quarta-feira, 23 de Julho de 2014

ALMOCINHO

Logo no primeiro dia em Battambang fui ao mercado central almoçar. Comi uns bifinhos com arroz acompanhados por uma sopa khmer... tão bons que voltei no segundo dia. E só não repeti terceira vez porque achei um bocadinho "demais" e acabei por experimentar um novo restaurante mesmo ao lado do mercado, novíssimo em folha, fui o primeiro cliente e até tive direito a fotografia. ;)


BOM DIA (SÓ PORQUE SIM)

O click de hoje é assim: só porque sim. Só porque o tenho aqui pronto há uns dias mas nunca se justifica. Faz sempre mais sentido pôr este ou aquele.

Mas de hoje não passa.

Hoje este monge é estrela - e finalmente!, porque ninguém me convence que o senhor estava aqui só porque sim, por acaso, porque calhou. Tenho a certeza (melhor: a convicção) que este monge se posicionou neste lugar (durante horas, note-se) só para aparecer nas fotografias. E ainda bem, se o faz feliz. Porque os turistas (eu inclusive) agradecem a fotogenia.

Ora reparem:


terça-feira, 22 de Julho de 2014

QUEM QUER VIR DAR UMA VOLTA NO BAMBOO TRAIN?

Há muito-muito tempo, quando o mundo era a preto-e-branco e os CDs eram grandes e pretos, uns senhores de nariz grande e pele clara mandaram construir no Cambodja uma coisa chamada "chemins de fer".

Durante muitos anos, os comboios eram uma parte integrante da paisagem do país. Quando o regime de Pol Pot tomou as rédeas do país, utilizou carruagens para transportar pessoas e mercadorias para os campos, longe das cidades. Mas sem manutenção, as linhas ficaram muito mal tratadas e aos poucos foram sendo abandonadas.

Não tenho a certeza quando circulou o último comboio "a sério" no Cambodja - provavelmente há menos de dez anos, pois tenho amigos que ainda o utilizaram, e eu próprio estava convencido que ainda havia um muito lento "serviço" entre Battambang e Phnom Penh. Mas já não há. Os comboios entraram em extinção no Cambodja.

Ou quase.

Nos anos 90, algumas ideias aproveitaram os carris que uniam umas e outras para facilitar o transporte de produtos agrícolas, gado e pessoas. As estradas eram más, o acesso a transportes públicos muito fraco - e os velhos carris acabaram por ser aproveitados. Construiram uma espécie de jangadas, em bambu, e montaram-nos sobre antigos rodados. Nasceu o bamboo train.

À medida que o turismo crescia on Cambodja, o bamboo train ficou também mais famoso. Hoje em dia, apesar de ser ainda visitado por poucos, foi quase abandonado pelos locais - e tornou-se numa das principais atracções turísticas de Battambang.

Eu já queria vir aqui há algum tempo - e as notícias de uma possível reabilitação da linha, para uma futura ligação de Saigão à Tailândia, atravessando todo o Cambodja, ainda me incentivaram mais a vir. É que este comboio novo for mesmo feito, acaba-se o bamboo train. É aproveitar enquanto ainda há.

Confesso que, apesar de tudo - apesar do desvio significativo para experimentar isto -, não tinha grandes expectativas. Mas gostei. Demora apenas meia hora, ida e volta... mas é uma experiência original.

À chegada, havia já algumas "jangadas" prontas a sair. O meu driver explicou-me que até há pouco tempo não havia almofadas, e os turistas viajavam com os locais que iam de aldeia em aldeia. Como já não há quem use este serviço - ou serão poucos, pois as estradas são boas e as possibilidades de transporte muitas -, agora o bamboo train é mais confortável, foi "embelezado" para o estrangeiro... e é mais caro.

São dez dólares por carruagem, vão-quantos-forem.


Olha eu, pronto para sair:


Vamos lá então!



O senhor condutor aproveita para, com a sua catana, ir aparando a floresta à volta. Há que fazer a manutenção da linha :)



O motor que permite que nos movimentemos a velocidades loucas:


E quando se chega ao final da linha, ou quando nos cruzamos com "jangadas" a viajar na direcção oposta, há que retirar o comboio da linha para que os outros passem.

Genial:

BOM DIA (SOBRE CARRIS)

Bom dia, alegria!

Hoje vamos dar uma volta num comboio especial. Estão prontos? ;)


segunda-feira, 21 de Julho de 2014

BUS PARA BATTAMBANG

Eu já partilhei aqui o final do último dia: milhares de morcegos a voar no céu que escurecia. Já partilhei alguns dos petiscos que me conquistaram. Hoje até fiz um "apanhado", instagram style.

Ainda me falta mostrar as fotos do bamboo train, quem sabe deste ou daquele templo... e falta-me descrever o ambiente do autocarro em que viajei, durante quatro horas, entre Siem Reap e Battambang.

A ordem está toda trocada, este devia ter sido o primeiro post, e devia acabar com os morcegos. Mas o que é o tempo, afinal, senão uma misturada louca de experiências e estímulos, de reacções e decisões, de encontros e imprevistos.

Quero lá saber se este veio primeiro que aquele. Desde que faça sentido.

Assim sendo: passo a partilhar um momento anterior àqueles que o precedem neste blog.

Comprei o bilhete para Battambang na tarde anterior à viagem, não fosse esgotar, para ter a certeza que tinha lugar no autocarro. Eu sabia lá se ia cheio ou não. Just in case. E na manhã seguinte lá fiz checkout do hotel, pedi-lhes para me guardarem a mochila grande durante alguns dias e lá fui. Primeiro para o office, mesmo ao pé do Old Market; esperei dez minutos e lá apareceu uma minivan a cair de podre, quase tão antiga quanto as ruínas de Angkor, já deve ter umas boas histórias para contar.

Sentei-me com um casal de cambodjanos em lua-de-mel, mais um pai e um filho, uma velhota e os seus sacos de plástico. Na estação dos autocarros pediram-me para esperar mais um pouco e sentei-me a beber um café (com leite condensado e muito gelo, nem é costume preocupar-me muito com estas questões mas desta vez vi de onde a senhora tirou o gelo... e confesso que tive dúvidas em beber o café).

Fizeram-me sinal para entrar e sentei-me no lugar que vinha marcado no bilhete. O motorista convidou-me a ocupar um dos lugares de frente, mas agradeci e deixei-me ficar onde era suposto. No entanto, ainda nem tínhamos saído e acabei por mudar de lugar.

Porquê?

Porque sentado mesmo atrás de mim vinha uma criança rechonchudinha toda divertida, que achou imensa piada ao estrangeiro sentado à frente e começou a dar-lhe uns toques com o indicador no ombro.

Virei-me para trás a sorrir, na primeira vez.

"Hallo", disse-me o pequenito khmer.

"Hallo", respondi.

E virei-me outra vez para a frente.

Uns segundos depois: novo toque. Virei-me para trás, a sorrir mas já com cara de páras-quietinho-se-faz-favor.

"Hallo", disse-me o roliço mogli.

"Bye bye", respondi.

E virei-me para a frente.

Novo toque. Isto não pode estar a acontecer. E antes que me virasse para trás a deitar fumo pelas narinas e ouvidos, ele antecipou-se e disparou um bye bye. Aparentemente era indiferente eu reagir, por isso aproveitei a dica e decidi fingir que não tinha reparado. Continuei a olhar pela janela. Ele há-de desistir.

"Bye bye", mais uma vez.

Não me mexi.

"Bye bye. Hallo. Bye bye."

Respira fundo, Jorge.

"Hallo. Hallo. Bye bye. Hallo."

Levantei-me. É só uma criança, Jorge. Aceitei a proposta do motorista e mudei-me para um dos lugares da frente.

O autocarro acabou por sair antes da hora marcada. Em câmara lenta. A passo de caracol, a pisar ovos, passo-ante-passo porque devagar se vai longe, grão a grão e mais-não-sei-quê. Que seca. Apanhávamos pessoas e mercadoria, encostávamos à espera sabe-se lá do quê, era como se estivesse trânsito... mas quase não havia carros à nossa volta.

Felizmente, assim que saímos de Siem Reap, o mundo começou a andar para trás, do lado de fora da janela. Avançámos Cambodja fora, primeiro por uma estrada que conheço bem - a estrada para Poipet, na fronteira com a Tailândia - mas a meio virámos "para dentro" e lá fomos desbravando novas geografias, quais Vascos-da-Gama na sua caravela de quatro rodas, a apitar a quem passa, a quem se cruza, a quem está parado na estrada. E quanto mais nos aproximávamos do destino final, mais o motorista apitava.

Mal saímos de Siem Reap ligaram a televisão instalada no início do corredor, mesmo à minha frente. Primeiro passaram uns telediscos cambodjanos, com legendas em khmer para se cantar karaoke. Felizmente não havia artistas no autocarro. Os videos eram uma espécie de telenovela misturada com "malucos do riso", com muitas cenas filmadas em fast forward, os maus a levarem com coisas na cabeça e a entortarem os olhos, muitos trambolhões e trolitadas - e pelo meio algum romance e drama entre o herói e a sua donzela.

Entretanto entrou um casal com um bebé, sentaram-se mesmo atrás de mim. Estava escrito no meu destino, só pode ser. Não era o redondinho a dar-me toques no ombro, passa a ser a criancinha a guinchar aos meus ouvidos. Bem coladinho a mim.

Ainda saquei dos phones, coloquei-os nos ouvidos com a música no máximo, e não estou a falar de um Bon Iver, Mayra Andrade ou Jose Gonzalez... pus a tocar Black Keys, Arcade Fire e outros sons que conseguissem anular o choro do bebé.

Mas sem sucesso. Ele era pior do aqueles vocalistas das bandas de hard rock dos anos setenta, com vozes fininhas e cabelos compridos. Era um bebé death metal, vindo do Inferno, com um choro daqueles que racha vidros e afugenta animais, que provoca acidentes e faz com que as pessoas arranquem os próprios cabelos, de horror.

Não estou a brincar.

E sim: mesmo aos meus ouvidos.

A meio da viagem parou o autocarro e parou o choro demoníaco. Saí para respirar ar puro e sorri com o som harmonioso das motas que passavam, das vendedoras a tentar impingir-me os seus produtos. Comprei um kralan, aquele bambu recheado com arroz e coco de que já falei na semana passada.

Quando retomámos a viagem, vá-se lá entender porquê mas não me interessam as razões, a criança não voltou a chorar. Na televisão passava um filme do Jackie Chan, tão velho que cheirava a mofo, as cores desbotadas e as roupas fora de moda. Já o Jackie Chan: fresco que nem uma alface, saltos e pancadaria, palhaçadas e caretas, o costume. Dobrado para khmer ainda soava pior, com umas vozes estridentes que pareciam desenhos animados. Só rir.

Ou seja: soube bem chegar a Battambang, no meio de um batalhão de drivers de tuktuk aos gritos com promoções e tours e nomes de hotéis. Algures entre a confusão, o meu nome escrito numa folha de papel. E lá vou eu.

INSTABATTAMBANG

Que palavra comprida, a do título. Mas resume, de uma forma colorida, três dias passados na segunda maior cidade do Cambodja.

Battambang tem um sorriso sofrido, mas verdadeiro. Tem os motivos certos para ser uma boa surpresa: motivos para fotografar, motivos para ficar de água na boca, motivos para sorrir, para dizer uau e para chegar a casa com a sensação de um dia bem aproveitado.

Do bamboo train aos morcegos às seis da tarde, de macacos nos templos budistas às pedras que conheço bem do Império Khmer, das atrocidades do regime de Pol Pot a passeios de tuktuk pelo campo... este desvio valeu a pena, muito mais do que estava à espera.

Fica um primeiro resumo em formato instagram - daqui a nada já conversamos mais em pormenor:













BOM DIA & TOCA A ANDAR

Estou a ultimar fotos e palavras... e daqui a nada voltamos às nossas voltas.

Bom dia e boa semana.


AMANHÃ

Voltamos às voltas, amanhã?

sexta-feira, 18 de Julho de 2014

DE LUTO

Estou aqui a tentar arrancar com este post e é um constante escreve-apaga. Não sei o que dizer. Quero dizer: sei o que quero dizer, mas não sei bem como.

Mas que merda vem a ser esta?!

Um avião comercial com quase 300 pessoas a bordo... abatido por um míssil? Mas isto acontece?! Que mundo é este - e eu sei que vê-se de tudo, hoje em dia - mas isto?!

Cheguei a Portugal ontem a meio da manhã, vindo de Kuala Lumpur, via Istambul. Depois de assistir a dois filmes, comer uma pasta com beringela e tomate, mais uma limonada com menta a acompanhar - estava literalmente a-cair-para-o-lado. Antes de me deitar (tinha dois lugares para mim, que sorte num voo quase cheio) lembro-me de olhar uma última vez para o mapa com a rota do voo. Estávamos a sobrevoar a Índia, algures entre Bangalore e Hyderabad.

Adormeci.

E quando voltei a acordar, sabe-se lá quanto tempo depois, não reparei; mas olhei de novo para o mapa e estávamos algures entre Bagdad e Teerão. E sem qualquer drama, lembro-me de pensar qualquer coisa do género "olha só onde estamos agora".

Chegar a Lisboa, depois de 30 horas em 3 aviões - e assistir ao macabro desenrolar das notícias, ao horror do que aconteceu àquele voo malaio. Ainda por cima malaio, como se não bastasse o que já lhes aconteceu este ano. Inacreditável. Que mundo este. Que gente esta.

Tanto a passar-me pela cabeça. Mas não consigo escrever mais nada.

Hoje este blog está de luto.

:(

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

HOJE COMEÇO PELO FIM

De todas as pequenas surpresas que fizeram do passeio a Battambang uma inesperada aventura, começo por partilhar a última.

Confesso que quando fui para Battambang, a minha única expectativa prendia-se com o passeio no chamado bamboo train. Não fazia ideia se havia ou não templos ou ruínas - ou quaisquer outro tipo de actividades. Nem pensei nisso. Tinha uns dias livres, queria explorar um bocadinho mais do Cambodja - e fui.

Fui dar uma volta a Battambang.

E chega de suspense. Ao final do terceiro dia o meu tuktuk levou-me a uma "montanha" em forma de barco, com grutas e templos no topo, histórias arrepiantes do tempo do Pol Pot, macacos atrevidos e monges tímidos. E uma gruta de onde, segundo o meu driver, "às seis da tarde saem milhares de morcegos".

Fizemos a "voltinha saloia" da montanha, primeiro numa mota até ao topo, a três com um driver local, só rir. Visitámos cavernas para onde os khmer vermelhos atiravam as suas vítimas. Partilhámos histórias e curiosidades dos templos budistas ali presentes. E, no final, descemos pelas escadas até à base da "montanha", onde o tuktuk estava estacionado.

"Depressa," dizia-me o driver enquanto descíamos as escadas, "porque às seis os morcegos saem".

Eu ri-me:

"Mas às seis... seis em ponto? Os morcegos têm relógio? Não pode ser às seis e cinco, ou seis e oito, ou mesmo antes das seis, tipo às cinco e cinquenta e um?"

"Às seis em ponto," garantiu-me.

Descemos até à estrada, estavam uns trinta turistas com os respectivos guias e drivers, sentados nos muros e nos terrenos à volta, todos a olhar para a tal gruta na ravina em frente.

"Cinco e cinquenta e três," avisou-me o meu driver, "já só faltam sete minutos."

Eu só me ria com a precisão. Como se os morcegos soubessem as horas. E logo às seis da tarde, sharp.

"Cinco e cinquenta e seis," disse-me pouco depois.

"Estás mesmo confiante que vai ser às seis em ponto."

"Cinco e cinquenta e oito. Dois minutos."

Eu estava preparado para esperar o que fosse preciso. Algo me dizia que os morcegos não iam sair às seis em ponto. Olhei para a entrada da gruta, como toda a gente. Do escuro vinha um som de guinchos e cliques. Pouco depois vi um morcego - um! - a sair e a voar no céu cinzento.

"Olha ali um!", apontei a rir.

"Falta um minuto," foi a resposta.

E de repente, como se tivesse tocado um despertador dentro da gruta, começaram a sair os morcegos. Inacreditável. Faziam uma espécie de fila, primeiro algumas dezenas, depois foram aumentando o volume e de repente criaram uma espécie de cordão umbilical que saía daquele ventre escuro para o infinito do céu. Milhares, ou dezenas de milhares, ou centenas de milhares. Nunca vi nada assim.

E posso garantir que as fotos não fazem justiça ao momento - mas é o que temos ;)







BOM DIA, LISBOA

Siem Reap. Kuala Lumpur. Istambul. Lisboa.

Mais de 30 horas de viagem, muito poucas a dormir. Estou com os sentidos enxovalhados, as emoções ainda descoordenadas, a geografia meio-desfocada. Já cheguei a Lisboa mas ainda estou no Cambodja, pelo menos uma parte de mim. Uma boa parte, acho.

Aproveitei para no avião ir editando umas fotografias, encontrei esta em Battambang que ganhou logo estatuto de click do dia.

Já falamos :)


quarta-feira, 16 de Julho de 2014

ODEIO DESPEDIDAS

"Prometo que volto, Cambodja! A próxima Indochina é já em Novembro!"


BOM DIA, ANGKOR!

Hoje o dia começou assim:

Mas foi uma volta rápida, voltei para o hotel ao fim da manhã e fiz as malas, almocei, passei no mercado para umas compras de última hora... e aqui estou, no aeroporto, dez dias depois de aterrar no Cambodja, prestes a iniciar o regresso a Portugal.

Até já! :)

terça-feira, 15 de Julho de 2014

COITADINHA DA APSARA

Apsara... devata... o debate há-de perseguir-me. Para ser sincero acho que, neste caso em particular, o nome mais correcto até seria devata. Mas vai dar ao mesmo.

Aliás, esta apsara/devata até tem mais com que se preocupar do que o nome porque é chamada. Coitada, foi esculpida em duas rochas diferentes que a dividem ao meio - e agora que esta parede está aos poucos a desmoronar-se, ficou assim: dividida.

É o que se pode chamar uma devata "indecisa".


SOK SABAI!*

*Bom dia, em khmer.

Esta semana no Cambodja tem sido uma saudável correria.

Estive uns dias em Battambang, estreia absoluta e que boa surpresa, é a segunda cidade do país mas quase nem se dá por isso. Fui experimentar o bamboo train antes que acabe, fui ver mais templos e mais pedra e mais História, como eu gosto; e até tive direito a ver um daqueles fenómenos à National Geographic, milhões de morcegos a voar, que momento bonito.

Em Siem Reap tenho aproveitado para "estudar" uma matéria que tanto gosto: Angkor e o Império Khmer. Fui dar uma volta a Koh Ker, a 120km daqui, e conheci uma das antigas capitais do reino e alguns templos fabulosos, sem qualquer turista à volta, este país tem tanto para conhecer. Muito, muito interessante! Também andei a ver o "lado B" de alguns templos que já conhecia, aproveitei para os rever com olhos novos, outras perspectivas - e ontem até fui de bicicleta perder-me sabe-se lá por onde, "apanhei uma molha" descomunal mas valeu a pena, que dia intenso, que boas descobertas.

Hoje vou explorar mais templos, depois conversamos. ;)

Quanto ao click do dia, foi feito em Koh Ker, a tal antiga capital do Império:

domingo, 13 de Julho de 2014

BOM DIA, BOLA!

Hoje é dia de bola, e apesar de já ter onze anos e ter sido feito na Índia, o click do dia respeita o tema :)


PORTUGAL NO CORAÇÃO?

Há fãs assim: não despem a camisola só por esta ou aquela derrota, ou porque a selecção foi eliminada do Mundial antes do desejado. Não dizem "nós" quando ganhamos e "eles" quando perdemos. Fãs que celebram a sua equipa diariamente, homenageando-a como embaixadores do dia-a-dia. Fãs cujo coração bate ao ritmo das fintas do Cristiano. Que se arrepiam quando ouvem o hino. Que sofrem com cada golo, marcado e sofrido, que gritam e choram e riem e cantam.

"Posso tirar-lhe uma fotografia?", perguntou-lhe hoje um turista com um ar meio alucinado, que veio em passo apressado pelo mercado fora, apesar da chuva.

Ele sorriu e disse que sim, sem perceber porquê. O turista fez o que tinha a fazer, depois apontou para o logo da t-shirt e disse "Portugal". Sorriu e mostrou-lhe o polegar. E ele pôs a mota a funcionar e seguiu a sua vida, "há com cada maluco".

Fãs destes. Não há muitos - mas que os há, há.

Já a Alemanha, se fãs de ocasião e t-shirts vendidas decidissem campeonatos, já era Campeã do Mundo. É a loucura, aqui no Cambodja. De repente só se vê Mullers, Kloses e Ozils. Pode ser que dê sorte, hoje à noite, espero bem que sim.

E por falar na final deste santo domingo futebolístico... será que os Papas combinaram ver o jogo juntos? Será que levam cachecóis e insultam o árbitro?

Desculpa lá, Francisco... entre os dois, és de longe o meu preferido, mas hoje ficava mais feliz se o Bento fosse mais feliz.

sábado, 12 de Julho de 2014

SAI UM KRALAN QUENTINHO!

Como se não bastasse o mangostão e o rambutan, agora deu-me para comer kralan todos os dias.

E o que é kralan, pergunta o ávido leitor?

Kralan é um petisco tradicional khmer (ou seja: do Cambodja), feito de arroz, coco e feijões pretos... todos muito aconchegadinhos dentro de uma cana de bambu. Tem adaptações na Tailândia, Malásia e Laos, entre outros países - mas dizem os entendidos que o melhor é mesmo o do Cambodja. Eu cá não sei, nunca tinha experimentado até esta semana. Tanto tempo desperdiçado, hem?

Ou seja: ando a ver se recupero todos os kralans que desperdicei, ao longo dos últimos anos ;)

Mas vamos ao que interessa: algumas imagens, como se faz... e como se come.

Em primeiro lugar, é preciso encontrar uma senhora sentada à beira da estrada, a cortar canas de bambu no formato tradicional. Ok, também pode ser só uma senhora a vender o kralan já feito... mas se conseguirem encontrar quem o esteja a fazer, melhor ainda.


Depois de cortar o bambu, a senhora enche-os com a mistura de ingredientes que já mencionei uns parágrafos acima, faz uma espécie de rolha com folhas e tapa tudo muito bem tapadinho.

Vai ao fogo, então. Diz que antigamente se fazia debaixo do chão, numa espécie de forno - mas demora muito tempo, e hoje em dia essa técnica quase desapareceu e deu lugar a uma simples fogueira.

Vai ao fogo, portanto. Devagarinho, com calma e muita paciência, até ao bambu ficar ligeiramente queimado.

Claro que o cliente não tem de esperar por este processo. Basta comprar um dos kralans já prontos... ou dois, ou três, ou os que quiser. Normalmente custam mil riels - mais ou menos vinte cêntimos! - mas em Siem Riep já vi à venda pelo dobro, e até mais.



E depois, para comer, basta tirar a "rolha" e abrir o bambu como se fosse uma banana muito dura. Depois é tirar o arroz, que vem todo pegajoso... mas delicioso :)