Fascinada pelos ritmos e rotinas de Hanói, a fotógrafa Loes Heerink dedicou-se, entre outros projectos, a fotografar as trabalhadoras migrantes que todos os dias caminham pelas ruas da capital vietnamita com as suas bicicletas carregadas de mercadoria.
Esta é uma imagem icónica da cidade, mas pouca gente vê mais do que um postal. A realidade que estas mulheres vivem, diariamente, é bastante dura. Vendem fruta, flores, peixe, acessórios de moda e alimentos vários. Fazem quilómetros e quilómetros a pé, todos os dias, para esvaziar as suas lojas ambulantes. E, no entanto, "não fazem ideia de como as suas bicicletas são lindas, nem imaginam que criam pequenas obras de arte todos os dias" - diz Loes no seu site.
Quando descobri as fotos que passo a partilhar - e que fazem parte de um novo livro que me parece muuuuito interessante -, apaixonei-me imediatamente por este projecto. Talvez porque me fez lembrar alguns clicks que fiz na Índia, logo na minha primeira passagem em 2003. Mas essencialmente porque são realmente boas fotos, que nos transportam para o colorido desta cidade que não pára quieta.
Aliás: quem teve de estar quieta foi Loes, que passou horas em cima de pontes para conseguir aquilo que vais ver de seguida. Ora diz-me lá se não é um trabalho louvável:
Já agora: o site original, onde podem conhecer mais algum do trabalho desta fotógrafa, é este.
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07/11/2016
05/11/2016
HANÓI AOS FINS-DE-SEMANA, VERSÃO 2016
Já estou em Hanói, em contagem decrescente para receber mais um grupo de viajantes da Nomad. Amanhã arranca a 27ª edição da Indochina - a primeira, desde que lancei o livro. E o entusiasmo pelas aventuras que se seguem é praticamente o mesmo de há sete anos atrás - o que é facilitado quando os lugares se reinventam, quando os ritmos se adaptam aos tempos e aos ventos.
Hoje de manhã saí bem cedo do hotel e fui, ainda o sol ia baixinho, correr à volta do lago Hoan Kiem. A temperatura estava perfeita, nem-muito-calor nem-muito-frio; e não fazia a humidade a que, de certa maneira, me habituei na Tailândia e no Myanmar. Resultado: corri mais quilómetros e mais depressa, voltei para casa com um sorriso de Rosa Mota em Seoul, 1988.
Ao chegar ao lago reparei logo que havia algumas barreiras nas ruas à volta, e até pensei "que boa ideia, cortar o trânsito de manhã, quando está toda a gente a fazer desporto". No entanto, só mais tarde (quando ao final da manhã fui comprar os bilhetes do grupo para o espectáculo dos tradicionais Fantoches na Água) é que me apercebi que afinal algo de "maior" estava a acontecer.
As ruas estavam vazias. Nem uma mota, muito menos um carro. Apenas algumas pessoas a passear, muitas delas pelo alcatrão... "o que será que se está a passar aqui?", perguntei-me.
Só quando abordei um grupo de raparigas é que fiquei esclarecido. Ao que parece, desde Setembro que a cidade decidiu fechar ao trânsito, aos fins-de-semana, toda a área em redor do lago. Ou seja: das 19:00 de sexta à meia noite de domingo, a cidade é das pessoas.
Que espectáculo, esta nova Hanói!
E ainda por cima num sábado de sol como o de hoje: as famílias em peso na rua, grupos de amigos em pateta cusquice, turistas a tirar fotografias. Por todo o lado animação. Jogos tradicionais para os mais jovens reviverem a sua própria cultura; artistas locais a fazer valer os seus talentos; bandas de música a tocar na estrada; palhaços a oferecer balões; workshops disto-e-daquilo; muita música e sorrisos. Não podia estar melhor do que aqui, hoje. Que colorida volta, depois do preto-e-branco de Bangkok - que ainda está de luto.
Não resisto a partilhar alguns registos. Mas antes disso, deixo então esta dica importantíssima e ainda muito fresca: se estiveres a planear visitar Hanói, faz pontaria para o fim-de-semana. Não te vais arrepender!
Hoje de manhã saí bem cedo do hotel e fui, ainda o sol ia baixinho, correr à volta do lago Hoan Kiem. A temperatura estava perfeita, nem-muito-calor nem-muito-frio; e não fazia a humidade a que, de certa maneira, me habituei na Tailândia e no Myanmar. Resultado: corri mais quilómetros e mais depressa, voltei para casa com um sorriso de Rosa Mota em Seoul, 1988.
Ao chegar ao lago reparei logo que havia algumas barreiras nas ruas à volta, e até pensei "que boa ideia, cortar o trânsito de manhã, quando está toda a gente a fazer desporto". No entanto, só mais tarde (quando ao final da manhã fui comprar os bilhetes do grupo para o espectáculo dos tradicionais Fantoches na Água) é que me apercebi que afinal algo de "maior" estava a acontecer.
As ruas estavam vazias. Nem uma mota, muito menos um carro. Apenas algumas pessoas a passear, muitas delas pelo alcatrão... "o que será que se está a passar aqui?", perguntei-me.
Só quando abordei um grupo de raparigas é que fiquei esclarecido. Ao que parece, desde Setembro que a cidade decidiu fechar ao trânsito, aos fins-de-semana, toda a área em redor do lago. Ou seja: das 19:00 de sexta à meia noite de domingo, a cidade é das pessoas.
Que espectáculo, esta nova Hanói!
Não resisto a partilhar alguns registos. Mas antes disso, deixo então esta dica importantíssima e ainda muito fresca: se estiveres a planear visitar Hanói, faz pontaria para o fim-de-semana. Não te vais arrepender!
01/06/2016
FUI DAR UM VOLTA À CRAZY HOUSE, EM DALAT
Há cerca de seis anos fui dar uma volta pelo centro do Vietname, à pendura numa mota durante alguns dias. Um dos lugares mais interessantes (e, de certa forma, intrigantes) que visitei foi uma casa em Dalat, desenhada por uma arquitecta local chamada Dang Viet Nga - e que, apesar de estar quase-quase completa, nessa altura ainda estava em construção.
"Diz" que hoje em dia é uma guesthouse, chama-se Hang Nga - mas continua famosa pelo nome que já tinha naquela altura: "Crazy House".
Imaginem o conto "Hansel e Gretel", dos Irmãos Grimm, adaptado ao cinema por Tim Burton, filmado na Capadócia e com os cenários desenhados por Gaudi. Pois.
E porque hoje é o Dia das Crianças, nada como irmos dar uma volta por este lugar mágico (e controverso) que desperta a Alice que há em nós.
Eu sei que é um pouco fora do roteiro habitual, mas sem dúvida que vale o desvio. E Dalat é um lugar engraçado, rodeado por montanhas e plantações de café, chá, chocolate, etc.
"Diz" que hoje em dia é uma guesthouse, chama-se Hang Nga - mas continua famosa pelo nome que já tinha naquela altura: "Crazy House".
Imaginem o conto "Hansel e Gretel", dos Irmãos Grimm, adaptado ao cinema por Tim Burton, filmado na Capadócia e com os cenários desenhados por Gaudi. Pois.
E porque hoje é o Dia das Crianças, nada como irmos dar uma volta por este lugar mágico (e controverso) que desperta a Alice que há em nós.
Eu sei que é um pouco fora do roteiro habitual, mas sem dúvida que vale o desvio. E Dalat é um lugar engraçado, rodeado por montanhas e plantações de café, chá, chocolate, etc.
24/05/2016
O BUN CHA DO OBAMA
Ao que parece o senhor Presidente está "a seguir à risca" a lista que lhe enviei com dez dicas imprescindíveis acerca de Hanói, e ontem até foi jantar a uma tasca com o Bourdain, que pagou a conta absurda de seis dólares por dois bun cha e umas cervejas Hanoi. Nada mau.
23/05/2016
10 IMPERDÍVEIS EM HANÓI
A propósito da visita que começa hoje ao Vietname, o presidente Obama pediu-me algumas dicas sobre a capital do país, pois não tem muito tempo livre e quer ter a certeza que não perde nada. Fiz-lhe então uma lista de dez experiências "obrigatórias" em Hanói - duas mãos cheias de coisas imprescindíveis -, que aproveito para partilhar aqui, pode ser que dê jeito a quem eventualmente esteja a pensar vir para estas bandas.
