08/03/2015

BOM DIA, SENHORAS!

E porque hoje celebra-se o Dia da Mulher, deixo por momentos os Budas e esqueço que estou a viajar na Indochina... e dedico o domingo a todas as senhoras que me "acompanham" nestas voltas e reviravoltas pelo mapa, pelas ideias, pelas histórias e sorrisos.

Hoje os posts são todos no feminino - e começo já com o click do dia, feito na Birmânia há exactamente duas semanas.

Um grupo de amigas no topo do Mingun Paya, uma estrutura gigante que, se tivesse sido terminada, seria ainda hoje a maior stupa do Mundo. Mas matemáticas à parte: encontrei este grupo de raparigas e senhoras a passar a tarde juntas, alegremente conversando, petiscando, admirando a paisagem e atirando piropos aos rapazes e aos turistas que passavam.

Um dia feliz, minhas ladies!

07/03/2015

28 BUDAS

Entre as centenas de fotos que tirei no complexo de grutas budistas de Pho Win Taung, nos arredores de Monywa, seleccionei vinte e oito para partilhar aqui.

Curiosamente, a grande maioria das que aqui partilho são Budas na posição de "chamar a Terra a testemunhar", ou "subjugar o Mara". É uma posição muito recorrente aqui no Sudeste Asiático, e que está associada a uma história muito bonita, não sei se alguma vez a partilhei aqui. Vou ver. De qualquer forma, há em Pho Win Taung estátuas com as simbologias mais variadas. Do século XIV ao XVIII, em materiais diversos - mas todas representam o Buda.


























BOM DIA, TOCA A REAGIR!

Imagina-te a subir seis andares - pelas escadas. Estão trinta e quatro graus lá fora mas sentes arrepios pelo corpo todo. E não é do ar condicionado.

Tens trinta e nove de febre.

Chegas ao quarto e nem forças tens para enfiar a chave na fechadura. Devagar. Quando finalmente consegues abrir a porta, entras no quarto e atiras o pouco que trazes nas mãos para cima da cama, só pensas em deixar-te cair também - mas precisas de ir à casa-de-banho primeiro.

Respiras fundo, a cada movimento sentes um músculo que dói, uma articulação, um osso.

Sentes os bolsos cheios. Acabaste de levantar dinheiro no multibanco, e no Vietname isso implica um valente maço de notas. Que desconforto. Tiras as notas para fora, devem ser mais de cinquenta... e de repente... é Ho Chi Minhs verdes a espalhar-se pelo quarto todo.

E agora?

Agora: já passou.

Isto aconteceu. Que desespero, aquele dinheiro todo a voar, e eu sem reacção senão uma espécie de gargalhada aterrorizada, muito próxima do choro. Foi ontem à noite, em Saigão, no auge (espero) desta minha... hmmm... recaída. Uma amigdalite, penso eu - mais uma, nem um ano e meio depois daquela que atirou para uma cama do hospital de Luang Prabang, no Laos. Agora já estou medicado e a melhorar, ainda um bocadinho fraco mas neste momento não tenho febre, apenas uma garganta mal-tratada e algum desconforto. Mas os últimos dias foram difíceis de gerir, a viajar com um grupo da Indochina e com esta situação que parecia mais controlada do que estava.

Adiante: parece-me que o pior já passou.

Mais vale concentrar-me em coisas mais zen: os budas de Monywa, por exemplo, aqueles que no último post prometi partilhar aqui. Vou num instante dar ordem à seleção feita e "volto já".

Enquanto isso, tenham um bom dia. Eis um click feito em Monywa, não de um buda mas de um monge:


03/03/2015

BOM DIA, MONYWA

Aqui na Indochina já estamos em movimento: deixámos Hanói hoje de manhã e chegámos há meia-hora a Ninh Binh, onde vamos passar a tarde, antes de apanhar o comboio para Hué.

No entanto, aqui no blog hoje continuo por Monywa. Ontem publiquei algumas panorâmicas do complexo de grutas budistas que visitei, hoje à tarde espero conseguir partilhar mais algumas impressões deste lugar tão especial.

Fica um clik, só para aquecer. Só para dar os bons-dias:


02/03/2015

BUDAS, PANORAMIC STYLE

Voltemos por momentos ao Myanmar, de onde regressei há menos de uma semana.

