01/07/2013

O LUGAR ONDE NASCEM AS NUVENS

Como sabem, o relato desta aventura acontece... a uma distância de segurança, chamemos-lhe assim. Vontades, contrariedades e eventualidades ditaram que se estabelecesse um intervalo entre a "realidade" e o "relato" - mas isso a mim pouco me interessa. Desde que conte o que tenho a contar.

Se por um lado faço um esforço para que o relógio e o mapa não influenciem o fervor das palavras e sentimentos que partilho, a verdade é que há lugares tão únicos e momentos tão especiais, que às vezes duvido se foram vividos ou sonhados.

Estes dias a caminho de Uyuni, por exemplo. Se não fossem as notas de viagem e as fotografias guardadas no computador. Quem diria.

Entre adormecidos vulcões e viva neve ao fundo, um céu impossível de acreditar de tão azul e tão limpo, uma paisagem pindérica de tantas cores e padrões, e lagos serenos com pacatos flamingos... avançámos até ao lugar onde nascem as nuvens.


Mais um geyser, dizem já os cépticos - mas os cépticos provavelmente nunca aqui estiveram. Eu estive. Eu, o Bunty e o internacional quarteto de divertidas e giras estrangeiras. Este lugar: aqui é onde nascem as nuvens.

Dentro do carro, ainda ao longe, apercebemo-nos que havia naquele vale qualquer coisa de especial - uma espessa nuvem branca a contrastar com as cores vivas da terra e do céu, libertando-se do chão como fumo de nargilé. Ao perto, depois dos inevitáveis "não se demorem mais do que não-sei-quantos minutos, por causa dos gases", "cuidado onde põem os pés" e outros avisos, descobrimos então que estávamos num lugar só possível em contos e fábulas.

Aqui nascem as nuvens, garanto-vos.

Não há fábricas, não há operários, não há talentosos artesãos nem mágicos duendes. Não há truques. É a natureza. Com lama a borbulhar e gases mal-cheirosos, altas temperaturas e altitudes pouco amigas. Aqui, algures onde quase nem se dá por isso, neste fim-de-mundo há vapores e cheiros e calores, e lá se vão elas para o céu, as nuvens, brancas e gordas, vão ali tapar o sol, vão ali chover e trovejar, fazer aquelas coisas que as nuvens fazem.



5 comentários:

Carolina Galrão disse...

Esse geisér é fantástico!!! Adorava visitá-lo.

Podia dar uma vista de olhos ao meu blog e se pudesse segui-lo??
http://www.fashion--and--you.blogspot.pt/

Lv disse...

Uauh .... Uauh ....parece mesmo que as nuvens nascem no chão, é único

Clara Amorim disse...

Tão único que tem de ser partilhado...!

agrades disse...

Uma aventura em grande. Inesquecível, certamente.

Luísa Pinto disse...

Já estive aí há uns anos atrás. E não tive a capacidade de fazer essa leitura. É certeira. É poética. Vou mostrá-la à Pikitim.