O post de hoje é um tanto-ou-quanto diferente do habitual. Li há pouco tempo que, segundo a Child Safe (uma rede de organizações que trabalha há muitos anos com crianças no Cambodja), vários relatórios recentes da Unicef provam que:
- cerca de 72% das crianças que vivem em orfanatos ainda têm
pais;
- visitas de curta duração a orfanatos podem afectar
negativamente o desenvolvimento emocional das crianças;
- o número de orfanatos no Cambodja aumentou 65% nos últimos
sete anos, apesar da descida do número de órfãos e crianças em situação
vulnerável.
O apelo foi lançado pela organização e eu aproveito o meu tempo de antena para o subscrever na
íntegra:
AS CRIANÇAS NÃO SÃO ATRACÇÕES TURÍSTICAS
PENSE ANTES DE VISITAR UM ORFANATO
Eu acredito num tipo de ajuda baseado no desenvolvimento
familiar e comunitário.
E acredito que as crianças têm o direito a ir à escola, a
brincar com os amigos, a rir com os turistas, a ajudar os pais, a ver desenhos
animados, a fazer os trabalhos de casa, a andar de bicicleta, a fazer asneiras,
a sonhar, a acreditar no Pai Natal, a descobrir que a vida é uma aventura, um
desafio. Acredito que têm direito a ser crianças. E acredito que têm direito à
sua privacidade.
As crianças não são atracções turísticas. Não são bichos num
zoo. Não são paisagem. Não são só uns olhos brilhantes e um sorriso exótico.
Pense duas vezes, antes de tirar uma fotografia a uma criança. Sem
fundamentalismos - eu próprio tiro algumas - mas há que ser discreto, respeitar
distâncias, privacidade, constrangimentos, tempo.
"Nós" não somos só um estrangeiro por trás de uma
câmara. Não somos um bolso cheio de dólares. Somos todos pessoas, não interessa
idades nem cores, se tem olhos em bico, menos uma perna, ou se anda descalço e
é ranhoso, ou se tem um carro com não-sei-quantos cavalos e motorista. Uma câmara
fotográfica apontada à cara é de uma agressividade poucas vezes compreendida
por quem está a tirar a fotografia. Quantos sorrisos "tão queridos"
são, na verdade, a única reacção que os miúdos têm à intrusão. Porque ficam
"sem jeito", envergonhados, sem saber o que fazer - e, ao contrário
dos adultos, não têm coragem de dizer "não, não quero que me tire uma
fotografia".
Mais uma vez: respeite distâncias, privacidade,
constragimentos, tempo. Respeite as crianças. Respeite-se a si mesmo. Seja um
turista responsável.
As crianças não são atracções turísticas.
3 comentários:
Belo texto...!
Bem pensado, bem sentido, bem escrito...!
E boa viagem até ao Laos!!!
Por muito que me apeteça, não tiro fotos a crianças desconhecidas porque a sensação que se tem quando se tem uma câmara de um estranho apontada à cara é do mais desagradável que existe.
Mas na realidade, é como se houvesse 2 pesos e 2 medidas: um adulto não mas uma criança já pode ser...
Obrigada Jorge! Devia-se ler isto mais vezes
Leal
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