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12/02/2016

9 LUGARES PERFEITOS PARA NAMORAR

Cá entre nós, faz-me alguma comichão comemorar-se um Dia dos Namorados. Todos os dias deviam ser de S. Valentim, que palermice esta de escolher um dia "especial" que na verdade não "diz nada". E convenhamos: é sempre uma confusão. Filas nas floristas, restaurantes cheios, mais os casais históricos em Sintra e as meninas a oferecer balões em forma de coração no Chiado.

Experimentem celebrar o vosso amor uma semana depois, por exemplo. Tão melhor!

Dito isto: não há como evitar. E aqui no fuidarumavolta, como em tantos outros meios de comunicação, não resistimos a celebrar a ocasião com uma lista. Eu gosto de listas. Não as faço muito aqui no blog (tenciono mudar isso), mas adoro listas. Porque são uma referência, e porque é sempre possível opinar, acrescentar, criticar, melhorar.

Assim sendo, e porque o Dia dos Namorados é já este fim-de-semana, fica uma lista de nove lugares românticos, ideais para uns dias a dois com a vossa cara metade, seja neste 14 de Fevereiro ou noutro dia qualquer. Aliás: de preferência, noutro dia qualquer.

Não incluí o lago onde estive esta semana, para não me repetir. Mas merecia estar nesta lista. Como tantos outros lugares, aliás. Enfim: esta é apenas mais uma lista, não encerra em si mesma todas as possibilidades de spots românticos. Mas é um bom princípio:

KERALA (ÍNDIA)

As backwaters, no estado indiano do Kerala, são um dos lugares mais espectaculares que já conheci. Tive a sorte de aqui voltar várias vezes, por isso vão por mim: é dos mais românticos que se pode encontrar. Passeiem de bicicleta pelas ruas do centro histórico de Cochim, aluguem um barco tradicional por uns dias e desçam as backwaters, assistam a um espectáculo de Kathakali, relaxem com uma massagem ayurvédica.



❤️

HOI AN (VIETNAME)

Pode parecer redutor mas às vezes ajuda, simplificar as coisas: assim sendo, deixem-me que vos diga que Hoi An está para o Vietname como Sintra para Portugal. É uma vila histórica lindíssima, património da humanidade, onde apetece ajoelhar e fazer um pedido de casamento. Há trezentos anos, todos os dias catorze de cada mês desligam-se as luzes da cidade - e as pessoas penduram lanternas de papel nas varandas. É um espectáculo visual inesquecível. Além disso tem praia perto, a comida aqui é uma viagem por si só, o artesanato vai decorar o vosso lar muito além das bodas de ouro... e podem até mandar fazer o vestido/fato de casamento num dos alfaiates locais, que sai mais em conta.


❤️

SUZDAL (RÚSSIA)

A pouco mais de três horas de Moscovo, diz-se que a pequena cidade de Suzdal tem a maior concentração de igrejas per capita da Rússia. Verdade ou fantasia, a verdade é que este é um dos lugares mais pacatos e encantadores onde já fui dar uma volta. Das casas coloridas em madeira com as janelas trabalhadas aos campos verdejantes e às igrejas ortodoxas com as suas "cebolas" decorativas - Suzdal vai despertar o Romeu e a Julieta que há em vocês.



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LUANG PRABANG (LAOS)

Não me canso de repetir: Luang Prabang é daqueles lugares que apetece ficar, caso tenha tempo para isso... para sempre. É uma cidade deliciosa, com a sua encantadora mistura de templos budistas com arquitectura colonial francesa, com o rio Mekong em pano de fundo. Os sorrisos do povo lao também são um factor decisivo nesta escolha, e se não for suficiente a pacata atmosfera de monges budistas, restaurantes "com pinta" e um night market onde apetece voltar todas as noites... então vá dar uma volta e apaixone-se pelas dezenas de cascatas e grutas à volta, pelas aldeias rodeadas de campos de arroz, pelo colorido das etnias hmong e khmu. A ver vamos, se consegue voltar indiferente.





❤️

PARATY (BRASIL)

Conheço muito pouco o Brasil, e conheço mal Paraty - mas o tempo que passei nesta pequena cidade histórica é suficiente para incluí-la na lista que hoje publico. Mais ou menos a meio caminho entre o Rio de Janeiro e São Paulo, o colorido de Paraty tem tanto de português como de tropical. Na maré alta o mar "invade" algumas ruas do centro histórico. Os restaurantes pitorescos oferecem uma escolha variada de pratos, apetece sentar à sombra de uma qualquer palmeira e ficar a tarde toda a ler... ou a namorar.



