados, então:
Claro que, sendo Singapura, o fenómeno estava muito controlado - e os cadeados tinham zona especial para serem colocados, num grandeamento ao pé do rio, perto da entrada de um centro comercial... onde, curiosamente, havia um quiosque que vendia cadeados em forma de coração.
Enfim: o que interessa agora é que Singapura junta-se, desta forma, à já vasta colecção de cadeados que tenho conseguido juntar aqui no blog. Seja aqueles que encontrei nas minahs voltas, como aqueles que me foram enviados por vocês.
(Aliás: ainda tenho uns que me foram enviados recentemente, e que ainda não publiquei.)
A outra coisa em que reparei, além da organização do espaço e da "coincidência" do quiosque ali mesmo ao lado, foi o facto de predominar o côr-de-rosa. Mais do que noutros lugares. Talvez seja uma tendência mais asiática, não sei. Mas julguem vocês mesmos.
Eis mais cadeados, então:
29/09/2013
GRANDE COISA
É grande... mas não é grande coisa.
Ontem fui ao Southeast Asia Aquarium de Singapura, reconhecido pelo Guinness World Records como o maior aquário do Mundo. Gostei do passeio, foi uma bela tarde entre peixes coloridos, tubarões e alforrecas - mas confesso que, apesar dos títulos e do aparato, continuo a preferir o "nosso" Oceanário.
Era sábado e, como seria de esperar, o lugar estava a rebentar pelas costuras. Muitas famílias, criançada aos gritos, excursões de terceira idade, grupos de amigos, casalinhos de mão dada, velhotas a arrastarem-se cansadas, velhotes a dormirem pelos cantos... e muitos flashes onde não é suposto, tablets a fazer de máquina fotográfica, uaus e gargalhadas, olhos curiosos, fascinados, cansados.
Muitos souvenirs pelo meio, refrescos a preços fervilhantes. E, algures no meio disto tudo: peixes.
Hoje partilho uma série de instagrams que fiz no tanque das alforrecas, onde a luz mudava gradualmente de cor, fazendo uns efeitos muito interessantes:
Ontem fui ao Southeast Asia Aquarium de Singapura, reconhecido pelo Guinness World Records como o maior aquário do Mundo. Gostei do passeio, foi uma bela tarde entre peixes coloridos, tubarões e alforrecas - mas confesso que, apesar dos títulos e do aparato, continuo a preferir o "nosso" Oceanário.
Era sábado e, como seria de esperar, o lugar estava a rebentar pelas costuras. Muitas famílias, criançada aos gritos, excursões de terceira idade, grupos de amigos, casalinhos de mão dada, velhotas a arrastarem-se cansadas, velhotes a dormirem pelos cantos... e muitos flashes onde não é suposto, tablets a fazer de máquina fotográfica, uaus e gargalhadas, olhos curiosos, fascinados, cansados.
Muitos souvenirs pelo meio, refrescos a preços fervilhantes. E, algures no meio disto tudo: peixes.
Hoje partilho uma série de instagrams que fiz no tanque das alforrecas, onde a luz mudava gradualmente de cor, fazendo uns efeitos muito interessantes:
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