Desenganem-se os cépticos, porque esta é a verdade pura e crua: eu já viajei no tempo.
Não acreditam? E se vos disser que no início de Abril recuei 1164 anos, para no final desse mês avançar 621? E não foi preciso truques de magia, efeitos especiais ou substâncias psicotrópicas.
Passo a explicar:
A Tailândia rege-se pelo calendário solar tailandês, adoptado em 1888 e que oficialmente usa o calendário gregoriano para os dias do ano e os meses - mas para a contagem dos anos, apoia-se na Era Budista, cujo Ano Zero é a data da "morte" do Buda, ou seja, 543 a.C.
Ou seja: na Tailândia o ano é 2559, neste momento.
Já no Irão, para onde viajei de Bangkok, em Abril, o calendário em vigor é o Persa, muito aproximado do Islâmico, e está 621 ou 622 anos "atrás" do gregoriano, conforme o mês.
Por isso: no Irão, estamos em 1395.
Sabendo isto, é fazer as contas: quando voei de Bangkok para Teerão, recuei 1164 anos no Tempo, de 2559 para 1395. E quando voei de Teerão para Istambul e depois Lisboa, viajei para 2016, que é onde me encontro agora - e muito bem. ;)
Já agora - e apenas por curiosidade -, o Ano Novo na Tailândia celebra-se entre os dias 13 e 15 de Abril e chama-se Songkran; enquanto no Irão o Norooz é comemorado por volta do Equinócio da Primavera, ou seja, dia 21 de Março (às vezes um dia antes, às vezes um dia depois).
E esta, hem? ;)
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07/06/2016
06/06/2016
UM PITADA DE AÇÚCAR
Encontrei-me com o Filipe Morato Gomes no café que me indicara no mapa - e findos os salamaleques que já se sabe, pedi um chá de qualquer-coisa que me foi recomendado por uma iraniana. Estava bom mas confesso que não me surpreendeu por-aí-além. É que: o que mais me chamou a atenção foi o açúcar.
Ao longo das três semanas passadas no Irão, haveria de encontrar muitas vezes esta particularidade da cultura iraniana - e se por um lado deixou de ser surpresa, por outro nunca deixei de me impressionar.
No Irão, em vez de pacotinhos de açúcar a acompanhar o chá, vem isto:
É açúcar cristalizado, metido num pauzinho como se fosse um gelado ou um chupa-chupa. Mete-se na chávena e depois é só deixar derreter. Muito original!
Ao longo das três semanas passadas no Irão, haveria de encontrar muitas vezes esta particularidade da cultura iraniana - e se por um lado deixou de ser surpresa, por outro nunca deixei de me impressionar.
No Irão, em vez de pacotinhos de açúcar a acompanhar o chá, vem isto:
É açúcar cristalizado, metido num pauzinho como se fosse um gelado ou um chupa-chupa. Mete-se na chávena e depois é só deixar derreter. Muito original!
TEERÃO - PRIMEIRAS IMPRESSÕES
No shuttle que me levou do avião para o aeroporto propriamente dito, levei logo com o primeiro "choque sensorial": o cheiro. Em contraste com aquilo a que estou habituado no Sudeste Asiático, aqui os odores corporais revelaram-se... enfim, mais fortes. Não tão intensos como na Rússia, por exemplo; mas mais ao estilo da Turquia.
O suficiente para virar a cara para o lado, portanto... mas sem chegar a ficar enjoado, com vómitos e tonturas e vontade de gritar por socorro. ;)
E por falar em socorro: depois das correrias e do stress no aeroporto de Muscat, admito que estava convencido que a minha mochila ia ficar perdida algures - por isso imaginem o meu sorriso quando a vi aparecer no tapete rolante, só faltou uma música angélica e raios de sol a iluminá-la, que sorte, foi praticamente a primeira a sair.
Troquei algum dinheiro e saí para a rua, abordei um taxista mas ele recusava-se a estabelecer um preço ou uma estimativa para a "corrida" até ao hotel, "depois logo vemos, não há problema", mas obviamente que há problema, não me vou meter num táxi-de-aeroporto sem saber quanto é a corrida, eu sei que os iranianos são muito hospitaleiros, isto-e-aquilo... mas um taxista-de-aeroporto é um taxista-de-aeroporto. E como sei que a comunidade mundial de taxistas-de-aeroporto é assídua seguidora deste blog e não procuro uma reacção ao estilo transmontanos versus José Cid: desculpem lá a generalização, eu sei que há excepções à regra e mais-não-sei-quê, mas baseio esta minha esquisitice em inúmeras peripécias e factos constatados por moi meme e muitos outros viajantes por esse mundo fora. Podem ser excelentes companheiros para ir ao cinema, fazer jogging, beber uma cerveja e comer caracóis. Mas para me levar aonde eu quero a um preço razoável: desconfio sempre.
Continuando: não fui na conversa do chico-esperto, obviamente. Insisti mas ele recusou-se a dar um preço, por isso desci até ao balcão dos táxis e mandei chamar um por 750.000 rials. Nada mau, tendo em conta que o Filipe tinha-me falado em 700.000.
