07/11/2012

UM EMPATURRADO DOMINGO

No domingo passado, fui convidado para ir almoçar com uns amigos. Como sabiam que sou bom garfo e gosto de experimentar "coisas novas", levaram-me a um "buffet de domingo vietnamita". Eu não fazia ideia sobre o que era um "buffet de domingo vietnamita".

Assim que parámos a mota à orta do restaurante, avisaram-me que era caro, "se preferires ir a um sítio mais barato não faz mal".

Eu fiz-me de Quase Ofendido e fiz questão de comer ali.

O restaurante chama-se Sen Hà Thành, ou Sen Tâi Hô, ou Sen Nam Thàn... não tenho a certeza, havia três nomes à entrada, todos da mesma família - e eu estava num deles.

Primeira impressão: o chão. Gostei e tirei logo duas fotografias para acrescentar ao álbum da minha página no facebook.

Um empregado começou por nos indicar uma mesa no primeiro andar - mas nem nos sentámos logo, porque tivemos de descer ao rés-do-chão para nos servirmos do almoço.

Servi-me de uma tigela de sopa de abóbora, "tens de entregar ao empregado que ele depois leva", obedeci às instruções e voltei à carga. Uma salada de manga verde aqui, uns rolinhos vietnamitas ali, mais uns camarões com óptimo aspecto, bifinhos de vaca guisados, arroz "cinco cores"... e isto deve ser língua de boi, deixa cá experimentar um bocadinho... e isto, desculpe, o que é isto... pulmões de cabra?

Enchi dois pratos e entreguei ao empregado, ainda me perguntaram se queria mais, ao que respondi "não obrigado, já levo imensa comida, nem sei se consigo comer tudo isto."

Sentámo-nos. E o espectáculo começou.

Começaram por servir a sopa, mas à medida que a comíamos foram pousando os pratos na mesa. Os seis pratos. Nós éramos três. E assim que a tigela já sem sopa foi levantada, "trouxe sushi para todos, sirvam-se à vontade" e comentários do género. A comida era para partilhar - ok, nem me lembrara disso antes, mas adapto-me bem à coisa, continua a ser seis pratos para três, nada muda.

Pensava eu.

Qual não foi a minha surpresa quando surge um vietnamita de chapéu de cowboy a segurar num facalhão e num espeto, de onde três nacos de picanha brilhavam a olhar para mim.

"Queres?"

"Quero."

E depois da picanha veio ananás no espeto, e um tabuleiro com um peixe delicioso, e outras coisas que não sei dizer o nome. Os pratos na mesa foram sendo levantados, à medida que ficavam vazios - e quando eu achava que estava prestes a rebentar e que era chegada a hora de pedir a conta:

"Vamos lá abaixo buscar a segunda rodada."

Antes de avançar, deixem-me que vos descreva um pouco o ambiente em redor. O restaurante, composto de várias salas em vários andares, estava lotado. Eram 11 da manhã - e estava completamente cheio. Muitos grupos de amigos, um ou outro casal... mas na grande maioria: famílias. Famílias inteiras, vietnamitas, nem um estrangeiro na minha sala, nem um estrangeiro em todo o restaurante. Crianças a correr de um lado para o outro, crianças a chorar, adolescentes de aparelho agarrados ao iphone, criancinhas de colo com ipad à frente, para não chorarem, a ver desenhos animados, a ser estupidificados logo aos seis meses de idade... maridos e respectivas sogras, gente de sucesso, muitos relógios dourados e saltos altos, a roupa de domingo - tudo a rigor.

Estão a ver o cenário, não estão?

Continuando.

Já sem muita imaginação, optei por um esparguete com molho de marisco. Levei tubarão e recusei lulas, apesar de que tinham bom aspecto. Experimentei salada russa e uns fritos que não sei identificar. E quando me sentei novamente à mesa, para a segunda rodada, foram servidos cinco pratos cheios para os três. Eu tinha sido o único a encher um só prato.



Obviamente que não se comeu tudo - pois tínhamos de guardar um pouco de apetite para a sobremesa.

"Só como um bocadinho de fruta," declarei.

Mas no meu prato acabou por vir ananás, pêra, melancia e um fruto cujo nome não conheço, mas de que gosto muito... e uma mousse de maracujá, uma espécie de pudim flan e ainda uma gelatina. Nos pratos dos outros: mais fruta, doces e bolos - tudo para partilhar.

Só de visualizar a cena, sinto-me a rebentar outra vez.

Não comi o resto do dia, claro está - e se já me sentia meio adoentado (que sina esta a minha, acontece sempre que chego a Hanói, na primeira Indochina da época), pior fiquei ao fim deste tão empaturrado domingo.

Saímos do restaurante à uma da tarde - a rebolar.

E a conta: 10 euros por pessoa. Dez. Inacreditável.

4 comentários:

Clara Amorim disse...

Ena! Que grande almoço!
Até eu fiquei empanturrada!!! :)

tereza knapic disse...

acabei de ler e acho que vou estar sem comer durante uma semana!!!!

Luffi disse...

Até eu que sou um BOM GARFO já fiquei cheio só de imaginar!

LV disse...

Finalmente consegui ler este post e eu que ía jantar fora .... secalhar já não vou, não consigo .... Estou mesmo embuchada e para finalizar iria pagar 20€ por um mísero pratinho .... Não vou, já não me apetece ....
Boa experiência mas cuidado com a barriguinha .... eheheh!