Um dos lugares que mais me surpreeendeu nesta última volta foi Monywa - ou, para ser mais exacto, os arredores de Monywa. Descobri, a pouco mais de vinte e cinco quilómetros da cidade, uma colina chamada Pho Win Taung, onde há mais de seiscentos anos foram escavadas nas rochas centenas de pequenas grutas (novecentas, para ser mais exacto), e dentro destas foram colocadas milhares de estátuas de budas, de vários tamanhos e feitios, posições e materiais. Algumas destas grutas continuam a surpreender com as suas paredes e tectos pintados com frescos, outras desiludem com os rabiscos de turistas mal-educados. Há de tudo. Há uma representação do Monte Meru na fachada de uma das grutas, há elefantes de pedra a guardar templos, muitos macacos para dar mais emoção, o som do gongo a ser tocado, monges a meditar, alguns templos novos com os neons à volta da cabeça do Buda, lojas de souvenirs, barraquinhas de bebidas e o colorido habitual deste tipo de lugares.

Ainda não contabilizei quantas, mas devo ter feito aqui mais de mil fotos.

Budas, budas e mais budas. Que lugar incrível - e com tão poucos turistas, além dos locais, a fazer justiça ao significado do seu nome, que traduzido para português quer dizer qualquer coisa como "Montanha da Meditação Solitária".

Para quem conhece a Índia, posso fazer aqui uma comparação que é capaz de ajudar a entender melhor o que é este lugar: é uma espécie de Ajanta com tiques de Ellora, as famosas grutas budistas perto de Aurangabad, no Maharashtra. Mas em dimensões bem menores, claro. Muito, muito bonito.

Além das muitas fotografias que tirei com a máquina, dei por mim a fazer algumas panorâmicas com o telefone - e é por esta abordagem que começo por partilhar convosco este lugar. Espero que gostem:











BOM DIA, DUAS VEZES :)

Hoje o dia acordou cinzento e húmido, cheio de arrepios e vidros embaciados.

Mas as cores até parece que saem mais realçadas nas fotos, como que agitadas por uma necessidade de se destacarem na luz cinzenta da manhã.

Fomos dar uma volta, eu e o grupo da Indochina. Fomos passear pelo Bairro Antigo.

Hoje levei a máquina comigo - e apesar de nem ter tirado muitas fotografias, há pelo menos duas que são "a cara" desta manhã - e custa-me escolher apenas uma. Assim sendo, hoje o click do dia são dois:


Para conhecer o itinerário completo e as datas das próximas edições da viagem "Indochina com Jorge Vassallo", clique aqui.

01/03/2015

SAI UM CAFÉ COM OVO PARA A MESA DO CANTO

Ainda não foi este fim-de-semana que encontrei um bun chá melhor que o meu preferido... e também não foi este ano que ganhei o prémio para o qual este blog estava nomeado (aliás: muitos parabéns ao Filipe, à Carla e aos outros vencedores)...

...mas ontem foi o dia em que finalmente provei o famoso Ca Phé Trung, uma especialidade muito particular de Hanói.

Já tinha ouvido falar desta bebida, tinha até procurado por ela - mas nunca a encontrara em lugar algum. E não é que, sem me dizer nada, o meu amigo Quang levou-me a dar uma volta de mota em Hanói, ontem ao final da tarde - e, para minha surpresa, levou-me a experimentar o tal café com ovo que tantas vezes imaginei/temi.

Confesso que a ideia me fazia alguma comichão. Vá-se lá saber porquê, mas na minha cabeça visualizava sempre um café servido com uma clara crua. Que estupidez.

Tem ou não bom aspecto? No fundo é uma espécie de gemada. E vem a acompanhar uma dose de café vietnamita.

Que delícia!

Quais prémios da BTL, quais quê! ;)

UM BUN CHÁ ASSIM-ASSIM

"Meet me in front of the Royal City", dizia o SMS que recebi ontem ao final da manhã. Eu nem sabia que havia uma Cidade Real em Hanói.

Muito bem, pensei. Passo a conhecer mais uma parte da cidade. E, pelo nome, pode ser que até valha a pena levar os grupos da Nomad lá, da próxima vez. A ver vamos. Sempre a aprender.

Mas vamos por partes:

A razão de ser desta combinação nada tinha nada a ver com turismo. Eu estava prestes a meter-me em cima de uma mota e atravessar meia-Hanói... por um bun chá. E para quem não sabe o que é um bun chá, por favor clique aqui antes de prosseguir a leitura deste post. Tenham algum decoro, por favor.