Durante a viagem até ao centro, o motorista ofereceu-me tâmaras e sementes de girassol - e como não fez muita conversa, fui o tempo todo calado e a olhar pela janela. A paisagem do lado de fora, se a tivesse de comparar com as referências que trago na minha bagagem de memórias e histórias, era 50% Egipto, 20% Dubai, 20% Marrocos e 20% Turquia.
Cheguei ao hotel e paguei a corrida com duas notas de 500.000 rials. Claro que não tinha troco, o motorista, estava-se mesmo a ver, por isso sugeri ele esperar um minuto que eu ia trocar o dinheiro à recepção. Ele fez-se de simpático, "não é preciso, ora essa, deixe estar", e correu até ao café mais próximo, de onde voltou com várias notas na mão. Passou-me duas de 100.000 rials e eu fiquei à espera dos 50.000 que faltavam.
"Sorry, no change."
Enfim: não me vou chatear. Devia, eu sei - mas não vou.
Atravessei a estrada e entrei no hotel, a sorrir. Pedi a chave do quarto e um senhor de sessenta anos acompanhou-me até à porta, fez o tour do quarto, explicou-me o óbvio, não vá eu ter chegado de outro planeta e não estar habituado a coisas que para os humanos são básicas. Isto é uma janela, os cortinados abrem-se assim. Estas são as suas toalhas. Okay, thank you. Saiu em câmara lenta mas depois do dinheiro desperdiçado no táxi, estava pouco inclinado a dar-lhe uma gorjeta de 100.000 rials. Fechei a porta e respirei fundo: a primeira interacção não foi a melhor, mas não vou deixar que isto dê cabo do meu mood, pensei.
No quarto tinha um recado do Filipe com um mapa desenhado na parte de trás. Desafiava-me a ir ter com ele para tomarmos um café. Refresquei-me rapidamente e saí, estava desejoso de conhecer a cidade. Não me pareceu especialmente bonita, algumas ruas fizeram-me lembrar Ankara - o que, convenhamos, não é o melhor dos elogios... mas ao longo dos próximos dias havia de descobrir que o charme de Teerão não está na cidade como um Todo, mas em alguns Pormenores deliciosos.
Depois do abraço do reencontro, da conversa acompanhada de chá e bolinhos, saímos finalmente para jantar. Junto à Casa dos Artistas passeámos por um jardim onde fomos abordados por um jovem artista que nos desafiou a assistir à sua actuação, "começa daqui a cinco minutos ali onde estão mais pessoas". Fomos para o lugar que nos apontou, éramos uns trinta ou quarenta curiosos (nós os únicos turistas) e qual não foi a minha surpresa quando, ao som de música electrónica tocada numas colunas made-in-china, o rapaz começou a dançar... breakdance.
Desta é que eu não estava à espera!
O suficiente para virar a cara para o lado, portanto... mas sem chegar a ficar enjoado, com vómitos e tonturas e vontade de gritar por socorro. ;)
E por falar em socorro: depois das correrias e do stress no aeroporto de Muscat, admito que estava convencido que a minha mochila ia ficar perdida algures - por isso imaginem o meu sorriso quando a vi aparecer no tapete rolante, só faltou uma música angélica e raios de sol a iluminá-la, que sorte, foi praticamente a primeira a sair.
Troquei algum dinheiro e saí para a rua, abordei um taxista mas ele recusava-se a estabelecer um preço ou uma estimativa para a "corrida" até ao hotel, "depois logo vemos, não há problema", mas obviamente que há problema, não me vou meter num táxi-de-aeroporto sem saber quanto é a corrida, eu sei que os iranianos são muito hospitaleiros, isto-e-aquilo... mas um taxista-de-aeroporto é um taxista-de-aeroporto. E como sei que a comunidade mundial de taxistas-de-aeroporto é assídua seguidora deste blog e não procuro uma reacção ao estilo transmontanos versus José Cid: desculpem lá a generalização, eu sei que há excepções à regra e mais-não-sei-quê, mas baseio esta minha esquisitice em inúmeras peripécias e factos constatados por moi meme e muitos outros viajantes por esse mundo fora. Podem ser excelentes companheiros para ir ao cinema, fazer jogging, beber uma cerveja e comer caracóis. Mas para me levar aonde eu quero a um preço razoável: desconfio sempre.
Continuando: não fui na conversa do chico-esperto, obviamente. Insisti mas ele recusou-se a dar um preço, por isso desci até ao balcão dos táxis e mandei chamar um por 750.000 rials. Nada mau, tendo em conta que o Filipe tinha-me falado em 700.000.
Durante a viagem até ao centro, o motorista ofereceu-me tâmaras e sementes de girassol - e como não fez muita conversa, fui o tempo todo calado e a olhar pela janela. A paisagem do lado de fora, se a tivesse de comparar com as referências que trago na minha bagagem de memórias e histórias, era 50% Egipto, 20% Dubai, 20% Marrocos e 20% Turquia.
Cheguei ao hotel e paguei a corrida com duas notas de 500.000 rials. Claro que não tinha troco, o motorista, estava-se mesmo a ver, por isso sugeri ele esperar um minuto que eu ia trocar o dinheiro à recepção. Ele fez-se de simpático, "não é preciso, ora essa, deixe estar", e correu até ao café mais próximo, de onde voltou com várias notas na mão. Passou-me duas de 100.000 rials e eu fiquei à espera dos 50.000 que faltavam.
"Sorry, no change."
