24/10/2014

BOM FIM-DE-SEMANA!

Termina mais uma semana e termina também a segunda edição da viagem à Birmânia. Amanhã o grupo segue viagem de volta para Portugal e eu fico por cá mais uns dias. A pôr o blog em dia, a fazer contas à viagem, a organizar mil assuntos que tenho "pendurados"... e claro está, a dar mais uma voltinha.

Fica um sorriso lindo para fechar esta semana inesquecível. Tenham um bom fim-de-semana, passem por aqui que vou continuar a actualizar os conteúdos em atraso aqui do Myanmar.

Bom fds! :)

http://www.nomad.pt/birmania-com-jorge-vassallo

A MAIS LONGA PONTE DE TECA DO UNIVERSO

Com os seus mil e oitenta e seis pilares (percorre cerca de 1,2km no lago Taungthaman, em Amarapura), a ponte U Bein é considerada a mais longa ponte de teca do mundo. Logo, também deve ser a maior do Universo, porque não estou a imaginar os marcianos verdes e outras formas de vida extraterrestre a construir pontes de teca.

A ponte foi construída em 1850 - o que lhe dá um segundo título, o da mais antiga ponte de teca - e ainda hoje é ulilizada diariamente por milhares de pessoas, entre locais a ir-e-vir da aldeia, dos mercados e dos mosteiros; e turistas a fotografar esta paisagem única.

U Bein foi um dos pontos altos da volta de mota que demos pelos arredores de Mandalay. Chegámos bem cedo, mesmo a tempo de assistir ao nascer-do-sol, e por aqui ficámos cerca de duas horas, entre um passeio de barco a remos e uma volta pela própria ponte. Que maravilha de lugar, tão pacato e fotogénico.

Mas chega de conversa. Venham de lá os uaus:







Para mais pormenores acerca do programa em que se "encaixa" a visita a U Bein, cliquem aqui.

23/10/2014

ESPERA LÁ... É DIWALI!

Ando aqui a desejar bons-dias, a publicar fotos de pescadores e água... quando hoje se celebra a Luz.

Hoje é Diwali, o festival que na Índia, Malásia e noutros países de influência indiana (incluindo parte da Birmânia) celebra a Luz.

Assim sendo, e num rápido apontamento porque já tenho pouco tempo antes de ir jantar... um feliz Diwali para todos, e votos de um ano iluminado, fértil em voltas e encontros, em surpresas e revelações.

BOM DIA, MARAVILHA!

E que dia.

Começa a ficar complicada, a tarefa de pôr em dia todas estas experiências.

Contudo, continuo empenhado em cumpri-la. O que não quer dizer que não partilhe esta tão fresca emoção. Acabei de chegar ao quarto, depois de um dia incrível no lago Inle, em que assistimos às celebrações de um festival religioso, testemunhámos a forma original como pescam os Shan, comprámos souvenirs e tivemos a sorte de presenciar um dos finais de tarde mais dramáticos deste céu que não tem descrição.

Havemos de lá chegar, tenho mesmo que me despachar com Mandalay e Bagan ;)

Fica um click. Um simples click.


22/10/2014

NUM CASAMENTO BIRMANÊS

Um dos (muitos) momentos altos desta volta pela Birmânia aconteceu durante o passeio de mota que fizemos pelos arredores de Mandalay. Estávamos na ponte U Bein quando o "chefe" dos nossos drivers me perguntou se não gostaríamos de ir ao casamento da irmã de uma aluna sua.

Agradeci-lhe o gesto, disse-lhe que seria uma honra enorme, mas que sentia que poderíamos estar a abusar da hospitalidade dele. Nove pessoas - noves estrangeiros! - a invadir um casamento numa aldeia...

"...além de que não estamos vestidos para a ocasião."

;)

"Nada disso, será uma honra para os noivos e para mim. E desta forma vocês conhecem um pouco mais da nossa cultura."

E diz-se "não" a uma proposta destas?

