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04/01/2016

NEVA EM ISTAMBUL

A última vez que passei em Istambul, há pouco mais de uma semana, já fazia muito frio. Fiquei apenas uma noite e uma manhã, o suficiente para matar saudades... mas não vi neve.

Foi por pouco.

É que o novo ano começou pintado de branco, na Turquia. Uma forte tempestade logo no primeiro dia de Janeiro deixou dezoito centímetros de neve nas ruas de Istambul, e quase cinquenta em algumas cidades turcas. Há já quatro mortos a lamentar, infelizmente. Vilas isoladas e aldeias sem electricidade, estradas encerradas e árvores derrubadas - e centenas de voos cancelados, pelo que millhares de passageiros ficaram presos nos aeroportos.

Mas tragédias à parte, não resisti a espreitar o instagram, para ver as fotos que as pessoas andam a partilhar da neve em Istambul.

Valeu a pena - e fiz uma selecção de dez imagens, que agora partilho:

by mustafaseven 

by sert_mehmet


by istanbul_guide


by istanbul_guide


by istanbul_guide


by tolgy75


by ancienm


by aslishot


by sert_mehmet


by 34antares


07/10/2015

SÃO REFUGIADOS

Imagina que...

...rebentava uma guerra no teu país, uma guerra sem bons-da-fita, se é que há guerras com bons-da-fita. Uma guerra sem hipótese de heróis nem santos e muito menos milagres, só destruição e morte e terror à tua volta. Tentavas viver no meio do caos e dos destroços, do sangue e das lágrimas, das noites passadas sem dormir, das refeições em família onde não se troca uma palavra, e o coração em sobressalto por-tudo-e-por-nada. As pessoas à tua volta, amigos e vizinhos, familiares, professores, o condutor do autocarro que te leva para o trabalho - as pessoas começavam a desaparecer, meros perfis no facebook que aos poucos deixam de ser actualizados.

Todos os dias choras por alguém, rezas pelos que ficam, sonhas que o pesadelo acabe.

E se essa guerra se prolongasse até à eternidade, ou o que parece uma eternidade, e a Paz não passasse de um eco longínquo, uma utopia, um sonho interrompido vezes sem conta. E apesar de tudo resistiass, não me vou embora, é a minha terra, é a minha casa e dos meus antepassados, tenho as minhas raízes aqui, isto há-de passar. Um dia isto há-de passar.

Acreditas sinceramente que não pode piorar mais, olhas pela janela e não vês um único edifício em pé, a tua rua pinta-se de tons de Cinzento, como as outras ruas, como o céu por cima delas, como as lágrimas que são paisagem no teu rosto postal-ilustrado. Isto não pode piorar. Isto há-de passar.

:(

Mas de repente aparecem novos actores neste filme, e são ainda piores do que os maus da fita, e agora já não é só um pesadelo, isto é o Inferno como nunca o imaginaste. Esperaste por um Bruce Willis ou um James Bond, sonhaste com super-heróis de capa e poderes sobrenaturais. Em vão.

Decides ir embora.

Por muito que te custe deixar o lar, a tua zona de conforto... na verdade, pouco sobra do teu lar - e que conforto há numa casa destruída, a vizinhança, o horizonte. Queres fugir. Qualquer lugar é melhor que este. Qualquer lugar é melhor que o teu lar, qualquer lugar é melhor que a tua zona de conforto.

Deixas para trás o teu Passado, os teus Antepassados. Desistes daquele que era para ser o teu Futuro.

Não há Futuro. Não assim.

Qualquer Coisa é melhor que Isto.

E levas o quê, contigo? Umas mudas de roupa, de certeza. Comida e dinheiro, o que ainda sobrar. E mais? Entre o pouco que sobra e o que é prático levar. Provavelmente nunca mais vais ver a tua casa, não sabes se alguma vez voltarás a ver as pessoas que costumavas ver todos os dias. Levas o quê?

Levas fotografias.

Levas as histórias que guardas na tua cabeça e no teu coração - muitas delas começam com uma fotografia. A festa de anos do teu irmão, o casamento da prima, as férias em família, primeiros passos, almoçaradas em família, os colegas da escola, sorrisos sinceros e sorrisos ensaiados, momentos que por qualquer razão pediram para ser eternizados no papel. Instantes congelados numa imagem... que conta muito mais que a própria imagem, que é só o ponto de partida para mil histórias, e lembra pessoas queridas, momentos especiais, atitudes, sentimentos, sensações.

:(

Agora a sério:

O momento que mais me marcou na semana passada em Assos, cuja publicação - peço desculpa - tive de suspender por uns dias, resulta mais ou menos de um exercício como este que te propús fazer.

Passo a explicar o que aconteceu, então.

Estava na tal plataforma sobre o mar quando reparei no que parecia lixo a boiar. A água aqui é limpíssima e muito transparente, por isso aquela concentração de papéis pareceu-me muito invulgar. E porque o mindset já estava muito virado para esta questão, lembrei-me logo dos refugiados.

"O que será aquilo?", perguntei à Bahar.

"Espero que não sejam fotografias", foi a resposta.

Na água estavam duas miúdas a fazer snorkeling, a Bahar chamou-as e pediu que fossem ver o que era aquela papelada toda que a corrente trazia. Pouco depois, com alguns dos papéis nas mãos, as miúdas gritaram:

"São fotografias!"

Trouxeram-nas para a plataforma, juntaram-se outros turcos à nossa volta, todos de férias como nós, e imediatamente perceberam que as pessoas nas fotos não eram seus conterrâneos:

"São sírios", explicou-me a Bahar apontando para pormenores como a roupa, a decoração das casas, etc. Tínhamos quatro ou cinco fotos à nossa frente, numa apareciam uns vinte miúdos a posar com a professora, outra era de uma miúda toda arranjada a posar no jardim, e noutra um pai com uma criança ao colo. Alguém perdeu estas suas memórias, com a pressa de agarrar um futuro incerto. Terão caído por acidente, terão sido atiradas por alguém?

Seja como for, alguém perdera esta ligação com o Passado.

Atirei-me à água e consegui recuperar mais umas trinta. Um turco fez o mesmo e trouxe vinte-e-pouco. Deixámo-las a secar ao sol, e ao longo da tarde foram aparecendo mais - apanhámos as que conseguimos.

Juntámos ao todo oitenta e duas fotos.

Que sensação: tentar descortinar as histórias por trás de cada uma. De repente, todos os que estávamos naquela plataforma partilhámos a mesma tristeza, a mesma solidariedade. Praticamente sem trocar uma palavra, todos percebemos que este Passado perdido, esta última lembrança...

...estas fotos têm de voltar à pessoa que as trazia.

Passei o resto da tarde a olhar para o mar, não sei se à procura de mais alguma foto, ou se simplesmente a tentar imaginar o que será perder a única ligação física com o passado, depois de largar tudo e ir atrás de uma vida nova, de uma segunda oportunidade.




Decidimos guardar num lote único, para não ficarem divididas entre vários. Oitenta e duas fotos. A Bahar trouxe-as para casa, digitalizou-as e conseguiu que o Hurriyet, um dos principais jornais turcos, as publicasse numa reportagem de capa no passado Domingo. E na quinta-feira (amanhã) sai uma reportagem em Portugal, na revista Sábado.

Queremos encontrar forma de tornar isto viral, de fazer chegar esta boa notícia a quem provavelmente chorou pela sua perda. Um dia destes, pode ser p'rá semana ou daqui a dois meses ou daqui a três anos - mas um dia, estas fotos vão encontrar o "caminho de volta". E hão-de voltar a provocar um sorriso, uma lágrima, uma gargalhada. Saudade.

01/10/2015

SÃO REFUGIADOS (parte 8)

E chegamos finalmente ao último destes pequenos episódios relacionados com os refugiados sírios, em Assos.

Mais uma vez, estava deitado de papo para o ar, a ver se aproveitava os últimos raios de sol - ao final da tarde ia-me embora para Çanakkale, de onde seguiria um nightbus para Istambul. E eis que oiço a sirene da lancha. Levantei-me para ver o que se passava - e eis que mesmo ao pé de nós estava um bote. Pareceu-me o mesmo da tarde anterior, com os refugiados equipados com coletes côr-de-laranja. Mas desta vez estavam "a sair".

A lancha passou pelo bote sem parar e continuou para junto das rochas. O traficante deve ter saltado à água - e pelos vistos escapou, porque depois de alguns minutos parada junto à praia, a lancha acabou por afastar-se e foi ter de novo com o bote. Que, entretanto, não tinha avançado nem mais um centímetro.

Depois de rondar também o bote, a lancha acabou por ir embora a alta velocidade, outra vez com a sirene em histérica gritaria. O bote original ficou ali para-a-frente-e-para-trás, chegou mesmo a aproximar-se mais da praia... mas a certa altura decidiu-se pelo "outro lado" e lá foi em direcção ao horizonte, às montanhas lá ao fundo, a uma vida nova, cheia de incertezas mas pelo menos com alguma esperança.

Uma ou duas horas depois: a lancha outra vez. Mas agora trazia um bote a reboque, cheio de gente. E foi depositá-los junto à praia. Não sei se era o bote que vimos sair antes, ou se era outro. Isto a esta distância começa a parecer-me tudo igual. Mas lá ficaram, junto às rochas, acabaram por saltar para terra e desapareceram entre as árvores.

