quinta-feira, 17 de Abril de 2014

BOM DIA, NOSTALGIA

Estava aqui às voltas com as fotos da Tailândia, a organizar tudo em pastas e a fazer backups, etc... quando me deu uma nostalgia de uma passagem de ano muito especial. Foi há dois anos, em Luang Prabang. Em Abril, como o Songkran. Mas no Laos chama-se Pi Mai Lao.

Fica um momento desse acontecimento único, é o click de hoje:


quarta-feira, 16 de Abril de 2014

I ♥ KL

O ar carregado, húmido e quente - um abraço pegajoso de boas-vindas, a cheirar a cravinhos e ao fumo dos tubos de escape. Kuala Lumpur.

KL para os amigos.

Meti-me no aerobus para Puduraya e instalei-me no hotel do costume, um "buraco" barato e bem situado, algures entre Chinatown e Bukit Bintang, por trás do templo hindu, "in the heart of KL", como diz o cartaz por cima da recepção - e pouco depois de entrar no quarto e pousar as mochilas, um flash iluminou o céu cinzento e os prédios por baixo... e boooooom! Água, luz e som. Podia ser o princípio do fim do mundo, uma tragédia de telejornal, um espectáculo multimédia. Mas era só a tempestade do costume.

Como um gesto repetido por um velho amigo, sempre que nos encontramos. Como uma private.

Eu e KL - é sempre a mesma coisa. Chego e até pode estar um dia maravilhoso, os passarinhos a chilrear, avozinhas a passear os netos no jardim, esplanadas cheias - mas vai chover. Nem que seja por alguns minutos, nem que passe depressa e volte tudo ao estado em que estava antes. Mas a cidade recebe-me assim. Alto e pára o baile, venham de lá os relâmpagos e a trovoada, o ensaio de um dilúvio: bem-vindo sejas, amigo.

Fui tomar banho e acabou-se a água quando estava coberto de espuma. Convoquei os deuses e amaldiçoei o destino, mas nada. Nem pinga. Abri a torneira do lavatório e tentei lavar-me só com o tímido fiozinho que me enchia devagar as mãos em concha. E quando estava já com a toalha à volta da cintura, pronto para regressar ao quarto: água. Só dá para rir.

Seis da tarde. Ou serão sete? Aqui o relógio está um pouco mais adiantado. Mas já troquei ou não? Ou será que o telefone mudou a hora automaticamente? Saio para a rua. Confirmo as horas. São sete. Já não chove. Sigo a pé até Masjid Jamek, desço umas escadas rolantes atrás de um grupo de estudantes indianos histéricos e apanho o metro até à KL Sentral, são só duas estações mas dá para trocar sorrisos com duas alemãs de mochilas às costas, meio-amedrontadas com a confusão à volta, de chapéu de palha a dizer Langkawi. Ou seria Phuket? Vai dar ao mesmo. Troco dinheiro na estação e espero pelo komuter, onde viajo com as pessoas que voltam para casa. Saio em Serdang, estou nos subúrbios.

"Give 15 min... sorry... we are late", diz-me um dos amigos com quem combinei ir jantar, num SMS enviado quando já estou à espera há um quarto de hora. Que remédio. Estou enconstado a um muro numa autoestrada, a ver os carros a passar, espero que não se demorem muito, estou cheio de fome.

"Pls be passion", diz a mensagem seguinte. Paixão - em vez de paciência.

"I am passion", respondo.

E pouco depois: dois sorrisos familiares. Abraços e rápidos updates, e de repente é como se nos encontrássemos todos os dias. Não nos vemos há quase seis meses, mas as amizades verdadeiras são assim. Num instante se apaga o tempo e os entretantos. Perguntam-me se quero ir ao karaoke, como nos meus anos. Claro que sim, desde que tenham comida. Tenho fome.

Mas o karaoke não era bem o mesmo da última vez. Parámos o carro num restaurante de rua montado numa tenda, debaixo de um viaduto. Sentámo-nos à espera da comida, um nasi lemak com galinha e molho especial. À frente das sete ou oito mesas quase vazias, um palco cheio de luzinhas coloridas a brilhar, tipo "festa da aldeia". Um velhote malaio cantar desafinado velhas músicas indianas.

Chegou a comida. Comemos. Que delícia. E quase sem dar por isso, a certa altura estava a aplaudir os meus amigos, que cantavam animadamente no palco. Entretanto tinha chegado mais gente. Quarentonas sorridentes de lenço na cabeça e homens com camisas de clubes ingleses dançavam no espaço entre as mesas e o palco. Uma criança corria de um lado para o outro com sapatos que reluziam a cada passo. Numa mesa, uma velhota fumava um cigarro e trocava piadas com o filho adoptivo. Há quem diga que são "casados", diz-me um dos meus amigos ao ouvido.

E eis que de repente oiço alguém chamar o meu nome.

Olho à volta, os meus amigos sorriem, um deles levanta-se e faz-me sinal para que o acompanhe. É a nossa vez de cantar. Isto não me está a acontecer.

Dirigi-me ao palco, não tinha como fugir. Segurei no microfone que alguém me passou... e cantei. Com público e palmas, num palco montado debaixo de um viaduto. Na Malásia. Cantei quatro ou cinco músicas, Frank Sinatra e sei lá mais o quê, algumas a solo e outras em dueto com o meu amigo Awie. E depois das palmas, o dono do restaurante veio dar-me os parabéns e convidou-me para cantar numa festa de solidariedade de um orfanato, daqui a quinze dias. Não posso, respondi, estou em Portugal. Agradecido.

"Então deixa-me o teu skype que vou fazer de ti uma estrela."

Esta cidade! :)

SABIA QUE... #20

...o Aeroporto Internacional de Don Muang, em Bangkok, tem um campo de golfe entre as pistas.

(foto roubada algures no google)

Já aterrei e levantei voo neste aeroporto tantas vezes - só nas últimas semanas foram três - e confesso que nunca tinha dado por isto.

Incrível!

Chama-se Kantarat e é um campo de golfe completo, com 18 buracos e tudo - e não estou a dizer que "é-mesmo-ao-lado", ou que "tem-vista-para". Nada disso. Fica mesmo dentro do aeroporto. Entre duas pistas.

Não há muros, nem vedações, nem nada a separar um dos outros. Há, isso sim, uma série de regras que têm de ser cumpridas religiosamente. A sério: é possível "dar umas tacadas" enquanto aterram aviões ao lado.

Este aeroporto - um dos mais antigos do mundo, completa um século este ano - já não tem o tráfego que tinha antes. Fechou em 2006 quando foi inaugurado o novo Aeroporto Suvarnabhumi - mas desde 2012 que funciona em pleno, outra vez, sendo a base de várias companhias low cost.

Quem disse que o golfe é um desporto monónoto?

MAIS LONGE...

...mas mais perto.

Já estou em Kuala Lumpur. Que, olhando muito rapidamente para o mapa, fica mais longe de Lisboa do que Bangkok.

E, no entanto, sinto-me mais perto.

Esta é a primeira de duas paragens no regresso a casa. Fico na capital da Malásia duas noites, depois voo para Istambul - onde fico uma semana - para finalmente voltar a Portugal.

Matar saudades e vingar beijinhos, comer bacalhau e pastéis de Belém, beber sumol de ananás. O costume. Apetece tanto. Sempre foram... oito meses? Já perdi a conta. Esta temporada foi a mais longa de que tenho memória, nos "últimos tempos".

Lá vou eu! :)

O FIM DA TEMPORADA

Agora sim: depois dos grupos da Indochina e dos merecidos dias de-papo-para-o-ar, eis-me de novo em Bangkok, prestes a iniciar o meu regresso a casa.

Sigo daqui a nada para Kuala Lumpur, onde fico dois dias - e depois paro uma semana em Istanbul, já a meio caminho de Lisboa.

Não tarda nada estou em casa :)

Encontramo-nos outra vez a seguir ao Verão, Bangkok. Porta-te bem. Se conseguires.

terça-feira, 15 de Abril de 2014

CÁ ESTÃO ELAS ;)

"Saquei" na net algumas fotos do painel interior do White Temple, por isso eis alguns exemplos do kitsch de que falava no último post:





É DIFÍCIL DE EXPLICAR

Imaginem um templo budista desenhado e construído por uma espécie de Gaudi tailandês dos tempos modernos, com tiques de parque temático da Disney e a fazer lembrar um palácios de um filme qualquer fantástico, tipo Narnia, Senhor dos Anéis ou até o Game of Thrones.

O Templo Branco podia ser o palácio da Rainha Branca. Existe uma Rainha Branca, não existe?



É... é difícil de pôr em palavras. Tem qualquer coisa de perverso, de retorcido - mas é ao mesmo tempo imaculado e apaziguador. E é, de certa forma, ingénuo - diria mesmo infantil.

É kitsch, também.

O Wat Rong Khun é um lugar que desafia os dicionários, categorias e catálogos. Resulta da visão de um artista/arquitecto chamado Chalermchai Kositpipat, muito famoso na Tailândia, que decidiu dedicar o resto da sua vida a um projecto.

Já tinha visto fotografias na net, claro. Sabia mais ou menos ao que ia. Mas não há fotografias que expliquem a dimensão do que é este templo. Por isso decidi descrever algumas das suas particularidades. Fotografias não bastam.





Logo à "entrada" há dois elaboradíssimos sinais a proibir o consumo de álcool e tabaco, que têm tanto de tradicional como de inovador - e kitsch, já disse. No relvado ao lado, que não se pode pisar, há uma estátua do monstro do Predador (sim, aquele de cara feia do filme!) a emergir do chão, em tom ameaçador. Há crâneos de gesso, humanos e extraterrestres, pendurados nas árvores. E depois é aquela imensidão de branco e de espelhos. Até os peixes do lago. Tudo reluz.

Entra-se por uma pequena passagem ladeada de centenas de mãos estendidas em suplício, como almas danadas afogadas num pântano - no inferno? - a pedir ajuda.

Esta cena representa o Desejo e podem-se ver mãos humanas e robóticas, de bestas e animais, seres míticos, tudo o que se possa imaginar. Há mãos gordas e mãos magras, mãos deformadas, há dedos com anéis e outros esqueléticos, unhas pintadas e uma mão a segurar um enorme pénis. Algumas estendem potes como que a pedir esmola, utensílios vários... e vi também um pé - toda a cena é muito pesada, e de certa forma contrasta com todo aquele imaculado que se apresenta à nossa frente.

Depois atravessamos uma ponte. Ao bom estilo asiático, com dragões e outros seres míticos, esta ponte representa a passagem do mundano para o divino. E reparei ainda noutro pormenor, antes da ponte, menos óbvio mas que reconheço de outros templos, e que de certeza tem o seu simbolismo também: as pétalas da flor de lótus que costumam ladear muitos templos budistas estão também presentes, mas tombadas, como que derrotadas pelo peso do próprio templo. Que estranho.

E, no entanto, é dentro do templo que se encontra a maior surpresa.

Em vez de uma estátua gigante de um Buda e de toda a parafernália típica dos templos, este é muito minimalista. Tem uma estátua apenas, muito pequena - mas a parede por trás tem um fresco enorme de um buda sorridente e pacificador, muito bonito.

Talvez porque estou familiarizado com os templos budistas, assim que entrei e contemplei a parede que tinha em frente, virei-me para trás para descobrir o que tinha nas costas. E o mural que vi... é qualquer coisa de outro mundo. Não propriamente pela espectacularidade do pormenor ou do estilo... mas pelos elementos que contém. Pintado nessa parede estãos os males do mundo - na interpretação actual, crítica e kitsch do sr. Kositpipat.

Uma gigantesca caveira domina toda a parede, rodeada de negro e laranja, numa espécie de visão infernal do mundo de hoje. Nas escuras cavidades dos olhos estão desenhados os rostos de George W. Bush e do Bin Laden, como se fossem feitos de fumo. E por toda a parede há pormenores na paisagem muito interessantes: das Torres Gémeas a arder, numa referência explícita ao 11 de Setembro; a superheróis como o Homem Arenha, Batman, Hulk e Super Homem; passando por ícones da cultura pop como Michael Jackson, o Freddy Kruger, Hello Kitty, Matrix, Angry Birds ou Kung Fu Panda. Há uma chuva de mísseis a cair numa cidade, há telemóveis e monstruosas mangueiras de gasolina - tudo isto representa Mara, o Demónio que é também o nosso demónio interior, que representa todos os desejos, as tensões e os pensamentos de que nos temos de libertar, de acordo com a filosofia budista, para encontrar a Paz Interior.

É um lugar único, sem dúvida. Pena que não se possa tirar fotografias. Mas vou procurar na net.

E há mais. Estão ainda a construir um templo que vai ser enorme, com uma estátua de Ganesh no meio. O projecto arrancou no final dos anos 90 e supostamente vai levar 90 anos a completar. Ainda há muito por descortinar - mas uma coisa posso garantir: este templo é muito especial, à sua dimensão no mesmo espírito de uma Sagrada Família, um Taj Mahal ou um Angkor Wat.

Há-de dar que falar.

BRANCO MAIS BRANCO NÃO HÁ

Chama-se Wat Rong Khun mas toda a gente o conhece por "White Temple". E apesar de ainda nem estar completo, é já uma das principais atracções turísticas do Norte da Tailândia, e promete transformar-se num ícone do país.

O click de hoje éuma das descobertas mais interessantes que fiz nos últimos tempos. Na contagem decrescente para o Songkran, o Festival da Água que celebra a entrada no novo ano tailandês, aluguei uma mota e fui passear por Chiang Rai. O objectivo era descobrir este templo situado a cerca de 13km do centro da cidade - e apesar do tempo não estar muito "amigo", admito que fiquei deslumbrado com aquilo que vi.

E o que vi foi isto:

O INFERNO EM VALPARAÍSO

Ontem acordei com a notícia triste do incêndio que lavrava descontroladamente, há mais de 24 horas, em Valparaíso.

Esta cidade chilena que é reconhecida pela UNESCO como Património da Humanidade foi uma das paragens no meu roteiro de viagem, na aventura de três meses que fiz há um ano na América do Sul - e foi um dos lugares mais coloridos que já visitei.



Daí o choque, ao ver as fotografias publicadas pelos jornais, todas pintadas de fogo e negro. Um lugar tão feliz, que canta as cores do arco-íris, que grita o seu amor em cada parede. Uma cidade-poema. Que tragédia.

Curiosamente: apesar de só ter escrito sobre este passeio em Junho, completa-se agora um ano do dia em que visitei Valparaíso. Dezasseis de abril.

Lembro então dois posts que publiquei a propósito deste passeio, e que são como declarações de amor a este muito especial cantinho do mundo:

Ode a Valparaíso (Pablo Neruda)

Um colorido sobe-e-desce

Que passe rápido, Valpa. E que recuperes depressa o teu sorriso colorido, esse amor que tens à vida e à sua celebração.


segunda-feira, 14 de Abril de 2014

FELIZ SONGKRAN!

Camisa às flores: check.
Bisnaga carregada com água: check.

Estou pronto para a festa.
Feliz Ano Novo, Tailândia!



FELIZ ANO NOVO DE 2557!

Ontem, hoje e amanhã celebra-se por toda a Tailândia, Laos e Cambodja a entrada em mais um novo ano. E apesar de em quase todo o lado seguir-se o calendário gregoriano, na Tailândia contam-se os anos a partir do nascimento do Buda.

São dois mil quinhentos e cinquenta e sete.

Os tailandeses são muuuuito à frente ;)

Mas voltando ao que interessa: estou em Chiang Rai, na ponta Norte da Tailândia. E ontem passei a tarde e a noite em festa, numa rua transformada em discoteca, numa espécie de festa da espuma meets concurso miss t-shirt molhada. Um carnaval muito próprio, com bisnagas e música, sorrisos por todo o lado. Que festa!

É o meu quarto Songkran: três na Tailândia (Bangkok, Ayutyhaya e Chiang Rai), um no Laos (Luang Prabang). E porque desta vez guardei muito poucos registos da festa, partilho aqui algumas fotos de há quatro anos atrás, quando festejei o Ano Novo Tailandês com um grupo da Nomad em Ayutthaya:














domingo, 13 de Abril de 2014

TAXI!

Koh Lipe não é uma ilha muito grande, e sabe bem andar a pé de um lado para o outro... mas para quem está longe do centro e da confusão como nós, às vezes apetece uma boleia. Quase todos os dias íamos jantar à Walking Street, entre a Sunrise Beach e Pattaya - e íamos quase sempre a pé. Mas no regresso, com a barriga cheia e cansados das intensas actividades do dia... não apetecia nada andar.

Assim sendo: toca a chamar um táxi.


Tenho pena de não ter andado mais vezes com a câmara. Gostava de ter fotografado mais táxis em Koh Lipe, mas só no último dia me dei ao trabalho, e só encontrei estes dois.

Esta espécie de side-cars improvisados era realmente muito original - era possível encontrar desde os mais simples aos mais elaborados, acolchoados e aerodinâmicos, com luzes de todas as cores, música, etc.

Para a próxima esforço-me mais, desta vez estava num registo diferente eheh.

MÃEZINHA

Uma semana no mesmo lugar tem destas coisas: começamo-nos a ambientar, a travar conhecimentos, a dizer olá às pessoas do costume, a conhecer as rotinas e a fazer parte da paisagem.

Uma das "personagens" que marcou o tempo passado em Sunset Beach foi uma cadela muito simpática, de tetas cheias de leite e quatro cachorrinhos em eterna perseguição.





No primeiro dia a Mãezinha demorou a ganhar confiança, mas ao segundo já vinha ter ao nosso bungalow quando a chamávamos... e ao terceiro, era nossa insparável companheira. Passou a dormir na nossa varanda, os cãezinhos debaixo do bungalow. Quando voltávamos da praia ou da Walking Street, vinham a correr ter comigo, ela à frente e os quatro piolhos atrás, entrelaçando os seus desajeitados andares com as minhas passadas.

Confesso que evitava um contacto muito demorado ou "efusivo" com eles, porque estavam carregados de pulgas... mas eram irresistíveis e fartei-me de brincar com eles.





Ao fim de uma semana: fomos embora.

Confesso que tive pena, entre tantas outras coisas, de os deixar na praia. Vou ter saudades dos banhos e das conversas, dos ritmos e dos sorrisos, das pessoas... e sim, dos quatro cachorrinhos e da Mãezinha.