Que hora deliciosa e colorida, aquela que passámos na festa. A começar pela menina que nos recebeu à porta, presenteando os senhores com um cigarro e as senhoras com um mini-bouquet enfiado numa palhinha:

Depois de nos apresentarem aos noivos e de sermos alvo de inúmeras fotografias e cumprimentos, sentámo-nos em duas mesas e rapidamente estas se encheram de comida. E a partir daqui foi um sem-número de pequenos eventos e muita galhofa. Que experiência tão colorida e rica, que boa ideia esta do driver.

Passei o resto do dia a agradecer-lhe ter tomado a iniciativa.







As viagens - e a vida em geral - ganham outro colorido/sabor com estas surpresas. Mais uma vez insisto na ideia de que é preciso aprender a saber dizer "sim". Temos que ter a coragem de dar um passo e entrar, quando nos abrem uma porta. Para onde? Logo se verá. Se não a atravessarmos é que nunca saberemos. E a experiência diz-me que, na maior parte das vezes, há algo de memorável do outro lado.

E estes imprevistos, estas surpresas, este momentos mágicos só acontecem quando estamos dispostos a adaptar o plano geral, a dar uma volta ao que era suposto, ao pré-concebido. Ao programa. Fico feliz pelo grupo ter demonstrado esse à-vontade. Se calhar vimos menos um mosteiro, visitámos menos um templo... mas ganhámos uma história muito gira para contar.

http://www.nomad.pt/birmania-com-jorge-vassallo

REGRAS DE ETIQUETA BIRMANESA

Há um ditado no Myanmar que diz "respeita os mais velhos; admira os que têm a tua idade; sê gentil com os mais novos."

Assim sendo:

Jovem! Se tens menos de dezoito anos, ou vinte e oito, ou trinta e oito, na verdade não interessa tanto a idade; se és birmanês e bem educadinho, faz favor de respeitar as seguintes regras de etiqueta:


Nunca pises a sombra de um monge ou de uma pessoa mais velha.
E se o fizeres acidentalmente, repete duas vezes a palavra "kan dawt" (perdoe-me).

Não interrompas os mais velhos quando estes falam.

Abaixa-te quando passas à frente de alguém mais velho.

Quando dás algo a alguém mais velho, fá-lo com as duas mãos.

Lava os pratos dos mais velhos depois de partilhares uma refeição com eles.

Não te sirvas de mais arroz do que aquele que precisas,
e quando levares o arroz à boca, não te "estiques".

Se o caril de que te queres servir não está ao teu alcance,
não te ponhas com ginásticas para lá chegar.
Pede a alguém que faça o favor de te passar a tigela.

Antes de viajares com o Jorge Vassallo,
pede aos teus pais vos abençoe a ambos - a ti e ao Jorge.

Se vais dar uma volta com os teus pais ou com pessoas mais velhas,
faz favor de carregar os seus sacos.

Quando falas com pessoas mais velhas, não te apoies só numa perna,
nem te encostes a uma mesa,nem ponhas as mãos na cintura.

NOVE MOTAS E NOVE SORRISOS

Como já mencionei no post anterior, ao segundo dia em Mandalay "mandei vir" nove motas - e fomos explorar os arredores da cidade: Amarapura, Sagaing e Inwa (Ava). Mas se a geografia serve de referência à felicidade, é preciso sublinhar que muito daquilo que sentimos neste dia, uma boa parte dos sorrisos e o que nos encheu o coração dispensa geografias.

Não interessava tanto o mapa, mas o facto de estarmos a percorrê-lo em cima de uma mota. Isso sim: a sensação de aventura, o ar a bater-nos na cara e no cabelo, o motor a trepidar, o fazermos parte da paisagem e a paisagem de nós. Até a chuva que caiu no final.

As motas foram o factor essencial do dia. E, claro está, não me poderia esquecer da "equipa" de nove drivers, alguns mais calados e outros mais extrovertidos, mas que foram impecáveis, sempre divertidos, sempre prontos a fazer desta uma experiência memorável. E conseguiram.

