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21/06/2015

13 RECORDES "INDIANOS" DO GUINNESS

A propósito das 37.000 almas a praticar Yoga hoje de manhã em Delhi, lembrei-me de pesquisar acerca de outros recordes "indianos" do Guinness. Sendo um país gigante e muito dado a "originalidades", imaginei que talvez encontrasse alguma coisa interessante.

E imaginei bem.

Fica uma amostra:

Com quatro metros e vinte e nove centímetros, o maior bigode do Mundo pertence ao indiano Ram Singh Chauhan.

No dia sete de Outubro de 2012, mil e noventa e nove alunos da escola Veer Chhatrapati Shivaji, em Raipur, mascararam-se de Gandhi e quebraram o recorde mundial de "Maior Número de Pessoas Vestidas de Mahatma Gandhi", que pertencia a um ashram de Ahmedabad (coitados, só tinham juntado 485 pessoas).

Custou cinquenta e cinco milhões de dólares, em 2004, e é considerado o casamento mais caro de sempre. Vanisha Mittal, filha do bilionário Lakshmi Mittal, organizou uma cerimónia de seis dias no Palácio de Versailles - a única ocasião em que este monumento foi utilizado para um evento privado.

Brahmanandam Kanneganti é um comediante indiano que, em 2007, ganhou um lugar no livro dos recordes do Guinness, por ter actuado em 754 filmes em vinte anos.

Khursheed Hussain é o homem mais rápido a escrever no computador... com o nariz. Pois. Este senhor bateu um recorde que já tinha sete anos, ao escrever uma frase de cento e três caracteres em apenas quarenta e sete segundos.

Os Pelos das Orelhas Mais Compridos do Mundo pertencem a Radhakant Bajpai, com pouco mais de treze centímetros.

Manoharan Snake Manu engoliu duzentas larvas (de 10cm cada) em trinta segundos e é o homem que mais larvas comeu no mundo.

Cerca de 48.870 pessoas juntaram-se na inauguração de um templo, em Rajkot, e quebraram o recorde de Maior Número de Pessoas a dar um Passou-Bem. ;)

Já o senhor Jayasimha Ravirala conseguiu abraçar 2.436 pessoas numa só hora, e atingiu o espectacular feito de Maior Número de Abraços.

Os Daredevils, uma equipa do Exército Indiano que em Julho de 2001 conseguiu equibrar duzentos e um homens em cima de dez motas, detém o recorde da Maior Pirâmide de Motas. Aguentaram-se em cima das motas, sem cair, uma distância de 129m.

No mesmo registo, a equipa "Os Tornados" conseguiu equilibrar 54 pessoas em cima de uma só mota, durante 925m. Incrível.

A Mulher Mais Pequena do Mundo também é indiana. Chama-se Jyoti Amge e nasceu a dezasseis de Dezembro de 1993, em Nagpur. No seu 18º aniversário, em 2011, media apenas 62,8 centímetros, resultado de uma anomalia no crescimento chamada achondroplasia.

As unhas mais compridas de uma só mão pertencem a Shridhar Chillal e medem, as cinco, seis metros e quinze centímetros. A maior de todas tem um metro e trinta e está a crescer desde 1952.

E para terminar: Prijesh Merlin, do Kerala, é a pessoa que mais objectos conseguiu memorizar. Lembrou-se de todos os quatrocentos e setenta (!), e na mesma ordem com que foram lidos.

E estas, hem? ;)

27/05/2015

SÓ NA ÍNDIA #08

No outro dia fui levantar dinheiro: entrei na cabine do ATM e estava um rapaz sentado em cima da máquina a consertar o ar condicionado. Fiquei a olhar para ele com cara de desculpa-lá-interromper-mas-tenho-mesmo-de-levantar-dinheiro... e ele fez o quê?

Afastou o pé do ecrã da máquina e continuou a trabalhar, como se nada fosse.

Só na Índia! ;)

SÓ NA ÍNDIA #07

Uma igreja, um templo hindu e uma mesquita... tudo no mesmo edifício? Só na Índia:



04/02/2014

SÓ NA ÍNDIA #06

Só na Índia é que um muçulmano dá o nome da Madre Teresa de Calcutá à sua loja.

Quando estava na aldeia do Kosik, fui com ele a uma óptica em Aranbag, porque precisava de arranjar qualquer coisa nos seus óculos.

Achei logo piada à loja, porque se chamava "Teresa Optics" - uma referência repetida na decoração, que tinha várias fotografias da Madre Teresa de Calcutá. Mas como estávamos no West Bengal (o estado do qual Calcutá é capital), nem estranhei muito. A Madre Teresa é uma referência incontornável por aqui.

A surpresa aconteceu quando, em conversa com o empregado (que estava todo contente por falar com um estrangeiro), este pergunta-me o nome. Apresento-me e estendo-lhe a mão, ao que ele responde:

"Chamo-me Hamid."

Hamid? Mas isso é nome de muçulmano, pensei.

E era mesmo. Explicou-me que o pai - o dono da loja - tinha uma admiração enorme pela Madre Teresa, e que decidiu homenageá-la assim.

E esta, hem?

Pouco depois, fomos a uma clínica para levantar uns raio-X que o Kosik tinha feito na semana anterior. Adivinhem o nome da clínica... ;)




01/02/2014

SÓ NA ÍNDIA #05

Um elefante em cima de um camião. No meio do trânsito. Normalíssimo. Só na Índia, mesmo.




23/01/2014

SÓ NA ÍNDIA #04

Só na Índia é que os animais da quinta são "vestidos" no Inverno, para se protegerem do frio.

A primeira vez que vi uma vaca agasalhada na Índia, há três ou quatro Invernos, convenci-me que era privilégio de ser animal sagrado. Mas entretanto vi cabras, cães e ovelhas.

Estas vi na aldeia do Kousik, esta semana. Realmente... só na Índia! :)





22/01/2014

SÓ NA ÍNDIA #03

Só na Índia é que dois cidadãos nacionais se encontram e têm de comunicar em inglês, porque nenhuma fala a língua nacional oficial - o hindi.

Em conversa com os meus novos amigos, apercebi-me que nenhum fala hindi, a língua oficial da Índia. Comunicam entre eles em bengali, a língua oficial do estado do West Bengal - e se viajarem na Índia, ou se quiserem fazer conversa cm alguém de outro estado, falam em inglês.

Lembro-me de, há uns anos, ter assistido ao meu amigo George - do Kerala, mas estava a trabalhar em Goa - a ser abordado por outro indiano, e não entender nada do que ele lhe disse, pelo que lhe perguntou se falava inglês. Isto para mim foi estranhíssimo.

Claro que num país do tamanho de um continente, isto é quase uma inevitabilidade. A Índia, ao contrário da imagem romântica de marajás e elefantes que muita gente tem, é um imenso caldeirão de centenas - senão milhares - de culturas, civilizações, histórias e tradições.

Aviso em bengali, hindi e inglês.

A Constituição da Índia reconhece o hindi e o inglês como "línguas oficiais nacionais", mas dá poder a cada um dos vinte e oito* estados para escolherem as suas "línguas maternas oficiais". Ou seja: somando tudo, a mesma Constituição reconhece vinte e três línguas oficiais!

São elas, além do hindi e do inglês: assamese, bengali, bodo, dogri, gujarati, kannada, kashmiri, konkani, maithili, malayalan, manipuri, marathi, nepali, oriya, punjabi, sanskrit, santali, sindhi, tamil, telugu e urdu.

Mas há mais!

Para se ter uma noção, na Índia há 30 línguas com mais de um milhão de falantes; 60 com mais de cem mil e 122 com mais de dez mil!

E como se pode imaginar, cada qual apresenta os seus números. O censo de 1961 reconhecia 1.652 línguas (incluindo dialetos, claro). Em 1991, o número baixara um pouco, para 1.576 "línguas maternas", segundo a classificação oficial indiana. O projecto "People of India" identificou 325 línguas utilizadas por vários grupos étnicos e comunidades. A entidade SIL Ethnologue refuta com uma lista de 415 línguas vivas.

A salganhada é o que se vê.

Na prática, apenas metade da população indiana fala hindi - e alguns só o "arranham". A outra metade domina apenas a "língua materna". E quando viaja: fala em inglês.

Só na Índia! ;)

17/01/2014

SÓ NA ÍNDIA #02

Só na Índia é que um homem diz a outro que é bonito, ou que tem bom corpo, que o penteado é isto-e-aquilo... sem "segundas intenções".

Ia-me esquecendo de um pormenor muito engraçado na conversa do segurança do ATM, e que é mesmo típico da Índia. Estava eu a digitar códigos e valores a levantar, quando o senhor se vira e diz-me que sou bonito:

"Sir, you are very handsome, sir.

Não é a primeira vez que isto me acontece. O que é bastante mais agradável do que se tivesse dito que sou feio. O que também já me aconteceu. Mais ou menos. Já me aconteceu dizerem que estou gordo, ou que determinado corte me fica mal. Os indianos têm muito isto: uma sinceridade no trato, são muito directos, dizem as coisas por dizer, sem intenções escondidas.

Lembro-me de uma vez ser apresentado a uma rapariga:

"Jorge, esta é a Lalita, há uns anos teve um acidente e foi preciso amputar uma perna. Lalita, mostra-lhe a perna."

E a Lalita sorri e levanta um bocadinho o sari, lá está a prótese por baixo.

Outra vez, foi assim:

"Jorge, este é o Sachin, os pais dele morreram quando era novo, ele vive com uma tia e eu ajudei a criá-lo."

E o Sachin sorri, é uma fatalidade e concerteza que os indianos são bons a dramatizar as fatalidades, e até as não-fatalidades. Mas é também um facto - e factos são factos.

Outro foi-me apresentado como "este é o não-sei-quantos, olha lá os olhos dele, são verdes, já alguma vez tinhas visto um indiano com olhos verdes".

Além disso, na Índia é muito comum os homens apreciarem outros homens. Comentam os músculos uns dos outros da mesma forma que criticam uma "barriguinha a mais". Têm os seus heróis preferidos porque lutam bem, porque são bonitos, porque têm um bom corte de cabelo ou vestem-se bem, ou simplesmente porque gostam do estilo deles. Ou porque são musculados. Ou porque têm jeito com as miúdas. Na Índia, aprecia-se o corpo e o estilo dos outros com uma normalidade que chega a ser um bocadinho constrangedor, confesso.

Voltando ao segurança: estive tentado a dizer que ele também era "handsome", mas estava mais preocupado em tirar o dinheiro da máquina do que em fazer conversa. E assim que me vi com o dinheiro e o cartão, agradeci e fui-me embora.

SÓ NA ÍNDIA #01

Só na Índia é que o segurança do multibanco entra para dentro da casinha contigo e começa a fazer conversa enquanto levantas dinheiro. E acha isso normal.

Aconteceu-me ontem, em Calcutá. Estava a caminho da estação de autocarros, a desesperar por um ATM porque não tinha conseguido levantar dinheiro no aeroporto, quando vejo o logotipo do HSBC, o banco chinês que é como um oásis, na Ásia - é internacional, há em quase todos os países e funciona bem.

Entrei na "casinha" com as mochilas e pousei a mais pequena num balcão ao lado da caixa, e quando estou a enfiar o cartão na ranhura, eis que a porta atrás de mim se abre e o segurança entra, todo sorridente.

"Namaskar!"

Namaskar para ti também, amigo, mas não vês que estou a levantar dinheiro, não é boa altura para fazer conversa, apeteceu-me dizer. Mas sorri e virei-lhe as costas, tapando o teclado, já com medo que fosse algum esquema, não queria que me visse a digitar o código.

Digitei o código.

Seleccionei o tipo de conta, escolhi "levantamento de outras importâncias" e pedi vinte mil rupias. Só quinze mil, disse-me a máquina. Só posso dar quinze mil. Não há problema, quero quinze mil então.

"Which country, sir?"

E o outro a dar conversa.

"Portugal."

Entretanto a máquina recusou-se a dar-me os quinze mil. Amuou. Não sei porquê, se calhar não gostou de mim, ou do facto de não ter a atenção concentrada apenas nela, ou estava num "daqueles" dias - seja lá porque razão for, o facto é que pela segunda vez, voltava a não conseguir levantar dinheiro. E tendo em conta que neste momento só tenho um cartão activo... comecei a ficar preocupado.

"Cristiano Ronaldo!"

O quê? Cristiano... na Índia? Não é muito comum. Normalmente as pessoas lembram-se do Vasco da Gama, na Índia. Por causa do que aprenderam na escola. Mas o Cristiano, sendo este um país de cricket, não é uma referência assim tão forte. Por outro lado: estamos em Calcutá. O futebol aqui tem outra dimensão.

Sorri, disse-lhe yes e retirei o cartão da máquina, resignado a ter de trocar os dólares que trazia do Cambodja. Sobravam-me depois alguns euros. Contas feitas conseguia viajar duas semanas, provavelmente. Não é dramático, tenho um cartão novo "a caminho" de Bombaim, mas preferia estar mais à vontade.

Entretanto o segurança deve ter reparado no meu insucesso, porque perguntou-me se eu não tinha conseguido levantar, e depois quis saber quanto é que tinha pedido. Não me pareceu que fosse nenhum esquema, o senhor aparentava estar realmente bem intencionado. Resolvi seguir o meu instinto e respondi-lhe a verdade. Quinze mil.

"Your card cannot take fifteen. You must take ten thousand."

Isto até podia ser algum esquema, alguma armadilha. Mas eu estava dentro da casinha do multibanco com o segurança, com as minhas mochilas, e sem dinheiro para ir embora de Calcutá. Precisava de tentar.

Voltei a voltar-lhe costas, portanto.

Tapei o teclado enquanto voltava a digitar o código. Levantamentos. Outras importâncias. Dez mil. E eis que oiço o som de notas a ser contadas.

"It's coming", diz o segurança a sorrir.

Agradeci ao senhor e guardei o dinheiro no bolso, mal "nasceu". Depois veio o cartão, ia guardá-lo mas o segurança voltou ao "ataque":

"You can take more. You can take twenty thousand, thirty thousand, forty thousand. You can take how much you want. But each time, ten thousand only."

Levantei mais dez mil. São ao todo mais de duzentos euros, chegam-me para os primeiros quinze dias, à partida.

Saí para a rua com o dinheiro no bolso e as mochilas à minha volta, agradeci ao segurança com um aperto de mão, ele sorriu e disse:

"You welcome, sir. Have a good trip."

Só na Índia, mesmo.