Mais duas, três, quatro horas. Nem sei bem. Ia a tarde já bem avançada, "a esta hora já ninguém se mete ao mar". Ou não. Eis que os refugiados aparecem outra vez na praia, penso que eram os mesmos de antes por causa dos coletes, mas não posso garantir. E desta vez dividem-se em dois grupos... e lá vão em eles em dois botes mais pequenos. Nunca mais os vi.

SÃO REFUGIADOS (parte 7)

Estava quase a acabar, a semana junto ao mar.

Foi uma semana de mixed feelings, como já devem ter reparado pelos últimos posts. A proximidade do drama dos refugiados sírios acrescentou uma profundidade inesperada ao que eram para ser dias de puro descanso junto ao mar.

Interessante, no mínimo. Mas não me vou demorar agora com esse debate.

Foi no dia antes do dia em que nos fomos embora. Ao final da tarde apareceu um bote de refugiados... mas vinha no sentido inverso. Não o tínhamos visto a sair antes, o que não quer dizer que isso não tivesse acontecido. Obviamente não estávamos de plantão a toda a hora, a ver quem saía. Mas a verdade é que apareceu do nada, vindo do mar... para a Turquia.

Vinham a remar, em vez de usar o motor. Estariam sem gasóleo?

Traziam todos coletes salva-vidas cor-de-laranja. Era a primeira vez que avistávamos um grupo destes. Ainda brincámos um pouco com o assunto: estariam perdidos, convencidos que estavam a chegar à Europa? Ou seriam refugiados europeus, a fazer o sentido inverso?

Mas era realmente estranho. Aproximaram-se da costa devagar, ficaram imenso tempo parados junto as umas rochas... e aos poucos foram desembarcando e desaparecendo na floresta. No final ficou apenas uma pessoa, ainda vestida com o colete, pôs-se a remar para a frente e para trás, a determinada altura ainda achei que se ia embora sozinho. Mas não. Acabou por sair também do bote, puxou-o para terra... e desapareceu.

Nem o senhor do restaurante, que normalmente é quem nos ilumina sobre o assunto, conseguiu explicar o sucedido.

30/09/2015

SÃO REFUGIADOS (parte 6)

Ao fim de alguns dias de férias, consegui finalmente sair da "praia" e lá fui com a Bahar até à parte de cima da cidade, também conhecida por Behramkale e que é uma espécie de Óbidos com vista para o mar. No centro de uma vila antiga toda recuperada, bastante pacata mas com lojas de souvenirs e restaurantes um bocadinho por todo o lado, estão espalhadas as ruínas de uma fortaleza e um templo greco-romano a Atena, deusa da justiça, da inspiração, das artes e de mais uma mão-cheia de coisas.

Aqui viveu Aristóteles, por exemplo. Fundou uma academia, casou com Pythias, a filha do rei Hermias, e só quando a cidade foi capturada pelos Persas é que fugiu para a Macedónia, onde mais tarde haveria de ser o tutor daquele que a História haveria de conhecer por Alexandre, o Grande.

Mas biografias à parte, esta terrinha tem muito que se lhe diga. Bem arranjada, toda pacata, gente simpática, tem uma energia muito positiva. É pena que seja, actualmente, um dos palcos desta tragédia humana que aflige o Médio Oriente e a Europa.

Enfim. Nada que não tenhamos mencionado já aqui.

Mas serve este post para relatar mais um evento testemunhado. Desta vez mais ao longe, do topo do monte onde fica o Templo de Atena. Com uma vista panorâmica excepcional sobre o Mar Egeu e o Mar de Marmara - e as montanhas da ilha de Lesbos à frente.

Depressa reparei em quatro botes que se dirigiam para a Grécia, claro. Cada um a diferentes distâncias. Não consegui reparar no que aconteceu ao que ia mais avançado, pois a certa altura era só um pontinho no horizonte, mas os outros três não tiveram grande sorte.

O mais próximo da costa foi rapidamente "apanhado" pela lancha da polícia, que o rodeou durante bastante tempo, até que se lançou ao encalço do segundo barco. Fiquei convencido que mais cedo ou mais tarde também este primeiro acabaria por avançar... mas a verdade é que ficou ali parado imenso tempo. Não avançava nem recuava. A dada altura deu-me a sensação de alguma coisa ter sido atirada ao mar - e pouco depois constatei que havia uma pessoa a nadar para terra. Provavelmente o traficante, que deve ter apanhado um valente susto com a lancha. Enquanto o via a nadar, o bote ficou no mesmo sítio. Estariam a discutir sobre o que fazer? Teria a polícia esvaziado o tanque de gasóleo? Não consegui perceber - e até me ter ido embora, o bote não saiu do mesmo sítio.

Quanto ao segundo, obviamente acabou por ser apanhado pela lancha. Á distância a que me contrava não consegui descortinar o sucedido, mas dali já não saíram. A lancha ficou com este bote o resto do tempo, pelo menos até me ir embora.