A eles dedico as próximas fotos:















21/10/2014

57 HORAS E MEIA

Post escrito na passada sexta-feira, a bordo do barco que faz a ligação entre Mandalay e Bagan.

Depois de arrumar e organizar as fotos no computador; depois de editar as que tenciono partilhar aqui no blog; depois de identificar momentos altos e curiosidades... fui dar uma volta às experiências vividas nos últimos dois dias e três noites em Mandalay e confesso que está a ser complicado pôr tudo num só post, ou eventualmente dar uma ordem lógica, mesmo que dividida por partes, a tudo o que vimos, ouvimos, provámos e vivemos, eu e os oito viajantes da Nomad com quem estou a explorar a Birmânia.

Que cheias foram estas cinquenta e sete horas e meia em Mandalay.

E à falta de espaço e tempo (meu e provavelmente vosso), decidi resumir cronologicamente esta louca odisseia que agora deixo para trás, enquanto descemos de barco o rio Irrawaddy em direcção a Bagan.

Tudo começou na terça-feira às 21:00, quando chegámos no comboio vindo de Yangon, depois de quinze longas horas de solavancos e gargalhadas. Já na plataforma, ainda mareados da viagem, fomos abordados por um facilitador que garantiu-me ter transporte para o grupo. Fui atrás dele, mas chegando à rua dei de caras com dois carros normalíssimos - e eu queria um transporte local. Apontei para uma carrinha de caixa aberta com cobertura tipo-tenda e disse que queria qualquer coisa daquele género. O homem olhou para mim com cara de este-é-doido-ainda-por-cima-depois-da-mais-cansativa-viagem-de-comboio-do-universo... mas sorriu. Olhou para os outros birmaneses à nossa volta e eles também sorriram. E eu, pois claro. Eu também sorri. E olhei para o grupo de sete portuguesas e um português com quem estou a viajar - e eles sorriram connosco. Óptimo: todos a sorrir. Isto vai correr bem.

Cinco minutos depois estávamos a atravessar as ruas de Mandalay, sentados na parte de trás da carrinha que eu tinha apontado, com mais três-ou-quatro birmaneses que, como nós, levaram para casa uma história para contar.

Começa bem.

Check-in, duche rápido e jantar - e antes que a carruagem dourada se transformasse em abóbora voltei para o quarto, a ver se actualizava o blog e o facebook... mas os olhos teimavam em fechar-se, vá-se lá entender porquê.

Quarta-feira.

10:00

Apesar de ter acordado mais cedo para finalizar pormenores e adiantar-me noutros assuntos da viagem, encontrei-me às dez com o grupo. Tinhamos à espera sete bicicletas e dois trishaws - no post que publiquei antes deste resumo mais ou menos as voltas correspondentes.

14:00

Um pneu furado, uma queda que apesar de não ser grave ainda estava fresca... e o restaurante?, onde está o restaurante? Não encontrava o restaurante. Só pode ter fechado. Sabia bem onde era, não havia por onde me enganar. Um lugar castiço numa esquina junto à estrada, onde nem se falava inglês, onde tinham apenas um prato de arroz com carne mas que curiosamente no ano passado tinha sido considerada uma das melhores refeições da viagem. Acho que fechou.

Acabámos no Golden Duck, que como o nome sugere é restauranre chinês, com direito a mesa redonda com placa giratória e tudo - mas em boa verdade há que ser justo e dizer que comemos muito bem. Além de que tínhamos vista privilegiada sobre o canal da cidadela.

16:30

Chegámos aos dois gigantescos leões brancos no sopé do Monte Mandalay e subimos os mais de mil e setecentos degraus até ao templo no topo. Pelo meio: muitas lojinhas, pequenos templos e budas vários, adivinhos, superstições.

Assistimos ao pôr-do-sol do topo, metemos conversa com monges budistas, aprendemos um pouco sobre as suas vidas e os seus hábitos - e eles praticaram inglês e conheceram também outras culturas. Quando chegámos outra vez lá abaixo, era já noite cerrada. É hora de voltar para o hotel.