Enfim: não me vou chatear. Devia, eu sei - mas não vou.
Atravessei a estrada e entrei no hotel, a sorrir. Pedi a chave do quarto e um senhor de sessenta anos acompanhou-me até à porta, fez o tour do quarto, explicou-me o óbvio, não vá eu ter chegado de outro planeta e não estar habituado a coisas que para os humanos são básicas. Isto é uma janela, os cortinados abrem-se assim. Estas são as suas toalhas. Okay, thank you. Saiu em câmara lenta mas depois do dinheiro desperdiçado no táxi, estava pouco inclinado a dar-lhe uma gorjeta de 100.000 rials. Fechei a porta e respirei fundo: a primeira interacção não foi a melhor, mas não vou deixar que isto dê cabo do meu mood, pensei.
No quarto tinha um recado do Filipe com um mapa desenhado na parte de trás. Desafiava-me a ir ter com ele para tomarmos um café. Refresquei-me rapidamente e saí, estava desejoso de conhecer a cidade. Não me pareceu especialmente bonita, algumas ruas fizeram-me lembrar Ankara - o que, convenhamos, não é o melhor dos elogios... mas ao longo dos próximos dias havia de descobrir que o charme de Teerão não está na cidade como um Todo, mas em alguns Pormenores deliciosos.
Depois do abraço do reencontro, da conversa acompanhada de chá e bolinhos, saímos finalmente para jantar. Junto à Casa dos Artistas passeámos por um jardim onde fomos abordados por um jovem artista que nos desafiou a assistir à sua actuação, "começa daqui a cinco minutos ali onde estão mais pessoas". Fomos para o lugar que nos apontou, éramos uns trinta ou quarenta curiosos (nós os únicos turistas) e qual não foi a minha surpresa quando, ao som de música electrónica tocada numas colunas made-in-china, o rapaz começou a dançar... breakdance.
Desta é que eu não estava à espera!
02/06/2016
EMOÇÕES FORTES A CAMINHO DE TEERÃO
(Texto escrito pouco depois de chegar ao Irão, em Abril).
Depois do primeiro contacto com a senhora da agência iraniana que emitiu o meu visto "à confiança", e da breve mas eficaz passagem pela embaixada em Bangkok - eis-me finalmente a caminho do Irão.
Viajei na Oman Air para Teerão, com escala em Muscat. Levantei voo de Bangkok logo de manhã, um bocado atrasado mas não me pareceu grave. O avião era bom e com muito espaço para as pernas, infelizmente estava "entalado" entre a janela e um homem muito forte que no início ia sempre a mexer-se, que nervos!, mas para ser sincero acabou por nem ser tão mau quanto cheguei a temer. Dormi metade do tempo, vi um filme, escrevi mais um pouco do meu próximo livro - e se é verdade que não foi a viagem mais confortável de Sempre, também não posso dizer que tenha sido propriamente a mais dramática.
O drama, esse, só começou depois.
Assim que aterrámos em Muscat mudei a hora ao telefone e imediatamente percebi que estávamos a chegar "mesmo em cima" da hora que era previsto levantar voo para Teerão. Que estranho, normalmente evito escalas muito curtas, como é que escolhi este bilhete, pensei. Mas explicaran-me que o segundo voo tinha sido adiantado... e como este já ia atrasado... que pontaria.
Saí a correr do avião para o shuttle, e a correr do shuttle para o aeroporto, onde me mandaram ir perguntar ao balcão dos transfers. Subi as escadas dois-a-dois, com-licença, faz-favor, e não ser que o segundo voo também tivesse atrasado, o mais certo era ter perdido a minha ligação.
No balcão explicaram-me que iam atribuir-me novo voo, sente-se aí à frente que já o chamamos, e eu sentei-me, que remédio.
Vou chegar tão tarde a Teerão, que chatice.
Ao pé de mim sentou-se um casal iraniano de meia-idade, mais uma francesa da minha idade, começámos à conversa, eles iam visitar a família e ela vinha do Sudeste Asiático para encontrar-se com os pais:
"Estou a viajar há vinte e dois meses. No ano passado vim ao Irão pela primeira vez, era suposto ficar só trinta dias mas acabei por pedir a extensão do visto, adorei o país, fiquei dois meses e apaixonei-me pelas pessoas, pela cultura, pela História."
Onde é que eu já ouvi isto.
"Agora desafiei os meus pais e eles chegam daqui a três dias, vou ser a guia deles durante duas semanas. E depois volto para o Sudeste Asiático, para continuar com a minha volta."
Os senhores aí sentados, por favor.
Levantámo-nos, e qual não foi a nossa surpresa quando nos disseram que o voo original também estava atrasado, apesar dos passageiros já terem embarcado, despachem-se a chegar à porta de embarque e ainda conseguem embarcar. Fizeram um novo boarding pass para o casal, que foi andando. Depois para a francesa, que saiu disparada a correr. E finalmente o meu... mas passa-se alguma coisa... a senhora ao balcão chama alguém... eu começo a ficar nervoso, está a demorar tanto tempo, nem acredito que vou ser o único a perder o voo... está tudo bem, senhora?... e ela olha nervosa para mim mas não diz nada, e tenta mais qualquer coisa no computador, Alá, Alá... é o sistema.
O sistema!
