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07/06/2013

AZUL E BRANCO

Nas ruas de Colónia del Sacramento escreve-se a azul e branco:





24 HORAS EM COLÓNIA DEL SACRAMENTO

Com uma importante localização estratégica no Rio de La Plata, a cidade de Colónia del Sacramento foi povoada, invadida e saqueada inúmeras vezes ao longo da sua história. Aqui ouviram-se em Português, Castelhano, Inglês e Holandês: gritos de guerra, gargalhadas, orações, murmúrios, choros, suspiros, declarações de amor, pedidos de clemência, vendedoras a apregoar frescos produtos.

Hoje falam-se dezenas de línguas nas ruas empedradas da mais antiga cidade do Uruguai. Os novos invasores chegam de barco todos os dias, vindos de Buenos Aires, munidos de máquinas fotográficas, telefones digitais, tablets. Argentinos e brasileiros, coreanos e israelitas, americanos, japoneses, alemães... e, muito recentemente, um português e um indiano ;)

Como qualquer turista que se preze, passeámos pelo centro histórico desta cidade que é, desde 1995, Património da Humanidade. Atravessámos o Portón de Campo, espreitámos a Plaza Mayor e a Basílica do Santíssimo Sacramento, subimos ao farol... mas o passeio valeu pelo passeio: valeu pelo empedrado antigo - português! - debaixo dos nossos pés; valeu pelos azulejos brancos nas paredes, com os nomes das ruas em azul; valeu pelo jogo de sombras e luzes, pela aragem a dar voz às árvores, pelo sorriso que nos recebeu em cada esplanada.





Passámos uma noite e um dia neste curioso bocadinho de mundo, depois do merecido descanso em Punta del Diablo. O meu joelho está praticamente bom, a cabeça fresca, uma vontade enorme de recomeçar a desbravar território.

Estamos quase-quase a entrar numa nova fase desta aventura: de Colónia voltamos para Buenos Aires, de Buenos Aires avançamos para Mendoza - e de Mendoza seguimos para Santiago do Chile.ires, munidos de ma compreender r numa nova fase desta aventura.çar a desbravar territm Buenos Aires, munidos de ma compreender

05/06/2013

UM LUGAR ESPECIAL

Começa logo pelo nome: Punta del Diablo tem qualquer coisa de místico, qualquer coisa de subversivo - é um nome com "pinta".

Depois são as casas: este lugar parece uma aldeia de pescadores tirada do "Alice no País das Maravilhas", mas com um toque hippie de filme de surf. Cabanas e vivendas em madeira, pintadas de todas as cores, com redes de descanso viradas para a rua e pranchas de surf encostadas à parede. Canteiros "arranjadinhos", as estradas todas em terra batida, o silêncio...



Pessoas sorridentes na rua, nas lojas, nos restaurantes. O surfista, o turista, o pescador.

E o mar: sempre o mar. A praia virada para o sol nascente, a iminência de ver uma baleia ao longe, ou um leão marinho ao perto.

Está-se bem em Punta del Diablo... mas basta de descanso e sol, já é hora de voltar à estrada.

04/06/2013

11 BONS MOTIVOS PARA NÃO FAZER NADA

Três dias de papo para o ar... soube tão bem.

E porque o título diz que são onze, cá vão os motivos para ter andado mais "sossegado" nos últimos dias. Se não forem suficientes, tenho  mais. :)











03/06/2013

PUNTA DEL DIABLO



A preguiça aliada a uma internet lenta é uma coisa muito chata...


02/06/2013

O NOSSO NORTE É O SUL


O Diablo Tranquilo afinal não era tão calmo quanto parecia. Muito giro, o hostel - não há como negar. Mas nós vínhamos à procura de descanso... e pessoas a entrar e a sair do quarto durante a noite, gargalhadas e guitarradas até sabe-se lá que horas... e depois, logo de manhãzinha, música aos altos berros... muito giro, mas queremos algo mais Tranquilo que este Diablo.

