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22/06/2014

A ÚLTIMA ETAPA

Arrancámos hoje de manhã de Ulaanbaatar, para a última etapa desta viagem transiberiana (e transmongoliana) que termina em Pequim. Chegamos amanhã à capital chinesa, onde ficamos alguns dias. Espero que o blogger não esteja bloqueado, para conseguir actualizar o fui dar uma volta.

Ultimamente os posts têm sido escritos meio-a-despachar, não tenho conseguido o tempo e a disponibilidade que gostaria. Mas em breve sento-me com calma e partilho um pouco mais das aventuras mais recentes. Ficámos duas noites a dormir em gers, as tendas dos nómadas mongóis, passeámos pelas montanhas até mosteiros pendurados nas rochas... que aventura boa, apesar de alguma chuva. Já tenho saudades do crepitar do fogo na salamandra, enquanto adormeço. E do céu estrelado da Mongólia.

Mas tenho de me despachar - o comboio parou apenas por alguns minutos, estamos algures a meio do Deserto do Gobi, e há que aproveitar o facto de ter rede para publicar este post.

Hoje à noite atravessamos mais uma fronteira. Já dormimos sobre carris chineses. E amanhã começa a recta final da viagem.

Quanto ao jogo de Portugal: não vou conseguir vê-lo, nem sequer através da aplicação da FIFA, porque o cartão da Mongólia deixa de funcionar assim que passarmos a fronteira. Paciência: amanhã logo se vê. Espero que a sorte nos acompanhe, desta vez. Força, rapazes!

21/06/2014

BOM DIA, UB

Depois de duas noites e dois dias a "acampar" num ger mongol, estamos de volta a Ulaanbaatar - UB para os amigos - e a contar as horas para regressar ao comboio. Amanhã partimos na quarta e última etapa desta longa aventura. E depois de amanhã chegamos a Pequim.

Mas enquanto refresco ideias e energias, fica um click feito hoje de manhã, no regresso à cidade. Logo à tarde conversamos novamente.


19/06/2014

MAIS UMA VOLTA AO PARQUE

Depois de um dia de emoções intensas em Ulaanbaatar (a seu tempo conversamos, que neste momento estou mesmo a correr), vamos daqui a pouco para o Parque Nacional Terelj, onde ficamos duas noites.

Não há wifi, não há 3G, não há praticamente rede de telefone.

E este ano não há Fartarotti - o cavalo que me atirou ao chão há três anos, num galope pela estepe mongol, que voltei a encontrar mais duas vezes. Este ano ficamos com outra família.

Até breve :)

18/06/2014

BOM DIA. STOP.

Entrámos finalmente na Mongólia, depois de cinco horas na fronteira russa e outras duas do lado mongol. É sempre a mesma coisa, é preciso paciência e muita calma, algum jogo de cintura - tudo passa.

Passou também mais uma noite sobre carris, hoje acordámos com o sol a nascer e lá fora a paisagem tinha mudado radicalmente, com gers aqui-e-ali, pessoas a cavalo, fábricas no meio de centros urbanos, um postal de verde e castanho ondulante até perder de vista. Quase não se vêem árvores.

Chegámos a Ulaanbataar, onde paramos por uma noite. Amanhã vamos para a estepe e dormimos duas noites em gers nómadas. Mas, lá está: hoje temos cidade. Hoje não saímos daqui. Parados. Temos quase sete mil quilómetros atrás - hoje fazemos apenas meia dúzia, a pé, entre o hotel e o mosteiro, a estátua do Genghis Khan, o restaurante onde jantamos e pouco mais.

E o click de hoje, à sua maneira, celebra isso mesmo: o estar parado.


05/06/2014

A EMBAIXADA MAIS DESPACHADA DO UNIVERSO

Tal como já tinha mencionado, a Embaixada da Mongólia em Moscovo foi de uma rapidez inacreditável, ontem, na emissão do meu visto.

Cheguei e pedi o "application form", que preenchi como tinha de ser. Juntei uma fotografia e entreguei com o passaporte, ao que a senhora me pediu uma carta-convite ou uma reserva de hotel. Eu não tinha uma nem outra, mas tinha os mails que troquei com o meu contacto de Ulaanbataar, relativos à reserva de hotel para o grupo que vou acompanhar. Disponibilizei-me para os imprimir e voltar mais tarde... mas a senhora sorriu-me e disse:

"Espere só um bocadinho."