(Curiosamente, quando estiver a sair do Irão três semanas depois, vou também ter um problema com o "sistema".)
Vem o colega, tenta qualquer coisa e nada, desliga e liga, não acredito, vou mesmo ficar em terra, tento não enervá-los ainda mais mas por dentro vai aqui uma revolução, passam-se alguns minutos e eu já estou a imaginar o avião a ir embora e eu em terra, vamos lá embora, senhora.
"Here's your boarding pass. Run!"
E eu corri.
Qual Rosa Mota qual-quê! Usain Bolt... um menino! Lancei-me pelos corredores do aeroporto de Muscat como se estivesse a ser perseguido por algum monstro ou fantasma, só ao fim de algumas passadas é que me lembrei que nem sabia qual era a porta de embarque, voltei-me para trás mas o balcão estava já longe, não faz mal, hei-de encontrar algum painel.
Mais à frente estava uma pequena fila para o raio X, assim que me viram os seguranças gritaram-me "Tehran?" e eu respondi que sim, as pessoas afastaram-se e eu passei em modo fast forward. Continuei a correr e ainda ouvi um deles gritar-me "gate number seven!", sem abrandar agradeci a rir e acelerei, e eis que à minha frente vejo pessoas e lojas mas os funcionários perguntam-me sempre "Tehran?" e eu "yes-yes-tehran", e o caminho foi-se abrindo à minha frente, parecia o final da maratona, só faltava aplaudirem-me, e acho que oiço ao fundo Vangelis, e vejo à frente a meta, sorrisos, Tehran, Tehran!
Entrei no avião "com os bofes de fora", sentei-me no lugar indicado no boarding pass, vamos lá embora. Ao meu lado estava sentado um homem nos seus sessenta muito - bem vividos e melhor conservados, magro e "seco", meio "freak", muito viajado, bom conversador, viemos o tempo quase todo a opinar e a trocar histórias e peripécias sobre o Irão e o Mundo.
Chamava-se Max. Nasceu em Teerão e aí viveu até aos dezoito, quando saiu para viajar pelo Mundo. Em 1979 estava na Suécia e comprou uma "pão-de-forma", foi até Portugal com uns amigos, trabalhou numa cooperativa alentejana a tirar cortiça das árvores, contou-me histórias que metiam a polícia a disparar para barris de vinho, ele a mostrar uma máquina fotográfica numa manifestação e a dizer que era jornalista da BBC, e depois o casamento com uma sueca, mais as empresas que fundou e o caminho mais "corporate" que acabou por tomar, apesar de trabalhar com soluções ecológicas, etc. Mas há uns anos apanhou um susto e o médico aconselhou-o a abrandar o ritmo... por isso largou as empresas, a esposa, a casa e o conforto - e agora viaja.
O Max é muito espiritual, filosófico e pragmático, ao mesmo tempo. Muito-muito interessante. Ainda partilhou comigo algumas dicas sobre o seu país, desenhou-me um mapa com sítios a ir, percursos, experiências. Que conversa boa - a forma perfeita de relaxar daquela stressante corrida pré-voo... e de chegar ao Irão "enquanto o Diabo esfrega um olho".
Depois do primeiro contacto com a senhora da agência iraniana que emitiu o meu visto "à confiança", e da breve mas eficaz passagem pela embaixada em Bangkok - eis-me finalmente a caminho do Irão.
Viajei na Oman Air para Teerão, com escala em Muscat. Levantei voo de Bangkok logo de manhã, um bocado atrasado mas não me pareceu grave. O avião era bom e com muito espaço para as pernas, infelizmente estava "entalado" entre a janela e um homem muito forte que no início ia sempre a mexer-se, que nervos!, mas para ser sincero acabou por nem ser tão mau quanto cheguei a temer. Dormi metade do tempo, vi um filme, escrevi mais um pouco do meu próximo livro - e se é verdade que não foi a viagem mais confortável de Sempre, também não posso dizer que tenha sido propriamente a mais dramática.
O drama, esse, só começou depois.
Assim que aterrámos em Muscat mudei a hora ao telefone e imediatamente percebi que estávamos a chegar "mesmo em cima" da hora que era previsto levantar voo para Teerão. Que estranho, normalmente evito escalas muito curtas, como é que escolhi este bilhete, pensei. Mas explicaran-me que o segundo voo tinha sido adiantado... e como este já ia atrasado... que pontaria.
Saí a correr do avião para o shuttle, e a correr do shuttle para o aeroporto, onde me mandaram ir perguntar ao balcão dos transfers. Subi as escadas dois-a-dois, com-licença, faz-favor, e não ser que o segundo voo também tivesse atrasado, o mais certo era ter perdido a minha ligação.
No balcão explicaram-me que iam atribuir-me novo voo, sente-se aí à frente que já o chamamos, e eu sentei-me, que remédio.
Vou chegar tão tarde a Teerão, que chatice.
Ao pé de mim sentou-se um casal iraniano de meia-idade, mais uma francesa da minha idade, começámos à conversa, eles iam visitar a família e ela vinha do Sudeste Asiático para encontrar-se com os pais:
"Estou a viajar há vinte e dois meses. No ano passado vim ao Irão pela primeira vez, era suposto ficar só trinta dias mas acabei por pedir a extensão do visto, adorei o país, fiquei dois meses e apaixonei-me pelas pessoas, pela cultura, pela História."