Esclarecidos? Continuemos. ;)

Acho que nunca tinha comentado acerca disto no blog, mas tenho esta mania (chamem-lhe pancada) de desafiar os meus amigos de Hanói para me darem a provar o seu bun chá preferido. E até já tenho o meu, aqui, mas continuo à procura de ser surpreendido - e, quem sabe, render-me a outro. Podia até dar-me por satisfeito com os bun chá que já experimentei (e não foram poucos), mas querem o quê?, no que diz respeito à minha "cena" com o raio do prato, não há como conformar-me.

Continuando: ontem recebi um SMS de um amigo que já me "devia" há algum tempo uma visita a um bun chá. Depois de algumas ameaças e tantos outros cancelamentos, finalmente desafiava-me a ir ter com ele para cumprir a missão que sabia estar por cumprir. Pediu-me para ir ter com ele à tal cidade real, que eu não fazia ideia existir em Hanói - e como sou obediente e bom rapaz, saí para a rua e abordei o primeiro moto-taxi que encontrei. Como o senhor não entendia nada do que eu dizia, liguei ao meu amigo e ele explicou-lhe onde ir.

E lá fomos. Entre trânsito e peões e cartazes de publicidade, lojas com nomes engraçados e os tradicionais emaranhados de fios de electricidade, mais as montras decoradas com imagens de cabras (começou há uma semana o respectivo ano lunar).

Até que chegámos à Royal City.

A sério.

Nem queria acreditar. Aquilo que eu pensava ser um landmark histórico, um potencial ponto de visita para os grupos da Nomad - afinal era um Mega Mall.

Com estátuas gregas.

Pois. Ou romanas. Eu-sei-lá.

Enfim: o driver deixou-me à porta e eu liguei ao meu amigo a avisar que estava à espera dele à porta da... hmmm... cidade real. O Quang apareceu pouco depois a rir, já estava à espera que eu tivesse "vindo ao engano". Com amigos assim... ;)

Montei-me então na sua mota e lá fomos por entre bairros residenciais, em zonas da cidade que me eram completamente desconhecidas. Parámos finalmente em frente a uma garagem muito simples, parecia uma oficina, completamente despretensiosa, sem nada de muito interessante que mereça aqui destaque. Parámos a mota e sentámo-nos a uma mesa (confesso que prefiro a versão banquinhos-rentes-ao-chão) e esperámos que nos viessem servir.

E chegados a este ponto, tenho que admitir aqui a minha desilusão. Tanto mistério, tanta volta e tanta coisa... para nada.

Não era mau, o bun chá. Mas também não era excelente. Nem óptimo. Nem muito bom.

Era um bun chá... assim-assim. :/

(eu, desiludido)

BOM DIA, HANÓI... OU NEM POR ISSO

"This is Vietnam. If you don't like it, go back to your home."

O que é que se responde a isto?

Eu tinha simplesmente chamado a atenção, meio a rir para não dar a ideia de confronto, para um sinal afixado na parede a dizer "no smoking". Estávamos no aeroporto, num restaurante junto às chegadas, e eu trazia um tabuleiro com um café e uma tosta. O meu objectivo era simples: tomar o pequeno-almoço, pacatamente na Paz do Senhor, enquanto esperava por cinco das pessoas que me vão acompanhar, a partir de hoje, em mais uma edição da Indochina.

E agora a cereja em cima do bolo: os quatro homens estavam fardados. Eram funcionários do aeroporto.

Devia ter tirado uma fotografia. Provavelmente devia ter ido reportar a alguém. Enfim: quem sabe tentar insistir ou chamar à razão... mas pareceu-me tão absurdo, no momento. Não acredito que tivesse alguma sorte. Mas tinha cinco pessoas a chegar, estava ainda meio-a-dormir, e meio-atordoado pela inesperada resposta. Que anormais.

Eu sei que não são todos assim, os Vietnamitas.

E energúmenos destes há por todo o Mundo.

Mas eu estou Aqui, Agora.

Acabei por me retirar. Disse-lhes qualquer coisa mas para ser sincero já nem sei bem o quê... e fui-me embora. Pouco depois chegaram os cinco viajantes da Nomad e eu segui com a nossa vida. Ainda voltei ao aeroporto mais duas vezes, hoje. Nos entretantos "mandei vir" num fórum online daqui de Hanói e até já me deram o telefone de um ministro, quem diria, porque "é inaceitável". Mas o mais provável é que não passe disto.

Enfim.

Bom dia, Vietname!

Bom dia, Hanói!

Já cá estão os dez aventureiros, hoje à noite vamos jantar fora e amanhã recomeça a aventura. E se tudo correr como suposto, os sorrisos dos próximos vinte dias vão sobrepôr-se a este momento menos feliz do Universo.

Enquanto isso: click!