Estava eu em Sintra a passear com o "meu" elefante Ramsen, à procura de um veterinário, quando alguém me apontou uma casa junto à linha do comboio. Entrámos lá para dentro - eu, o elefante e mais três ou quatro amigos - e encontrámos um quarto decorado com papel de parede dos anos sessenta, uma televisão vintage daquelas com quatro pézinhos assentes no chão, a dar desenhos animados a preto e branco. Também havia rádios, uma mesa e cadeiras - tudo antigo.
Apareceu o veterinário:
"Onde está o paciente?"
Ao que achei estranho, porque eramos quatro pessoas e um elefante, à partida não havia dúvida sobre quem era o paciente.
O médico começou a ver o elefante, a dar-lhe pancadinhas aqui e a escutar ali, mas ao mesmo tempo reparei que ele ia discretamente a uma mesa, de vez em quando, onde tinha umas linhas de cocaína que ia snifando. Comecei por não dizer nada, mas a certa altura o homem estava a ficar descontrolado, já nem as linhas fazia, cheirava directamente de um montinho branco, scarface style, já com o nariz todo branco.
Mas continuou a consultar o elefante Ramsen. E eu sentei-me no chão, porque não tinha cadeira para mim, e sem querer encostei-me a umas fichas eléctricas que estavam ligadas à tomada e a luz da sala apagou-se.
"Mau contacto", disse o médico, ao que comecei a tentar ligar a ficha outra vez, dando pequenos toques em todas, correndo o risco de apanhar um choque eléctrico.
E depois acordei: estou em Lisboa.
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11/08/2014
13/03/2014
A GEOGRAFIA DOS SONHOS
O sonho que tive na noite passada só vem confirmar aquilo que já estava confirmado. Algo que não é novo e todos sabemos: a geografia sonhada é um caótico reflexo de emoções e experiências, sem nexo nem ordem, nem lógica nem explicação.
Neste último sonho, a Praia das Maçãs ficava paredes-meias com Badajoz, e tinha um centro histórico que parecia uma mistura de Kiev e Praga.
Passei o sonho todo numa ansiedade enorme com a atmosfera industrial do lugar. O governo espanhol estava empenhado em transformar a cidade fronteiriça num centro de peregrinação budista, e por todo o lado havia obras. No horizonte cinzento e castanho erguiam-se enormes gruas e ainda-maiores estátuas de Budas sentados. Por todo o lado havia pó - e nas ruas da Praia das Maçãs era chocante o aumento do lixo acumulado, por causa dos indianos que vinham em peregrinação para Badajoz.
Tinha deixado uns amigos num hotel do centro histórico, depois de uma confusão qualquer com uma manifestação de ucranianos... e quando descia de mota na direcção da Praia Grande, um polícia mandou-me parar e disse-me que não podia circular naquela rua, porque era só para peões.
"Mas eu conheço bem esta zona e nunca foi assim", respondi.
Ao que o agente me informou:
"Agora mudou. Se quer ir para aquele lado tem de ir dar a volta por Colares, ou então pode ir por ali", e apontou para um viaduto em construção, "ainda não está terminado, mas já tem condições para ser usado."
Desconsolado com a explosão de cimento, pó e lixo, lá avancei pelo viaduto - e acordei com um nó na garganta. Que salganhada de geografias e referências.
Neste último sonho, a Praia das Maçãs ficava paredes-meias com Badajoz, e tinha um centro histórico que parecia uma mistura de Kiev e Praga.
Passei o sonho todo numa ansiedade enorme com a atmosfera industrial do lugar. O governo espanhol estava empenhado em transformar a cidade fronteiriça num centro de peregrinação budista, e por todo o lado havia obras. No horizonte cinzento e castanho erguiam-se enormes gruas e ainda-maiores estátuas de Budas sentados. Por todo o lado havia pó - e nas ruas da Praia das Maçãs era chocante o aumento do lixo acumulado, por causa dos indianos que vinham em peregrinação para Badajoz.
Tinha deixado uns amigos num hotel do centro histórico, depois de uma confusão qualquer com uma manifestação de ucranianos... e quando descia de mota na direcção da Praia Grande, um polícia mandou-me parar e disse-me que não podia circular naquela rua, porque era só para peões.
"Mas eu conheço bem esta zona e nunca foi assim", respondi.
Ao que o agente me informou:
"Agora mudou. Se quer ir para aquele lado tem de ir dar a volta por Colares, ou então pode ir por ali", e apontou para um viaduto em construção, "ainda não está terminado, mas já tem condições para ser usado."
Desconsolado com a explosão de cimento, pó e lixo, lá avancei pelo viaduto - e acordei com um nó na garganta. Que salganhada de geografias e referências.
05/03/2014
OUTRO SONHO
A propósito de sonhos:
Já não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez, mas na semana passada apareceu-me o Cristiano Ronaldo num sonho. Às
vezes acontece-me. E sempre que o famoso jogador do Real Madrid aparece, dá-me conselhos,
transmite energia positiva, incentiva-me a lutar, etc. O CR7 tem, normalmente, um
papel paternalista, ou de conselheiro. Vá-se lá entender os sonhos.
Mas esta sua última aparição foi diferente. Neste sonho, estávamos ambos numa varanda de um
hotel de cinco estrelas em Marrocos. A arquitectura fazia-me lembrar o CCB.
Connosco estavam dois velhotes, penso que um deles era o Blatter, aquele da FIFA, mas não tenho a certeza. O outro não me consigo lembrar.
No sonho, eu estava de mochila às costas - e o Cristiano parecia fascinado com
isso. Dizia-me que o seu sonho era viajar à aventura, que tinha uma tristeza
enorme em nunca ter partido pelo mundo, que agora tinha uma vida muito ocupada
e que provavelmente nunca poderia viajar assim. Mas eu respondi-lhe que não -
que, se quisesse, podia tirar algum tempo e viajar
"Sim", diziam-lhe os velhotes, "Parte à aventura, vai viajar, podes ir passar uns dias até Ibiza, ou Marbella..."
Mas ele olhava para mim com cara de "eles-não-nos-entendem" e abanava a cabeça de um lado para o outro, e depois explicava aos velhotes que não queria esse tipo de viagem, que o seu sonho era ir à aventura, viajar de mochila na Ásia, etc.
Mas ele olhava para mim com cara de "eles-não-nos-entendem" e abanava a cabeça de um lado para o outro, e depois explicava aos velhotes que não queria esse tipo de viagem, que o seu sonho era ir à aventura, viajar de mochila na Ásia, etc.
Entretanto os velhotes foram embora, nós estávamos a
conversar sobre viagens quando um telefone começou a tocar.
"É o teu?", perguntei-lhe.
"Não... eu deixei o meu a carregar, no quarto."
E então percebi que havia um telemóvel no muro, a vibrar e a
tocar - e de repente percebi que aquilo era uma bomba.
"Corre!!!", gritei para o Ronaldo.
Desatámos os dois a fugir, por um corredor, e então uma
explosão enorme destruiu tudo atrás de nós. À Hollywood, com uma bola de fogo
em pano de fundo, nós a correr e eu apavorado, "mas o que é isto?"
Continuámos a correr por corredores e salas iluminadas com
luzes de neon, mas vá-se lá perceber porquê, o CR7 começou a insistir que tinha de ir pagar a conta do
quarto, eu a responder que não era tempo para fazer isso, "deixa estar, depois
vens cá pagar, agora temos de fugir porque alguém te quer matar, é uma boa
oportunidade para desapareceres, se quiseres fazes agora a viagem que querias
fazer", mas ele insistia que queria pagar a conta do quarto, que não podia
fugir sem pagar.
"Tu és o Cristiano Ronaldo", dizia eu,
"alguém há-de ir lá pagar por ti, o teu agente ou outra pessoa, não te
preocupes, e se ninguém for vais lá tu depois, mas agora foge e salva a tua
vida!"
Mas ele não me ouvia, estava obcecado com a ideia de pagar o
quarto, e não houve como convencê-lo do contrário. Tive de o acompanhar à recepção do hotel - que
entretanto era o Marina Bay Sands de Singapura - e então entregou o seu cartão
de crédito para pagar o quarto... mas devo ter acordado, porque não me lembro
de mais nada.
03/03/2014
UM SONHO
Não é costume descrever aqui os meus sonhos... mas quem me conhece sabe que me lembro ao pormenor de muitos - e normalmente são "uma autêntica viagem".
Assim, e porque este blog é essencialmente sobre viagens, cá vai:
Este fim-de-semana sonhei que estava numa espécie de
triciclo supersónico, a descer a costa oriental americana com um dos meus primos, a
caminho de Miami. Ele acelerava e eu travava - mas os travões não funcionavam
muito bem. Depois de algumas peripécias na estrada e uma paragem em casa da minha mãe (na Praia das Maçãs), voltei de Miami para Lisboa, de avião, e quando cheguei alguns amigos perguntaram-me porque tinha demorado tanto
tempo a voltar da Indochina para Portugal, e eu contei-lhes que tinha "ido num instante" a Miami, visitar o meu amigo Manel. Mas ninguém acreditava em mim.
Depois, já nem sei se era o mesmo sonho ou outro, mas vi-me
transportado para a Madeira, onde estava a fazer trekking com um amigo de
Lisboa, nuns trilhos muito apertados que atravessavam aldeias. Ele estava aflito para ir à casa-de-banho e só depois de eu
insistir muito é que foi "fazer" ao pé de uma árvore, enquanto eu
esperava junto a umas cabanas de madeira e palha, como aquelas que se encontram junto à estrada que liga Vientiane a Luang Prabang, no Laos. Entretanto vi numa dessas cabanas uns talheres muito giros, em inox, e guardei alguns garfos e facas comigo. Mas quando arrancámos para o nosso
passeio outra vez, arrependi-me de os ter trazido comigo e fiquei cheio de
remorsos. Então pedi ao meu amigo para voltarmos às aldeias, para devolver os
talheres, mas estávamos tão longe - estávamos em Sintra! - e já não sabíamos o caminho de
volta. A estrada agora dava acesso a uns muros e telhados, e tivemos de encontrar a
saída saltando de muro em muro.
Entretanto fomos parar a uma carruagem de comboio. Parámos no Rossio e o meu amigo saiu a correr, e eu atrás dele. Mas ele ia muito
rápido, eu não percebia o porquê de tanta pressa e se ao princípio tentei
acompanhá-lo, a certa altura desisti e abrandei. Encontrei-o à porta do metro,
à minha espera, como se não fosse nada.
Quando acordei, estava em Saigão.
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