Onde é que eu já ouvi isto.
"Agora desafiei os meus pais e eles chegam daqui a três dias, vou ser a guia deles durante duas semanas. E depois volto para o Sudeste Asiático, para continuar com a minha volta."
Os senhores aí sentados, por favor.
Levantámo-nos, e qual não foi a nossa surpresa quando nos disseram que o voo original também estava atrasado, apesar dos passageiros já terem embarcado, despachem-se a chegar à porta de embarque e ainda conseguem embarcar. Fizeram um novo boarding pass para o casal, que foi andando. Depois para a francesa, que saiu disparada a correr. E finalmente o meu... mas passa-se alguma coisa... a senhora ao balcão chama alguém... eu começo a ficar nervoso, está a demorar tanto tempo, nem acredito que vou ser o único a perder o voo... está tudo bem, senhora?... e ela olha nervosa para mim mas não diz nada, e tenta mais qualquer coisa no computador, Alá, Alá... é o sistema.
O sistema!
(Curiosamente, quando estiver a sair do Irão três semanas depois, vou também ter um problema com o "sistema".)
Vem o colega, tenta qualquer coisa e nada, desliga e liga, não acredito, vou mesmo ficar em terra, tento não enervá-los ainda mais mas por dentro vai aqui uma revolução, passam-se alguns minutos e eu já estou a imaginar o avião a ir embora e eu em terra, vamos lá embora, senhora.
"Here's your boarding pass. Run!"
E eu corri.
Qual Rosa Mota qual-quê! Usain Bolt... um menino! Lancei-me pelos corredores do aeroporto de Muscat como se estivesse a ser perseguido por algum monstro ou fantasma, só ao fim de algumas passadas é que me lembrei que nem sabia qual era a porta de embarque, voltei-me para trás mas o balcão estava já longe, não faz mal, hei-de encontrar algum painel.
Mais à frente estava uma pequena fila para o raio X, assim que me viram os seguranças gritaram-me "Tehran?" e eu respondi que sim, as pessoas afastaram-se e eu passei em modo fast forward. Continuei a correr e ainda ouvi um deles gritar-me "gate number seven!", sem abrandar agradeci a rir e acelerei, e eis que à minha frente vejo pessoas e lojas mas os funcionários perguntam-me sempre "Tehran?" e eu "yes-yes-tehran", e o caminho foi-se abrindo à minha frente, parecia o final da maratona, só faltava aplaudirem-me, e acho que oiço ao fundo Vangelis, e vejo à frente a meta, sorrisos, Tehran, Tehran!
Entrei no avião "com os bofes de fora", sentei-me no lugar indicado no boarding pass, vamos lá embora. Ao meu lado estava sentado um homem nos seus sessenta muito - bem vividos e melhor conservados, magro e "seco", meio "freak", muito viajado, bom conversador, viemos o tempo quase todo a opinar e a trocar histórias e peripécias sobre o Irão e o Mundo.
Chamava-se Max. Nasceu em Teerão e aí viveu até aos dezoito, quando saiu para viajar pelo Mundo. Em 1979 estava na Suécia e comprou uma "pão-de-forma", foi até Portugal com uns amigos, trabalhou numa cooperativa alentejana a tirar cortiça das árvores, contou-me histórias que metiam a polícia a disparar para barris de vinho, ele a mostrar uma máquina fotográfica numa manifestação e a dizer que era jornalista da BBC, e depois o casamento com uma sueca, mais as empresas que fundou e o caminho mais "corporate" que acabou por tomar, apesar de trabalhar com soluções ecológicas, etc. Mas há uns anos apanhou um susto e o médico aconselhou-o a abrandar o ritmo... por isso largou as empresas, a esposa, a casa e o conforto - e agora viaja.
O Max é muito espiritual, filosófico e pragmático, ao mesmo tempo. Muito-muito interessante. Ainda partilhou comigo algumas dicas sobre o seu país, desenhou-me um mapa com sítios a ir, percursos, experiências. Que conversa boa - a forma perfeita de relaxar daquela stressante corrida pré-voo... e de chegar ao Irão "enquanto o Diabo esfrega um olho".
16/05/2016
HAVIJ BASTANI... QUE DELÍCIA!
Um dos pitéus mais deliciosos que provei no Irão foi o Hajiv Bastani, uma espécie de snack/sobremesa muito popular e tradicional, feito de:
a) sumo de cenoura
b) gelado de baunilha, açafrão e água-de-rosas
c) pistachio
Muito fresco, saboroso e saudável, óptimo para os dias de calor que aí vêm ;)
Muito simples de preparar:
Deixe "de fora" uma caixa de gelado de baunilha, para descongelar.
Dissolva meia colher de açafrão em quatro colheres de água quente; e depois misture esse líquido com o gelado de baunilha já "derretido".
Se encontrar à venda "água-de-rosas", óptimo. Eu nunca vi em lado nenhum, mas confesso que nunca estive muito atento. Junte uma colher ao gelado e misture. Senão paciência, fazer-o-quê. ;)
Guarde o gelado novamente no congelador, até ficar
bom para consumo.
