05/04/2007

UMA DESILUSÃO, UMA SURPRESA E O INDIANO MAIS ROMÂNTICO DE SEMPRE

Uma desilusão: ainda não é desta que vou a Diu, estou muito perto mas não tenho tempo, se quero estar em Bombaim para o fim-de-semana de Páscoa.

Uma surpresa: fiquei em Junagadh, supostamente um ponto de paragem a caminho de Diu, mas o Destino quis que ficasse aqui dia e meio, antes de me meter na estrada novamente. Quem diria... um forte engraçado com dois poços gigantes a fazer lembrar os filmes do Indiana Jones, ruas cheias de edifícios antigos, templos hindus novinhos em folha, monumentos que podiam ser o ex-libris de qualquer cidade. E para rematar, quase todos os muros da cidade estão pintados com citações de personalidades históricas como Napoleão Bonaparte, Júlio César ou Gorbatchev.

O indiano mais romântico de sempre: conheci-o no forte, junto aos canhões que testemunharam a derrota do exército turco contra as forças portuguesas. Veio fazer conversa comigo, quando lhe perguntei o que estava ali a fazer disse-me “I’m waiting for my lover.”

Acabámos por passar a tarde juntos, primeiro a passear enquanto esperávamos pela amada/amante, que ele insistia em apresentar-me... mas ela não telefonou, e não apareceu, e o rapaz começou a ficar deprimido. Levou-me a uns templos, passeámos na cidade velha, ele sempre agarrado ao telefone porque tinha de ser ela a ligar-lhe, ele tinha telefonado na noite anterior e o pai dela atendeu o telefone... dramas amorosos, típicos na Índia.

A tarde passou sem que ela ligasse, eu já não sabia o que dizer porque o rapaz estava cada vez pior, a dada altura mostrou-me umas cicatrizes no braço onde tinha escrito, com uma lâmina, o nome dela, antes de lhe escrever uma carta com o próprio sangue. Arrepio! Quando já ao cair da noite ela finalmente ligou, o indiano mais romântico de sempre mudou radicalmente de personalidade. Só faltava cantar e dançar: ria às gargalhadas, levou-me a um barbeiro e cortou o cabelo, fez novo penteado e uma massagem capilar... tudo porque havia uma breve hipótese de a encontrar. Mas ela ligou outra vez - e nada feito. O pai não a deixava sair de casa.


Jorge, foge enquanto podes – bebemos um sumo de cana de açúcar e cada um seguiu com a sua vida.

1 comentário:

@ MK's disse...

...uma autêntica história de um filme de Bollywood, dos anos 80....!!!