O rabo estava menos dorido do que imaginara. Mas as pernas já se queixavam.

De qualquer forma: foi um dia bom, que encheu as medidas - mas que ainda não acabou. Como que para compensar do almoço em sítio chique, levei o grupo a jantar no lugar mais down-to-earth que conhecia. Para quem não sabe, down-to-earth em birmanês significa uma espelunca onde os cotovelos ficam pretos quando os encostamos ao plástico que cobre a mesa; onde o calor suporta-se a custo, com uma ventoinha enorme que serve para toda a sala; os empregados andam de um lado para o outro... descalços; a clientela é toda, ou aparentemente toda, do sexo masculino (fora o nosso grupo, que em nove pessoas tem sete mulheres). Enfim: coisa fina. Mas o mais importante: a comida era boa. E a cerveja gelada.

23:00

Cama.

E eis que chega quinta-feira.

05:00

Partimos, ainda noite cerrada, em nove motas com driver. Mesmo a tempo de assistirmos ao nascer-do-sol em frente à maior ponte de teca do mundo - dentro de dois barcos a remos. Que calma. Que paisagem! Que paisagem!

08:00

Depois de uma volta pela ponte U Bein, tomámos o pequeno-almoço... e surpresa!, um dos nossos drivers convidou-nos a assistir ao casamento da irmã de uma aluna sua. Nem pestanejámos.

09:00

Casório numa aldeia, com direito a sessão de fotos com os noivos, mesas cheias de comida e até uns abanicos de presente. Éramos, claro está, o centro das atenções. Toda a gente a rir e a tirar-nos fotografias, cheios de cuidados para que estivéssemos sempre bem.

A vida é boa. E é preciso saber dizer sim às oportunidades que surgem. Nenhum de nós vai esquecer este momento tão depressa.

10:00

De volta à estrada. Atravessámos o Irrawaddy para visitar a zona monástica de Sagaing, com monges e templos a dominar toda a paisagem.

12:00

Almoço num restaurante local muito castiço, onde as raparigas do nosso grupo foram desafiadas pelas drivers femininas a aplicar o tanakha no rosto. Quase todas alinharam - e proporcionou-se aqui, de uma forma completamente espontânea, mais um momento alto de um dia fértil em pequenos pormenores.

14:00

Atravessámos de novo o Irrawaddy, em direcção a Inwa, uma antiga capital do reino onde hoje em dia se visitam inúmeras ruínas e templos.

Das motas passámos para umas carroças muito engraçadas, mas logo na primeira ruína começou a chover. E na segunda: que carga de água! Mandei as carruagens seguirem para perto do rio - na margem oposta esperavam-nos as motas -, para atravessarmos no ferry. Mas não havia ferry enquanto chovesse daquela maneira.

16:00

Que seca.

Que molha!

17:00

Depois de mais de uma hora à espera, o barco começou a "fazer piscinas" para levar as pessoas para o outro lado. Depois tomámos um chá quente e envolvemos as mochilas com sacos de plástico, pois ainda tínhamos uma hora de viagem até ao hotel. Deixámos o Mahamuni Pagoda para o regresso a Mandalay, no final da viagem - e voltámos para "casa", onde chegámos: ensopados.

20:00

Jantar mesmo ao lado do hotel. Estávamos estafados - mas felizes. Que dia! Que dia!

Sexta (hoje):

Saímos pouco depois das cinco e meia da manhã. Dez minutos de carro e chegámos ao cais, onde embarcámos no N Mai Kha, o barco que nos leva, enquanto escrevo estas linhas, em direcção a Bagan.

Novos lugares e novas voltas nos esperam nesta aventura - mas que novas histórias, que outros acontecimentos, que experiências?

Descubram o programa possível ;) dentro dos imprevistos e surpresas normais de uma viagem desta natureza, neste link: