26/01/2015

ANGKOR WAT X3

Olha só quem está de volta a Angkor!

Pois é: passaram quatro dias desde o último post (ainda a bordo do Reunification Express) e de repente eis que já estamos em Siem Reap, com Angkor Wat à vista.

Depois de um dia intenso (e uma noite até às tantas) em Saigão; depois de uma longa viagem de autocarro até Phnom Penh e mais um dia inteiro na capital cambodjana... hoje lá embarcámos de manhãzinha no barco que sobe o Tonle Sap - e aqui estamos.

Mesmo a tempo de dar uma primeira "espreitadela" a Angkor Wat.

Nós e mais alguns chineses ;)

A ver se hoje ponho em dia algumas das peripécias mais recentes.

Até já!

Mais sobre esta aventura em:
http://www.nomad.pt/indochina-com-jorge-vassallo

22/01/2015

20 HORAS

Pouca-terra, pouca-terra...

Estamos a caminho de Saigão, a última morada vietnamita desta viagem pela Indochina (depois vem o Cambodja).

Vinte horas sobre carris. Pode parecer muito, mas a verdade é que passa a correr. Entre conversa e piqueniques, leituras e sestas, sessões de fotos e gargalhadas, ou momentos em que pura e simplesmente deixamos o olhar perder-se na paisagem que passa... passa a correr.

Depois do colorido caos de Hanoi, da pacata Ninh Binh e da clássica Hué (clássica até nas músicas cantadas no karaoke de ontem à noite), espera-nos então a eterna Saigão/Saigon, essa com "um céu de luz neon, seu brilho silencia todo som".

Fica então um click de moi meme em Saigão, enquanto não chegamos lá:

Mais sobre esta viagem em:
http://www.nomad.pt/indochina-com-jorge-vassallo

21/01/2015

SABIA QUE... #33

...Charlie Chaplin viajou pela Indochina há quase oitenta anos?

Hoje fiquei a saber que Charlie Chaplin passou por Hué, na viagem de cinco meses que fez pelo Extremo Oriente em 1936. Eu nem fazia ideia que o famoso actor alguma vez tivesse estado por estas bandas. Mas fiquei curioso e fui tentar saber mais.

Ao que parece, em Março de 1936 Chaplin viajou até ao Havai, de onde seguiu para Xangai e Singapura. Ter-se-á casado aqui - em segredo - com Paulette Goddard e depois prosseguiram os dois viagem, com a mãe da actriz e um mordomo, para as ilhas de Bali e Java. Voltaram para Singapura e continuaram até Saigão e Phnom Penh, onde foram recebidos pelo rei Sisowath Monivong.

Visitaram Angkor e Siem Reap - Chaplin chegou inclusivamente a anunciar que ia fazer "campanha" nos Estados Unidos para que as pessoas ficassem a saber dos maravilhosos templos que tinha conhecido -; e pouco depois regressaram para Saigão, de onde arrancaram para a fase final desta viagem, "subindo" o Vietname por Dalat, Hué e Hanói.

E esta, hem?!

19/01/2015

5 EUROS

Uns rolinhos vegetarianos para abrir as hostilidades, e depois:

- porco panado em sementes de sésamo;
- galinha com erva-príncipe, chili e caramelo;
- camarão e lulas com molho de maracujá;
- beringelas com alho e mel;

tudo acompanhado de arroz branco e cerveja fresca.

O restaurante: Little Hanoi.

Fica bem no centro "boémio" da capital vietnamita, na rua que eu apelido normalmente de "Bairro Alto" de Hanói. Não confundir com uma mão cheia de imitações, espalhadas pela cidade.

Cinco euros. Gorjeta incluída. Parece impossível.

Saímos a rebolar, a sorrir, a fazer juras de amor ao restaurante e à cidade.

http://www.nomad.pt/indochina-com-jorge-vassallo

COMEÇA BEM

"Olhe, se faz favor... eu queria imirgar."

"Irmigar."

"Imrigar."

"Esqueça lá isso e volte para o lugar de onde veio, se faz favor."

Começa bem, este novo aeroporto. Muito moderno, muito limpo e muito Sei Lá o Quê... e depois é disto.

OLHÓ AEROPORTO FRESQUINHO!

E a auto-estrada. E a ponte. E a Indochina, que a partir de agora tem vinte dias em vez de dezoito!

Ano novo, vida nova - não é assim?

Cheguei a Hanói no sábado de manhã e aterrei num aeroporto novinho em folha, estreado há duas semanas por ocasião da passagem de ano. Lojas ainda por abrir, serviços a meio-gaz, mas tudo impecável e a brilhar. Hanói tem finalmente um aeroporto "a sério".

Claro que isso implica algumas adaptações estratégicas, a nível da viagem que organizo com a Nomad. Mas a vida é feita de adaptações. E se assim não fosse, que chatice.

Meti-me num táxi para o centro e estranhei logo o facto de, ao entrarmos na via rápida, ter virado para a esquerda em vez de ir pela direita.

"Olha lá, amigo... para onde é que vamos?"

"Vamos para Hanói."

"Hanói é para aquele lado", apontando para o carro que seguia atrás de nós.

Ele sorriu e explicou-me que havia uma nova auto-estrada, inaugurada ao mesmo tempo que o aeroporto - e que agora a viagem até Hanói demorava metade do tempo.

E assim foi. Trinta minutos depois estava no Bairro Antigo, quase-quase a chegar ao meu hotel. A estrada impecável, a nova ponte que me lembro de ver em construção há uns bons anos estava finalmente operacional. Tudo novo. Tudo impecável.

Ontem chegaram as dez pessoas que me vão acompanhar nos próximos vinte dias.

Sim: vinte. A Indochina cresceu.

O percurso é o clássico, repito-o pela vigésima segunda vez com a frescura de quem ainda só aqui veio três ou quatro. Adoro.

Já comemos bun cha, passeámos pelo Bairro Antigo, experimentámos cerveja artesanal logo às onze da manhã... é a Indochina como deve ser.

18/01/2015

INSTACATORZE

Parece uma palavra estranha, assim de repente. Mas o título deste post assume na perfeição o espírito do seu conteúdo: um resumo do meu dois-mil-e-catorze, a partir de algumas das fotos que publiquei no Instagram.

Das voltas pela Indochina, Transiberiano e Birmânia, até às estreias no Egipto, Hong Kong e Macau; passando pelos dias passados em Portugal e Turquia... se não contarmos com as experiências na Tailândia (que apesar de terem marcado o meu ano não tiveram grande peso naquilo que publiquei no Instagram), está aqui o meu Catorze.

Instagramado, portanto:






























Se ainda não conhece o meu perfil de instagram, faça o favor de dar uma espreitadela:
http://instagram.com/fuidarumavolta

17/01/2015

QUENTE & FRIO

Li recentemente que o Catorze foi o ano mais quente de sempre, a nível global. Pelo menos desde 1891, ano em que se começaram a registar as temperaturas.

Nem é de admirar, todo este calor, se tivermos em conta a quantidade de lugares on fire, este ano: a Ucrânia e as movimentações russas, ou pró-russas, como lhes preferirem chamar. O povo nas ruas de Ferguson, nas ruas de Hong Kong, nas ruas de Bangkok. Estudantes a desaparecer no México, na Nigéria, em Gaza - e no Meco. Atentados no Paquistão, no Iémen, Afeganistão, Caxemira - e no Canadá.

Foi um ano quente, sem dúvida. A ferver.

Em Israel, por exemplo: aqueceu tanto que foi-o-que-se-viu. Mas naquelas bandas, para ser-o-que-se-vê, nem é preciso aquecer muito, tenho que dizer. Ali, qualquer coisa serve de desculpa. Que nojo.

Mas onde esteve (onde está) mesmo quente, abrasador, fervilhante: é na Síria e no Iraque. Aqui na Mesopotâmia, onde Tudo começou, onde Tudo mais parece estar a acabar. Os filhos-da-puta do Estado Islâmico, desculpem-me o latim mas fico sempre um tanto-ou-quanto descontrolado, só de pensar nestas bestas. Como é que aparecem assim quase-do-nada, há um ano ninguém sabia quem eram, agora são os vilões principais da fita. Junte-se o Boko Haram e a Al Qaeda, mais os sonsos do costume... isto não está a ferver, isto está é já tudo queimado. Este mundo: o nosso.