Já o terceiro bote, que ia bem mais avançado, acabou por encontrar destino pior: um barco da Marinha. Lá de baixo, da praia, ainda não tinha reparado nestes barcos maiores. Estão mais ao largo, e só agora que mudei de perspectiva é que dei por eles. Vi-o aproximar-se do bote e apercebi-me de movimentações várias que, embora não sendo muito claras, também não foram difíceis de entender. Os refugiados foram todos transferidos do bote para o barco maior, e depois não sei o que fizeram ao bote mas deixei de o ver. Terá sido furado, como me disse o senhor do restaurante? Terá sido trazido para dentro do barco? Não faço ideia, deixei de o ver assim que o barco começou a dirigir-se para a costa turca, já preparado para apanhar o outro bote que estava, ainda, sob a alçada da lancha da polícia.

SÃO REFUGIADOS (parte 5)

Ao quarto dia em Assos acordámos com um céu imaculado, e o mar a fazer de espelho do azul por cima... com condições destas, de certeza que ia estar "animado", o vai-vai de botes rumo à Europa.

Durante o pequeno-almoço vimos dois a sair, mais outro a meio da manhã. E a certa altura, durante a tarde, ouvimos uma sirene que vinha do lado do mar. Apercebemo-nos logo de um bote ne água, não muito longe - e logo de seguida avistámos a lancha da polícia, em alta velocidade, em direcção ao bote. Parou junto aos refugiados, não faço ideia que palavras foram trocadas, provavelmente um "puxão de orelhas" porque assim que o bote começou a voltar para a costa, a lancha partiu para outras paragens - e obviamente que, pouco depois, o bote parou e deu duas voltinhas... avança-recua-avança e vamos mas é embora que para trás não há nada que interesse, e lá foram novamente em direcção à Grécia.

"Já estão fartos disto", diz o senhor do restaurante quando falamos da acção da polícia. "Todos os dias a mesma coisa. Os botes acabam por ir, de qualquer forma. Às vezes vêm aqui para receber algum dos traficantes, de certeza. para facilitar. Outras vezes pegam nos refugiados, furam os botes e trazem as pessoas para terra."

Sirenes outra vez.

Volta a lancha e pára o baile... ou, melhor, pára o bote.



Mais conversa e repete-se o esquema, volta o bote para trás, a lancha desta vez demora-se um pouco mais... mas acaba por ir embora. E, claro está, nem meia hora depois estava o bote novamente lançado para a ilha de Lesbos. Lá vão eles.

SÃO REFUGIADOS (parte 4)

Peço desculpa a quem já tinha lido o post que aqui estava antes, mas por enquanto tive de o "esconder". Preciso de debater e entender melhor algumas questões relativas à privacidade das pessoas que aparecem nas fotos, e também a forma como isto vai ser divulgado.

Muito em breve volto a partilhar aqui a história e as fotos, mas por enquanto avanço com outros episódios relativos ao refugiados. Até já.

29/09/2015

SÃO REFUGIADOS (parte 3)

Ao terceiro dia em Assos, estava deitado ao sol quando pareceu-me ouvir gritos, como que alguém a pedir ajuda. Levantei-me e tentei perceber o que se passava, então reparei que mais à frente na praia, a uns duzentos metros, estava um homem na água a "esbracejar".

"Está alguém em perigo", comentei com a Bahar, que vinha a sair da água.

"E está um barco mesmo aqui ao lado", respondeu-me apontando noutra direcção.

Olhei na direcção para onde apontara e só então reparei no bote, tão perto, cheio de gente.

Entretanto já outras pessoas se tinham levantado para perceber de onde vinham os gritos. Estava claramente alguém na água. Começámos a dirigir-nos para o lugar da praia que ficava mais perto do homem, mas não foi preciso correr porque alguém que estava mais perto tinha-se entretanto atirado à água e nadava na sua direcção. Vimo-lo a puxar o outro para fora, com uma pequena bóia - e acabámos por assistir à cena a uns vinte metros, já não havia nada a fazer, perferimos não nos aproximarmos mais. O homem estava agora deitado nas pedras, a respirar fundo, e confesso que ficámos divididos entre o seu destino e o do barco, que entretanto se afastava.

Muito depressa o homem começou a querer levantar-se e sair dali, pôs-se a apontar para não-sei-onde na praia, não entendi bem o que era, mas

"Ele está bem, não é grave, olha como se mexe. Foi só susto."

Ao que um turco que entretanto tinha parado ao nosso lado comentou:

"Deve ser um turista. Foi nadar, ficou cansado e assustou-se."

Voltámos então para a nossa parte da praia, numa das cinco ou seis plataformas de madeira que se estendem sobre a água, cada uma com capacidade para umas vinte ou trinta pessoas - e dez ou quinze minutos depois, subimos ao restaurante para almoçar e ficámos a ver o bote dos refugiados, ainda à vista, mas já só um pontinho cada vez mais pequeno no horizonte.