Ao pequeno-almoço deparei com uma parede onde estava desenhado um mapa mundo enorme, virado "de pernas para o ar. E ao lado, a seguinte explicação:

O NOSSO NORTE É O SUL

No debería haber Norte para nosostros, excepto en oposicióm a nuestro Sur. Este es el motivo por el cual damos la vuela al mapa, para saber ahora cual es nuestra verdadera posición que nos es la que el resto del mundo gustaria tener.... esta es una rectificacion necesaria en función de que nosotros sepamos donde estamos.

Dá que pensar.

FUI DAR UMA VOLTA

Como qualquer domingueiro que se preze, descalcei-me e fui dar uma volta pela praia... é tão bom não fazer nada, em Punta del Diablo.


31/05/2013

SURPRESA Nº 4: BACALHAU

O segundo autocarro do dia chegou ao seu destino, Punta del Diablo, já noite cerrada. Como foi uma viagem não planeada, decidida "em cima do joelho", não tínhamos qualquer expectativa sobre o que nos esperava. O novo plano era ficar ali uma noite e sair, na manhã seguinte, para Cabo Polónio, o tal muito bem recomendado, e que nem ficava longe.

Mas assim que chegámos, percebemos que este lugar não tinha nada a ver com a ibizesca Punta del Este. Fomos largados numa estrada de terra batida, perto de um pequeno restaurante praticamente vazio - que era a única porta aberta. Tudo o resto estava de luzes apagadas.

Tínhamos encontrado no guia um hostel chamado "El Diablo Tranquilo" e perguntámos por direcções a uma pessoa que estava à porta do restaurante.

"Segues por aquela rua, viras na terceira à direita, ou será na segunda... bem, mas depois é a primeira à esquerda e sobes... tens o hostel do lado direito... não, do lado esquerdo... é mais ou menos por aí", e apesar de tudo lá fomos pelas ruas largas mal iluminadas, sempre por terra batida, entre casas com "boa pinta", algures entre cabanas de praia e casas "de arquitecto". Não se via viv'alma na rua, mas também não nos sentíamos ameaçados.

A primeira impressão de Punta del Diablo não podia ser melhor. Apesar de ainda nem termos a noção de onde estávamos, apesar de estarmos perdidos à noite numa terra que não conhecíamos... a verdade é que este lugar tinha uma energia especial.

Quando vimos uma bicicleta a descer por uma rua, acenámos a pedir ajuda. Estávamos completamente à nora. O rapaz fez sinal para sairmos da frente e passou por nós com um sorriso rasgado, mas sem conseguir parar a tempo. Não tinha travões. Mais à frente conseguiu abrandar e deu a volta, voltou para perto de nós a rir e perguntou se podia ajudar.

"Sabes onde fica o Diablo Tranquilo?"

"Sim, claro. Descem por esta rua e viram na segunda à esquerda, sobem e vão ver o hostel do lado esquerdo, mais à frente. Querem que eu vá convosco?"

Agradecemos a simpatia e deixámo-lo seguir caminho, não havia necessidade de nos acompanhar, agora que estávamos tão perto. Mas a sinceridade do gesto tocou-nos, e chegámos ao Diablo Tranquilo com um sorriso estampado nos rostos.

No hostel estavam mais de dez pessoas a beber e à conversa, o lugar parecia muito simpático e com "boa onda". Mas estávamos cansados e cheios de fome, por isso largámos as mochilas na camarata e saímos quase de imediato, à procura de comida.

E agora entra o bacalhau.

Apesar da grande surpresa do dia ser Punta del Diablo propriamente dita, penso que essa surpresa só seria completamente revelada na manhã seguinte. Por isso dividi os relatos de hoje em quatro, com as pequenas quatro surpresas... e a quarta, que é a estrela deste post, é o bacalhau.

Quando finalmente nos sentámos à mesa de um restaurante (vazio, mas era o único ali perto e estávamos cheios de fome), muito nos surpreendeu o facto do menu conter dois pratos feitos à base de bacalhau. Pedimos duas Patrícias e depois de estudarmos todas as opções, decidimos experimentar:

O Bunty pediu o Bacalhau à Veneziana com papas de milho, uma receita renascentista - segundo o menu - inventada por Miguel Angel Buonarotti, que segundo a wikipedia era um escultor, pintor, poeta e engenheiro italiano, um dos melhores do seu tempo, o primeiro a quem foram dedicadas duas biografias, e que teve uma influência sem paralelo no desenvolvimento da arte ocidental. Nunca tinha ouvido falar do senhor, mas o bacalhau estava óptimo e fiquei curioso ;)

E porque queríamos experimentar mais que um novo sabor, pedi os raviolis de bacalhau com molho de tomate e amêndoa. Que combinação de sabores! Estava óptimo, muito saboroso... mas apetecia-me algum picante. Falta um bocadinho de picante.