Mas nem só de calor se fez este ano Catorze.

Levámos com alguns baldes de água fria - diria mesmo gelada. E não estou a falar dos desafios dos baldes, um dos fenómenos do ano, a par da campanha para trazerem de volta as nossas meninas, ou aquela de que somos todos macacos. Falo por exemplo dos voos da Malaysia Airlines, um desaparecido sem deixar rasto, o outro abatido em céus europeus. Que vem a ser isto? Foi de gelar o sangue, quando aconteceu. Mais o outro da AirAsia, já no cair do pano deste ano.

Arrepiámo-nos ao saber dos mineiros turcos encurralados nas profundezas, e do ferry coreano com centenas de estudantes lá dentro, mais o filho do realizador americano que saiu à rua para matar não-sei-quantos. E com as cheias em Marrocos, na Malásia, na Índia e no Nepal; mais um tremor de terra na China a matar uma-data-deles; o maluco que fez não-sei-quantos reféns num café de Sydney. E o vulcão na Ilha do Fogo.

O sangue gelou quando ouvimos falar das oito crianças esfaqueadas pela própria mãe. E das pessoas que morreram espezinhadas em Xangai, na passagem-de-ano. E quando mais um ferry afundou no Bangladesh. E sempre que se ouve falar de violações - seja na Índia, ou em qualquer lado do mundo.

E porque este post trata do dark side de dois-mil-e-Catorze, não podia deixar de mencionar o Ébola - sinto arrepios só de pensar nas estatísticas, na paisagem, nas consequências. Que triste.

E os barcos cheios de emigrantes ilegais, a afundar aqui-e-ali. Que mundo frio, este - o nosso. Nem quero imaginar as variações térmicas que nos reserva o ano Quinze.

A começar como começou...

:(

16/01/2015

ESTÁ-SE BEM

Está-se bem em Kuala Lumpur, já na recta final para a Indochina que arranca este fim-de-semana.

Nem sequer me tenho mexido muito, confesso. O meu raio de acção, nestes dias entre as férias de Bali e a viagem da Nomad que se segue, nem sequer chega à Bukit Bintang, que fica a uns cinco minutos a pé daqui.

Tenho ficado a maior parte do tempo no quarto: a despachar algum trabalho, a escrever, a pôr ideias em ordem, a ler. Só saio para almoçar. Para fumar um cigarro. E ao jantar encontro-me com os amigos de cá e então aventuro-me um bocadinho mais longe. Há dois dias fui a um bar no 57º andar da Torre 3 das Petronas. Nada mau.

Está-se bem em Kuala Lumpur, portanto.

Estava-se melhor em Bali, é verdade. Mas não se está nada mal aqui.

Enfim: e porque amanhã já estarei em Hanói para receber o próximo grupo da Indochina, e assim começar um capítulo novo deste ano Quinze, o click de hoje recupera o último pôr-do-sol das férias indonésias. Estava-se bem em Seminiak (apesar de ser uma das praias mais sujas que já vi), ao fim da tarde:

Um bom dia a todos, portanto. Hoje ainda vou andar às voltas com o ano Catorze, aqui no blog. Depois dos Números e dos Sorrisos, hoje mudo o registo e vou falar-vos dos Baldes de Água Fria dos últimos doze meses.

Mas cada coisa a seu tempo. Até já.

15/01/2015

HAPPY

Clap along if you feel
like a room without a roof
(because I'm happy)

Clap along if you feel
like happiness is the truth
(because I'm happy)

Enjoos à parte, há que reconhecer que esta música de Pharrell Williams tem um grande mérito. Não só foi o maior hit do ano Catorze, como deu azo a muita discussão na internet e... it might seem crazy what I'm about to say, mas acabou por transformar-se numa espécie de hino ao Optimismo.

E porque eu próprio sou um Optimista, vamos lá continuar com o balanço do ano Catorze numa perspectiva Feliz. Depois de um post feito de números, neste brilham sorrisos.

O de Carmos do Carmo, que ganhou um Grammy pela sua extraordinária carreira. O sorriso dos senhores que fazem o Dow's Vintage, considerado o melhor vinho do Mundo pela prestigiada Wine Spectator. E o sorriso de todos os alentejanos, quando a UNESCO anunciou que o cante alentejano é Património Imaterial da Humanidade.

