quarta-feira, 23 de Abril de 2014

BOA NOITE, ISTAMBUL

Fim de tarde em Istambul. Sento-me no terraço do prédio da Bahar - ficamos à conversa, a fumar cigarros e a ouvir as gaivotas, a ver a cidade (o mundo?) que se espraia à nossa frente, salpicada de pintas brancas. São os "pratos" dos satélites. Aos milhares. Todos apontados ao mesmo - curiosamente na direcção oposta para onde se ajoelham aqueles que se ajoelham.

Análises à parte: hoje à noite, madrugada de amanhã, seja lá como for. Daqui a umas horas vou para o aeroporto. E daí para Lisboa. Passaram a correr, estes dias.

Fica então o click de hoje, tirado do terraço do prédio da Bahar, a minha anfitriã. Mais à frente, noutro prédio, pouco depois de chegarmos sentaram-se três pessoas que, como nós três, também só estavam ali para apreciar o momento. E não éramos os únicos. Olhando com mais atenção à volta, vi pelo menos mais dois terraços com gente. Está-se tão bem, em Istambul:


ISTO É REAL

Não são só notícias de telejornal.

Não é só uma fotografia que ganha um prémio, estatísticas e números, motivo de análise. Isto: a guerra na Síria, na Ucrânia, no Sudão - onde for. Os protestos na Tailândia, na Turquia, no Brasil. Os aviões que caem sabe-se lá onde. Os barcos que viram. Terramotos, cheias e incêndios. Pragas e vírus. Isto é real.

Assistimos ao espectáculo em casa, impressionamo-nos, fartamo-nos, a distância é um conforto. Mas isto é real. É tudo real. Afecta vidas e histórias. Afecta sorrisos e sonhos. Cada um destes telejornalísticos dramas.

É isto que eu vi nas ruas de Istambul, esta semana. Nas conversas que tive. Já não se discute só a (des)política interna, os vilões e a falta de heróis, o povo na rua, a rua no povo. Agora: "são sírios". Há um novo tópico de conversa, na rua. No cinzento dos despenteados, descalços sorrisos. A guerra na Síria chegou a Istambul. E isto é real.

Aqui. Agora. :(

terça-feira, 22 de Abril de 2014

SÃO SIRIOS

"O que se passa em Istambul, que vejo tantos miúdos a pedir, pessoas a dormir pelos cantos, grupos de crianças descalças a correr daqui-práli. Não me lembro da cidade assim. Não tanto, pelo menos."

"São sírios", responde-me a Bahar.

"São sírios", responde-me o Ozgur.

"São sírios", responde-me o Ozer.

"São sírios", diz-me o Davut.

"São sírios", explica-me o Erdem.

Isto é real.

BOM DIA, PREGUIÇA!

Depois de um fim-de-semana de almoços com amigos e jantaradas, festas até às tantas e respectivas ressacas... agora está-me a dar cá uma preguiça... ;)

Consegui arrastar-me para fora da cama e fui almoçar com um amigo, algures depois do Parque Gezi, não me lembro do nome do bairro mas é a parte chique da cidade.

De qualquer forma, aqui fica o click de hoje. Ilustra bem o meu estado de espírito, eheh.

A foto já foi tirada ha três ou quatro anos, numa ruazinha paralela á Istiklal - mas continua actual. Esta cidade e os gatos.


UM ALMOÇO "EXÓTICO"

Quando cheguei a Istambul, no sábado passado, a minha amiga Bahar desafiou-me para ir almoçar com a mãe e uma tia. Já a salivar, imaginando uma refeição tradicional em algum restaurante emblemático para os locais, aceitei sem qualquer reserva. Até porque conheço a mãe da minha amiga, não fala uma palavra de inglês além de "OK" mas é sempre muito querida: a sorrir e a tentar pôr-me à vontade, falando comigo em turco para depois a Bahar traduzir.

Ou seja: cheguei a casa de manhã, tomei um banho e dormi três ou quatro horas - e depois saímos para a rua, para um almoço de sábado com a família.

Enquanto descíamos as escadas íngremes deste quarto andar onde "vivo", sempre que estou em Istambul, a Bahar achou por bem chamar-me a atenção para um pormenor acerca do almoço:

"Olha que não vamos comer comida turca. A minha mãe quer comer hamburguers."

Dito e feito: meia hora depois estávamos os quatro sentados numa hamburgueria toda cool (parece que também está na moda, aqui) e o empregado a servir quatro hamburguers no pão, mais as batatas fritas. E eu, mais que entusiasmado pela comida (e eu gosto muito de hamburguers, note-se), estava fascinado com as reacções das duas septuagenárias turcas. Atacaram o hamburguer como se não comessem há alguns dias; e as batatas fritas foram acompanhadas de quilos de ketchup.

