27/06/2017

A VIAGEM DO POISAR

Voltei há pouco mais de um mês para Portugal, depois de mais uma época de viagens pela Indochina e Birmânia com grupos da Nomad - e depois de uma aventura extraordinária pela Indonésia.

Tinha-me convencido que, assim que chegasse, voltava a "pegar" no blog - estou há um ano num triste pára-arranca, sem disciplina nenhuma, quase não passo por aqui. Mas a verdade é que praticamente não parei, desde que cheguei.

Tenho andado entretido com uma volta bem diferente do que me é habitual, para mim: chamo-lhe "A Viagem do Poisar".

Ao fim de quase-quinze anos, voltei finalmente a ter casa. Talvez estivesse cansado de estar sempre em modo "camping" em casa de amigos e família, sempre que estou em Portugal. Será da idade? Seja o que for: tinha saudades de ter o meu poiso. O meu ninho. E não pensem que de repente vou deixar de viajar e de viver as aventuras do costume. Mas precisava de responder a este apelo do lar. Ando há muito tempo só às voltas, a pairar.

Dito isto: poisar também se tem revelado uma viagem interessante.

Primeiro: procurar casa. Felizmente não foi tão difícil quanto temi, ao perceber que o mercado está uma autêntica selva. Tive sorte, talvez. Mas o facto é que, duas semanas depois de chegar, encontrei o Poiso.

Depois: mobilar e decorar. Já gastei o orçamento todo do Verão, vou andar a "penar" os próximos meses... mas está gira, a casa. É a minha casa.

E finalmente: a parte mais emocionante desta viagem. Desencaixotar. Tinha dezenas de caixotes e sacos e malas e pacotes... com coisas guardadas da minha casa de Sintra (a que larguei há quinze anos), mais as coisas que fui trazendo das viagens. Tem sido Natal quase todos os dias, por aqui. Cada caixote aberto, cada pacote revelado... é uma emoção. Tanta coisa que nem me lembrava que tinha. E tanta coisa para o lixo, admito. Mas, sem dúvida, tem sido uma verdadeira viagem... pelas viagens que fiz na última década-e-pouco.

Entretanto estou a finalizar o projecto do meu próximo livro - a seu tempo, conto aqui tudo. E também estou a organizar uma série de iniciativas com uma amiga minha, a começar pela conversa+jantar do próximosábado, em que vou partilhar algumas histórias da tal passagem pela Indonésia.

Parado é que não estou - nem quando estou a poisar. ;)

14/04/2017

EU TENHO DOIS AMORES

Sentado em frente ao computador, os dedos pousados no teclado, timidamente à procura das teclas certas, oiço do outro lado da rua os cânticos afinados de um coro de igreja a ensaiar para a Páscoa - aleluias e hossanas que me transportam para outras latitudes que não aquela onde me encontro.

A Indonésia é o quarto maior país do mundo, em população. Mais de duzentos e cinquenta milhões de habitantes - e oitenta-e-pouco por cento são muçulmanos.

Daí ser estranho o coro da igreja. Ou, pelo menos, aparentemente estranho.

E uso a palavra "aparentemente" porque estou em Flores, uma ilha com nome português que foi colonizada pelos nossos antepassados, há muito-muito tempo, e que reteve até hoje uma identidade muito própria. É uma espécie de Goa indonésia. Ou seja: entre outras coisas, a grande maioria da população é católica.

Mas como estamos na Indonésia, há sempre uma mesquita por perto. Pelo que, neste exacto momento em que escrevo sobre a identidade católica de Flores, com o céu iluminado de fogo ao fundo, começa a cantoria da mesquita, a chamar para a oração.

Allah-akhbars misturam-se com Aleluias e Hossanas - mas, ironicamente, não é só o ambiente em meu redor que parece dividido. Eu próprio me sinto um moderno Marco Paulo, trezentos e oitenta e quatro anos depois de um dos seus grandes sucessos, que levianamente adapto às circunstâncias:


Eu tenho dois amores

Que em muito são iguais

Mas não tenho a certeza

Em qual escrever mais

Pois.

Por um lado é o blog, que desde o Verão passado anda a "arrastar-se", primeiro porque andava muito concentrado no livro da Indochina, depois porque seguiu-se um período de extrema preguiça; e entretanto vieram os grupos e disponibilidade-zero.

E agora que, teoricamente, tenho mais tempo, meteu-se o novo livro. Sim: estou a preparar nova obra prima, quero muito tê-la pronta até ao Verão ;) e se já me custa dividir o tempo entre escrever e dar umas voltas a explorar a ilha... imagina só preparar as crónicas do blog, editar fotografias, etc. Um drama. ;)

A verdade é que tenho muito material. Seja da semana em Bali, no início do mês, como desta passagem por Flores, que está a ser inesquecível, muito acima das minhas expectativas - que já eram altas.

Mas eu quero mesmo adiantar o livro novo.

Assim sendo, e ao contrário do Marco Paulo, tomei uma decisão.

O blog fica "em águas de bacalhau", por enquanto. Vou concentrar-me, no tempo que tenho para escrever, no livro novo.

Quanto ao "fui dar uma volta", terá de esperar até meados de Maio, quando já estiver em Portugal, com mais tempo para me "desdobrar". Prometo que volto com novidades e faço o relato desta viagem à Indonésia, que está a ser verdadeiramente emocionante, com fotos e tudo a que tu, caríssimo leitor, tens direito.

Mas fica atento ao meu facebook - e ao instagram também. Aí continuo activo qb.

Uma santa Páscoa... e até já!

09/01/2017

NEVA EM ISTAMBUL

É o maior nevão da última década - diz quem sabe destas coisas.

Desde sexta à noite que praticamente não parou de nevar, em Istambul. As temperaturas baixaram para valores que me arrepio-só-de-imaginar, o vento forte só piora... e em algumas zonas da cidade a neve chegou aos 120cm de profundidade. Mais de um metro, sim!

Istambul está praticamente paralisada. Mais de mil voos foram cancelados no fim-de-semana e hoje. O Bósforo está fechado à navegação, por falta de visibilidade. As estradas, já normalmente caóticas, estão impossíveis, devido a centenas de acidentes provocados pelo piso escorregadio. As escolas decretaram feriado, hoje. Muitas empresas estão a funcionar a "meio gás". Só o Metropolitano é que parece fazer horas extra, estando aberto dia e noite, para aliviar o caos à superfície.

Mas nem tudo é mau.

Há quem se divirta a passear e a tirar fotografias na neve. Afinal, não é todos os dias que Istambul acorda assim:

AFP
 Ozan Kose/AFP
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 Chris McGrath/Getty Images
 Chris McGrath/Getty Images

Mert Akyol/Depo Photos
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 AA Photo
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 Tolga Bozoglu/EPA





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 Murad Sezer/Reuters
 Yasin Akgul/AFP
 Yasin Akgul/AFP
 Ozan Kose/AFP
 Chris McGrath/Getty Images