Retirou-se por momentos, achei que tinha ido pedir autorização para avançar com o processo sem o dito convite. E dois minutos depois, a senhora aparece de novo à janela e estende-me o passaporte:

"São cem dólares, se faz favor."

Mais rápido, impossível.


29/08/2013

ENTRETANTO, NO TRANSIBERIANO...

Onde é que nós íamos, quando tive de interromper o relato do Transiberiano?

Ah: prestes a partir para Pequim, no último troço feito sobre carris - sobre a linha Transiberiana.

Tem piada. Tenho vindo a reparar num fenómeno que acontece a quase todas as pessoas que fazem esta viagem. Apesar das paragens serem essenciais na concretização da aventura e muito valorizadas por quem passa tanto tempo dentro do comboio; apesar de serem, de certa forma, o recheio da bola-de-berlim... os carris têm um efeito especial. Há sempre uma antecipação enorme, uma certa ansiedade, quando voltamos ao comboio. Cada um exterioriza de forma diferente, mas é como se, depois de uma aventura, voltássemos todos a uma espécie de zona de conforto. Ao ninho. E essa sensação cresce, desenvolve-se e alimenta-se ao longo da viagem.

Assim: como pequenas águias de depois de um voo experimental na estepe voltam à segurança do ninho ;) lá continuámos nesta odisseia sobre carris que se chama Transiberiano.

Por esta altura, o grupo já desenvolveu uma dinâmica própria. Já nos conhecemos bem uns aos outros, há piadinhas privadas que qualquer pessoa "de fora" não entenderia. Rimo-nos de coisas que só nós podemos rir - porque nós "sabemos". Já há alguma tensão entre este feitio e aquela maneira de ser. Já se estabeleceram laços. Melhor: já nos entrelaçámos, destinos e histórias e aquis e agoras.

Esta última viagem é especial. Não só pela carga que a experiência já carrega depois de quinze dias juntos, mas porque a meta que se segue tem qualquer coisa de fatal. Atravessamos o Deserto do Gobi. Entramos na China. Muda a bitola e assistimos a um momento já muito antecipado. Vemos o último pôr-do-sol, dormimos a última noite no comboio, embalados por aquele som que só conhece quem conhece. Aquele ritmo.


De manhã repetimos rituais. Sabemos que é a última vez. Crescem ansiedades, à medida que nos aproximamos de Pequim. É o destino final. É a meta de quase oito mil quilómetros de partilha. Cinco fusos horários. Encontros e desencontros, momentos e eventos, cara-feia e bonitos sorrisos.

O comboio pára: chegámos a Pequim. Saímos para a plataforma, pisamos o chão sonhado, a terra prometida. E olhamos para trás. Aquela linha começou em Moscovo. Atravessou um mapa inteiro, histórias e gargalhadas, cumplicidades, segredos.

Chegámos.

17/08/2013

ATÉ JÁ!

Voltámos hoje do Parque Terelj, onde estivemos dois dias e duas noites "acampados" em gers - as tendas dos nómadas mongóis. Andámos a pé por vales e montanhas, descobrimos um mosteiro escondido nas escarpas, montámos a cavalo e comemos alguns petiscos locais. Soube bem. Até a Natasha, que não é muito dada ao outdoor, voltou de papo cheio.

Hoje passámos a tarde a correr de um lado para o outro, aqui em Ulaanbaatar. Fomos ao Mercado Negro e ao State Department Store, jantámos no Ich Mongol e ainda fizemos umas compras de última hora, para a viagem que se segue. Estou estafado.

Ou seja: amanhã de manhã partimos para a China. Não vou ter acesso ao facebook durante uns dias, e quase de certeza que também vai ser complicado actualizar o blog. Mas à mínima oportunidade: contem comigo.

Até já!

15/08/2012

ESTA CIDADE QUE NÃO TEM NADA A VER COM NADA


Depois de quase um mês às voltas em mais uma viagem no Transiberiano (desta vez, com um grupo da nomad), retomo hoje a partilha de fotos e impressões sobre as 11 cidades que marcaram o meu 2011.

E aproveitando o espírito desta última aventura, eis que a cidade escolhida para este post - a 8ª desta série - é a capital da Mongólia, Ulaan Baatar. Ou, como é conhecida entre os amigos: UB.



Com poucos argumentos credíveis para constar seja em que "best of" for, a verdade é que esta cidade tão improvável, tão nada-a-ver-com-nada, me marcou.

Não sei se foi porque vinha de quase um mês na Rússia e estava a precisar de sorrisos e conversa. Não sei se foi porque a Mongólia era um país novo e estava sedento de conhecer esta cultura.