"Para elas, isto é que é exótico", dizia-me a minha amiga a sorrir, enquanto a mãe bebia Coca-Cola por uma palhinha, "e a minha tia está em choque por pagarmos tanto por uns hamburguers, quando podíamos ter ido ao McDonalds".

segunda-feira, 21 de Abril de 2014

ENCARNADO x33

Benfica campeão - dos jornais da especialidade às conversas de café, das análises dos comentadores à festa dos adeptos, de certeza que não se fala de outra coisa em Portugal.

Assim sendo, e porque como benfiquista-à-distância que sou, não quero deixar passar em branco esta data, fica aqui a minha singela homenagem à (merecida) conquista do 33º campeonato nacional de futebol.

São 33 fotos tiradas em vários pontos do globo, em que o encarnado é a cor dominante, ou que de certa forma dá identidade/sentido à fotografia.

Parabéns, Benfica!





























domingo, 20 de Abril de 2014

BOM DIA, PÁSCOA :)

O click de hoje foi feito no Verão de 2011, quando passei uns dias em Kiev - a caminho da minha primeira experiência no Transiberiano.

Feliz Páscoa e boas voltas :)


quinta-feira, 17 de Abril de 2014

BOM DIA, NOSTALGIA

Estava aqui às voltas com as fotos da Tailândia, a organizar tudo em pastas e a fazer backups, etc... quando me deu uma nostalgia de uma passagem de ano muito especial. Foi há dois anos, em Luang Prabang. Em Abril, como o Songkran. Mas no Laos chama-se Pi Mai Lao.

Fica um momento desse acontecimento único, é o click de hoje:


quarta-feira, 16 de Abril de 2014

I ♥ KL

O ar carregado, húmido e quente - um abraço pegajoso de boas-vindas, a cheirar a cravinhos e ao fumo dos tubos de escape. Kuala Lumpur.

KL para os amigos.

Meti-me no aerobus para Puduraya e instalei-me no hotel do costume, um "buraco" barato e bem situado, algures entre Chinatown e Bukit Bintang, por trás do templo hindu, "in the heart of KL", como diz o cartaz por cima da recepção - e pouco depois de entrar no quarto e pousar as mochilas, um flash iluminou o céu cinzento e os prédios por baixo... e boooooom! Água, luz e som. Podia ser o princípio do fim do mundo, uma tragédia de telejornal, um espectáculo multimédia. Mas era só a tempestade do costume.

Como um gesto repetido por um velho amigo, sempre que nos encontramos. Como uma private.

Eu e KL - é sempre a mesma coisa. Chego e até pode estar um dia maravilhoso, os passarinhos a chilrear, avozinhas a passear os netos no jardim, esplanadas cheias - mas vai chover. Nem que seja por alguns minutos, nem que passe depressa e volte tudo ao estado em que estava antes. Mas a cidade recebe-me assim. Alto e pára o baile, venham de lá os relâmpagos e a trovoada, o ensaio de um dilúvio: bem-vindo sejas, amigo.

Fui tomar banho e acabou-se a água quando estava coberto de espuma. Convoquei os deuses e amaldiçoei o destino, mas nada. Nem pinga. Abri a torneira do lavatório e tentei lavar-me só com o tímido fiozinho que me enchia devagar as mãos em concha. E quando estava já com a toalha à volta da cintura, pronto para regressar ao quarto: água. Só dá para rir.

Seis da tarde. Ou serão sete? Aqui o relógio está um pouco mais adiantado. Mas já troquei ou não? Ou será que o telefone mudou a hora automaticamente? Saio para a rua. Confirmo as horas. São sete. Já não chove. Sigo a pé até Masjid Jamek, desço umas escadas rolantes atrás de um grupo de estudantes indianos histéricos e apanho o metro até à KL Sentral, são só duas estações mas dá para trocar sorrisos com duas alemãs de mochilas às costas, meio-amedrontadas com a confusão à volta, de chapéu de palha a dizer Langkawi. Ou seria Phuket? Vai dar ao mesmo. Troco dinheiro na estação e espero pelo komuter, onde viajo com as pessoas que voltam para casa. Saio em Serdang, estou nos subúrbios.

"Give 15 min... sorry... we are late", diz-me um dos amigos com quem combinei ir jantar, num SMS enviado quando já estou à espera há um quarto de hora. Que remédio. Estou enconstado a um muro numa autoestrada, a ver os carros a passar, espero que não se demorem muito, estou cheio de fome.

"Pls be passion", diz a mensagem seguinte. Paixão - em vez de paciência.

"I am passion", respondo.

E pouco depois: dois sorrisos familiares. Abraços e rápidos updates, e de repente é como se nos encontrássemos todos os dias. Não nos vemos há quase seis meses, mas as amizades verdadeiras são assim. Num instante se apaga o tempo e os entretantos. Perguntam-me se quero ir ao karaoke, como nos meus anos. Claro que sim, desde que tenham comida. Tenho fome.

