15/01/2016

A TERCEIRA TATUAGEM

Passaram-se apenas duas semanas desde o festival em Thrissur, quando vivi outro dia que merece ser aqui recordado.

Depois de Thrissur, eu e o Luís atravessámos nas nossas vespas o Kerala e o Tamil Nadu, e fomos parar à costa leste da Índia, mais concretamente à antiga colónia francesa Pondicherry. Aqui deixámos as motas na oficina, durante uma semana, e voámos para Bombaim, onde estava o Inácio Rozeira com um grupo da Nomad.

15 DIAS DO ANO 15

(06) TREZE DE MAIO

Em Portugal é dia de Nossa Senhora de Fátima, a do Terceiro Segredo. Mas em Bombaim foi dia de fazer a minha Terceira Tatuagem. ;)

Já estava planeada há bastante tempo, esta tatuagem. Sabia perfeitamente o que queria escrever, há dois ou três anos que adiava o inevitável... e assim que comecei esta viagem à Índia soube que chegara o momento - pois todas as aventuras e todas as surpresas transformaram em urgência aquilo que era para ser "um dia destes".

"Um dia destes" foi o treze de Maio do Ano Quinze, portanto.

Depois de alguns dias com o Inácio e o Luís a aprofundar a nossa paixão por Bombaim, caminhando intensivamente pela cidade, passando uma tarde à conversa no Dobhi Ghat (onde aproveitei para cortar o cabelo), ou entrevistando duas hijras no seu próprio quarto (enquanto se arranjavam para ir trabalhar); mudámo-nos para casa da minha amiga Seema, em Andheri.

Vai-não-vai e fui mesmo: no dia treze fui parar a um estúdio em Bandra, uma zona chique de Bombaim, onde fiz finalmente a terceira tatuagem.



E o que diz, afinal, esta frase em hindi eternizada no meu braço?

Diz "sab kutch milega", que traduzindo à letra significa "vais conseguir tudo", mas que é utilizada com o sentido "tudo é possível."

E se esta frase já faz todo o sentido na minha vida (ou pelo menos na forma como encaro as coisas), esta viagem à Índia parecia feita para a tatuagem. A forma como consegui comprar a Vespa, no Kerala. Todos os pequenos acontecimentos, coincidências, pormenores e surpresas. Quando cheguei a Bombaim, sabia que não podia ir embora da cidade sem escrever esta frase no braço.

O sexto dia desta selecção de quinze valeu por este momento que ficará marcado para sempre no meu corpo, mas também por simbolizar uma semana fantástica em Bombaim, esse bocadinho de mundo que é um bocadinho de mim, e que é um mundo em si mesmo, tão especial, único, tempestuoso e frágil, uma descontrolada explosão de cores, emoções e sabores.

2 comentários:

Joaninha disse...

agora ja são 4!!!
qualquer dia apanhas-me!!

Clara Amorim disse...

Tudo é possível, pois claro! :)