31/10/2014

BOM DIA, BRUXAS!

Não me levem a mal os espíritos birmaneses, mas às vezes dá-me a sensação que vocês e a bruxaria andam quase lado-a-lado.

Que pontaria: hoje é Halloween e tenho para partilhar no blog, a propósito da visita ao Monte Popa, algumas curiosidades sobre o culto dos Nat, os espíritos que convivem lado a lado com o Budismo, aqui no Myanmar.

Por agora deixo-vos um click, vou só acabar de editar o resto das fotos e já conversamos. Até já!


30/10/2014

AI QUE SUSTO!

Aqui no Myanmar quase nem se dá por isso, mas hão-de ser raros os países onde neste momento a máquina do marketing não está a fervilhar com o Halloween.

Amanhã celebra-se a Noite das Bruxas e por todo o lado, de São Francisco a Lisboa, de Hanói ao Rio de Janeiro, de Melbourne a Bombaim... há festa!

Confesso que não tenho nada planeado, estou ainda a recuperar das voltas intensas pela Birmânia - e já a preparar-me para a Indochina que aí vem. Mas estou atento, nem que seja por piada, e apesar de uma net muito lenta e aos solavancos, consegui "sacar" algumas listas engraçadas para partilhar aqui.

A primeira foi publicada hoje no Telegraph e faz um apanhado daqueles que o jornal considera "os vinte e cinco lugares mais assustadores do mundo", nomeadamente casas assombradas, cidades-fantasma e atracções macabras. Vale a pena ver, é a lista mais interessante de todas as que encontrei hoje. Curiosamente, e para minha surpresa, até já visitei algumas.

A segunda lista é um "top ten de hotéis assombrados", segundo o Trip Advisor.

E para finalizar, uma lista dos "21 lugares mais assombrados do mundo" feita por um site especializado em caças de fantasmas e estadias em lugares assombrados. A sério.

OS VOLUNTÁRIOS DA FISGA

Na ascenção dos 777 degraus do Monte Popa, passamos frequentemente por pessoas sentadas nos degraus a limpar o chão com uns panos molhados. De certa forma é uma tarefa ingrata, porque os macacos fazem questão de sujar tudo outra vez, nada aqui fica muito limpo, muito tempo. Mas a verdade é que, se não fossem estes voluntários, o lugar seria muito-mas-muito mais imundo.

Os voluntários do Monte Popa têm sempre um pequeno molho de notas que fazem questão de mostrar a quem passa, de maneira a estimular a gorjeta. Faz parte - e pelo trabalho que têm, bem que a merecem. Além disso tiram bom proveito ideia de "donativo" juntamente dos crentes budistas. E lá fazem umas massas.
Outra singularidade, e para mim a mais interessante, é o facto de todos estes voluntários estarem sempre munidos de uma fisga. Nada mal pensado, tendo em conta o comportamento abusivo dos macacos residentes.

Ficam dois exemplos:



777 DEGRAUS... MAS QUANTOS MACACOS?

Sinceramente não sei o que há mais em Popa: degraus ou macacos.

Os degraus estão contados, são setecentos e setenta e sete ao todo, aqui por extenso para que não haja confusões nem gralhas. Já os macacos, acho que ninguém sabe ao certo quantos são. Até porque, ao contrário dos degraus, os outros reproduzem-se.



Matemáticas à parte:

Fomos dar uma volta a Popa, portanto. São quase duas horas de viagem, a partir de Bagan, faz-se bem num dia, ida e volta com direito a paragem estratégica no regresso para descansar e provar uma aguardente de palma.

No último post fiz a comparação de Popa com Fátima - e não me arrependo. O primeiro tem tanta importância para quem acredita nos nat, no Myanmar; quando o segundo para os católicos portugueses. Este é um dos mais importantes centros de peregrinação em todo o país, só comparável à Rocha Dourada, ao Shwedagon Pagoda e ao Mahamuni - os três lugares sagrados budistas do Myanmar.







Se desejar conhecer em pormenor o programa desta viagem ao Myanmar, clique aqui.

BOM DIA, POPA!

O Monte Popa é um lugar muito especial, junto a um antigo vulcão, que é uma espécie de Fátima para quem acredita nos nat, os espíritos pagãos que coexistem com o budismo, no Myanmar.

O click de hoje, que antecede o post em que vou documentar o passeio que demos a este lugar, foi tirado mesmo à "entrada" do Monte, bem no princípio dos 777 degraus que é preciso subir até chegar aos templos principais, no topo.