Mas o karaoke não era bem o mesmo da última vez. Parámos o carro num restaurante de rua montado numa tenda, debaixo de um viaduto. Sentámo-nos à espera da comida, um nasi lemak com galinha e molho especial. À frente das sete ou oito mesas quase vazias, um palco cheio de luzinhas coloridas a brilhar, tipo "festa da aldeia". Um velhote malaio cantar desafinado velhas músicas indianas.

Chegou a comida. Comemos. Que delícia. E quase sem dar por isso, a certa altura estava a aplaudir os meus amigos, que cantavam animadamente no palco. Entretanto tinha chegado mais gente. Quarentonas sorridentes de lenço na cabeça e homens com camisas de clubes ingleses dançavam no espaço entre as mesas e o palco. Uma criança corria de um lado para o outro com sapatos que reluziam a cada passo. Numa mesa, uma velhota fumava um cigarro e trocava piadas com o filho adoptivo. Há quem diga que são "casados", diz-me um dos meus amigos ao ouvido.

E eis que de repente oiço alguém chamar o meu nome.

Olho à volta, os meus amigos sorriem, um deles levanta-se e faz-me sinal para que o acompanhe. É a nossa vez de cantar. Isto não me está a acontecer.

Dirigi-me ao palco, não tinha como fugir. Segurei no microfone que alguém me passou... e cantei. Com público e palmas, num palco montado debaixo de um viaduto. Na Malásia. Cantei quatro ou cinco músicas, Frank Sinatra e sei lá mais o quê, algumas a solo e outras em dueto com o meu amigo Awie. E depois das palmas, o dono do restaurante veio dar-me os parabéns e convidou-me para cantar numa festa de solidariedade de um orfanato, daqui a quinze dias. Não posso, respondi, estou em Portugal. Agradecido.

"Então deixa-me o teu skype que vou fazer de ti uma estrela."

Esta cidade! :)

SABIA QUE... #20

...o Aeroporto Internacional de Don Muang, em Bangkok, tem um campo de golfe entre as pistas.

(foto roubada algures no google)

Já aterrei e levantei voo neste aeroporto tantas vezes - só nas últimas semanas foram três - e confesso que nunca tinha dado por isto.

Incrível!

Chama-se Kantarat e é um campo de golfe completo, com 18 buracos e tudo - e não estou a dizer que "é-mesmo-ao-lado", ou que "tem-vista-para". Nada disso. Fica mesmo dentro do aeroporto. Entre duas pistas.

Não há muros, nem vedações, nem nada a separar um dos outros. Há, isso sim, uma série de regras que têm de ser cumpridas religiosamente. A sério: é possível "dar umas tacadas" enquanto aterram aviões ao lado.

Este aeroporto - um dos mais antigos do mundo, completa um século este ano - já não tem o tráfego que tinha antes. Fechou em 2006 quando foi inaugurado o novo Aeroporto Suvarnabhumi - mas desde 2012 que funciona em pleno, outra vez, sendo a base de várias companhias low cost.

Quem disse que o golfe é um desporto monónoto?

MAIS LONGE...

...mas mais perto.

Já estou em Kuala Lumpur. Que, olhando muito rapidamente para o mapa, fica mais longe de Lisboa do que Bangkok.

E, no entanto, sinto-me mais perto.

Esta é a primeira de duas paragens no regresso a casa. Fico na capital da Malásia duas noites, depois voo para Istambul - onde fico uma semana - para finalmente voltar a Portugal.

Matar saudades e vingar beijinhos, comer bacalhau e pastéis de Belém, beber sumol de ananás. O costume. Apetece tanto. Sempre foram... oito meses? Já perdi a conta. Esta temporada foi a mais longa de que tenho memória, nos "últimos tempos".

Lá vou eu! :)

O FIM DA TEMPORADA

Agora sim: depois dos grupos da Indochina e dos merecidos dias de-papo-para-o-ar, eis-me de novo em Bangkok, prestes a iniciar o meu regresso a casa.

Sigo daqui a nada para Kuala Lumpur, onde fico dois dias - e depois paro uma semana em Istanbul, já a meio caminho de Lisboa.

Não tarda nada estou em casa :)

Encontramo-nos outra vez a seguir ao Verão, Bangkok. Porta-te bem. Se conseguires.

terça-feira, 15 de Abril de 2014

CÁ ESTÃO ELAS ;)

"Saquei" na net algumas fotos do painel interior do White Temple, por isso eis alguns exemplos do kitsch de que falava no último post:





É DIFÍCIL DE EXPLICAR

Imaginem um templo budista desenhado e construído por uma espécie de Gaudi tailandês dos tempos modernos, com tiques de parque temático da Disney e a fazer lembrar um palácios de um filme qualquer fantástico, tipo Narnia, Senhor dos Anéis ou até o Game of Thrones.

