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05/07/2014

NEONS DE MACAU

Apesar de ao fim de um dia intenso estar mais-pra-lá-do-que-pra-cá, não resisti a uma última caminhada à noite por Macau. Estava sozinho, por isso não me aventurei até à Taipa, onde fica o Venetian e outras das novas estrelas de Macau. Além disso, casinos não são muito "a minha praia", e só mesmo com companhia é que me metia numa aventura dessas. Fica para a próxima.

De qualquer forma, fui até ao centro e tirei algumas fotografias aos neons do Grand Lisboa e dos edifícios à volta. Já fiquei contente.

E o resultado também não é mau:









PORTUGAL?

Nada disso: a foto que se segue foi tirada em Macau.

Fui ao supermercado e decidi ver se encontrava Super Bock ou Sagres. Não tinham cerveja portuguesa... mas encontrei dezenas de vinhos nacionais. Que espectáculo.

Mas já ouvi dizer que há cerveja portuguesa à venda - e queijos, chouriço, compal, sumol... até cerelac e nestum.

UM POEMA CHAMADO MACAU

Vá-se lá perceber porquê mas deu-me para relatar o passeio por Macau em verso. Logo eu que não sou de rimas, não é de todo a "minha praia". Mas apeteceu-me. Para variar. Podia ser pior.

Cá vai:

Cheguei cedo a Macau
No avião que veio de Pequim
Só cromos à minha volta,
O voo parecia que não tinha fim.

De autocarro fui até ao centro,
Mas continuei a pé até ao Hotel
Fascinado com a portugalidade
Até me deu arrepios na pele.

Instalei-me, o quarto nem era mau
Tomei um duche, estava todo suado
E assim que me pus fresco
Decidi ir passear um bocado.

Do hotel subi ao Forte,
Que gosto fotografá-lo.
Dali via-se o Grand Lisboa
E as Ruínas de São Paulo.


Desci.

Turistas a fotografar turistas,
Poses, selfies - toca a sorrir
Mas aos primeiros pingos
Desatou tudo a fugir.

Abriguei-me do temporal
À porta de uma pastelaria
Que doce aroma, que tentação
Um pastelinho até que "descia"

"Vai um pastel de nata?"
"Pode ser, muito obrigado."
E apesar da chuva a cair
Fui a comer para o Leal Senado.

Perdi-me pelo caminho
Por ruas e becos, travessas e ruelas
Tirei tantas fotografias
Espero que estejam belas ;)



Os nomes das ruas, a arquitectura
Até a calçada é portuguesa
Mas confesso que quando me deu a fome
Optei pela comidinha chinesa.

Depois de almoço voltei à estrada
A chuva entretanto tinha parado
Continuei com o meu passeio
Até que ouvi uma espécie de fado

Não era fado, mas era bem "nosso"
Era a voz da Teresa Salgueiro
Que arrepio, ouvir Madredeus
Fiquei com a música na cabeça o dia inteiro.

A Praça do Lilau, que delícia
Um cantinho tão Português
Comprei um postal, bebi um café
E que bem que esta pausa me fez.


Depois da praça fui até um templo
Muito giro, a cheirar a incenso
Chamava-se "A Ma" e era budista
Gostei imenso.

:)

Que dia longo, estava estafado
Pus-me a caminho do quarto
Ainda passei junto ao Grand Lisboa
Mas para ser sincero, começava a ficar farto.

Descansei ao final da tarde
Deitado a ver a RTP Internacional
Escrevi um pouco, depois fui jantar
Mas não foi nada de especial.

Para acabar dei mais uma volta
Fui até ao Casino Lisboa
Não entrei, só tirei umas fotos
Pois a iluminação é bem boa.

Que dia cheio, estou todo partido
Tenho os pés num bonito estado
Vou dormir, bem que preciso
E amanhã sigo para outro lado

Vou para Hong Kong.

04/07/2014

GRAND LISBOA

É provavelmente o edifício mais emblemático de Macau.

Senhoras e senhores, caríssimos companheiros de viagem... apresento-vos o Grand Lisboa:




ESTABELECIMENTO DE COMIDA

A expressão "estabelecimento de comida" é das mais repetidas na paisagem macaense. Mesmo que ninguém no restaurante fale português, a verdade é que à porta há esta indicação.

E não acontece apenas com os restaurantes. Tal como com os nomes das ruas, quase todo o tipo de estabelecimentos comerciais apresentam os nomes em português e caracteres chineses:





EU NÃO DISSE? ;)

Portuguesinhas-da-silva, à antiga:


BOM DIA, PORTUGAL

Banho tomado - não há tempo a perder. Tenho pouco mais de vinte e quatro horas em Macau, quero ver o máximo que conseguir ver, apreender todas as sensações e estímulos que este bocadinho do mundo tiver para me dar. Se porventura quiser ficar mais tempo, posso ficar. Nada me obriga a ir amanhã. Mas tenho amigos em Hong Kong e apetece-me ir para lá.

Assim sendo: vinte e quatro horas em Macau, depois logo se vê.

Liguei a televisão e dei de caras com a Tânia Ribas de Oliveira, numa praça qualquer de Portugal que podia ser aqui em Macau.

Fui dar uma volta.

Estacionados na berma da estrada estão carros com matrículas "à antiga" (duas letras, dois números e dois números, branco em fundo preto). Piso a calçada à portuguesa, inspiro e delicio-me com o perfume do incenso, momentaneamente cortado pelo cheiro do bacalhau, depois caril, fritos. Começa a chover.

O aroma caseiro de pastéis de nata acabadinhos de fazer, os caracteres chineses traduzidos na língua de Camões; igrejas com imagens do Santo António e, ao virar da esquina, templos budistas cheios de cor e fumo.

Macau é uma viagem a Portugal, na China. É uma praceta a preto e branco, com um quiosque que serve café e vende postais, velhotes de olhos em bico à conversa.

Com sorte, quando te sentares nesse quiosque pode ser que ouças cantar a Teresa Salgueiro.

03/07/2014

O RETRATO, ASSIM DE REPENTE

Caminhada a primeira viagem do Casino Lisboa à Pensão Tin Lai - e antes de sair para dar uma volta pela cidade -, junto as primeiras às segundas impressões, faço um retrato do resto à volta, misturo com as referências que guardo de outras viagens e de outras vivências... e Macau é uma mistura do Estoril com Kuala Lumpur.

Por intuição porque nunca estive lá, acrescentaria Las Vegas à receita.

Mas se tiver de simplicar é isto: Estoril com Kuala Lumpur.

E desculpem lá os que acharem a comparação redutora, ou insultuosa, ou simplista. Mas é uma primeira conclusão, a de quem chegou ainda agora - e se vale o que vale, é porque vale o que vale. E se é o que senti, é o que escrevo aqui.

Amanhã logo se vê, se mudo de ideias ou não.

MACAU: SEGUNDAS IMPRESSÕES

A caminhada até à pensão Tin Lai* acabou por ser mais longa do que estava à espera. Mas distraído como vinha com esta surpresa em forma de cidade, não fosse a humidade e o calor e quase nem tinha dado por nada.

Macau tem Portugal entranhado. Podem passar mil anos e um milhão de chineses, que vai haver sempre restos de Camões e saudade algures entranhados nos muros, Vasco da Gama e Ronaldos nas dobradiças das janelas, Albuquerques e Cabrais nos intervalos entre tijolos.

Portugal no chão que pisamos, nas paredes e nos telhados que nos abrigam, no passado que se insinua atrás de cada esquina, no futuro que procura sempre originalidade, identidade, carisma.

E se no post anterior partilhei um bocadinho do chão que me surpreendeu, vejam lá o que fui encontrar nas paredes:
















*Tin Lai é, curiosamente, o nome da música vietnamita que eu costumo cantar no karaoke em Hué (Vietname), quando faço a viagem da Indochina eheh

MACAU: PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Se me abstrair do facto de ter aterrado junto a uma zona aparentemente estéril, no meio de grandes casinos, hotéis sem identidade e edifícios fantasma; e se não tiver em conta o português "in your face" em toda a sinalética do aeroporto - a primeira coisa que me surpreendeu, quando cheguei a Macau, foi o chão.

Ajudou o facto de chegar praticamente sem pesquisa feita. Depois de um mês concentrado na viagem do Transiberiano, quando finalmente me meti no voo para Macau ia quase "a zeros" no que respeita a informações, dicas e qualquer tipo de conhecimento sobre o território. Por sorte reservara online um quarto - é difícil encontrar estadia barata, em Macau -, mas além disso: nada.

Ou seja: aterrei e saí do aeroporto, e-agora-como-é-que-vou-para-o-centro. Taxis há: há sempre táxis. Onde houver um aeroporto no mundo, há sempre um taxista à espera para te enganar. Acho que até já conversámos sobre isto aqui no blog, há pouco mais de um mês.

Exactamente: aqui e aqui.

Anyway ;) não estava muito virado para roubalheiras, e decidi tentar os autocarros. Vi umas setas, segui as indicações, esperei por aquele que parecia o mais correcto, mas depois de vinte minutos e uma dezena de autocarros recusados, decidi perguntar a um driver pela minha sorte. Ele gritou-me em sinais, entre o irritado e o condescendente, a dizer que aquele que eu queria não vinha, ou não existia, ou só vinha amanhã, ou lá-o-que-era-queele-queria-dizer, tudo muito confuso e rápido e de repente vejo-me dentro de um autocarro, sem saber muito bem para onde me estavam a levar.

Fui parar à porta do Casino Lisboa.

Menos mau. Lembrava-me que a minha pensão era perto do centro. E o Casino de Lisboa é o centro. Liguei a aplicação que tenho no telefone com mapas e GPS, vi onde estava, vi para onde queria ir: isto é perto, 'bora lá.

Daí o chão ser a minha primeira impressão de Macau.

Portugalidade.

É difícil de explicar a um estrangeiro, por exemplo. Mas cá entre nós, nem preciso de dizer nada.

Ficam umas fotos, imaginem o que senti nesta caminhada de meia hora, mochilas às costas e um calor infernal... mas a pisar isto: