15/10/2004

NA "QUINTA DA CELEBRIDADE"

Era uma vez uma familia goesa que mudou o apelido Felizardo para Fizardo. Foram viver para Bombaim e tiveram um filho e uma filha. O rapaz, chamado Abbey, comecou a trabalhar em producao musical e a certa altura saltou da sombra e quase sem dar por isso era uma estrela pop com fans histericas nos concertos e esse tipo de rotinas. Quando juntou umas massas extra, comprou um bocado de terra no meio da selva, a 100km da cidade. Quase dois anos, tinha feito boas amizades com os locais e propos sociedade a um deles. Compraram 11 cabras, hoje tem 63. Diz que vai comprar um tractor, arranjar a casa para quando casar e fazer mais uns telediscos para garantir umas massas.

E foi nesta quinta que passamos os ultimos dias.

A quinta do Abbey foi o melhor que podia ter acontecido nestes dias de caos e loucura urbana. Depois das festas-filmagens-jantaradas, apetecia-me sair um bocado de Bombaim. E aquele passeio a Pune para ver o concerto dele, por muito giro que tenha sido, soube a pouco. Estes dois dias de paz foram uma delicia: muito descanso e boa vida, aprendi um jogo que quero levar para Lisboa, vai ser um sucesso (nao me lembro do nome); passeamos as cabras, fomos buscar ovos ao galinheiro e vegetais a aldeia mais proxima... e pescamos caranguejos ah noite. Foi pouco tempo, dois dias nao eh nada, mas ja estamos a combinar nova escapadela ah quinta da celebridade!

2 comentários:

Anónimo disse...

Olá viajante !

Como devem ter sido bons esses dias de vida no campo nessa "Quinta de Comuns mortais" !
"Ovos no Galinheiro", "Legumes da Aldeia mais próxima"... Mmmmm Q´inveja ! Confesso que só a parte dos caranguejos é que ....
Nesta Quintinha chamada Portugal não há grandes acontecimentos a registar. O Governo não caiu e não abriu nenhum restaurante indiano em Lisboa!

Beijos e ...Boa Volta !

Rita Foca
(Eh Eh)

Foca disse...

De viajantes para viajante,

Depois de uma noitada valente ate as sete da manha acordamos por volta do meio-dia. Ao segundo dia ja nao estranhamos as pessoas nuas na sala e na piscina do nosso hostel. Como os vapores da noite ainda se fazem sentir comecamos o dia com um mergulho (com calcoes claro). Seguiu-se um pequeno almoço principesco, onde o doce de leite assume lugar de destaque, na companhia de um casal, ele brasileiro e ele Argentino. Dois eles portanto...mas muitos simpaticos.

Saimos e apanhamos o taxi em direcçao a S. Telmo. Aos domingos as ruas deste bairro historico da cidade sao ocupadas por uma feira de velharias, artesanato, artistas de rua, orquestras e claro tango, muito tango.

Completamente loucos pela atmosfera entramos numa tasca tipica para almocar. Velha, suja mas com um encanto dificil de imaginar. O Sergio traz-nos umas empanadas de frango antes de um gigante naco do lombo, ca da terra claro!! Por mais que os dias passem nao nos habituamos ao tamanho dos bife. Para sobremesa mais doce de leite, claro!! Ou por cima de um pudim, de um bolo, ou simplesmente sozinho..

Paga a cuenta (16 pesos - 4 euros) partimos a descoberta de S. Telmo. Sucedem-se os patios, becos, jardins interiores, ruas estreitas com predios a cair e de cair para o lado!! Tudo muito velho, tudo com muito charme, tudo com muita vida. Vasculhamos as centenas de bancas, entramos em dezenas de lojinhas...paramos para conversar com dois velhos da loja de fotografis, que jà estiveram em Lisboa. A conversa dura mais de meia hora..elas aproveitam e vao ler o tarot na loja ao lado..

Entretanto sao quase seis da tarde e S. Telmo nao cansa, inumeras espalanadas na rua ou em varandas no primeiro andar, pedem para que nos sentemos para desfrutarmos ainda mais..Apesar de o ambiente arrepiar temos que seguir em direcao a La Boca, o bairro do Tango. Sao quase dois quilometros para chegar.

Atarvessamos uma das zonas mais pobres da cidade. O Boca Juniores - Independiente acaba e cruzamo-nos com milhares e milhares de pessoas que saem do estadio..todos com a camisola do Boca..

Andamos mais rapido, principlamente quando passamos pelos grupos de 20 e 30 miudos que deixam o estadio a caminho das ruelas interiores do bairro. Finalmente chegamos a El Caminito. Um dos cafes de Tango mais emblematicos, situado no meio de uma rua de casas de todas as cores. Danca-se tango porta sim porta sim.

Paramos para ver, ouvir...sentamo-nos e pedimos uma canha enquanto vemos o sol que pinta as casas coloridas de dourado, desaparecer..Na parede os grandes dancarinos de outros tempos olham para nos...

Sao oito da noite..apanhamos um Taxi de volta ao Hostel..descancamos, saimos para jantar..voltamos p descansar. Amanha deixamos Buenos Aires em direcçao â Patagónia...

Foca e Diogo Vassalo

Buenos Aires
31/10/2004