O sorriso (e as lágrimas de felicidade) de Cristiano Ronaldo, que há um ano foi eleito pela segunda vez o melhor jogador de futebol do Mundo. Fartou-se de marcar golos o ano inteiro, e ainda inaugurou uma estátua sua no Funchal. E esta semana foi o que foi. Mas isso já e ano Quinze.

O sorriso do Vasco Ribeiro, que se sagrou Campeão Mundial de Surf, em juniores. E da Teresa Almeida, campeã mundial de bodyboard.

Os sorrisos de Conchita Wurst, que ganhou a Eurovisão; da Merkel, que viu a sua selecção a ganhar o Mundial de Futebol; de Malala, que recebeu o Nobel da Paz com o outro senhor indiano cujo nome agora não me lembro; dos adeptos do Real Madrid, o clube vencedor da Liga dos Campeões (final disputada em Lisboa); dos Daft Punk, que levaram para casa quatro Grammy; dos benfiquistas, que ganharam quase tudo o que havia para ganhar; do William e da Kate, que anunciaram estar à espera de mais um real bebé.

Brilharam os sorrisos de Modi, Dilma, Morales e Erdogan, que ganharam as respectivas eleições (na Índia, Brasil, Bolívia e Turquia). E o do Costa, que desafiou o outro António e saiu-se bem, já deve estar a salivar. São todos iguais.

Felizes devem estar também os cubanos, que começam finalmente a ver a luz ao fundo do túnel. E os ingleses, aliviados por manter o reino.... unido.

Felizes estarão as equipas de cientistas e nerds da Agência Espacial Europeia, da NASA e da indiana ISRO - os primeiros, orgulhosos com a missão dos seus "bebés" Philae e Rosetta, que foram dar uma volta ali ao cometa a quinhentos milhões de quilómetros; os segundos, com a "sua" Mars Curiosity; e finalmente os indianos, com o sucesso do lançamento do GSLV Mark 3, que lhes dá acesso ao restrito clube espacial. E logo com um programa que, segundo Narendra Modi, teve um orçamento inferior ao do filme Gravity, o grande vencedor dos Óscares deste ano.

E muitos portugueses, tenho a certeza que haverá muitos felizes - por beneficiarem directa e indirectamente com o aumento de 10% nas receitas do turismo em Portugal, depois de o ano Treze já ter sido recordista.

Enfim: entre tantos outros famosos e anónimos, há concerteza muita gente feliz. Tragédias e tristezas à parte, há que valorizar aquilo de bom que o ano nos trouxe. Vejam o Isaltino Morais, por exemplo: depois de tantas idas e vindas, saiu finalmente em liberdade.

A vida é mesmo assim: uns saem, outros entram.

E se Isaltino teve direito a uma faixa a dizer "obrigado pela sua visita, volte sempre", já Jardim Gonçalves, Duarte Lima, José Sócrates e Óscar Pistorius devem ter tido, cada um à sua maneira, algum tipo de Welcome Party.

E por falar em saídas e entradas:

Foi-se (finalmente!) Paulo Bento, chegou Fernando Santos. E também o Juan Carlos, para dar lugar o Filipe.

Mas já me estou a afastar da temática da felicidade. Ficam mais considerações sobre o ano Catorze para o próximo post. Até já!

QUINZE

Hoje é o dia quinze do ano Quinze.

Mais do que adequado para fazer um primeiro balanço do ano que ainda há pouco terminou. Assim sendo: hoje enterra-se o ano velho, aqui no blog. E começo com alguns dos números que marcaram o ano Catorze:

SEIS

Estreei-me finalmente no maravilhoso mundo do Mergulho. Há anos que tinha alguma curiosidade - e, confesso, bastante receio. Por muitas oportunidade que tivesse já tudo, nunca me tinha atrevido a mergulhar, e optava sempre pelo snorkeling. Até que em Koh Lipe, uma ilha no sul da Tailândia onde estive em Abril, um instrutor sul-africano convenceu-me a experimentar. Curiosamente, um dos argumentos que mais fez sentido foi este: "Se passas tanto tempo na Ásia tens o privilégio de poder, com alguma facilidade, fazer vários mergulhos por ano. É só uma questão de mindset". E a verdade é que, depois dos três primeiros mergulhos em Koh Lipe, voltei a mergulhar em Dahab (Egipto) e em Bali (Indonésia). ou seja: apesar de ainda nem sequer ter o curso de open water do PADI, já mergulhei ao todo seis vezes.

SETE

Golos sofridos pelo Brasil nas meias-finais do Campeonato do Mundo, frente à Alemanha. Uma humilhação nunca antes vista na história dos Mundiais. E logo os anfitriões! Não que Portugal se tenha portado muito melhor: levámos quatro destes senhores, os mesmos que se levantaram a taça no fim da Copa.

DEZ

Este blog completou uma década. Quem diria, hem?

CATORZE

Infelizmente só houve uma país-estreia este ano (Egipto), mas isso não quer dizer que não me tenha fartado de dar voltas. Catorze países em doze meses... é obra. Menos que no ano Treze (vinte e um países, graças à volta de noventa e nove dias na América do Sul)... mas não deixa de ser muita volta. Entre grupos da Nomad e escapadelas on my own, foi um ano Bom.



DEZASSETE

Idade da pessoa mais nova a receber um Prémio Nobel da Paz. A paquistanesa Malala Yousafzai foi, sem dúvida, uma das personalidades do ano. A sua determinação, coragem e serenidade são uma fonte de inspiração para muitas raparigas - e não só.

TRINTA E CINCO

E uma vontade de ir... correr o mundo e partir... os Xutos & Pontapés andam às voltas a dar concertos há quase tanto tempo quanto eu, enquanto pessoa. Isto sim, é obra. Goste-se ou não, são incontornáveis na História da música portuguesa. Por isso braços no ar, cruzados como já se sabe, e rock on!

TRINTA E OITO

E por falar do tempo em que por aqui ando, enquanto pessoa. Quase-quase quarentão, hem?

QUARENTA

Quarentão é o Dia da Liberdade, que com algumas polémicas lá foi comemorado. Estará a nossa democracia a passar por uma crise de meia-idade?

QUARENTA E QUATRO

Quais irmãos Dalton qual quê! O prisioneiro mais famoso de Portugal tem o quarenta e quatro na lapela e fez as delícias dos noticiários e muita gente, na recta final do ano. Houve quem se indignasse, quem fingisse nem reparar, houve quem falasse em "karma" e quem prefirisse palavras como "cabala" ou "vingança". Neste novo ano, vamos lá ver o que surpresas nos esperam nesta nova novela.

QUARENTA E SEIS

"Apertem os vossos cintos, desliguem todos os aparelhos electrónicos e endireitem os bancos". Para ser sincero, perdi a conta à quantidade de vezes que ouvi este aviso. Valha-me o Moleskine, que tem tudo registado e facilita-me a vida na hora de contabilizar os voos que fiz este ano.








CINQUENTA E CINCO

A Escócia independente foi a referendo e ganhou o "não".

SESSENTA E UM

Podia fazer um post - podia fazer um site! - só com estatísticas do CR7. E não seria o primeiro a lembrar-me disso. Não faltam exemplos por essa internet fora. Ronaldo é outra das personagens do ano Catorze. Ganhou a Bola de Ouro e mais uma quantidade de prémios, sinceramente não sei quantos nem fui pesquisar sobre o assunto. Bateu dezenas de recordes, inaugurou uma estátua no Funchal, marcou um total de sessenta e um golos num ano em que esteve lesionado... mas, acima de tudo, deliciou milhões por esse mundo fora com o seu futebol. Um exemplo, este senhor.

SESSENTA E SEIS

Votou-se para as Europeias, este ano. Votou-se? Ou nem por isso. A abstenção foi devastadora, em Portugal. Como dizia alguns parágrafos acima, algo vai mal nesta nossa democracia. Estará deprimida?

NOVENTA E UM

Portugal foi, dos catorze, o país onde mais tempo passei no ano que agora terminou. Foram três meses, ao todo, às voltas pelo Rectângulo. Sim: às voltas. Porque nem por Cá eu consigo ficar parado muito tempo. Dos dias passados no HQ da Nomad, no Porto; à roadtrip pela costa alentejana até ao Algarve; passando por um fim-de-semana de festas populares na Serra da Estrela, uma fuga com amigos ao Alentejo, festivais de música, passeios... que saudades, agora que me lembro.