O Bunty vinha traumatizado com a falta de picante na Argentina, apesar de ter gostado da comida lá. Em Montevideo também não tivémos sorte, a única coisa que nos deram nos restaurantes fora pimenta preta - que não é bem um picante, convenhamos.

Por isso, quando pedimos neste restaurante se tinham picante, qual não foi a surpresa quando nos trazem um piri-piri. E, caso, prefiram, têm aqui Tabasco. Ou então malaguetas esmagadas.

A mesa quase encheu com as quatro opções de picante que nos ofereceram. E nós saímos para a rua de barriga cheia, felizes e satisfeitos por estes primeiros momentos em Punta del Diablo.

Vamos a contas: mais do que apenas o bacalhau, neste post há a surpresa do picante, a surpresa do hotel, a surpresa desta simpática terrinha chamada Punta Del Diablo.

O Cabo Polónio que se "ponha a pau", que este lugar está mesmo a pedir para ficarmos só mais um bocadinho....

SURPRESA Nº 3: URBANIZAÇÕES

A terceira surpresa do dia não foi bem uma surpresa. Na verdade já tinha a impressão de que Punta del Este não devia ser nada de especial... mas mesmo assim alimentámos esperanças e acreditámos que valia a pena ficar aqui uma noite, seguindo na manhã seguinte para Cabo Polónio, que nos fora muito bem recomendado.

Logo aos primeiros metros percorridos no perímetro urbano da localidade percebi que este lugar não era para nós. Urbanizações ao estilo mediterrânico, relvados e palmeiras, tudo muito "organizadinho", planeado ao pormenor, mais um Algarve, mais uma Ibiza. Igual em todo o lado. Alguns prédios ao longe, rodeados de um mar e um céu cinzentos - prometia chuva.

É assim a vida: nem todas as surpresas têm de ser boas.

Ou seja: a primeira coisa que fizemos, mal saímos do autocarro, foi perguntar quando é que partia o próximo.

E a segunda coisa que fizemos foi atravessar a estrada até à praia, para fotografar uma famosa estátua de uma mão gigantesca a "sair" do areal, que aparece em tudo o que é postal - já vínhamos com intenções de a fotografar.



Chama-se "La Mano" e foi criada pelo artista chileno Mario Irrazaba, em 1982.

E ao contrário da versão que nos fora "vendida" - que a estátua é uma homenagem (mórbida, digo eu) aos afogados -, afinal o monumento celebra "a presença do Homem na Natureza". É o que diz a placa, pelo menos.

Eu "cá" gosto mais dos afogados.

E por falar em água: começou a chover. Voltámos para a estação, mas tínhamos duas horas até ao próximo autocarro, que ia para Punta del Diablo. Eu continuava com dores no joelho, não me apetecia grandes passeatas com vista para as urbanizações - por isso fiquei a escrever um pouco. Já o Bunty estava cheio de energia, tinha visto ao longe um farol que queria fotografar - e foi dar uma volta pelo centro da cidade.

SURPRESA Nº 2: CIRCO

Já na estrada a caminho de Punta del Este, vimos um circo montado junto à estrada, nos arredores da cidade - um circo chamado Portugal.

Com direito a bandeirinhas das quinas e tudo!

Foto "roubada" a www.portaldocirco.com.br

Como tínhamos wifi no autocarro, fui logo investigar e descobri que a grande atracção deste circo com 72 anos e oito gerações de histórias, é o Globo da Morte, com seis motas em perigosas acrobacias. Tem uma tenda com capacidade para três mil pessoas e 130 artistas, dos 4 aos 88 anos. Já percorreu toda a América Latina, Europa e parte de África.