Tem a particularidade de ser na vertical, este click. Normalmente opto sempre por fotos "ao baixo", nesta rubrica do blog. Mas hoje não resisti às cores e às emoções desta fotografia.

Bom dia!


29/10/2014

LÊ-SE JOE JOE

De Bagan, faltava-me contar esta história: assim que chegámos no barco de Mandalay, instalámo-nos em Nova Bagan e "dei" o final de tarde para o grupo descansar, fazer umas compras ou o que quisesse. Combinámos encontro para jantar e eu saí de mota com o objectivo de trocar dinheiro, reservar restaurante - e tentar encontrar o meu amigo Kyaw Kyaw (lê-se Joe Joe), que no ano passado fora uma grande ajuda e um bom companheiro. Como nessa altura ainda havia pouca gente com telemóveis no Myanmar, nunca mais tive qualquer contacto com ele.

Estaria ainda em Bagan?

O Kyaw Kyaw (lê-se Joe Joe) sonhava ir um dia para Yangon terminar o curso de Inglês e Turismo.

Fui até ao templo onde o conhecera, durante a viagem de prospecção para a aventura que organizo com a Nomad. Não estava lá, mas fiquei a saber que ainda vivia em Bagan - e que no dia seguinte poderia encontrá-lo ali no templo a partir das nove, dez da manhã. Vinha vender as suas pinturas aos turistas, como antes. Menos mau, pensei, é a hora que arrancamos do hotel com as ebikes, e de qualquer forma começamos a volta por este templo. Ou seja: amanhã é dia de reencontros. Pensava eu.

No entanto, ao regressar a Nova Bagan para finalmente trocar dinheiro, lembrei-me que tinha ido uma vez a casa do Kyaw Kyaw (lê-se Joe Joe), algures numa aldeia ali perto. Meti-me pelo caminho que pensava ser o correcto e vagueei um pouco tentando reconhecer a paisagem, mas de nada me serviu. Perdido, voltei para a estrada principal e desisti de o procurar. Amanhã logo se vê.

Voltei ao plano inicial: trocar dinheiro, portanto.

Encostei a mota e estacionei à frente de um banco com as luzes acesas, mas rapidamente fui avisado que o estabelecimento já estava fechado, e que já não poderia trocar dinheiro ali.

"E onde posso fazê-lo, a esta hora?"

Já tinha anoitecido, entretanto.

O segurança apontou para o outro lado da estrada e indicou-me uma casa particular. Atravessei, dirigi-me a um velhote e ele mandou-me entrar.

"Senta-te."

E eis que tenho uma espécie de deja vu.

Eu já tinha estado nesta casa. Lembrava-me bem da sala - e do rosto da rapariga que apareceu com uma caixa de metal cheia de notas -, o Kyaw Kyaw (lê-se Joe Joe) tinha-me trazido aqui uma vez.

Troquei o dinheiro e pareceu-me pertinente perguntar pelo meu amigo. Pelo nome ela não se lembrou, e perguntou-me se eu tinha alguma foto. Procurei no telefone, nos registos que guardo da viagem do ano passado... e lá estava. Que boa ideia! E que sorriso se fez na cara da rapariga, quando o reconheceu:

"Sim, o Joe Joe (escreve-se Kyaw Kyaw), sei muito bem quem é. Vive na aldeia de Koló (diz-se assim, não sei como se escreve), ali em frente por aquela estradinha."

Explica lá isso melhor.

Ela não sabia dizer-me onde era a casa dele, mas indicou-me o caminho que me levaria à aldeia. Tinha meia hora até à hora combinada, achei que podia dar uma oportunidade à sorte.

E que sorte.

Meti-me pelo caminho escuro que a rapariga me indicara e segui sempre em frente até já não haver casas. Sabia que tinha de virar algures à esquerda, mas depressa deixei de perceber onde e mais uma vez comecei a sentir-me perdido, até que vi um velhote a caminhar no escuro e achei por bem tentar novamente a minha sorte. Perguntei-lhe pela aldeia.

Falava um inglês impecável.

"É aqui", apontando as árvores à volta, "estamos em Koló."

À nossa volta não havia nada senão breu e bosque. Mas, segundo o velhote, estávamos no sítio certo. Decidi mostrar-lhe a foto do meu amigo:

"Estou à procura de um amigo", passei-lhe o telefone para a mão, "chama-se Joe Joe (escreve-se Kyaw Kyaw).

"O Kyaw Kyaw (lê-se Joe Joe)?", e abriu-se um sorriso de orelha a orelha que iluminou o bosque e os templos à volta, e toda a Birmânia e o Universo, "o Kyaw Kyaw (lê-se Joe Joe) é meu filho."