E quando for para servir... ponha duas ou três bolas num copo e junte o sumo de cenoura acabado de fazer. Misture três ou quatro pistachios esmagados, uma pitada de canela... e bom proveito! :)
a) sumo de cenoura
b) gelado de baunilha, açafrão e água-de-rosas
c) pistachio
Muito fresco, saboroso e saudável, óptimo para os dias de calor que aí vêm ;)
Muito simples de preparar:
Deixe "de fora" uma caixa de gelado de baunilha, para descongelar.
Dissolva meia colher de açafrão em quatro colheres de água quente; e depois misture esse líquido com o gelado de baunilha já "derretido".
Se encontrar à venda "água-de-rosas", óptimo. Eu nunca vi em lado nenhum, mas confesso que nunca estive muito atento. Junte uma colher ao gelado e misture. Senão paciência, fazer-o-quê. ;)
Guarde o gelado novamente no congelador, até ficar
bom para consumo.
E quando for para servir... ponha duas ou três bolas num copo e junte o sumo de cenoura acabado de fazer. Misture três ou quatro pistachios esmagados, uma pitada de canela... e bom proveito! :)
JÁ DIZIA O ANTÓNIO
Nas minhas voltas pela wikipedia descobri que: no século XVII o embaixador português António de Gouvea esteve na Pérsia e afirmou que "o povo de Esfahan é muito aberto na forma de lidar com os estrangeiros, pois todos os dias tem de lidar com pessoas de muitas nacionalidades."
E esta, hem?
E esta, hem?
13/05/2016
HOSPITALIDADE IRANIANA (2)
A história do visto não acaba no avião: este bolo ainda tem uma cereja no topo.
Cheguei a Teerão e viajei durante três semanas pelo Irão, sendo que só fui a Shiraz ao fim de quinze dias no país. Ou seja: quando liguei à senhora da agência para combinarmos qualquer coisa, já tinha passado imenso tempo desde que todo o processo do visto acontecera.
E quando cheguei à agência, finalmente conheci a senhora (que afinal até era uma rapariga nova) e a primeira coisa que ela fez ao dar-me um aperto de mão foi agradecer-me por ter vindo.
"Era o que faltava", respondi-lhe. "Eu é que agradeço a simpatia e a confiança que teve em mim."
Sentámo-nos a conversar um pouco, ela estava curioso com a minha viagem, onde tinha estado, com quem... e se estava a gostar do país. Os iranianos são, em geral, muito curiosos com esta questão - mas nós tínhamos trocado muitos emails antes e ela sabia das minhas expectativas, por isso ao fazer esta pergunta tinha uma profundidade maior do que o habitual "do you like Iran?" que tanto se houve na rua.
Enfim... meia hora à conversa e quando chegou a hora de pagar, entreguei-lhe o dinheiro e ela agradeceu novamente eu ter vindo, e eu voltei a dizer que quem tinha de agradecer era eu.
"Tu és muito descontraído, não és?", perguntou-me.
"Em geral sim, às vezes não... porquê?"
"Porque quando chegámos a um ponto em que percebeste que não ias poder pagar, disseste-me com toda a calma que se calhar era melhor cancelar a viagem, e que vinhas mais tarde."
"E que remédio tinha eu?"
"Foi por isso que eu propus pagares o visto mais tarde, em dinheiro, aqui em Shiraz. Porque eu já tinha percebido o quanto querias vir ao Irão, e fiquei com pena que tivesses de adiar só por causa disso. E pensei... se ele vier cá pagar óptimo, mas se não aparecer, pelo menos viajou no meu país."
E esta, hem?
Cheguei a Teerão e viajei durante três semanas pelo Irão, sendo que só fui a Shiraz ao fim de quinze dias no país. Ou seja: quando liguei à senhora da agência para combinarmos qualquer coisa, já tinha passado imenso tempo desde que todo o processo do visto acontecera.
E quando cheguei à agência, finalmente conheci a senhora (que afinal até era uma rapariga nova) e a primeira coisa que ela fez ao dar-me um aperto de mão foi agradecer-me por ter vindo.
"Era o que faltava", respondi-lhe. "Eu é que agradeço a simpatia e a confiança que teve em mim."
Sentámo-nos a conversar um pouco, ela estava curioso com a minha viagem, onde tinha estado, com quem... e se estava a gostar do país. Os iranianos são, em geral, muito curiosos com esta questão - mas nós tínhamos trocado muitos emails antes e ela sabia das minhas expectativas, por isso ao fazer esta pergunta tinha uma profundidade maior do que o habitual "do you like Iran?" que tanto se houve na rua.
Enfim... meia hora à conversa e quando chegou a hora de pagar, entreguei-lhe o dinheiro e ela agradeceu novamente eu ter vindo, e eu voltei a dizer que quem tinha de agradecer era eu.
"Tu és muito descontraído, não és?", perguntou-me.
"Em geral sim, às vezes não... porquê?"
"Porque quando chegámos a um ponto em que percebeste que não ias poder pagar, disseste-me com toda a calma que se calhar era melhor cancelar a viagem, e que vinhas mais tarde."
"E que remédio tinha eu?"
"Foi por isso que eu propus pagares o visto mais tarde, em dinheiro, aqui em Shiraz. Porque eu já tinha percebido o quanto querias vir ao Irão, e fiquei com pena que tivesses de adiar só por causa disso. E pensei... se ele vier cá pagar óptimo, mas se não aparecer, pelo menos viajou no meu país."