"Nós a fazer um grande drama, já a imaginar que o "afogado" era um refugiado que caíra à água... afinal era só um turista."

"Mas olha que não era um turista", disse-me então o senhor do restaurante. "Aquele gajo era o traficante. Estão sempre a fazer isto: avançam cem metros com os refugiados, dão instruções a um ou dois e depois atiram-se à água e abandonam-nos ao destino e à sorte. Muitas vezes nem embarcam com eles, limitam-se a orientá-los e já está. Achas que se atrevem a ser apanhados pela polícia? Nem pensar. Só que este teve azar: atirou-se à água e enquanto nadava de volta teve uma cãimbra. E se nós tivessemos percebido logo que era o traficante, garanto-te que ninguém o tinha ido lá salvar."

SÃO REFUGIADOS (parte 2)

Depois daquele primeiro contacto com os botes na água e os refugiados à espera, passámos a tarde a discutir o assunto. Tudo o que vem de trás, o que estava-se-mesmo-a-ver-que-ia-acontecer, as consequências, os perigos, os horrores, o drama humano e social.

Por um lado tínhamos noção que aqui na Turquia, nesta fase do processo, não estávamos em posição de interferir ou, de certa forma, tentar ajudar. Com alguma ingenuidade começámos a planear ir a algum supermercado comprar bóias e braçadeiras para as crianças. Fazia-nos alguma confusão pensar que estas pessoas gastam tanto dinheiro e energia a pensar no bote que os leva para "o outro lado", mas que nem se dão ao trabalho de levar bóias. Mas quando contámos a ideia ao dono do restaurante, ele riu-se e explicou-nos que a) muitos têm bóias e às vezes deitam-nas fora para ter mais espaço nos barcos e b) é preciso pagar mais para levar um colete salva-vidas, por exemplo.

"Além disso, estão à espera de encontrar os refugiados aí pela rua para lhes darem as braçadeiras? Eles estão escondidos, como aqueles naquela quinta, e estão sob o cuidado dos traficantes. Vocês não querem meter-se com os traficantes, certo?"

Okay, foi ingénuo pensar nisto.

E algumas horas depois, como que para confirmar aquilo que o senhor nos tinha dito, apareceram a boiar na água... quatro bóias pretas, tipo câmaras-de-ar. Pois.


28/09/2015

SÃO REFUGIADOS (parte 1)

"Olha ali à frente, aqueles botes."

Volto-me para onde aponta o dedo da minha amiga Bahar, algures no mar à minha frente.

"São refugiados sírios, vão para a Grécia."

Confesso que a minha primeira reacção foi de algum cepticismo. Como é que ela podia garantir com tanta certeza que eram refugiados... quando, fantasiei, poderiam ser só algumas pessoas num bote, a passear.

Contudo, depressa perdi qualquer cepticismo. Não só a) o dono do restaurante me disse que não havia ali passeios, a não ser de barco a motor ou barcos de pesca, como b) num instante percebi que aqueles barcos não iam em passeio. Um deles ia já muito avançado, a meio-caminho de Lesbos. Os outros estavam mais perto, mas avançando mar adentro. Que sensação pesada, quando me "caiu a ficha" da realidade que ali surgia a olho nú.

"Estamos muito perto da Grécia. É uma das distâncias mais curtas, de Assos para Lesbos... e com o mar tão calmo, todos os dias vemos botes a sair... carregados de gente."

Nos dias seguintes eu próprio confirmaria esta afirmação.

Entretanto fui ao bungalow buscar o telefone. Tenho a máquina avariada, por isso era a única forma de registar aquele momento. Ainda consegui tirar uma fotografia aos botes, mas a qualidade é muito fraquinha. Fica aqui a tentativa de registar este momento tão estranho, um eco de angústias e horrores, desespero e esperança.

E ninguém faz nada.

"Na Europa é diferente, podes interferir porque eles estão entregues a eles próprios. Eles querem que intervenhas. Já chegaram. Mas aqui é preciso ter cuidado. Aqui eles ainda estão sob a "alçada" dos traficantes. Aqui mais vale não interferir, pois não sabes com quem te vais meter."

Fazer o quê? Aqui não há nada a fazer. E mesmo que tivessemos oportunidade: fazer o quê?

"Além disso, normalmente só damos pelos botes quando estão na água."

Fiquei a ver os botes afastarem-se, perdido em pensamentos e intenções, frustrações e medos - até que a Bahar me chama novamente:

"Olha ali mais refugiados. Devem estar escondidos naquela quinta, o dono do restaurante disse-me que estão à espera do barco deles."

Mais uma vez, a qualidade da imagem é péssima. Mas é o que há.

AONDE É QUE EU IA?

Estava em Çanakkale, da última vez que escrevi alguma coisa no blog, há uma semana atrás. Tinha acabado a viagem com o grupo da Nomad, pisei cocó de cão, fiquei "trancado" do lado de fora da guesthouse... e fui para a praia.

Fui para Assos, ou Berhamkale, sinceramente ao fim de uma semana acabei por nunca perceber qual-é-qual, parece que depende se falamos da parte-de-cima junto às ruínas greco-romanas e a uma terrinha do género de Óbidos... ou se queremos mencionar a parte-de-baixo, junto ao mar e com vista sobre a Grécia, onde fica o antigo porto romano e umas casinhas recuperadas, que hoje são hotéis de charme e restaurantes de peixe.

Eu fiquei na parte-de-baixo, teoricamente ia dormir numa tenda mas na primeira noite choveu e mudaram-nos para um bungalow. E apesar do tempo depois ter ficado maravilhoao, acabámos por ficar no bungalow o resto da semana.

Estes dias passados em Assos foram de descanso puro: pouco mais fiz que mergulhar nas águas transparentes e cristalinas do Mar Egeu, deitar-me a apanhar sol, comer peixinho grelhado com legumes e saladas, beber chá turco e raki. Que paz.





Mas... e há sempre um "mas".

Estes pacatos dias tiveram um lado mais triste também, sob a forma de um tema que foi transversal a todas as conversas e debates, e que esteve presente a olho nú: os refugiados sírios.

Esta zona onde fiquei está muito perto da Grécia, é mesmo um dos pontos com menos distância. Ou seja: todos os dias vi sair botes apinhados de refugiados... que seguiam na direcção da Europa. Tudo muito perto, e todos os dias um acontecimento novo. Ou seja: nos próximos posts, hoje à tarde e nos dias que se seguem, vou abordar este assunto mais concretamente.

23/09/2015

UMA SURPRESA CHAMADA STEVE MCCURRY

Este ano a viagem à Turquia teve um pequeno extra bastante interessante.

Quando chegámos a Ankara fiquei a saber que tinha acabado de abrir uma exposição do fotógrafo Steve McCurry no CerModern. Entusiasmado com a coincidência, desafiei o grupo com que viajava a vir dar uma espreitadela, Por sorte toda a gente conhecia (e apreciava) a obra do senhor, por isso não foi preciso convencer ninguém.

E, felizmente, todos gostámos do "desvio" feito:






22/09/2015

UMA MANHÃ AGITADA

Depois de mais de onze horas de sono, acordei de um pesadelo em que estava a apagar um incêndio e morreu queimado o papagaio de uma miúda indiana... e quando olhei pela janela para a rua, estava a chover.

Levantei-me e fui tomar um duche... a água estava gelada.

Saí para a rua, ainda a choviscar, o céu cinzento e triste, logo hoje que vou com a minha amiga Bahar para a praia de Assos.

Sentei-me num café ao lado do hotel, a ver se tomava o pequeno-almoço... mas depois de dez minutos a ser ignorado pelos empregados, não resisti e levantei-me. Que nervos! ;)

Fui à procura de outro café, portanto.

E quando finalmente voltei para o meu quarto, já de pequeno-almoço tomado... a senhora da recepção tinha saído e trancara a porta do hotel à chave. Fiquei na rua a tocar à campaínha - nada. Liguei para o número que estava escrito num papel colado na janela, atenderam-me mas quando comecei a falar em inglês, desligaram-me o telefone "na cara". Está bonito, isto.

Enquanto esperava que alguém aparecesse, acabei por ficar sem bateria. Um velhote da loja ao lado fez-me sinal que não demoraria até voltar alguém. Entretanto, ele próprio ligou a confirmar. "Espera só mais um pouco", pediu-me.

Fiquei do lado de fora quase duas horas.

Sou, sem dúvida nenhuma, uma gajo paciente.

E quando a senhora finalmente apareceu, em vez de um "desculpa lá" trazia na ponta da língua um "despacha-te lá". Incrível! Tive de arrumar a mochila à pressa, porque a *#!®æ queria ir para sei-lá-onde e precisava de fechar o hotel. A Bahar só chega a Çanakkale às três da tarde e nem pude ficar à espera na recepção. Rua!

Enfim: sentei-me num cafézinho simpático e cá estou eu. A sorte deve estar finalmente a mudar. Têm wifi, consegui sentar-me a trabalhar um pouco, estou neste momento a "fazer horas" para ir ter com a minha amiga à estação dos autocarros, de onde seguiremos para Assos, uma praia não muito longe daqui. Eu sei que o tempo não está nada de especial... mas eu neste momento só quero é lá chegar.

Ah!

E como se não bastassem todas as emoções matinais: enquanto tocava à campaínha pisei cocó de cão. Posso gritar agora?

Let's look on the bright side
: ainda bem que não fiz a barba, hoje. ;)

21/09/2015

DUAS SEMANAS DEPOIS...

Duas semanas?!