Confesso que achei que ele estava a gozar comigo, ou que não me tinha percebido bem... ou que eu é que não estava a entendê-lo.

"Seu filho?"

"Sim! Eu sou o pai do Kyaw Kyaw (lê-se Joe Joe). Vou agora para casa, posso levar-te até ele."

Isto estava escrito. Maktub, dir-se-ia noutras latitudes. Convidei-o a sentar-se no banquinho extra da minha ebike e lá fomos a zumbir e a conversar pelo escuro, eu ainda sem acreditar muito bem no que estava a acontecer, que sorte, que pontaria, será que era mesmo ele?

E era. Chegámos a casa e mandaram-no chamar, apareceu com um sorriso que só sabe quem o conhece. Casou-se, tem uma filha recém-nascida, abandonou o sonho de Yangon mas continua com a mesma energia, a mesma bondade, o mesmo companheirismo.

Não mais nos largou, nos dias que se seguiram. Foi de uma disponibilidade impagável, fez toda a diferença na experiência dos templos e do tempo, lembrou-nos mais uma vez como é importante ter o coração aberto e o sorriso rasgado.

E para o ano já não preciso de confiar na sorte, porque como a grande parte dos birmaneses, o Kyaw Kyaw (lê-se Joe Joe) já tem telefone.

Obrigado, amigo!


BOM DIA, KYAW KYAW!

O nome lê-se Joe Joe. Tem vinte e dois anos, vive em Bagan, pinta na época baixa e vende os quadros na época alta. É um bom amigo que tive a felicidade de reencontrar este ano, depois de uma sucessão de coincidências que vou contar no próximo post. Estejam atentos, estou só a finalizar o texto, daqui a nada já o publico.

Bom dia!, ou como se diz por aqui: mingalabar!


28/10/2014

VAI UMA AJUDA?

Parece complicado... ;)




http://www.nomad.pt/birmania-com-jorge-vassallo

A LENDA DA PRINCESA "BEM" E DO LEÃO DAS BEIRAS

Uma das imagens mais características do Myanmar de hoje são os leões enormes plantados à porta dos templos e pagodas. Apesar da motivação para estas estátuas me parecer óbvia - protecção - andava curioso em saber se havia alguma história por detrás de tão singulares bonecos. E há.

Perguntei a este-e-aquela, pesquisei no meu livro de cábulas sobre a cultura e tradições do Myanmar e lá encontrei a resposta a esta dúvida. A história que se segue é uma adaptação "livre", escrita num momento de inspiração - ou não.

Ou seja, descontando as piadinhas e os floreados, o básico da lenda está algures nas entrelinhas deste post que agora partilho:

Era uma vez uma princesa birmanesa giríssima que tinha andado num liceu de Cascais e tudo, e que estava à espera de bebé.

Apesar da gravidez avançada, a princesa insistiu em fazer um trekking na floresta encantada ao pé do palácio. Sim: floresta encantada. Isto passou-se Antigamente, e nessa altura havia florestas encantadas. Daquelas em que as árvores têm voz grossa e pegam nas pessoas com os ramos, quando estão zangadas; e os passarinhos e os esquilos falam, e as borboletas andam sempre à nossa volta a dançar. Depois veio o Walt Disney. E depois veio o Castelo Branco. Mas essas são outras histórias.

Continuando.

Ia a princesa mais as suas damas de companhia, guardas reais e bobos da corte, todos equipados a rigor com ténis nike (já havia nessa altura, eram super vintage), quando o passeio foi interrompido pelo assustador rugido de um leão. O grupo parou e estremeceu de medo: as damas de companhia rodearam a princesa para a proteger, os guardas reais rodearam as damas de companhia - e os bobos da corte esconderam-se atrás das árvores.

Silêncio.

E de repente: o leão.

Enorme, com ar ameaçador, diria que acabadinho de chegar de um documentário da National Geographic, mas isto foi Antigamente e nessa altura não havia televisão nem revistas. Só das côr-de-rosa.

Medo.

Nem os passarinhos cantavam - quanto mais os esquilos, que eram conhecidos por ser os mais medricas da floresta. Então o leão quebrou o gelo e tentou dizer alguma coisa, mas só de abrir a boca desatou toda a gente a fugir, cada um para seu canto, foi um salve-se-quem-puder como nunca se vira naquela floresta encantada, e no meio da confusão a princesa, coitadinha, sempre giríssima mas a tremer que nem varas verdes, ficou sozinha, grávida, a dar-lhe os vómitos com o susto, frente-a-frente com o rei da selva. Ainda levou a mão ao bolso, à procura do iphone para pedir auxílio; ou do spray de pimenta para se defender - mas isto passou-se Antigamente, não se esqueçam, e ainda não tinha sido inventado nem o iphone nem o spray de pimenta.

"Bom dia," disse-lhe o leão com uma discreta vénia.

Ela respondeu com um aceno da cabeça.

"Eu chou o rei da chelva, e tu?"

"Eu sou a princesa."

"Éja princheja? Princheja do quê?"

A princesa revirou os olhos:

"Sou a princesa do palácio ali ao fundo, aquele amoroso no topo da montanha."

Conversa puxa conversa, começaram a falar de fofoquices da realeza e o leão começou a simpatizar com a grávida princesa. Tinham tanto em comum: ambos eram de famílias reais... hmm... ok, só tinham isto em comum. Mas foi o suficiente para o leão se apaixonar. Era um romântico, este leão. E como estava a começar a chover, levou a princesa para a sua gruta e tomou conta dela nos meses seguintes. Trazia-lhe comida todos os dias, apesar dela ser esquisitíssima e só comer produtos gourmet; protegia-a dos perigos da floresta (aranhas, correntes de ar e outros)... e quase sem darem pelo tempo passar, nasceu o bebé.

Há quem diga que o leão era o verdadeiro pai da criança. As revistas (côr-de-rosa-vintage) da altura garantiam que na verdade "leão" não era o rei da selva, mas a alcunha de um sportinguista que vivera um tórrido romance com a princesa e a engravidara. Seja como for, a Birmânia recorda a história com um poderoso animal.

Nasceu o bebé, portanto.

Um rapagão gordo e rosado, que fez do leão um "pai" babado: passou a tomar conta do miúdo, afeiçoou-se a ele como se fosse seu filho, providenciava tudo do melhor para ele. O amor é cego. E possessivo, por vezes. Porque o leão não só os protegia dos perigos das aranhas e das correntes de ar, como os prendia na gruta. Estavam proibidos de sair.

Passaram-se alguns anos e o bebé cresceu. Já sabia fazer puzzles (antigos) e atrevia-se, de quando em vez, a completar um sudoku. Já desenhava algumas letras e fazia bem a pintinha dos iis. Estava na idade dos Porquês.

"Mamacita... sabes porque nosotros nos quedamos por aqui? Porque mi padre es un leon y no un hombre?"

Por razões misteriosas que nem a princesa sabia explicar, o filho falava em portunhol. O que era super-piroso.

"Ó querido, sente-se nesta pedra giríssima porque a mãe tem uma coisa para lhe contar. Você não é um rapaz normal, Bernardo."

O jovem Bernardo estremeceu.

"É que o seu pai não é este leão, e o seu avô (o meu pai) é um rei... mas não o rei da selva. É ele que manda neste reino todo, querido. Não acha o máximo?"

E com um movimento lento do braço cobriu todo o horizonte, enquanto pombas levantavam voo assustadas. Os olhos do miúdo brilharam.

"Que bien...", murmurou ele.

"A sua mãe é uma princesa, Bernardo! Não é uma tara? E você é um príncipe. Mas olhe, querido, ninguém sabe que estamos aqui na floresta encantada, que é giríssima mas tem imensas aranhas e correntes de ar, é nojenta. Ninguém lá no palácio do avô sabe que nós estamos aqui, como uns refugiados, super pobrezinhos e com moscas nas feridas e mais-não-sei-quê... ó Bernardo, eles pensam que o leão me comeu! Não é horrível?"

O que nem era de todo falso, segundo a imprensa côr-de-rosa.

"No te preocupes, mamacita," disse o menino no seu peculiar sotaque. "Yo já soi mui fuerte. Manhana nosotros vamos a fugir quando el leon va a buscar la comidita."

E assim foi. Na manhã seguinte o leão-das-beiras saiu para ir buscar comida, e a princesa-tia e o príncipe-portunhol fugiram pela floresta encantada fora. Nem as árvores os conseguiram agarrar, nem os passarinhos cantaram mil aventuras e coisas queridas, nem mais nada. E quando o leão voltou à gruta e percebeu que não estava ninguém, correu atrás deles desesperado, cheio de medo que algo de mal lhes acontecesse, algo ainda pior que uma aranha ou uma corrente de ar.

Quase os apanhou. Tinham acabado de atravessar o rio. O leão ficou do-lado-de-cá da margem, eles do-lado-de-lá. Desesperado, começou a rugir, como que convocando os deuses e os espíritos em que os leões acreditavam no Antigamente (os leões eram animais altamente espirituais, há muito-muito-tempo), mas de nada lhe serviu.

"No me sigas que te voy a matar," gritou o pequeno Bernardo do outro lado do rio.

O leão tentou entrar na água. Ao ver isto, o rapaz pegou num arco e começou a disparar flechas em direcção ao rei da selva. Mas o amor do leão era tão grande e tão puro, que as flechas imediatamente se transformaram em bananas e cocos - o que não impediu Bernardo de continuar a disparar, pois acreditava que ia conseguir matar o outro. Contudo, por muito que insistisse, todas as flechas se transformavam em oferendas - até que num brevíssimo instante de fraqueza, apenas uma fracção de segundo, o leão pensou para a sua juba "olha que mal-agradechido, o raio do rapaz" e imediatamente uma seta trespassou-lhe o coração.

A princesa-tia e o príncipe-portunhol continuaram a sua fuga e chegaram finalmente ao palácio. O rei morreria pouco tempo depois - mas feliz por reencontrar a família. À falta de um pai, Bernardo foi nomeado rei.

El-rei Dom Bernardo mais não sei quantos apelidos.

Mas este não é o final feliz da história: porque alguns anos volvidos da sua coroação, o rei D. Bernardo começou a ficar terrivelmente doente. Por muito que os seus curandeiros e médicos tentassem, não conseguiam curá-lo. Num dia de maior aflição até tentaram ligar para o 112, mas o telefone ainda não tinha sido inventado. É preciso ter azar. Até que uma mente iluminada lembrou-se dos dramáticos eventos ocorridos à beira-rio, uns anos antes.

Chegou-se à conclusão que o facto de D. Bernardo ter morto o leão - quem sabe, o próprio pai - tinha funcionado como uma terrível maldição. O rei precisava de obter o perdão do animal. Mas como, se este estava morto?

A tal mente iluminada disse então a el-rei:

"Se sua alteza desejar obter o perdão do leão, terá de mandar erguer uma estátua à entrada de um templo, e ir lá rezar e fazer oferendas todos os dias. E, já agora, este é o cartão do meu primo, que tem uma empresa que constrói estátuas de leão, ele faz bons preços."

E assim foi. O rei mandou fazer a primeira estátua, e mais outra, e mais outras. Tornou-se tradição, pôr leões à entrada dos templos. Depois tornou-se moda. E assim se tranformaram num símbolo de dedicação na protecção, os leões - não só contra aranhas e correntes de ar, mas todo o tipo de males espirituais e físicos.

BOM DIA EM SLOW-MOTION

Em homenagem à internet aqui do hotel e ao ritmo dos últimos dois dias, o click de hoje é assim-como-que-em slow motion.

Bom dia!

SUNSET/SUNRISE

Durante os dias que passámos em Bagan assistimos a um nascer-do-sol e a dois pôres-do-sol.

As fotos que se seguem dispensam mais comentários:
















27/10/2014

UMAS VOLTAS POR BAGAN

Dizem que, no auge do reinado do rei Anawratha, Bagan chegou a ter treze mil templos, pagodas e outras estruturas religiosas. Se é exagero ou realidade, provavelmente nunca saberemos. Mas hoje, mil anos depois, sobram mais de dois milhares. E tão singelo número traduzido numa paisagem - falo por mim, claro - já é suficientemente surpreendente!

Depois das voltas por Mandalay e de um dia a navegar pelo Irrawaddy abaixo, o grupo instalou-se em Bagan. Alugámos umas motinhas eléctricas, aqui chamadas de ebikes, e praticamente não parámos um momento, durante os dois dias e meio que aqui estivémos.

Explorámos a planície e os seus templos, vimos pôres-e-nasceres-do-sol, fomos dar uma volta ao Monte Popa, experimentámos petiscos, fizemos amigos - e, claro, muitas compras. Tentámos, inclusive, andar de balão... mas foi cancelado à última da hora, estávamos já à espera que nos viessem buscar, meio ensonados, noite cerrada mas com relâmpagos ao fundo. Contudo, no dia seguinte fomos compensados com um sunrise épico, sem dúvida um dos melhores de sempre ;)

Hoje partilho algumas fotos das nossas voltas pela maravilhosa Bagan, reservando para logo à tarde as do sol a pôr-se e a nascer. Essas merecem um post próprio.











Conheçam o programa da viagem à Birmânia em detalhe, em http://www.nomad.pt/birmania-com-jorge-vassallo