Com sete milhões de habitantes e quatro milhões de motas, Hanói não é uma cidade "imediata". Não é amor-à-primeira-vista, não é um Shangri-Lá que se desvenda atrás das nuvens, não é um sorriso e braços abertos. Mas também não é o contrário.
Hanói descobre-se, é uma cidade que nos conquista a cada passo, a cada mota que passa, a cada recanto que se conquista. E estes são os dez passos imprescindíveis - o que não quer dizer que haja mais, há muito mais! - para uma pessoa se apaixonar por este lugar improvável.
1. Dê uma volta em redor do Lago Hoan Kiem
Não interessa se está frio ou calor, se está de chuva ou o sol brilha: todas as manhãs os Hanoianos saem à rua para fazer exercício. Assista aos milhares de pessoas que se concentram à volta de Hoan Kiem - o lago da Espada Devolvida-, a fazer jogging ou tai chi, yoga e musculação, danças latinas, artes marciais, badminton, aeróbica, meditação e até declamação de poemas.
E porque não juntar-se a uma aula? Ninguém leva a mal.
2. Visite o templo Ngoc Son
É provavelmente o lugar mais visitado de Hanói, este pequeno templo numa ilhota do lago Hoan Kiem, ligado à margem pela icónica Ponte da Luz da Manhã, construída em madeira pintada de vermelho - e, no entanto, é de uma serenidade imaculada, o ambiente é fantástico. Visite-o bem cedo, logo de manhãzinha.
Construído no século XIV, o templo é dedicado a um herói de guerra chamado Tran Hung Dao, que derrotou três vezes os exércitos mongóis que tentaram invadir o Vietname no século XII - e tem uma gigantesca tartaruga embalsamada, uma das últimas de uma espécie já extinta, e que dizem ser descendente daquela que, há-muito-muito-tempo, terá vindo reclamar uma espada sagrada que tinha emprestado ao rei.
3. Perca-se pelas ruas do Bairro Antigo
Os guias chamam-lhe Old Quarter, os locais conhecem-no pelas "Trinta e Seis Ruas". Seja como for, o centro histórico de Hanói é obrigatório em qualquer visita à cidade. Seja a seguir uma rota desenhada num mapa ou pura e simplesmente a vaguear por este colorido e caótico labirinto, descubra a essência da cidade e da sua dinâmica, sempre com os sentidos bem alerta, absorvendo cada estímulo, cada mensagem, cada momento.
Neste lugar que nasceu há mais de mil anos, as ruas já não são o que eram ao princípio, pois a cidade foi sofrendo várias modificações, adaptações, evoluções. O último grande "makeover" aconteceu há uns duzentos anos - e, depois disso, muito mudou na paisagem, mas muito pouco na estrutura. As ruas ainda têm nomes de ofícios - há-de reparar que muitas são dominadas por actividades muito específicas como brinquedos, roupa interior, alumínios, ervas aromáticas, papelaria, artigos religiosos, sapatos, doces, bebidas alcoólicas...
4. Prove o bun chá
É um dos meus pratos preferidos de toda a Ásia - e um símbolo desta cidade que é tão rica em petiscos e pitéus. Come-se em pequenos restaurantes improvisados na rua, em becos e recantos; em banquinhos de plástico muito baixinhos, quase rentes ao chão.
O bun chá é um caldo delicioso ao qual se junta carne de porco grelhada, noodles de arroz e uma salada de verduras fresquíssimas.
5. Vrrruuuummmm... vá de mota!
Para realmente compreender as dinâmicas e os ritmos de Hanói, nada como abordar um moto-táxi (inconfundíveis, estão parados nas esquinas, sentados nas suas motas, à espera de clientes) e combinar um preço para determinada "corrida". Sente-se à pendura, ponha o capacete e deixe-se levar pelo meio do trânsito, às vezes pelo passeio, ou fora-de-mão... está tudo controlado. Ou, pelo menos, espero que esteja. ;)
É uma experiência única, acredite - e que o vai fazer relativizar aquilo que antes parecia um caos incompreensível.
6. Visite o Templo da Literatura
Com quase mil anos, a mais antiga Universidade do Vietname é também um templo dedicado a Confúcio - e uma boa desculpa para "apanhar uma boleia" de mota. Aqui se formavam os mandarins da corte imperial, e aqui se reunem os estudantes dos tempos modernos para pedir bençãos, rezar e tirar as fotografias de fim de curso, trajados a rigor.
Um dos ex-libris de Van Mieu - o nome do templo em vietnamita - são as antigas estelas de pedra onde os professores escreviam considerações sobre os exames e cada aluno. Uma espécie de pauta, portanto, mas gravada numa espécie de lápide às costas de uma tartaruga gigante - tudo em pedra, é espectacular.
7. Espreite o Mausoléu do Ho Chi Minh
Chamam-lhe "tio Ho", mas na verdade é uma espécie de pai, ou mesmo avô, da nação. Ho Chi Minh foi o líder revolucionário comunista responsável pela independência e reunificação do Vietname, depois da colonização pelos franceses. É uma personagem muito acarinhada pelos vietnamitas, o seu rosto está estampado em todas as notas de dong, e o seu mausoléu é quase um lugar de peregrinação religiosa.
Eu não sou grande adepto de ver corpos embalsamados de líderes endeusados, mas cada qual é como é. De qualquer maneira, acho imperdível "dar um salto" a esta zona da cidade e ver por fora o mausoléu (inspirado no de Lenine, em Moscovo) - e já agora espreitar também o Pagoda de Um Pilar, mesmo ali ao lado e bastante interessante. Se quiser pode ainda visitar o Museu de Ho Chi Minh, que conta em pormenor a vida e obra do senhor; bem como os jardins do Palácio Presidencial e a "casa sobre estacas" do tio Ho.
8. Experimente o café com ovo.
Os vietnamitas têm uma cultura de café muito forte - mas bastante diferente da nossa. A começar pelo facto de, em vez de açúcar, acrescentarem leite condensado ao café.
De qualquer forma, o café vietnamita é muito aromático e mais espesso. Pode-se beber frio ou quente, com leite ou sem mais nada... e até com ovo. Isso mesmo.
Pode a ideia parecer disparatada, ou um bocado estranha... mas esta é uma das especialidades mais deliciosas que alguma vez provei. Na minha opinião, é quase uma sobremesa: imagine uma gemada quente, misturada com café - que maravilha!
9. Assista a um espectáculo de Marionetas na Água
É um programa turístico, sem dúvida. Aliás: esta arte só "sobreviveu" devido ao interesse dos turistas nas tradições do país. E ainda bem. As Marionetas na Água (Water Puppets) constituem, na minha opinião, uma das expressões artísticas mais interessantes. Pode o espectáculo não ter efeitos especiais nem um climax espectacular, mas vale pela simplicidade e originalidade.
Esta arte nasceu porque, durante as monções, o país fica literalmente debaixo (e em cima) de água - pelo que se desenvolveram várias soluções (incluindo no campo das artes) adaptadas a esta realidade. As Marionetas na Água são hoje uma das principais atracções turísticas do país, com vários espectáculos diários nas principais cidades... compra os teus bilhetes assim que chegares, porque esgota depressa.
10. Bebe uma Bia Hoi... ou duas... ou várias.
Dizem que é a cerveja mais barata do mundo - e apesar de não conhecer suficientemente o mundo para garantir tal título, posso ao menos confirmar que é realmente muito barata. Cada copo desta cerveja artesanal custa cerca de vinte cêntimos (de euro) e vale muito a pena experimentar. A cerveja é feita diariamente, sem conservantes, é muito leve e está sempre fresca.
O melhor lugar para experimentar a bia hoi é no cruzamento entre a Luong Ngoc Quyen e a Ta Hien, ou na zona em redor, à qual costumo chamar de "Bairro Alto de Hanói". Sente-se num dos banquinhos de plástico (seja de manhã, à tarde ou à noite) e peça a sua bia hoi acompanhada de amendoins (frescos ou torrados) ou nem chua (uma espécie de salsicha de fiambre com alho e malagueta lá dentro, muito forte mas deliciosa). Meta conversa com os locais, com sorte ainda vai parar a alguma discoteca... ou, melhor ainda, a um karaoke asiático.
Com sete milhões de habitantes e quatro milhões de motas, Hanói não é uma cidade "imediata". Não é amor-à-primeira-vista, não é um Shangri-Lá que se desvenda atrás das nuvens, não é um sorriso e braços abertos. Mas também não é o contrário.
Hanói descobre-se, é uma cidade que nos conquista a cada passo, a cada mota que passa, a cada recanto que se conquista. E estes são os dez passos imprescindíveis - o que não quer dizer que haja mais, há muito mais! - para uma pessoa se apaixonar por este lugar improvável.
1. Dê uma volta em redor do Lago Hoan Kiem
Não interessa se está frio ou calor, se está de chuva ou o sol brilha: todas as manhãs os Hanoianos saem à rua para fazer exercício. Assista aos milhares de pessoas que se concentram à volta de Hoan Kiem - o lago da Espada Devolvida-, a fazer jogging ou tai chi, yoga e musculação, danças latinas, artes marciais, badminton, aeróbica, meditação e até declamação de poemas.
E porque não juntar-se a uma aula? Ninguém leva a mal.
2. Visite o templo Ngoc Son
É provavelmente o lugar mais visitado de Hanói, este pequeno templo numa ilhota do lago Hoan Kiem, ligado à margem pela icónica Ponte da Luz da Manhã, construída em madeira pintada de vermelho - e, no entanto, é de uma serenidade imaculada, o ambiente é fantástico. Visite-o bem cedo, logo de manhãzinha.
Construído no século XIV, o templo é dedicado a um herói de guerra chamado Tran Hung Dao, que derrotou três vezes os exércitos mongóis que tentaram invadir o Vietname no século XII - e tem uma gigantesca tartaruga embalsamada, uma das últimas de uma espécie já extinta, e que dizem ser descendente daquela que, há-muito-muito-tempo, terá vindo reclamar uma espada sagrada que tinha emprestado ao rei.
3. Perca-se pelas ruas do Bairro Antigo
Os guias chamam-lhe Old Quarter, os locais conhecem-no pelas "Trinta e Seis Ruas". Seja como for, o centro histórico de Hanói é obrigatório em qualquer visita à cidade. Seja a seguir uma rota desenhada num mapa ou pura e simplesmente a vaguear por este colorido e caótico labirinto, descubra a essência da cidade e da sua dinâmica, sempre com os sentidos bem alerta, absorvendo cada estímulo, cada mensagem, cada momento.
Neste lugar que nasceu há mais de mil anos, as ruas já não são o que eram ao princípio, pois a cidade foi sofrendo várias modificações, adaptações, evoluções. O último grande "makeover" aconteceu há uns duzentos anos - e, depois disso, muito mudou na paisagem, mas muito pouco na estrutura. As ruas ainda têm nomes de ofícios - há-de reparar que muitas são dominadas por actividades muito específicas como brinquedos, roupa interior, alumínios, ervas aromáticas, papelaria, artigos religiosos, sapatos, doces, bebidas alcoólicas...
4. Prove o bun chá
É um dos meus pratos preferidos de toda a Ásia - e um símbolo desta cidade que é tão rica em petiscos e pitéus. Come-se em pequenos restaurantes improvisados na rua, em becos e recantos; em banquinhos de plástico muito baixinhos, quase rentes ao chão.
O bun chá é um caldo delicioso ao qual se junta carne de porco grelhada, noodles de arroz e uma salada de verduras fresquíssimas.
5. Vrrruuuummmm... vá de mota!
Para realmente compreender as dinâmicas e os ritmos de Hanói, nada como abordar um moto-táxi (inconfundíveis, estão parados nas esquinas, sentados nas suas motas, à espera de clientes) e combinar um preço para determinada "corrida". Sente-se à pendura, ponha o capacete e deixe-se levar pelo meio do trânsito, às vezes pelo passeio, ou fora-de-mão... está tudo controlado. Ou, pelo menos, espero que esteja. ;)
É uma experiência única, acredite - e que o vai fazer relativizar aquilo que antes parecia um caos incompreensível.
6. Visite o Templo da Literatura
Com quase mil anos, a mais antiga Universidade do Vietname é também um templo dedicado a Confúcio - e uma boa desculpa para "apanhar uma boleia" de mota. Aqui se formavam os mandarins da corte imperial, e aqui se reunem os estudantes dos tempos modernos para pedir bençãos, rezar e tirar as fotografias de fim de curso, trajados a rigor.
Um dos ex-libris de Van Mieu - o nome do templo em vietnamita - são as antigas estelas de pedra onde os professores escreviam considerações sobre os exames e cada aluno. Uma espécie de pauta, portanto, mas gravada numa espécie de lápide às costas de uma tartaruga gigante - tudo em pedra, é espectacular.
7. Espreite o Mausoléu do Ho Chi Minh
Chamam-lhe "tio Ho", mas na verdade é uma espécie de pai, ou mesmo avô, da nação. Ho Chi Minh foi o líder revolucionário comunista responsável pela independência e reunificação do Vietname, depois da colonização pelos franceses. É uma personagem muito acarinhada pelos vietnamitas, o seu rosto está estampado em todas as notas de dong, e o seu mausoléu é quase um lugar de peregrinação religiosa.
Eu não sou grande adepto de ver corpos embalsamados de líderes endeusados, mas cada qual é como é. De qualquer maneira, acho imperdível "dar um salto" a esta zona da cidade e ver por fora o mausoléu (inspirado no de Lenine, em Moscovo) - e já agora espreitar também o Pagoda de Um Pilar, mesmo ali ao lado e bastante interessante. Se quiser pode ainda visitar o Museu de Ho Chi Minh, que conta em pormenor a vida e obra do senhor; bem como os jardins do Palácio Presidencial e a "casa sobre estacas" do tio Ho.
8. Experimente o café com ovo.
Os vietnamitas têm uma cultura de café muito forte - mas bastante diferente da nossa. A começar pelo facto de, em vez de açúcar, acrescentarem leite condensado ao café.
De qualquer forma, o café vietnamita é muito aromático e mais espesso. Pode-se beber frio ou quente, com leite ou sem mais nada... e até com ovo. Isso mesmo.
Pode a ideia parecer disparatada, ou um bocado estranha... mas esta é uma das especialidades mais deliciosas que alguma vez provei. Na minha opinião, é quase uma sobremesa: imagine uma gemada quente, misturada com café - que maravilha!
9. Assista a um espectáculo de Marionetas na Água
É um programa turístico, sem dúvida. Aliás: esta arte só "sobreviveu" devido ao interesse dos turistas nas tradições do país. E ainda bem. As Marionetas na Água (Water Puppets) constituem, na minha opinião, uma das expressões artísticas mais interessantes. Pode o espectáculo não ter efeitos especiais nem um climax espectacular, mas vale pela simplicidade e originalidade.
Esta arte nasceu porque, durante as monções, o país fica literalmente debaixo (e em cima) de água - pelo que se desenvolveram várias soluções (incluindo no campo das artes) adaptadas a esta realidade. As Marionetas na Água são hoje uma das principais atracções turísticas do país, com vários espectáculos diários nas principais cidades... compra os teus bilhetes assim que chegares, porque esgota depressa.
10. Bebe uma Bia Hoi... ou duas... ou várias.
Dizem que é a cerveja mais barata do mundo - e apesar de não conhecer suficientemente o mundo para garantir tal título, posso ao menos confirmar que é realmente muito barata. Cada copo desta cerveja artesanal custa cerca de vinte cêntimos (de euro) e vale muito a pena experimentar. A cerveja é feita diariamente, sem conservantes, é muito leve e está sempre fresca.
O melhor lugar para experimentar a bia hoi é no cruzamento entre a Luong Ngoc Quyen e a Ta Hien, ou na zona em redor, à qual costumo chamar de "Bairro Alto de Hanói". Sente-se num dos banquinhos de plástico (seja de manhã, à tarde ou à noite) e peça a sua bia hoi acompanhada de amendoins (frescos ou torrados) ou nem chua (uma espécie de salsicha de fiambre com alho e malagueta lá dentro, muito forte mas deliciosa). Meta conversa com os locais, com sorte ainda vai parar a alguma discoteca... ou, melhor ainda, a um karaoke asiático.
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