O Templo Branco podia ser o palácio da Rainha Branca. Existe uma Rainha Branca, não existe?



É... é difícil de pôr em palavras. Tem qualquer coisa de perverso, de retorcido - mas é ao mesmo tempo imaculado e apaziguador. E é, de certa forma, ingénuo - diria mesmo infantil.

É kitsch, também.

O Wat Rong Khun é um lugar que desafia os dicionários, categorias e catálogos. Resulta da visão de um artista/arquitecto chamado Chalermchai Kositpipat, muito famoso na Tailândia, que decidiu dedicar o resto da sua vida a um projecto.

Já tinha visto fotografias na net, claro. Sabia mais ou menos ao que ia. Mas não há fotografias que expliquem a dimensão do que é este templo. Por isso decidi descrever algumas das suas particularidades. Fotografias não bastam.





Logo à "entrada" há dois elaboradíssimos sinais a proibir o consumo de álcool e tabaco, que têm tanto de tradicional como de inovador - e kitsch, já disse. No relvado ao lado, que não se pode pisar, há uma estátua do monstro do Predador (sim, aquele de cara feia do filme!) a emergir do chão, em tom ameaçador. Há crâneos de gesso, humanos e extraterrestres, pendurados nas árvores. E depois é aquela imensidão de branco e de espelhos. Até os peixes do lago. Tudo reluz.

Entra-se por uma pequena passagem ladeada de centenas de mãos estendidas em suplício, como almas danadas afogadas num pântano - no inferno? - a pedir ajuda.

Esta cena representa o Desejo e podem-se ver mãos humanas e robóticas, de bestas e animais, seres míticos, tudo o que se possa imaginar. Há mãos gordas e mãos magras, mãos deformadas, há dedos com anéis e outros esqueléticos, unhas pintadas e uma mão a segurar um enorme pénis. Algumas estendem potes como que a pedir esmola, utensílios vários... e vi também um pé - toda a cena é muito pesada, e de certa forma contrasta com todo aquele imaculado que se apresenta à nossa frente.

Depois atravessamos uma ponte. Ao bom estilo asiático, com dragões e outros seres míticos, esta ponte representa a passagem do mundano para o divino. E reparei ainda noutro pormenor, antes da ponte, menos óbvio mas que reconheço de outros templos, e que de certeza tem o seu simbolismo também: as pétalas da flor de lótus que costumam ladear muitos templos budistas estão também presentes, mas tombadas, como que derrotadas pelo peso do próprio templo. Que estranho.

E, no entanto, é dentro do templo que se encontra a maior surpresa.

Em vez de uma estátua gigante de um Buda e de toda a parafernália típica dos templos, este é muito minimalista. Tem uma estátua apenas, muito pequena - mas a parede por trás tem um fresco enorme de um buda sorridente e pacificador, muito bonito.

Talvez porque estou familiarizado com os templos budistas, assim que entrei e contemplei a parede que tinha em frente, virei-me para trás para descobrir o que tinha nas costas. E o mural que vi... é qualquer coisa de outro mundo. Não propriamente pela espectacularidade do pormenor ou do estilo... mas pelos elementos que contém. Pintado nessa parede estãos os males do mundo - na interpretação actual, crítica e kitsch do sr. Kositpipat.

Uma gigantesca caveira domina toda a parede, rodeada de negro e laranja, numa espécie de visão infernal do mundo de hoje. Nas escuras cavidades dos olhos estão desenhados os rostos de George W. Bush e do Bin Laden, como se fossem feitos de fumo. E por toda a parede há pormenores na paisagem muito interessantes: das Torres Gémeas a arder, numa referência explícita ao 11 de Setembro; a superheróis como o Homem Arenha, Batman, Hulk e Super Homem; passando por ícones da cultura pop como Michael Jackson, o Freddy Kruger, Hello Kitty, Matrix, Angry Birds ou Kung Fu Panda. Há uma chuva de mísseis a cair numa cidade, há telemóveis e monstruosas mangueiras de gasolina - tudo isto representa Mara, o Demónio que é também o nosso demónio interior, que representa todos os desejos, as tensões e os pensamentos de que nos temos de libertar, de acordo com a filosofia budista, para encontrar a Paz Interior.

É um lugar único, sem dúvida. Pena que não se possa tirar fotografias. Mas vou procurar na net.

E há mais. Estão ainda a construir um templo que vai ser enorme, com uma estátua de Ganesh no meio. O projecto arrancou no final dos anos 90 e supostamente vai levar 90 anos a completar. Ainda há muito por descortinar - mas uma coisa posso garantir: este templo é muito especial, à sua dimensão no mesmo espírito de uma Sagrada Família, um Taj Mahal ou um Angkor Wat.

Há-de dar que falar.