28/09/2017

TUDO É POSSÍVEL!

Poucos certamente se lembrarão de um pequeno projecto a que me dediquei, há seis ou sete anos, durante uns meses. Chamava-se "Tudo é Possível!" e relatava algumas aventuras minhas na Índia, muito focado nas personagens interessantes que eu ia conhecendo, ou em situações maio absurdas e caricatas. Para isso criei um blog, nessa altura - mas foi difícil "chamar" as pessoas para lá e:

1) o projecto acabou por ficar em "águas de bacalhau"
2) foi a partir daí que decidi concentrar todas as minhas coisas no fuidarumavolta, em vez de me desdobrar em vários meios e começar sempre "do zero".

Adiante:

Este projecto tem vida nova. Aproveitei o nome e o espírito - e estou a escrever uma trilogia acerca das minhas aventuras na Índia. Tanto que há para partilhar! São quase quinze anos de muitas voltas e reviravoltas, insólitos e curiosidades, a um ritmo intenso e espalhafotoso, por vezes.

O primeiro livro desta trilogia, como alguns já saberão, está quase pronto.

Chama-se "De Vespa na Índia" e relata a viagem que fiz com um amigo no subcontinente em forma de diamante, em 2015. Estou muito orgulhoso do resultado, está incrível - que viagem!

A capa do livro foi criada pela Vanessa Teodoro, uma ilustradora/street artist mais conhecida por "The Super Van", que já tinha colaborado comigo no projecto inicial, em 2011. A Vanessa esmerou-se numa capa que me deixou de boca aberta (e apaixonado!) logo desde o primeiro contacto. Ora vejam lá se não tenho razão:



Continuando: desta vez resolvi arregaçar as mangas e tomar as rédeas deste projecto. Confesso que fiquei um bocado saturado, com a última experiência - e quero envolver-me na criação desta obra, quero ter uma palavra na maneira como é comunicada, quero acima de tudo que seja feita com coração e carinho. E não com "chapa 3" e fórmulas de fábrica. Nada me garante que, no futuro, não volte a publicar com uma editora... mas achei que este era o momento de tentar as coisas de outra forma.

O mercado, por muito concorrido e "viciado" que esteja, ao mesmo tempo já permite ter acesso a determinadas ferramentas e contactos. É possível produzir um livro. Comunicá-lo não é difícil. O mais complicado será a distribuição. Mas cada desafio a seu tempo.

Agora é produzir.

A capa está feita, o livro escrito, tenho uma pequena equipa a rever o texto e a paginá-lo, e não tarda segue para a gráfica. Mas preciso de financiamento. Isto não é barato, eu não tenho os fundos necessários para pagar isto tudo - pelo que lancei uma campanha de crowdfunding na plataforma PPL, de forma a poder financiar isto tudo, além de que permite que, mais tarde, o livro possa até ter um custo mais baixo.

Aproveito, portanto, esta oportunidade para lançar um apelo/desafio.

Contribuam para esta campanha, pré-reservando os vossos exemplares (com o merecido autógrafo e dedicatória) aqui ou aqui.

Obrigado!

27/06/2017

A VIAGEM DO POISAR

Voltei há pouco mais de um mês para Portugal, depois de mais uma época de viagens pela Indochina e Birmânia com grupos da Nomad - e depois de uma aventura extraordinária pela Indonésia.

Tinha-me convencido que, assim que chegasse, voltava a "pegar" no blog - estou há um ano num triste pára-arranca, sem disciplina nenhuma, quase não passo por aqui. Mas a verdade é que praticamente não parei, desde que cheguei.

Tenho andado entretido com uma volta bem diferente do que me é habitual, para mim: chamo-lhe "A Viagem do Poisar".

Ao fim de quase-quinze anos, voltei finalmente a ter casa. Talvez estivesse cansado de estar sempre em modo "camping" em casa de amigos e família, sempre que estou em Portugal. Será da idade? Seja o que for: tinha saudades de ter o meu poiso. O meu ninho. E não pensem que de repente vou deixar de viajar e de viver as aventuras do costume. Mas precisava de responder a este apelo do lar. Ando há muito tempo só às voltas, a pairar.

Dito isto: poisar também se tem revelado uma viagem interessante.

Primeiro: procurar casa. Felizmente não foi tão difícil quanto temi, ao perceber que o mercado está uma autêntica selva. Tive sorte, talvez. Mas o facto é que, duas semanas depois de chegar, encontrei o Poiso.

Depois: mobilar e decorar. Já gastei o orçamento todo do Verão, vou andar a "penar" os próximos meses... mas está gira, a casa. É a minha casa.

E finalmente: a parte mais emocionante desta viagem. Desencaixotar. Tinha dezenas de caixotes e sacos e malas e pacotes... com coisas guardadas da minha casa de Sintra (a que larguei há quinze anos), mais as coisas que fui trazendo das viagens. Tem sido Natal quase todos os dias, por aqui. Cada caixote aberto, cada pacote revelado... é uma emoção. Tanta coisa que nem me lembrava que tinha. E tanta coisa para o lixo, admito. Mas, sem dúvida, tem sido uma verdadeira viagem... pelas viagens que fiz na última década-e-pouco.

Entretanto estou a finalizar o projecto do meu próximo livro - a seu tempo, conto aqui tudo. E também estou a organizar uma série de iniciativas com uma amiga minha, a começar pela conversa+jantar do próximosábado, em que vou partilhar algumas histórias da tal passagem pela Indonésia.

Parado é que não estou - nem quando estou a poisar. ;)

14/04/2017

EU TENHO DOIS AMORES

Sentado em frente ao computador, os dedos pousados no teclado, timidamente à procura das teclas certas, oiço do outro lado da rua os cânticos afinados de um coro de igreja a ensaiar para a Páscoa - aleluias e hossanas que me transportam para outras latitudes que não aquela onde me encontro.

A Indonésia é o quarto maior país do mundo, em população. Mais de duzentos e cinquenta milhões de habitantes - e oitenta-e-pouco por cento são muçulmanos.

Daí ser estranho o coro da igreja. Ou, pelo menos, aparentemente estranho.

E uso a palavra "aparentemente" porque estou em Flores, uma ilha com nome português que foi colonizada pelos nossos antepassados, há muito-muito tempo, e que reteve até hoje uma identidade muito própria. É uma espécie de Goa indonésia. Ou seja: entre outras coisas, a grande maioria da população é católica.

Mas como estamos na Indonésia, há sempre uma mesquita por perto. Pelo que, neste exacto momento em que escrevo sobre a identidade católica de Flores, com o céu iluminado de fogo ao fundo, começa a cantoria da mesquita, a chamar para a oração.

Allah-akhbars misturam-se com Aleluias e Hossanas - mas, ironicamente, não é só o ambiente em meu redor que parece dividido. Eu próprio me sinto um moderno Marco Paulo, trezentos e oitenta e quatro anos depois de um dos seus grandes sucessos, que levianamente adapto às circunstâncias:


Eu tenho dois amores

Que em muito são iguais

Mas não tenho a certeza

Em qual escrever mais

Pois.

Por um lado é o blog, que desde o Verão passado anda a "arrastar-se", primeiro porque andava muito concentrado no livro da Indochina, depois porque seguiu-se um período de extrema preguiça; e entretanto vieram os grupos e disponibilidade-zero.

E agora que, teoricamente, tenho mais tempo, meteu-se o novo livro. Sim: estou a preparar nova obra prima, quero muito tê-la pronta até ao Verão ;) e se já me custa dividir o tempo entre escrever e dar umas voltas a explorar a ilha... imagina só preparar as crónicas do blog, editar fotografias, etc. Um drama. ;)

A verdade é que tenho muito material. Seja da semana em Bali, no início do mês, como desta passagem por Flores, que está a ser inesquecível, muito acima das minhas expectativas - que já eram altas.

Mas eu quero mesmo adiantar o livro novo.

Assim sendo, e ao contrário do Marco Paulo, tomei uma decisão.

O blog fica "em águas de bacalhau", por enquanto. Vou concentrar-me, no tempo que tenho para escrever, no livro novo.

Quanto ao "fui dar uma volta", terá de esperar até meados de Maio, quando já estiver em Portugal, com mais tempo para me "desdobrar". Prometo que volto com novidades e faço o relato desta viagem à Indonésia, que está a ser verdadeiramente emocionante, com fotos e tudo a que tu, caríssimo leitor, tens direito.

Mas fica atento ao meu facebook - e ao instagram também. Aí continuo activo qb.

Uma santa Páscoa... e até já!

09/01/2017

NEVA EM ISTAMBUL

É o maior nevão da última década - diz quem sabe destas coisas.

Desde sexta à noite que praticamente não parou de nevar, em Istambul. As temperaturas baixaram para valores que me arrepio-só-de-imaginar, o vento forte só piora... e em algumas zonas da cidade a neve chegou aos 120cm de profundidade. Mais de um metro, sim!

Istambul está praticamente paralisada. Mais de mil voos foram cancelados no fim-de-semana e hoje. O Bósforo está fechado à navegação, por falta de visibilidade. As estradas, já normalmente caóticas, estão impossíveis, devido a centenas de acidentes provocados pelo piso escorregadio. As escolas decretaram feriado, hoje. Muitas empresas estão a funcionar a "meio gás". Só o Metropolitano é que parece fazer horas extra, estando aberto dia e noite, para aliviar o caos à superfície.

Mas nem tudo é mau.

Há quem se divirta a passear e a tirar fotografias na neve. Afinal, não é todos os dias que Istambul acorda assim:

AFP
 Ozan Kose/AFP
 AFP
 Chris McGrath/Getty Images
 Chris McGrath/Getty Images

Mert Akyol/Depo Photos
 Getty Images
 Getty Images
 AFP
 Chris McGrath/Getty Images
 AA Photo
 Yasin Akgul/AFP
 Chris McGrath/Getty Images
 Tolga Bozoglu/EPA





Getty Images
 Murad Sezer/Reuters
 Yasin Akgul/AFP
 Yasin Akgul/AFP
 Ozan Kose/AFP
 Chris McGrath/Getty Images

07/11/2016

HANÓI, VISTA DE CIMA

Fascinada pelos ritmos e rotinas de Hanói, a fotógrafa Loes Heerink dedicou-se, entre outros projectos, a fotografar as trabalhadoras migrantes que todos os dias caminham pelas ruas da capital vietnamita com as suas bicicletas carregadas de mercadoria.

Esta é uma imagem icónica da cidade, mas pouca gente vê mais do que um postal. A realidade que estas mulheres vivem, diariamente, é bastante dura. Vendem fruta, flores, peixe, acessórios de moda e alimentos vários. Fazem quilómetros e quilómetros a pé, todos os dias, para esvaziar as suas lojas ambulantes. E, no entanto, "não fazem ideia de como as suas bicicletas são lindas, nem imaginam que criam pequenas obras de arte todos os dias" - diz Loes no seu site.

Quando descobri as fotos que passo a partilhar - e que fazem parte de um novo livro que me parece muuuuito interessante -, apaixonei-me imediatamente por este projecto. Talvez porque me fez lembrar alguns clicks que fiz na Índia, logo na minha primeira passagem em 2003. Mas essencialmente porque são realmente boas fotos, que nos transportam para o colorido desta cidade que não pára quieta.

Aliás: quem teve de estar quieta foi Loes, que passou horas em cima de pontes para conseguir aquilo que vais ver de seguida. Ora diz-me lá se não é um trabalho louvável:










Já agora: o site original, onde podem conhecer mais algum do trabalho desta fotógrafa, é este.

05/11/2016

HANÓI AOS FINS-DE-SEMANA, VERSÃO 2016

Já estou em Hanói, em contagem decrescente para receber mais um grupo de viajantes da Nomad. Amanhã arranca a 27ª edição da Indochina - a primeira, desde que lancei o livro. E o entusiasmo pelas aventuras que se seguem é praticamente o mesmo de há sete anos atrás - o que é facilitado quando os lugares se reinventam, quando os ritmos se adaptam aos tempos e aos ventos.

Hoje de manhã saí bem cedo do hotel e fui, ainda o sol ia baixinho, correr à volta do lago Hoan Kiem. A temperatura estava perfeita, nem-muito-calor nem-muito-frio; e não fazia a humidade a que, de certa maneira, me habituei na Tailândia e no Myanmar. Resultado: corri mais quilómetros e mais depressa, voltei para casa com um sorriso de Rosa Mota em Seoul, 1988.

Ao chegar ao lago reparei logo que havia algumas barreiras nas ruas à volta, e até pensei "que boa ideia, cortar o trânsito de manhã, quando está toda a gente a fazer desporto". No entanto, só mais tarde (quando ao final da manhã fui comprar os bilhetes do grupo para o espectáculo dos tradicionais Fantoches na Água) é que me apercebi que afinal algo de "maior" estava a acontecer.

As ruas estavam vazias. Nem uma mota, muito menos um carro. Apenas algumas pessoas a passear, muitas delas pelo alcatrão... "o que será que se está a passar aqui?", perguntei-me.







Só quando abordei um grupo de raparigas é que fiquei esclarecido. Ao que parece, desde Setembro que a cidade decidiu fechar ao trânsito, aos fins-de-semana, toda a área em redor do lago. Ou seja: das 19:00 de sexta à meia noite de domingo, a cidade é das pessoas.

Que espectáculo, esta nova Hanói!

E ainda por cima num sábado de sol como o de hoje: as famílias em peso na rua, grupos de amigos em pateta cusquice, turistas a tirar fotografias. Por todo o lado animação. Jogos tradicionais para os mais jovens reviverem a sua própria cultura; artistas locais a fazer valer os seus talentos; bandas de música a tocar na estrada; palhaços a oferecer balões; workshops disto-e-daquilo; muita música e sorrisos. Não podia estar melhor do que aqui, hoje. Que colorida volta, depois do preto-e-branco de Bangkok - que ainda está de luto.

Não resisto a partilhar alguns registos. Mas antes disso, deixo então esta dica importantíssima e ainda muito fresca: se estiveres a planear visitar Hanói, faz pontaria para o fim-de-semana. Não te vais arrepender!