❤️

PETRA (JORDÂNIA)

Completamente diferente da escolha anterior, Petra é um lugar mítico e surpreendente. Se por um lado o Tesouro é quase um cliché dos lugares-obrigatórios-a-ir-uma-vez-na-vida, por outro há centenas de outras ruínas apaixonantes em redor, uma paisagem-postal-ilustrado ideal para uns dias a dois. E, já agora,  porque não fazer um desvio e visitar o fascinante deserto de Wadi Rum?




❤️

UBUD (INDONÉSIA)

Quando se fala em Bali, a primeira coisa que "vem à cabeça" à maior parte das pessoas são as praias. No entanto, esta ilha da Indonésia tem muito mais para oferecer que apenas sol e mar. A cultura hindu é riquíssima e única, a comida uma experiência sensasorial, as paisagens fascinantes. A cidade de Ubud, mais ou menos no centro da ilha, é um dos lugares mais interessantes da Ásia. Deuses esculpidos na pedra à mistura com templos, hotéis de charme, spas e lojas de artesanato; acesso privilegiado a vulcões, verdes arrozais numa paisagem de "terraços", festivais e rituais vários. E, lá está: daqui a uma praia paradisíaca é um "tirinho".



❤️

BUENOS AIRES (ARGENTINA)

A capital argentina é uma das cidades mais fascinantes que conheço. Só lá estive uma vez, mas sem dúvida que hei-de voltar. Buenos Aires vive dos seus bairros, da criatividade dos seus cidadãos; vive ao ritmo de uma milonga e ao sabor de chimichurri; perde-se em mercados de rua, na arquitectura colonial, no caminito, nas paredes grafitadas, na memória doce do dulce de leche. Namorar a Buenos Aires é quase um menage a trois, porque a cidade intromete-se a cada abraço, pede beijos e sussurra constantemente aos nossos ouvidos.


❤️

PARIS (FRANÇA)

Eu sei que é um cliché, mas não consigo fugir a Paris. A Cidade das Luzes tem de figurar em qualquer lista desta natureza. Posso não incluir Veneza, Praga, Sintra, Bruges ou os Açores (qualquer um ficaria bem nesta lista), mas Paris tem de ser. A torre e o rio, os museus e os cafés, os passeios pela noite fora, a música no ar, as trombas e os sorrisos, os pormenores e os cantinhos secretos, as luzes, os mercadinhos de rua, o amor no ar. Paris é para se redescobrir. Paris tem de ser.




10/06/2013

DRAMA NOS ANDES (parte 2)

Oxigénio, pouco. Vento, muito. Ou seja: apesar do céu limpo e o sol radioso, nos Alpes fazia um frio de rachar. Depressa os passageiros do El Rapido começaram à procura de camisolas nas mochilas, casacos, luvas, cachecóis... e entre agasalhos e dois dedos de conversa, passou-se mais de uma hora até que finalmente apareceu o primeiro autocarro-resgate.

Tinha três lugares vagos - nós éramos quase quarenta pessoas.

Isto vai demorar.

Qual Titanic encalhado no Atlântico, também nos Alpes, durante o resgate dos passageiros do El Rapido, salvaram-se primeiro as mulheres e as crianças. Vinte minutos depois, havia mais quatro vagas num segundo autocarro e seguiram mais alguns. Mas se o salvamento continuasse a este ritmo, quase que podia garantir que íamos passar a noite na montanha.

Felizmente, à terceira foi de vez: o autocarro seguinte vinha quase vazio, e todos os passageiros "em terra" puderam finalmente prosseguir viagem. Redistribuimo-nos nos bancos disponíveis e respirámos fundo, sorrindo uns para os outros - mas quem não ia nada sorridente era o rapaz sentado ao meu lado. Parecia ausente, quando me sentei e disse "bom dia", e reparei que estava nervoso.

Só me apercebi das razões do nervosismo quando os guardas passaram as mochilas pelo raio X, na alfândega - e perguntaram "de quem é esta". Era do rapaz sentado ao meu lado.

Tínhamos demorado meia hora na fila para carimbar os passaportes, à saída da Argentina, mais cinco minutos para dar entrada no Chile. E como já estávamos à espera dos "filmes" com os produtos proibidos no país (lembram-se do "drama" na primeira vez que atravessámos a fronteira do Chile, há um mês atrás, na Patagónia?), desta vez não trazíamos comida nenhuma. Mas o rapaz sentado ao meu lado trazia. Enquanto esperávamos com os outros passageiros, todos em fila, que os cães cheirassem a nossa bagagem de mão, assistimos à cena que se ia desenrolando junto à máquina do raio X. Mandaram o rapaz abrir a mochila - e pouco depois os agentes da alfândega estavam a tirar lá de dentro caixas disto e daquilo, nem consegui perceber o quê, mas eram às dezenas de cada "qualidade".

Eu vinha sentado ao lado de um traficante.