CEM

Comemorou-se no ano Catorze o centenário da Teoria da Relatividade, do Einstein. E o início da Primeira Guerra Mundial. E a construção do Canal do Panamá. E o cinema turco. E muitas outras coisas, concerteza.

CENTO E SEIS

Já o Manoel de Oliveira comemorou cento e seis. E gastou um dinheirão nas velas do bolo.

CENTO E SESSENTA E DOIS

O ano acabou com uma notícia triste, quando desapareceu dos radares o avião da AirAsia que voava de Surabaya para Singapura, com cento e sessenta e duas pessoas a bordo. Mais uma tragédia, num ano especialmente mau. Primeiro foi aquele que desapareceu sem deixar rasto entre Kuala Lumpur e Pequim; depois o que foi abatido sobre a Ucrânia. Fora outros menos badalados, mas que só contribuem para uma estatística triste.

DUZENTOS E SETENTA E SEIS

O rapto de quase trezentas raparigas de uma escola nigeriana pôs o Boko Haram nas capas de jornais de todo o mundo. Até então desconhecido do "grande público", este grupo terrorista conseguiu a vil proeza de se tornar uma referência incontornável do ano Catorze: da campanha #bringbackourgirls à sangrenta contabilidade do horror espalhado nesta zona de África, espanta-me o facto da comunidade internacional ainda não ter feito nada.

TREZENTOS

Dei uma palestra no Museu da Fundação Oriente, em Lisboa. Falei sobre o maravilhoso Angkor Wat, o Império Khmer e a mitologia hindu... para três centenas de pessoas - a sentir-se orgulhoso.

TREZENTOS E TRINTA E SEIS

O maior surto de legionela alguma vez registado em Portugal (e um dos maiores do mundo) tirou a vida a dez pessoas, num total de trezentos e trinta e seis infectados.

QUATRO MIL, OITOCENTOS E SETENTA E SETE

Mas bem pior que a legionela, em Portugal: foi o ébola, em África. Quase dez mil infectados em meia dúzia de países, quase cinco mil vidas perdidas. E a sensação de potencial pânico. Isto tudo só no ano Catorze. E infelizmente: ainda não acabou.

TRÊS MILHÕES

Foi o que pagou o Dono Disto Tudo, para não ver o sol aos Quadradinhos. Sim: euros. E sim: é imoral.

TRÊS MILHÕES, TREZENTOS E SESSENTA E SEIS MIL, NOVECENTOS E CINQUENTA E CINCO

A selfie tirada por uma data de famosos nos Óscares foi a mais retweetada de sempre.

QUINHENTOS MILHÕES

Daqui ao cometa 67P, onde aterrou a sonda Philae, vai uma distância grande.

QUINHENTOS E QUARENTA E SETE MILHÕES, QUINHENTOS E NOVENTA MIL, QUINHENTOS E TRINTA E QUATRO

O número de views que tem o clip do maior sucesso musical do ano Catorze, no youtube. A música chama-se Happy e é um hino ao optimismo. Clap along if you feel like happiness is the truth.

14/01/2015

CATORZE

Ainda a fazer contas e a organizar informação para o resumo do "meu" ano.

Mas assim de repente, sem querer adiantar demasiado, posso avançar com uma curiosidade: no ano catorze deste século, fui a catorze países.

O dobro daqueles a que foi o Papa.

Beat this, Francis!

AS CONTAS ÀS VOLTAS

Entre vários assuntos pendentes que estou a resolver neste "entretanto" entre as férias em Bali e a Indochina-que-se-segue, tenho andado aqui às voltas com as voltas do ano passado.

Já tomei nota dos números e dos encontros, das experiências que mais me marcaram, os lugares que me surpreenderam. Já anotei as voltas do meu mundo e do mundo de todos nós. As notícias que me marcaram. As Reviravoltas e os Estava-se-mesmo-a-ver.

Falta-me apenas juntar as peças e colorir um texto que resuma o "meu dois mil e catorze".

Não tarda.

Enquanto isso fica um click tirado nem há um mês, nos dias que passei em Bangkok antes do Natal. Estaria este miúdo também a fazer contas às voltas do ano passado?