Reparei que, numa entrevista, o director Silva diz que o circo não tem animais, o que achei logo "muito à frente"... mas depois de mais algum google descobri que tal facto se deve a um episódio que causou alguma polémica no Brasil e no meio circense, em que os bichos terão sido apreendidos pelas autoridades locais - por alegadamente sofrerem maus tratos.

De qualquer forma, fica registada o segundo pequeno momento-surpresa do dia: senhoras e senhoras, aplausos para... Circooooo Portugaaaaal! ;)

SURPRESA Nº 1: EMPANADAS


O dia em que saímos de Montevideo foi recheado de inesperados pormenores, de pequenos nadas e surpresas.

Mal saímos do hotel passámos numa loja de empanadas em que tínhamos reparado na noite anterior, com o objectivo de levar algumas para a viagem de autocarro até Punta del Este - e não é que, além de sabores típicos como carne de vaca, galinha ou vegetais... os senhores faziam uma originalíssima e deliciosa empanada de dulce de leche!

Exactamente, não me enganei: empanada de dulce de leche.

Pesando bem os prós e os contras, depois de ter provado uma e repetido a dose: ainda bem que só estivemos um dia em Montevideo. Empanadas de dulce de leche? Perigosíssimo!

Muito perigosíssimo :)

HASTA LA VISTA, MONTEVIDEO!

Avançamos? :)

30/05/2013

SABIA QUE... #07

...o nome completo do Uruguai é "República Oriental do Uruguai".

Uma vez que ainda não consegui ultrapassar esta (espera-se breve) fase de posts acerca de nomes, cá vai mais um. O Uruguai não se chama Uruguai. Chama-se República Oriental do Uruguai.

E porquê Oriental? Porque há muitos asiáticos no país? Porque os uruguaios têm os olhos em bico e comem com pauzinhos? Porque há muitos restaurantes chineses? Ou será que, noutros tempos, houve uma República Ocidental do Uruguai?

Nada disso: o nome advém do facto de, geograficamente, o país estar situado na margem oriental do rio Uruguai (cujo nome, na sua origem Guarani, significa "rio onde vivem os pássaros pintados").

Antes da Independência, o Uruguai chamava-se Província Oriental, e ficava a este da Província de Buenos Aires. O adjectivo acabou por se manter, mesmo depois da Independência (em 1828), mas agora com um significado diferente. Agora o país nem tem bem nome: é a república que fica a oriente do rio Uruguai. :)

PORONGO

Antes de avançar para o nome que serve de título a este post, gostava de esclarecer aqui um mal-entendido: ontem comentei acerca do facto de quase toda a gente no Uruguai andar com uma caixa de binóculos a tira-colo... pois bem: afinal não é uma caixa de binóculos.

Mereço um calduço pela estupidez.

Enfim: a tal sacola/embalagem que toda a gente leva de um lado para o outro, serve para levar o termos e a chávena do mate. Dah!

Mas voltando ao título do post: refere-se ao nome "institucional" da tal chávena com a palhinha, de onde toda a gente bebe o mate. Porongo. Mas perguntem a quem quiserem, ninguém a vai reconhecer por este nome. O Uruguai conhece-a por mate, tão simples quanto isso. E a palhinha também tem nome próprio: chama-se bombilla.

E para que não fiquem a pensar que estou a exagerar com esta conversa do mate ser uma obsessão nacional, desafiei-me a mim próprio a realizar um pequeno exercício. Sentado à espera do autocarro que nos ia levar de Montevideo para Punta del Este, concentrei-me nas pessoas que passavam e decidi-me a tentar fotografar algumas, durante um ou dois minutos, não mais que isso. Para ver quantos traziam o mate.

Das quinhentas e trinta e oito pessoas que passaram em pouco mais de noventa e nove segundos, oitocentas e doze traziam o mate com elas ;) e eu fotografei umas cinco ou seis. Depois seleccionei três fotos para ilustrar o fenómeno. A sério: são três fotos tiradas quase de uma só vez, em pouco mais de um minuto. A quantidade de gente com o termos debaixo do braço, ou a beber da palhinha, ou a encher a chávena com água quente... inacreditável.