Mandaram-nos subir para o autocarro, e durante quase uma hora não avançámos um centímetro. Eu e o Bunty começámos a imaginar cenários de um autêntico filme de acção, com perseguições, pancadaria, muitos tiros e explosões. Imaginámos banda sonora e discursos patrióticos, juras de vingança eterna, romances tórridos, suspense - e até monstros e efeitos especiais vários.

Mas o rapaz voltou para o autocarro, com um papel amarelo na mão e cara de poucos amigos. Voltámos à estrada e enquanto descíamos em ziguezague a montanha, rodeados de gigantescas máquinas, muito pó e capacetes amarelos, sentimos os ouvidos estalar e fizemos as contas ao atraso. Já devíamos ter chegado a Santiago.

O meu amigo Rodrigo, um chileno com quem viajara há dez anos e que me visitou em Portugal há cinco, esperava-nos na estação. Só voltei a ter rede no final da descida e pude então ligar-lhe, a avisar do atraso.

"Estou aqui à vossa espera, não faz mal. Despachem-se lá que temos uns Casillero del Diablo à espera, em casa!"

DRAMA NOS ANDES (parte 1)

Saímos de Mendoza logo de manhã, a bordo de um autocarro da companhia El Rapido - nome que, esperávamos nós, nos poderia trazer alguma sorte. Contudo, e como já mencionei num post anterior, a primeira abordagem foi uma redonda desilusão: a janela à nossa frente estava coberta por um autocolante com publicidade a sabe-se lá o quê, e tivemos de viajar com a paisagem filtrada por milhares de pequenos círculos.

Sem o panorama privilegiado que pensávamos que íamos ter, acabámos por dividir a atenção entre as montanhas, do lado de fora - e alguns episódios do Game of Thrones que tinha gravado no computador. Esta série tem sido uma companhia constante ao longo dos dias na América do Sul - e posso dizer, sem constragimentos, que estamos viciados nas aventuras do clã Stark, temos uma aversão pouco comum ao rei Geoffrey, deliciamo-nos de cada vez que aparecem os dragões.

Mas voltando ao El Rapido: esperavam-nos seis a sete horas de estrada até Santiago do Chile, segundo os senhores que nos venderam o bilhete. E apesar das mordomias incluídas no serviço (filmes, snacks e sacos de enjoo), a verdade é que a viagem acabou por ser marcada por uma avaria.

E não estou a falar de um singelo atraso tipo "é só trocar a peça e arrancamos já de seguida":

Estávamos a atravessar os Andes há tempo suficiente para ter a certeza que viajávamos a alta altitude - e a dureza da passagem confirmava isso mesmo. Também já não devia faltar muito para a fronteira com o Chile, pensávamos... quando subitamente o autocarro encostou à berma. Olhámos em redor, à procura de justificações: um restaurante, uma casa-de-banho, uma loja de souvenirs ou apenas um mirador. Mas nada. Tínhamos parado no meio do Nada. E assim ficámos, imóveis no mapa de estradas, dez minutos sem perceber porquês e quandos, para então voltarmos a arrancar. Não foi nada, convencemo-nos a nós mesmos.

Mas passados outros dez minutos, parámos novamente.

E desta vez, o autocarro não voltou a arrancar.

O "assistente de bordo" surgiu rapidamente no meio do corredor, olhou para os passageiros com ar de quem vai anunciar tragédias bíblicas e em tom de "mantenham-se calmos, não há razão para pânico", anunciou aos presentes que havia uma avaria técnica e que o autocarro não ia conseguir sair dali. Avisou-nos que ia retirar todas as mochilas e malas do porta-bagagens e pediu que cada um guardasse a sua. Íamos esperar que outros autocarros passassem na estrada, fazer sinal para que encostassem e pedir que levassem alguns passageitos, consoante os lugares vagos que tivessem.

Isto vai demorar algum tempo, pensei para os meus botões. Se os outros autocarros vierem tão cheios quanto o nosso... isto vai demorar algum tempo.

E para complicar um bocadinho as nossas matemáticas: segundo fui informado em Mendoza, esta estrada está em obras no lado chileno, por isso a fronteira agora está aberta apenas num sentido: Argentina-Chile de manhã, Chile-Argentina à tarde.

Se não conseguirmos boleia até à hora de almoço, ficamos aqui até amanhã de manhã.

Daqui a pouco publico o resto...

VISTA PRIVILEGIADA... ÀS BOLINHAS

Destino final da viagem de hoje: Santiago do Chile.

Como previsto, sentámo-nos nos lugares da frente, no segundo andar de um grande e moderno autocarro. O que não estávamos à espera é que o vidro da frente estivesse coberto com publicidade - pelo que a maravilhosa vista de montanhas com neve, longos vales e rios rodeados de árvores... foi-nos presenteada às bolinhas.

É preciso ter sorte.






A quem não conseguir ver bem a paisagem atrás das bolinhas: afaste-se um pouco do ecrã, vai ver que resulta.