21/06/2016

ALGUMAS FORMAS DE CUMPRIMENTAR ALGUÉM PELO MUNDO FORA

A propósito da entrevista que dei hoje no programa "Grande Tarde", apresentado pelo João Baião, partilho hoje algumas formas originais de cumprimentar alguém por esse mundo fora.

Na Índia, por exemplo: é comum baixar-se e tocar no pés das pessoas mais velhas, e depois tocar no próprio coração. É uma forma de demonstrar respeito, porque o pé é a parte mais impura do corpo. A este cumprimento chama-se "Pranama" e é quase como pedir a benção. No entanto, a forma mais habitual de cumprimentar alguém é com um "Namasté", que como quase toda a gente sabe faz-se encostando as palmas das mãos uma à outra, em frente ao coração.

Na Tailândia, o "Wai" não é muito diferente do "Namasté": junta-se as palmas das mãos quando se cumprimenta alguém, mas dependendo do respeito, idade ou hierarquia, pode-se fazer o gesto em frente ao queixo, nariz, testa ou mesmo por cima da cabeça. No limite - no caso de cumprimentar o rei, por exemplo - deve-se mesmo deitar no chão com as mãos para a frente.

Já na Malásia, Vietname e Camboja é diferente. Nestes países é normal perguntar "onde é que vais", em vez de "como estás" ou "tudo bem". Esta é uma forma de mostrar interesse sobre a pessoa e o que esta faz. E da mesma maneira que quando nos perguntam "como estás" podemos responder "tudo bem" sem entrar em pormenores acerca do nosso real estado de espírito ou de saúde, também nestes países não precisamos de explicar em detalhe para onde vamos, quando nos cumprimentam. Basta responder com um "vou ali" ou "vou dar uma volta".

No Tibete há uma tradição muito particular: quando se cumprimenta outra pessoa, é normal mostrar a língua - basta pôr um bocadinho de fora, para provar que não se é a reencarnação de um rei do século IX, que tinha a língua preta e a fama de ser "mau como as cobras".

Na Gronelândia, as pessoas cumprimentam-se com o "beijo de esquimó", ou então pode tocar-se com o nariz na testa ou na bochecha do outro - e inspira-se, como se estivéssemos a cheirá-la. No entanto, este tipo de proximidade acontece só entre família e amigos. Raramente um estrangeiro será cumprimentado assim logo à primeira vez.

Também na Nova Zelândia se usa um cumprimento parecido. Chama-se "Hongi" e faz-se encostando os narizes uns aos outros - é um acto simbólico que simboliza o "sopro da vida" e que os Maori acreditam ter sido iniciado pelos deuses.

Nas Filipinas segura-se a mão direita da outra pessoa (especialmente das pessoas mais velhas) e encosta-se os nós dos dedos à nossa testa. É uma forma de mostrar de respeito e chama-se Mano.

O contacto físico não é muito comum no Japão, pelo que se cumprimenta outras pessoas através de uma vénia, que varia conforme o tipo de formalidades e o estatudo de cada pessoa. Pode ser um breve aceno de cabeça até uma demorada vénia de noventa graus - ou seja, não só varia a duração da vénia, como o próprio ângulo de inclinação. Os homens normalmente deixam as mãos de lado, caídas, enquanto as senhoras deixam as palmas para dentro, a tocar nas ancas.

Em Marrocos é costume fazer-se mil e uma perguntas a seguir ao "salam aleikum", acompanhadas da respectiva resposta e "graças a deus". Pergunta-se pela esposa, pelos filhos, pelos pais, por cada membro da família, provavelmente até pelo piriquito. É um ritual muito engraçado, que pode demorar vários minutos, em que as pessoas até podem estar a fazer outras coisas, não parecendo na realidade muito interessadas no que estão a dizer. É quase um duelo, muito giro - e quanto mais para sul, mais elaborado. Também no Mali e em alguns países da África Ocidental há rituais parecidos, que são a origem da nossa expressão "salamaleques".

Ainda em Marrocos, os homens cumprimentarem-se com quatro beijinhos. Em França é comum serem três, e em Portugal pode ser dois ou mesmo um. Já na Turquia, onde normalmente basta um aperto de mão ou um aceno, entre amigos é mais caloroso, e é comum os homens beijarem-se duas vezes, mas no sentido contrário ao que usamos em Portugal - ou seja, primeiro dá-se a bochecha esquerda, depois a direita.

Também muito comum em muitos países muçulmanos é o ritual de tocar no coração depois de apertar a mão a alguém.

Não faltam variações destes cumprimentos, por esse Mundo fora, ou outras maneira originais de se dizer olá. As tribos africanas Shona batem palmas, nas Ilhas Marshall franzem as sobrancelhas, na Zâmbia apertam-se os polegares da outra pessoa. E cá entre nós, é exactamente esta riqueza que me faz continuar a viajar e a querer descobrir mais Mundo.

Assim sendo, despeço-me com um dos cumprimentos mais famosos da Ásia:

Sabaidee!! :)

3 comentários:

Nádia disse...

Eu costumo cumprimentar algumas pessoas com quatro beijinhos desde pequena! Não me lembro como ganhei este hábito.


Kill Your Barbies

martina disse...

muito bonito

Clara Amorim disse...

Bem, parece que o meu blogue preferido já está de férias há tempo de mais...!
Para quando o regresso? ��