Terá sido o Gengis Khan refastelado no trono, na fachada do Palácio Presidencial? Ou os semáforos temáticos? Ou a estátua dos Beatles naquela rua entre a State Department Store e o Circo? Ou terá sido o maravilhoso churrasco regado a cerveja mongol? Ou, quem sabe, os dumplings. Ou os templos budistas. Terá sido o monumento soviético em cima daquele monte, com vista sobre a suja cidade onde a construção avança sem regras nem bom-senso? Terá sido o céu, o maravilhoso céu, infinito e cheio de possibilidades?

Esta cidade que não tem nada a ver com nada, tem qualquer coisa. Qualquer coisa que eu não sei bem explicar o que é. Um dia, quem sabe, vou descobrir. Voltei a UB há duas semanas - voltei a sentir o mesmo. O que é, ainda não sei. Mas sou paciente. Sou optimista. E sou um previlegiado, porque sei que vou voltar e por isso não tenho pressa em descodificar seja o que for. A seu tempo, a cidade há-de revelar-me o seu segredo.



















10/10/2011

O ÚLTIMO COMBOIO


Parece título de filme - mas não é. Depois de semanas a atravessar Rússia e Mongólia... depois de uma aparatosa queda de cavalo... uma surpresa chamada Suzdal... passeios em Parques Naturais, o maior lago de água doce do mundo, os sorrisos russos, a estepe mongol, o ritmo de Moscovo, as cidades desinteressantes, os companheiros de viagem. Depois de uma viagem cheia de histórias e encontros, eis-me na última etapa.

Que sensação.

Não só porque representa-o-que-representa, mas porque vem aí a China. A China! País novo, há muito desejado. Que ansiedade.

O céu da Mongólia














A imagem mais forte que vou guardar da Mongólia é o céu. A noite cheia de estrelas, a Via Láctea num sorriso pepsodent. As nuvens "em concha" com os montes, na manhã da estepe. O azul depois da chuva. Os raios dourados do pôr-do-sol, em tudo o que tocam um reflexo de ouro.

O comboio arrancou de madrugada, com hordes de locais a vir-se despedir de mim - a Mongólia fez aqui um amigo e chorou a sua partida. ;)

No meu compartimento seguia o Pascal, um suíço que tinha conhecido na guesthouse e que estava no primeiro de muitos meses a viajar sozinho, pela primeira vez; e uma mãe e filha muito simpáticas, sempre a sorrir apesar de não falarem inglês. Durante a viagem, ainda conhecemos a Nina, uma austríaca de origem eslovaca que tinha estado a fazer um curso em Irkutsk - e tanta foi a conversa e as coisas em comum, que nos tornámo os três bons amigos. Pequim não teria sido a mesma coisa sozinho, posso garantir desde já.

Mas a viagem.

A viagem foi um permanente "uau-que-espectáculo", com a paisagem da janela a ser dominada pelo maravilhoso céu, ora pintado de azul-e-mais-nada, ora carregado de pequenas nuvens a gritar "tira-nos fotos, tira-nos fotos!". Cá em baixo, ora dunas, ora planícies e respectivos cavalos, ora gers. A Mongólia e o seu permanente jogo de sedução. Irritante, não é?

























Próxima e última paragem: Pequim

O comboio chegou à noite à fronteira, onde nos esperava uma operação delicada e fascinante, que já me tinha sido descrita - mas nada como vivê-la.

O sistema de carris na China é diferente daquele que é usado na Mongólia - e para que não seja preciso mudar de comboio... mudam-se as rodas! As carruagens são levantadas (com os passageiros lá dentro!) por um sistema hidráulico que obviamente não sei descrever - mas a verdade é que são mesmo levantadas - e depois eles tiram todo o kit de rodas mongol e instalam o chinês. Impressionante. E isto tudo é relativamente rápido, tendo em conta a operação.















E depois uma paragem: saímos.

Não beijámos o chão porque nenhum dos três tinha pretensões de Papa, além de que é um bocado nojento. Assim sendo, vai foto-de-grupo-com-caras-de-parvos, a celebrar a entrada num país novo... no meu caso, o 50º! :)

Mais uma noite sobre carris - a última! - e quando acordámos a paisagem tinha mudado radicalmente. Mais montanhas, algumas cidades, estradas modernas, uma realidade diferente. E por volta da hora do almoço... senhoras e senhores, o destino final... não-sei-quantos mil quilómetros depois, já não me lembro das contas, deve ser da emoção... Pequim.