Exactamente: treze dias, desde a última vez que publiquei alguma coisa aqui no blog.

Continuo na Turquia, como há duas semanas. Mas se da última vez que escrevi alguma coisa tinha arrancado com dez viajantes para mais uma viagem de descoberta por este país fantástico, agora estou novamente por minha conta. O grupo da Nomad voltou ontem para Portugal - e eu por cá fiquei.

Passei o dia a fechar contas e a organizar algum "trabalho de escritório", a tentar dar atenção a uma série de assuntos que fui deixando pendente ao longo destas duas semanas. Da janela entra-me a música que passa no café do andar de baixo. De velhos êxitos dos anos oitenta a sons mais alternativos de hoje; do francês ao português e ao turco... nada má, a selecção. Agora mesmo está a tocar o "Skinny Love" do Bon Iver, cantado por uma mulher.

Músicas à parte: vamos lá voltar às voltas! ;)

Por hoje fica este breve apontamento de "reconciliação", e amanhã conversamos mais a sério. Até já!


08/09/2015

7x ISTAMBUL :)

As primeiras quarenta e oito horas em Istambul com o grupo da Nomad foram, no mínimo, intensas. A sério: às vezes pergunto-me como é que conseguimos fazer tanta coisa em tão pouco tempo. Tenho chegado à cama sempre esgotado... mas sabe tão bem.

Além dos monumentos "da praxe", das compras nos bazares e das horas passadas à mesa a petiscar, a beber e a partilhar histórias, tivemos tempo para fazer um passeio de barco no Bósforo, beber copos nos bares de Beyoglu, ver os dervixes a rodopiar, fumar nargile ao som de Bob Marley, passear pela Istiklal Caddesi e pelas ruelas à volta.

Daqui a nada vamos para a otogar, a estação de autocarros, de onde partiremos para Selçuk, a segunda paragem desta verdadeira odisseia pela Turquia.

Tendo em conta o ritmo ;) a única coisa que posso prometer é que, sempre que o tempo e a energia me permitir, venho aqui deixar algumas impressões, curiosidades e fotos. A viagem ainda agora começou :)






03/09/2015

A IMPERDÍVEL ELIF SHAFAK

Várias vezes me perguntam se conheço autores turcos, se gosto do Pamuk, se tenho sugestões para quem quer "viajar" pela Turquia através das páginas de um livro.

Confesso que não conheço muito da literatura turca. Tentei ler vários do Nobel já mencionado e foi sempre a mesma coisa: começo muito entusiasmado, adoro os temas e a forma como escreve... mas há que admitir que o senhor depois começa ali às voltas e reviravoltas... não avança nem recua, e enrola, enrola, enrola... enfim, não sei se é dele ou se é de mim, ou se é das circunstâncias e fatalidades, da sorte e do azar - mas nunca consegui acabar nenhum dos seus livros. E no entanto ainda hei-de tentar mais umas vezes.

Mas há uma autora turca que me consegue agarrar da primeira à última página. Chama-se Elif Shafak e, para quem só lê em português, aviso já que este post não vai servir de muito. Pelo que sei, só um dos seus livros está traduzido.

Para quem está à vontade para ler em inglês, vão por mim: não percam nenhum dos seus livros. Acabei recentemente o "The Architect's Apprendice", um verdadeiro clássico que se desenrola na Istambul do século XVII, com um elefante indiano à mistura e muitas intrigas típicas de um bom romance histórico.


Contudo, a maior parte da sua obra nem passa por este registo.

O meu preferido de Elif Shafak é o "The Gaze", uma verdadeira viagem no tempo e por várias dimensões, com personagens fantásticas e um olhar sobre Istambul como ninguém tem.

E depois há o "The Bastard of Istanbul", o primeiro que li desta autora, e o tal que já está traduzido em português.

A senhora deve ter uns sete ou oito romances escritos, eu já li quatro e recomendo cada página. Fica a dica para quem já esteve em Istambul e quer revisitar a cidade, ou para quem está para vir e quer entrar no espírito, ou mesmo para quem não sabe sequer se há-de vir um dia, mas gosta de uma boa leitura.


02/09/2015

BEM-VINDO A ISTAMBUL?

Hoje recomeça a minha sétima temporada de viagens da Nomad. Já estou em Istambul, onde nos próximos dias vou dar os retoques finais à próxima edição da viagem "De Istambul ao Curdistão", que arranca já no domingo.

Saí ao final da manhã de Lisboa, num Boeing da Turkish Airlines, e aterrei em Istambul ao final da tarde. E como trazia alguma bagagem extra e não me apetecia ter de carregá-la, achei melhor "ir para casa" de táxi, em vez de apanhar o shuttle para Taksim e depois caminhar pouco mais de um quilómetro. Nada de novo, até aqui.

Só que desta vez apanhei um "daqueles" taxistas de aeroporto. Há muito tempo que não me acontecia tal coisa. Quando dei pela volta que ele estava a dar já era tarde demais para "sugestões". Estávamos quase em Sultanahmet, parados no trânsito, o Bósforo mesmo ao lado e eu com fumo a sair pelas narinas e ouvidos. Estava furioso. Não só porque me distraí, não só por estar a ser enganado, mas porque não havia muito a fazer naquele pára-arranca.

Não sei se por orgulho ou uma qualquer fé que de certa forma estaria a fazer justiça, decidi sair ali mesmo, naquela espécie de via rápida com duas faixas para cada lado. Disse ao taxista que não ia continuar, paguei-lhe a quantia que estava marcada no taxímetro (e que já igualava o que normalmente pago para ir para casa da minha amiga Bahar, onde fico até ao grupo chegar), e com o senhor a "mandar vir" em turco, disse-lhe qualquer coisa do género "não tivesses vindo dar esta volta toda, agora vais receber o mesmo que terias recebido se me tivesses levado a casa, mas em vez de um obrigado e um sorriso, ficas aqui preso mais meia hora, pelo menos".

Atravessei a via rápida para o outro lado, com duas mochilas e um saco de desporto - diz a tradição que sempre que venho de Portugal para casa da Bahar, levo comigo duas garrafas de vinho verde, farinheiras, chouriço e mais alguns petiscos.

Caminhei um pouco no sentido contrário e parei junto a um semáforo. Minutos depois, estava já noutro táxi, no sentido inverso ao trânsito.

Estou (finalmente!) em casa. Gastei quase o dobro do que seria normal, o que não deixa de ser frustrante. Mas cheguei. As malas estão pousadas à porta, eu estendido no sofá, conversa e azeitonas para relaxar, um copo de água fria, daqui a nada janta-se.

Bem-vindo a Istambul?

O arranque foi atribulado, mas já faz parte do Passado.

Já nem me lembro bem.

Já me esqueci!

26/09/2014

CHOVE EM ISTAMBUL

Deixei esta madrugada o Cairo, confesso que com uma vontade enorme de voltar depressa e ficar mais tempo. Explorar um pouco melhor a cidade, mergulhar mais a fundo no país e no seu património, nas suas histórias e gente.

O dia de hoje fora reservado para passear em Istambul, mas o cansaço e o S. Pedro não ajudaram. Passámos a manhã a dormir e quando finalmente saímos para almoçar e dar uma volta pela cidade, começou a chover. Acabámos por passar a tarde em cafés e depois fomos para casa da minha amiga Bahar. Estamos no hotel outra vez. Chove em Istambul.

Chove agora e continuará a chover, quando sairmos amanhã para Lisboa. Vão ser três dias intensos a finalizar o que for preciso finalizar para a nova época de Indochinas e Birmânia. E vou aproveitar para festejar, com uns dias de atraso, o meu aniversário.

Três dias. Daqui a menos de uma semana estarei de volta a esta outra cidade que adoro, esta outra Lisboa - mas vai ser por uma tarde apenas. Espero que o tempo esteja melhor. E depois: Kuala Lumpur, uns dias para fazer o visto e rever amigos; e da Malásia sigo para o Myanmar, este nome esquisito que inventaram para mascarar outro mais bonito: Birmânia.

Aqui no blog ainda há histórias, fotos e curiosidades sobre a volta pelo Egipto. Muito para partilhar por aqui, nos próximos dias. E há o décimo aniversário deste nosso cantinho virtual. Uma década às voltas - nada mau. Enfim: como de costume, vamos falando. Agora vou dar uma volta pela Istiklal.

Apesar da chuva.

Para os mais curiosos, espreitem aqui a minha próxima temporada no Sudeste Asiático com os grupos da Nomad. Isto promete :)

21/09/2014

BALÕES HÁ MUITOS

Alguns, pelos menos.

Hoje de manhã, por exemplo. Nos céus de Luxor, havia quatro. E eu: num deles. Quem diria. Nem duas semanas passaram desde a última vez, quando estava na Capadócia com o grupo de viajantes da Nomad.


Não sabia que havia passeios de balão aqui. Quando vi, ontem de manhã, um balão a passar mesmo à frente do meu hotel, tratei de averiguar preços e condições. E qual não foi a minha surpresa quando soube que, dada a crise no turismo do país, os preços tinham caído para um quarto do valor antigo. Que era mais ou menos o mesmo praticado na Turquia.

Uma pechincha, portanto.

Não podia deixar de voar, hoje. E apesar de continuar a preferir a experiência na Capadócia - seja pela envolvente da paisagem, como pelo colorido dos balões com quem partilhamos o céu -, esta não deixou de ser especial. O sol a nascer do lado de lá do Nilo... as imensas ruínas de templos de há muitos-mil anos... o contraste entre o oásis e o deserto. Vale a pena: