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10/01/2014

JÁ SÓ ME FALTA UMA!

Aproveitando o espírito à volta do tema "Maravilhas", apetece-me dissertar um bocadinho sobre um facto que não interessa a ninguém a não ser a mim. Mas paciência: apetece-me partilhar.

Então é assim:

Lembram-se das Sete Maravilhas anunciadas em Lisboa a 07/07/07, teoricamente as oficiais, blá blá... ok. Essas sete.

Dessas sete, só me falta visitar uma.

Eu não disse? Eis algo verdadeiramente importante. ;)

A serio: podem os tailandeses "desligar" Bangkok, bloquear estradas e soprar apitos, pode a troika anunciar isto e aquilo, o Ronaldo bater recordes e o Obama tirar uma selfie com quem ele quiser. Venham vortexes árticos e os hércules da vida, ondas gigantes e adamastores vários - que o mais grave, o mais urgente, é isto: falta-me uma Maravilha.

E falta-me muito mais. Falta sempre. Nunca se viu tudo. Nunca se fez tudo. Se há coisa que aprendi nestas voltas é que quanto mais se conhece, mais se sabe o quanto não se conhece. E o quanto apetece. Apetece sempre.

Mas estávamos a falar de Maravilhas. Daquelas sete, falta-me uma.

Quando visitei Machu Picchu, em Maio úlimo, estava em Cusco com uns amigos a comer ceviche, ou se calhar era outra coisa mas agora fica bem dizer que era ceviche, quando veio à conversa o tema das Maravilhas. O Bunty começou a fazer a sua contagem, os outros imitaram-no, eu fui atrás.

Resultado: só me falta uma. Falta-me Chichen Itza. Nunca fui ao México.

E porque ontem e hoje andámos aqui às voltas com as Maravilhas de 2013, vamos agora viajar no tempo. Pode ser? As Sete Maravilhas num só post, a recordar muito rapidamente as visitas que fiz a seis.

Comecemos por Machu Picchu, então.

Foi há menos de um ano que lá fui, durante o meu périplo sul-americano, com quatro amigos indianos. Depois de alguns dias a explorar Cusco e o Vale Sagrado, lá nos aventurámos de comboio até Aguas Calientes, a terrinha que dá acesso às ruínas. Passámos um dia inteiro entre pedra e histórias, subindo e descendo degraus, atravessando corredores, tirando fotografias sempre que a vista nos provocava algum "uau", obedecendo às orientações que eu ia recebendo do audio-guia que "saquei" da net, uma app para o telefone a que demos o nome de Luísa Lúcia. E muito aprendemos com esta cyber-doce brasileira.

Segunda Maravilha: a Grande Muralha. Só este ano fui lá duas vezes, a somar a outras duas - a primeira em 2011, a segunda no ano passado.

Confesso que a primeira vez que fui à Grande Muralha foi a melhor. Diria mesmo que foi inesquecível. E não foi só por ser a primeira. Estava com a Nina e o Pascal, uma eslovena e um suíço que conhecera no Transiberiano - e fomos sem tours, por conta própria, que filme para lá chegar, tivemos de ir a pé pela auto-estrada, não recomendo a ninguém. E por outro lado. ;)

Mas o melhor da experiência foi termos feito um trajecto "que não é suposto". Eu tinha lido na internet que era possível atravessar de X a Y, não me lembro dos nomes, muito complicados de repetir. Chegámos a X e arrancámos pela Muralha fora, toda a gente nos dizia que tínhamos de voltar, que não era possível continuar, isto-e-aquilo e mais não sei quantas superstições. Mas nós continuámos. Dizíamos que sim a quem nos dizia que não, sorríamos e continuávamos. E assim foi, até que já não havia ninguém à vista, só nós e a Muralha e o Mundo à volta, os nossos sorrisos e o nosso cansaço, e fomos andando andando andando, quinze quilómetros pelo menos, foi a tarde toda, foi uma vida inteira, que aventura, que sensação. Chegámos a Y já no limite, as cores das montanhas e ficar cada vez mais desbotadas, as sombras a dominar a paisagem, as nuvens cada vez mais escuras, a noite a avançar devagar. Ao fundo um segurança a acenar furioso, já não havia ninguém, já não podíamos voltar para Pequim, mas nós tínhamos que voltar para Pequim, mas não é possível, diz ele, mas nós temos de ir, dizíamos nós. Descemos a montanha a pé, até uma aldeia cheia de patos e olhos curiosos, não-sei-como lá conseguimos um carro para Não-Sei-Onde, onde havia um autocarro para Outra-Terra-Qualquer, onde havia outro autocarro para Pequim. Chegámos muito tarde, noite adentro, mas com uma aventura para contar aos netinhos, ou para partilhar no blog. Como este post que escrevi nessa altura.

Voltei à Grande Muralha em 2012, com um grupo da Nomad que acompanhei no Transiberiano. A conselho do dono do hotel fui experimentar outro bocado da Muralha, mais "autêntico", sem turistas - mais "alternativo". Era tudo o que o senhor disse - mas várias condicionantes limitaram-me um pouco o espírito, e por muito bonito que fosse tudo à volta, e por muito rica que fosse a experiência - foi bom, claro que foi bom, mas não tão bom quanto da primeira vez.

E depois regressei este ano - duas vezes. Outra vez com grupos do Transiberiano, felizmente já com outra moldura psicológica, com outro estado de espírito, com outra energia. Gostei bastante de ambas as visitas, não consigo enjoar de tanta curva e contra-curva, só me apetece ir andando andando andando.

A Petra fui no ano passado, em Outubro, com o Bunty e uma inglesa muito simpática que conhecemos em Amman, mais duas indianas do Dubai que tinham alugado um carocha e estavam a atravessar a Jordânia sozinhas. Grandes aventureiras. Foi uma experiência única, experimentei os burros para subir a montanha, deslumbrei-me com o testemunho que são aquelas rochas, aquelas ruínas, aquelas histórias. Quero voltar aqui, sei que um dia isso vai acontecer.

Ao Taj Mahal já fui duas vezes. Na verdade até já estive por três ocasiões em Agra, mas na última não estava com muita paciência, queria descansar, vinha a ressacar o Holi em Mathura.

A primeira vez no Taj foi na primeira vez na Índia, claro. Nessa primeira viagem que fiz pelo país, um mês inteiro com três amigos e outro sozinho... nessa altura teria sido impensável não ver este famoso monumento. Na altura nem se falava em Maravilhas. Mas o Taj é o Taj. Tínhamos de o ver. Quem diria que haveria de regressar tantas vezes a este país, explorá-lo tão intensamente quando já explorei, apaixonar-me pela sua cultura, fazer tantos e tão bons amigos. Mas nesta altura eu não sabia nada. Era só uma viagem à Índia.


Voltei ao Taj com a minha prima Joana, em 2007... espera lá! Mas esse foi o ano das Sete Maravilhas! Hmmmm... mas eu fui em Março, e a cerimónia foi só em Julho, em Lisboa. Sinceramente não me lembro se já se ouvia falar da iniciativa, na Índia. Provavelmente sim, mas não me lembro.

Ao Cristo Redentor fui este ano. Tal como o Machu Picchu, aconteceu durante os três meses em que viajei na América do Sul. Foi logo no início da aventura, lembro-me que o Papa Francisco tinha sido nomeado no dia anterior, só se falava nisso. E lembro-me que foi do topo do Corcovado que me apaixonei pelo Rio de Janeiro, como contei num dos posts de ontem.

Já o Coliseu de Roma... há muuuuito tempo! Não foi bem noutra reencarnação, mas quase. Setembro de 1997. Ainda não havia máquinas digitais, a internet dava os primeiros passos, as redes sociais nem vê-las, nem sonhá-las. Eu não tinha telemóvel - aquilo é que era viajar. Fui a Roma a meio do meu primeiro Inter Rail, com três amigos, um deles viria também ao Taj Mahal, uns anos depois. Alugámos motas - em Roma!, incrível mas é verdade - e passámos o dia a explorar a capital italiana. Que loucura de dia. Nunca mais voltei a Roma, mas ando com Itália "atravessada" há uns anos. Não há-de demorar muito, o regresso.

E eis a pérola que encontrei desse dia. Com dezasseis anos, é de certeza uma das fotografias mais antigas que já publiquei neste blog:

Sobra Chichen Itza, portanto. Só sobra esta. Parece que tenho de combinar uma volta ao México, está-se mesmo a ver.

Não que me apeteça. Mas são ossos do ofício. ;)

09/01/2014

MARAVILHA #03: MACHU PICCHU

Machu Picchu é um daqueles lugares míticos que se instala desde cedo no Imaginário de qualquer viajante - e se havia Sítio Obrigatório durante a minha viagem pela América do Sul, era este. Podia ter abdicado (como fiz, inclusive) de muitos lugares e experiências ao longo dos três meses de aventura, mas Machu Picchu "tinha de ser".

Antes de sair na minha viagem de 99 dias de São Paulo a Bogotá, tinha andado tão ocupado nas correrias das Indochinas, que não fiz qualquer tipo de pesquisa. E depois, durante a viagem, andei sempre "atrás do prejuízo". Não me estou a queixar, é um facto e estou apenas a constatá-lo. Eu até sei porque aconteceu assim. Ou a principal razão de ter acontecido assim. Depois de meses às voltas com os grupos, organizando as viagens e reservando hotéis, planeando transportes, estudando as histórias e a História... não me apetecia fazer pesquisas. Não me apetecia ler guias. Não me apetecia fazer nada.

O Bunty, meu fiel camarada de estrada, tomou as rédeas de algumas coisas. Mas felizmente deixou espaço para a surpresa. E assim foi ao longo desta travessia de oito países. Fomo-nos surpreendendo, viajando sem expectativas. Tem o seu lado bom, também tem o seu lado mau. É como tudo.

Mas voltando a Machu Picchu. Que surpresa!

E o deslumbre começou logo em Cusco. Fui para lá convencido que ia encontrar uma cidade do género de Siem Reap. Ou seja: um Algarve de apoio ao Parque Arqueológico. Quanto me enganava! Quando percebi que estava numa cidade histórica, com um património impressionante... apaixonei-me.

A Zilma e o Aaron (os mesmos amigos indianos com quem depois passei o Natal em Angkor) vieram do Dubai para viajar connosco no Peru. Com eles veio o Ashley, também do "gang de Bombaim". E durante vários dias percorremos Cusco, explorámos o Vale Sagrado... e lá fomos de comboio para Águas Calientes - esta sim, muito mais parecida com Siem Reap, pelo menos no espírito.

Quanto a Machu Picchu propriamente dito: adorei. Correspondeu às minhas expectativas - e fiz um esforço activo para não me pôr a comparar com Angkor, Ephesus e outros lugares do mesmo calibre histórico. Cada qual tem as suas características próprias, as suas histórias, as suas singularidades.

Se me perguntarem de qual eu gosto mais: respondo Angkor, sem pestanejar. Mas talvez porque já conheço de longa data, já aprofundei mais o meu conhecimento sobre o Império Khmer do que dos Incas, e se calhar pelo facto de ser fascinado pelas culturas orientais, especialmente a mitologia hindu.

Mas isso não impede que tenha ficado curioso pelos Incas. Sem dúvida que quero explorar mais esta civilização tão rica, tão interessante. Antes desta viagem, Maias e Incas e outros que tais... era tudo a mesma coisa para mim. Não sabia distingui-los. Não que conheça a fundo estas culturas, agora - mas pelo menos já não sou completamente ignorante. Aos poucos, Jorge. Aos poucos. ;)

Ficam então algumas imagens desta maravilhosa Maravilha, esta sim de título mais-que-merecido, na minha opinião. Que lugar!