E esta, hem?
10/05/2016
HOSPITALIDADE IRANIANA (1)
Antes desta primeira viagem que fiz ao Irão, tinha ouvido falar muito da hospitalidade dos iranianos. Conhecia muita gente que viajara pela "antiga Pérsia" - e se havia opinião comum a todos, era o facto das pessoas lá serem muito simpáticas, acolhedoras e curiosas.
Ou seja: a minha expectativa já ia de encontro a um determinado perfil.
E, no entanto, fui surpreendido ainda antes de pisar solo iraniano. Estava a viajar com um grupo da Indochina, em Março, convencido que não precisava de tratar de visto com antecedência, porque tinha ouvido falar de "vistos à chegada", quando fui informado pela Nomad que era mais seguro pedi-lo antes, principalmente tendo em conta o tempo que estava a planear ficar no Irão. Mas como eu não estava em Portugal, não podia tratar do visto com a embaixada iraniana em Lisboa; e nem sequer podia ir deixar o passaporte à de Banguecoque, porque estava "em movimento" com um grupo da agência. Tinha de tratar do assunto através de uma agência online.
Foi o que fiz, portanto. Entrei em contacto com uma agência e explicaram-me que precisava de preencher um formulário primeiro, esperar até quinze dias pela aprovação do visto - e depois tinha de ir a uma embaixada à minha escolha e tratar da emissão propriamente dita.
Escolhi a embaixada iraniana de Bangkok, onde ia passar dois ou três dias depois da viagem com o grupo, e de onde tinha voo marcado para Teerão.
Mas o processo não foi tão "pacífico" quanto parecia.
Primeiro, porque o formulário teimava em não "aceitar" os meus dados; mas quando expliquei a situação à senhora da agência, ela ofereceu-se para me enviar um documento Word com os dados e depois preencher o formulário por mim. Muito simpática.
Depois, porque quando chegou a altura de pagar... não consegui. O Irão não tem os seus bancos "ligados" ao sistema internacional, muito provavelmente por causa do embargo, ou seja: nada de transferências bancárias e nem pensar em pagar com cartões de crrédito. A única forma de proceder ao pagamento era por paypal, através de uma agência sediada na Suécia. Muito bem, parecia simples de resolver... mas por alguma razão o paypal não aceitou os meus dados, tentei várias vezes mas sem sucesso; e mesmo quando a minha mãe tentou fazer o pagamento por mim, viu a sua conta ser suspensa por alguns dias e depois recebeu uma mensagem a dizer que o pagamento não era autorizado, "por constituir um risco muito alto".
Risco de quê? Enfim.
Quem mandou termos escrito, na descrição do pagamento: "Iranian Tourist Visa".
Ao fim de vários dias de vai-não-vai, acabei por enviar um mail à senhora da agência, em Shiraz, a dizer-lhe que com muita pena minha ia ter de cancelar o processo do visto, porque não conseguia efectuar o pagamento. Expliquei-lhe a situação e, sem dramas, disse que ia voltar para Portugal, fazer o visto na embaixada de lá... e provavelmente visitar o Irão só daí a um ano.
E, para minha surpresa:
"Não te preocupes com o pagamento, não adies a tua viagem só por causa disso. Diz-me que cidades vais visitar e havemos de combinar qualquer coisa, pagas-me depois em cash."
O que dizer a isto?
Em dois dias tinha o visto aprovado, duas semanas depois estava em Bangkok a tratar do resto na embaixada... e quase-sem-dar-por-isso estava no avião a olhar pela janela, um lago côr-de-rosa lá em baixo, e eis que "por favor apertem os vossos cintos e desliguem todos os aparelhos electrónicos"... estamos a chegar a Teerão.
Ou seja: a minha expectativa já ia de encontro a um determinado perfil.
E, no entanto, fui surpreendido ainda antes de pisar solo iraniano. Estava a viajar com um grupo da Indochina, em Março, convencido que não precisava de tratar de visto com antecedência, porque tinha ouvido falar de "vistos à chegada", quando fui informado pela Nomad que era mais seguro pedi-lo antes, principalmente tendo em conta o tempo que estava a planear ficar no Irão. Mas como eu não estava em Portugal, não podia tratar do visto com a embaixada iraniana em Lisboa; e nem sequer podia ir deixar o passaporte à de Banguecoque, porque estava "em movimento" com um grupo da agência. Tinha de tratar do assunto através de uma agência online.
Foi o que fiz, portanto. Entrei em contacto com uma agência e explicaram-me que precisava de preencher um formulário primeiro, esperar até quinze dias pela aprovação do visto - e depois tinha de ir a uma embaixada à minha escolha e tratar da emissão propriamente dita.
Escolhi a embaixada iraniana de Bangkok, onde ia passar dois ou três dias depois da viagem com o grupo, e de onde tinha voo marcado para Teerão.
Mas o processo não foi tão "pacífico" quanto parecia.
Primeiro, porque o formulário teimava em não "aceitar" os meus dados; mas quando expliquei a situação à senhora da agência, ela ofereceu-se para me enviar um documento Word com os dados e depois preencher o formulário por mim. Muito simpática.
Depois, porque quando chegou a altura de pagar... não consegui. O Irão não tem os seus bancos "ligados" ao sistema internacional, muito provavelmente por causa do embargo, ou seja: nada de transferências bancárias e nem pensar em pagar com cartões de crrédito. A única forma de proceder ao pagamento era por paypal, através de uma agência sediada na Suécia. Muito bem, parecia simples de resolver... mas por alguma razão o paypal não aceitou os meus dados, tentei várias vezes mas sem sucesso; e mesmo quando a minha mãe tentou fazer o pagamento por mim, viu a sua conta ser suspensa por alguns dias e depois recebeu uma mensagem a dizer que o pagamento não era autorizado, "por constituir um risco muito alto".
Risco de quê? Enfim.
Quem mandou termos escrito, na descrição do pagamento: "Iranian Tourist Visa".
Ao fim de vários dias de vai-não-vai, acabei por enviar um mail à senhora da agência, em Shiraz, a dizer-lhe que com muita pena minha ia ter de cancelar o processo do visto, porque não conseguia efectuar o pagamento. Expliquei-lhe a situação e, sem dramas, disse que ia voltar para Portugal, fazer o visto na embaixada de lá... e provavelmente visitar o Irão só daí a um ano.
E, para minha surpresa:
"Não te preocupes com o pagamento, não adies a tua viagem só por causa disso. Diz-me que cidades vais visitar e havemos de combinar qualquer coisa, pagas-me depois em cash."
O que dizer a isto?
Em dois dias tinha o visto aprovado, duas semanas depois estava em Bangkok a tratar do resto na embaixada... e quase-sem-dar-por-isso estava no avião a olhar pela janela, um lago côr-de-rosa lá em baixo, e eis que "por favor apertem os vossos cintos e desliguem todos os aparelhos electrónicos"... estamos a chegar a Teerão.
06/05/2016
A OLHAR PARA CIMA
Da próxima vez que for ao Irão, não me posso esquecer de exercitar mais o pescoço, uns dias antes. Só para "aquecer".
É que foi uma canseira... sempre a olhar para cima!
A riqueza dos tectos foi uma das particularidades que mais me impressionou, nesta volta. A perfeição dos pormenores, os contrastes e as cores, a quase obsessiva atenção ao detalhe. Ou seja: foi a olhar para cima que mais vezes disse "uau", no Irão.
Estes são só alguns exemplos:
É que foi uma canseira... sempre a olhar para cima!
A riqueza dos tectos foi uma das particularidades que mais me impressionou, nesta volta. A perfeição dos pormenores, os contrastes e as cores, a quase obsessiva atenção ao detalhe. Ou seja: foi a olhar para cima que mais vezes disse "uau", no Irão.
Estes são só alguns exemplos:
A OLHAR PARA BAIXO
O Irão é os sorrisos e os sabores. É uma herança patrimonial única, uma cultura riquíssima e muito própria. E é o espaço à nossa volta, arquitectura e trânsito, o cheiro de um kebab "a sair", as mulheres com a cabeça tapada, as motas com o pára-brisas.
E o chão.
Neste post partilho o meu Irão, visto de cima para baixo, a olhar para o chão:
E o chão.
Neste post partilho o meu Irão, visto de cima para baixo, a olhar para o chão:
05/05/2016
O "MEU" IRÃO
Três semanas, foi quanto tempo fiquei neste país espectacular que já foi chamado de Pérsia, e agora é Irão.
E esta foi a minha volta:
E esta foi a minha volta:
02/05/2016
VRRRUUUMMMM, IRÃO!
Os pára-brisas das motas foram das primeiras "particularidades" em que reparei, quando cheguei a Teerão há um mês.
Fizeram-me lembrar um Portugal que está a desaparecer - e se antigamente era possível ver disto até em Lisboa, esta é uma imagem cada vez mais remetida para o interior.
Mas o que mais me surpreendeu é que, no Irão, não são só os agricultores e pescadores que aplicam este acessório nas suas motas. Vi desde "motões" de alta cilindrada a scooters, bem como a motas comuns de marcas iranianas com nomes como Taktaz, Ehsan, Jahanro, Sagheb, Talash... todas com o tal pára-brisas.
E não é só o pára-brisas: algumas também têm alforjas, por exemplo.
Curiosamente, acabei por não fotografar uma variação deste acessório que inclui um "telhado", como continuação do pára-brisas, para proteger do sol. Estava convencido que sim - assim sendo, acho que vou ter de voltar ao Irão, para fotografá-las e depois partilhar aqui. ;)
Estou todo entusiasmado com a partilha dos próximos dias, aqui no blog. Vamos dar uma volta pelo Irão?
Fizeram-me lembrar um Portugal que está a desaparecer - e se antigamente era possível ver disto até em Lisboa, esta é uma imagem cada vez mais remetida para o interior.
Mas o que mais me surpreendeu é que, no Irão, não são só os agricultores e pescadores que aplicam este acessório nas suas motas. Vi desde "motões" de alta cilindrada a scooters, bem como a motas comuns de marcas iranianas com nomes como Taktaz, Ehsan, Jahanro, Sagheb, Talash... todas com o tal pára-brisas.E não é só o pára-brisas: algumas também têm alforjas, por exemplo.
Estou todo entusiasmado com a partilha dos próximos dias, aqui no blog. Vamos dar uma volta pelo Irão?
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