Hoje passámos a tarde a explorar as ruínas da antiga cidade de Ani, perto de Kars, no nordeste da Turquia. Em tempos viveram aqui cerca de cem mil pessoas, mas hoje resta pouco mais que um silêncio antigo e os fantasmas da História.
Com vista para a Arménia, o futuro deste riquíssimo património é ainda um pouco incerto. Nota-se mais algum cuidado das autoridades turcas em proteger as ruínas, pelo menos relativamente a anos anteriores... mas ainda não é suficiente para garantir a sua sobrevivência. É preciso mais. É preciso um compromisso sério com a memória deste lugar e de outros como este.
Mas voltando ao passeio com o grupo Nomad: também parámos atrás da igreja de São Gregório para um piquenique... mas não digam a ninguém :)
10/09/2014
EU VI UMA NUVEM
Uma grande nuvem. Uma nuvem com o formato do mapa da Turquia.
A sério: foi mesmo isso que eu vi. E cada qual vê o que vê, não é?
Ora vejam lá se não é a Turquia:
E já agora um mapa "sacado" da net, para quem precisa de "ajuda do público":
A sério: foi mesmo isso que eu vi. E cada qual vê o que vê, não é?
Ora vejam lá se não é a Turquia:
E já agora um mapa "sacado" da net, para quem precisa de "ajuda do público":
09/09/2014
CAFÉ COM VISTA SOBRE A SÍRIA
A viagem de Istambul ao Curdistão continua intensa e surpreendente - como se quer. ;)
Como previsto, hoje visitei a cidade de Mardin com o grupo. Mas desta vez acrescentámos-lhe uma passagem por Hasankeyf, uma vila que apesar da sua importância histórica, cultural e paisagística, tem um triste destino marcado: será submersa pelas águas do rio Tigre, que há tantos milhares de anos lhe faz companhia sem grande "mossa", quando estiver concluída a barragem projectada pelo governo de Ankara.
Polémicas àparte, seguimos para Mardin e explorámos a pé esta espécie de Óbidos da Mesopotâmia. E, como não podia deixar de ser, parámos para um cafézinho com vista sobre a Síria, num dos meus "spots" preferidos desta parte do mundo.
Ficam algumas imagens, confesso que publicadas com alguma nostalgia, porque estamos prestes a sair para a otogar*, de onde viajaremos toda a noite na direcção de Kars, mais a norte, junto à fronteira com a Arménia.
* otogar é a palavra turca para "estação de autocarros"
Para conhecer em detalhe o programa da viagem "Istambul ao Curdistão", clique aqui.
Como previsto, hoje visitei a cidade de Mardin com o grupo. Mas desta vez acrescentámos-lhe uma passagem por Hasankeyf, uma vila que apesar da sua importância histórica, cultural e paisagística, tem um triste destino marcado: será submersa pelas águas do rio Tigre, que há tantos milhares de anos lhe faz companhia sem grande "mossa", quando estiver concluída a barragem projectada pelo governo de Ankara.
Polémicas àparte, seguimos para Mardin e explorámos a pé esta espécie de Óbidos da Mesopotâmia. E, como não podia deixar de ser, parámos para um cafézinho com vista sobre a Síria, num dos meus "spots" preferidos desta parte do mundo.
Ficam algumas imagens, confesso que publicadas com alguma nostalgia, porque estamos prestes a sair para a otogar*, de onde viajaremos toda a noite na direcção de Kars, mais a norte, junto à fronteira com a Arménia.
* otogar é a palavra turca para "estação de autocarros"
Para conhecer em detalhe o programa da viagem "Istambul ao Curdistão", clique aqui.
BOM DIA, CURDISTÃO
É bom estar de volta a este território que é muito mais do que uma notícia má no telejornal. Muito, muito mais. E que apesar de todas as provações, todos os desafios, todas as encruzilhadas - consegue ser sempre hospitaleiro e sorrir.
A viagem pela Turquia continua em alta, agora em Diyarbakir. Como escrevi ontem, é-me difícil ter tempo e cabeça para partilhar tudo aqui. Mas sempre que possível, cá estarei - cá estou.
Vai uma boleia?
A viagem pela Turquia continua em alta, agora em Diyarbakir. Como escrevi ontem, é-me difícil ter tempo e cabeça para partilhar tudo aqui. Mas sempre que possível, cá estarei - cá estou.
Vai uma boleia?
08/09/2014
TÁ DIFÍCIL
O ritmo alucinante, as emoções fortes, as gargalhadas e palhaçadas... tem sido complicado gerir todas estas responsabilidades com a manutenção do blog. Principalmente se tivermos em conta que o wifi nem sempre é o-que-se-quer.
Lá vou conseguindo partilhar esta-e-aquela foto, uma-e-outra história - mas não consigo, com muita pena minha, "deixar" aqui tudo o que gostaria.
Choraminguices à parte: mais vale pouco que nada.
E para ilustrar o dia de hoje ficam cinco fotos tiradas de manhã no monte Nemrut, onde assistimos a mais um nascer-do-sol que desafia dicionários. Este lugar remoto é um dos meus preferidos na Turquia. Ora vejam lá se não é giro :)
Ah, é verdade: já chegámos ao Curdistão! É bom estar de volta a esta terra de boa gente.
Lá vou conseguindo partilhar esta-e-aquela foto, uma-e-outra história - mas não consigo, com muita pena minha, "deixar" aqui tudo o que gostaria.
Choraminguices à parte: mais vale pouco que nada.
E para ilustrar o dia de hoje ficam cinco fotos tiradas de manhã no monte Nemrut, onde assistimos a mais um nascer-do-sol que desafia dicionários. Este lugar remoto é um dos meus preferidos na Turquia. Ora vejam lá se não é giro :)
Ah, é verdade: já chegámos ao Curdistão! É bom estar de volta a esta terra de boa gente.
BOM DIA... TCHIM TCHIM!
Brindar com espumante às sete da manhã? Mas a que propósito? Com quem? Quando? Onde?
É tradição nos voos de balão de ar quente, seja na Capadócia como em qualquer outro lugar. Depois de aterrar, o piloto abre uma garrafa e o grupo brinda ao voo. E ontem não foi excepção.
E com toda a sinceridade e humildade digo: é um privilégio repetir este brinde todos os anos. Obrigado, Nomad.
É tradição nos voos de balão de ar quente, seja na Capadócia como em qualquer outro lugar. Depois de aterrar, o piloto abre uma garrafa e o grupo brinda ao voo. E ontem não foi excepção.
E com toda a sinceridade e humildade digo: é um privilégio repetir este brinde todos os anos. Obrigado, Nomad.
07/09/2014
UAU!!!
Não encontro palavras (uma vez mais) para descrever a manhã de hoje na Capadócia. Assim sendo, neste post falo por imagens:
BOM DIA, CAPADÓCIA!
Que saudades que tinha de um voo matinal de balão!
Hoje foi assim, na Capadócia. Acordámos ainda a meio da noite, antes dos galos cantarem e antes da primeira chamada para a oração. E quando o sol finalmente nasceu, estávamos já bem alto no céu, a sorrir com o espectáculo à volta.
Não tarda nada partilho mais umas fotos.
Hoje foi assim, na Capadócia. Acordámos ainda a meio da noite, antes dos galos cantarem e antes da primeira chamada para a oração. E quando o sol finalmente nasceu, estávamos já bem alto no céu, a sorrir com o espectáculo à volta.
Não tarda nada partilho mais umas fotos.
06/09/2014
"ZUCAS" IN DA HOUSE
É só brasileiros, na Capadócia!
O fenómeno não é propriamente novo, e não é exclusivo de Goreme. Em Istambul também se viam/ouviam muitos. E nas últimas vezes que cá vim, já se reparava no número crescente de turistas do "país irmão".
Mas este ano, aqui na Capadócia, são como nunca vi em lado nenhum. Sotaques cariocas, paulistas, nordestinos - na rua só se ouve Antónios Fagundes e Cláudias Raias, Caetanos e Ivetes, Dilmas e Jorges Amados.
O poder das novelas, hem? :)
O fenómeno não é propriamente novo, e não é exclusivo de Goreme. Em Istambul também se viam/ouviam muitos. E nas últimas vezes que cá vim, já se reparava no número crescente de turistas do "país irmão".
Mas este ano, aqui na Capadócia, são como nunca vi em lado nenhum. Sotaques cariocas, paulistas, nordestinos - na rua só se ouve Antónios Fagundes e Cláudias Raias, Caetanos e Ivetes, Dilmas e Jorges Amados.
O poder das novelas, hem? :)
UMA NOITE NA ESTRADA
Passa do lado de fora a paisagem escura, iluminada apenas pela lua, a quatro ou cinco dias de estar cheia, e pelos faróis do autocarro onde viajo. Parti de Denizli às dez da noite, como previsto. O destino: Goreme, no coração da Capadócia, onde deveríamos chegar às oito da manhã.
Estávamos - eu e o grupo da Nomad que me acompanha - prontos para uma noite santa, depois de um dia inteiro a passear nas varandas de cálcio em Pamukkale; bem como nas ruínas romanas de Hierapolis, mesmo por cima dessa paisagem tão branca que parece neve (mas não é).
Mal cheguei ao meu lugar, percebi que esta ia ser uma daquelas viagens que merece ser recordada. Não necessariamente pelas melhores razões. Ou pelas piores. Apenas pelo "boneco" da coisa.
Sentados mesmo ao pé de mim, nos dois lugares imediatamente atrás do meu, e nos outros dois do lado oposto do corredor, estavam quatro elementos da mesma família, pai mãe filho filha. O pai parecia que vinha anestesiado, sempre a olhar para o infinito e com uma ligadura á volta da cabeça que parecia uma daquelas fitas de desporto dos anos 80, mas em branco. As crianças, de dois e quatro anos, prometiam uma noite de birras e correrias... mas não sei se a mãe as sedou ou de que estranhos truques se fez valer, porque pouco depois de arrancarmos, acalmaram. Nesta paisagem tudo aparentemente pouco digno de nota, não fosse o stress da mãe. Na primeira hora de viagem não parou de chamar o assistente de bordo - sim, há nos autocarros turcos um assistente de bordo - a refilar com tudo e mais alguma coisa, mandando recados que o rapaz levava ao driver, para depois voltar com a resposta. Não consegui entender o que tanto a irritava, mas a verdade é que parecia indignada com qualquer coisa, ainda pensei que teria sido obrigada a viajar com as crianças ao colo para dar lugar a passageiros extra, mas nada disso. Os miúdos tinham, cada um, o seu lugar.
O assistente de bordo, por sua vez, era outro filme. Meio-totó, passou a noite a cumprir tarefas incompreensíveis a olho nu. Desde usar uma luva de plástico na mão direita para servir os copos de plástico com a mão esquerda (com os dedos dentro dos copos), a demorar-se meia hora a preparar o carrinho com os snacks e as bebidas, para depois servir apenas três ou quatro filas e "fechar a loja", ou então a dar um telefone a duas pessoas do meu grupo, acordando-as do seu sono conseguido a custo - mas um telefone que não era deles, e que acabou devolvido ao próprio assistente, sem que ele tentasse saber de quem era realmente o telefone. Enfim, o rapaz era muito estranho, "fazia caras" quando o chamavam, tanto sorria imenso como soprava balões.
Mas voltando à família sentada atrás de mim: era uma família meio-ganzada, meio-chanfrada. Deram trabalho a quem trabalha, seja lá como for que trabalha, chatearam q.b. mas depois calaram-se e quase não se deu por eles até saírem, às seis da manhã.
E que bom que foi, quando saíram. Porque conquistei imediatamente dois dos seus lugares. Mas dessa corajosa movimentação falamos daqui-a-nada. Voltemos, por algumas linhas, ao momento da partida.
Acabei de entrar no autocarro. O grupo sentou-se nos lugares designados, e eu no meu. Sentado à janela, no lugar mesmo ao meu lado, viajava um velhote a dormir. Mas estaria mesmo a dormir? O senhor não se mexia, parecia já falecido. E o pior é que ocupava 110% do seu lugar - ou seja, 10% do meu. Não é muito, eu sei - mas é aquele bocadinho que uma pessoa não apetece chatear, para não ser "chatinho", mas que nos obriga a encolher um-tanto-ou-quanto, para depois tentar conquistar aos poucos aquilo que é nosso por direito, à medida que ficamos impacientes com o ligeiro desconforto.
O autocarro partiu, Turquia fora, pela noite dentro.
O meu lugar era incrivelmente curto, não só pelos 10% que me faltavam no lado direito, mas porque o banco à minha frente estava muito perto. Muito mesmo. Joelhos encostados ao banco da frente. Como na Iberia.
Ao fim de quarenta minutos parámos e, ao sair para tomar ar, apercebi-me que havia lugares estupidamente largos, outros mais "normais", alguns mais apertados. Quem desenhou o autocarro, ou quem o montou, esqueceu-se de uniformizar a distância entre bancos - e assim era uma questão de sorte (ou azar, no meu caso) o espaço que cada um tinha para as pernas.
Sabendo isto, fui a sofrer o resto da viagem.
Dormi pouco - e o pouco que dormi foi sendo interrompido pelas paragens que o autocarro fazia, ou porque as luzes acendiam para isto-ou-aquilo... ou porque, finalmente, às seis da manhã, a família ganzada-stressada saiu. E eu saltei de um banco para o outro. Que maravilha. E depois dormi a melhor hora e meia de sono, nesta noite.
Mas voltando ao senhor dos 110%, sentado a meu lado.
Por momentos especulou-se acerca do estado do homem. Estaria morto ou vivo? Ou algures in between? É que não mexia uma palha. Mas rapidamente me apercebi que o senhor estava vivo. Bem vivo - mas não muito famoso no que respeita ao intestino, derivado ao cheiro. ;)
A sério. Aquele momento em que, no escuro de uma viagem nocturna sentes o velhote ao teu lado a mexer-se, só alguns milímetros, muito ligeiramente... e depois um calorzinho no ar, acompanhado do cheiro de um pei... o quê?!
Sim: uma bufa.
E alguns minutos depois: outra.
E mais outra.
E mais vale sacar do tiger balm da mochila, aplicar um bocadinho debaixo do nariz e deixar actuar.
Dormi - ou tentei dormir - a noite toda virado para o corredor. E assim se justifica o facto de ter saltado do meu lugar para os outros, mal saiu a família ganzada/stressada.
Estávamos - eu e o grupo da Nomad que me acompanha - prontos para uma noite santa, depois de um dia inteiro a passear nas varandas de cálcio em Pamukkale; bem como nas ruínas romanas de Hierapolis, mesmo por cima dessa paisagem tão branca que parece neve (mas não é).
Mal cheguei ao meu lugar, percebi que esta ia ser uma daquelas viagens que merece ser recordada. Não necessariamente pelas melhores razões. Ou pelas piores. Apenas pelo "boneco" da coisa.
Sentados mesmo ao pé de mim, nos dois lugares imediatamente atrás do meu, e nos outros dois do lado oposto do corredor, estavam quatro elementos da mesma família, pai mãe filho filha. O pai parecia que vinha anestesiado, sempre a olhar para o infinito e com uma ligadura á volta da cabeça que parecia uma daquelas fitas de desporto dos anos 80, mas em branco. As crianças, de dois e quatro anos, prometiam uma noite de birras e correrias... mas não sei se a mãe as sedou ou de que estranhos truques se fez valer, porque pouco depois de arrancarmos, acalmaram. Nesta paisagem tudo aparentemente pouco digno de nota, não fosse o stress da mãe. Na primeira hora de viagem não parou de chamar o assistente de bordo - sim, há nos autocarros turcos um assistente de bordo - a refilar com tudo e mais alguma coisa, mandando recados que o rapaz levava ao driver, para depois voltar com a resposta. Não consegui entender o que tanto a irritava, mas a verdade é que parecia indignada com qualquer coisa, ainda pensei que teria sido obrigada a viajar com as crianças ao colo para dar lugar a passageiros extra, mas nada disso. Os miúdos tinham, cada um, o seu lugar.
O assistente de bordo, por sua vez, era outro filme. Meio-totó, passou a noite a cumprir tarefas incompreensíveis a olho nu. Desde usar uma luva de plástico na mão direita para servir os copos de plástico com a mão esquerda (com os dedos dentro dos copos), a demorar-se meia hora a preparar o carrinho com os snacks e as bebidas, para depois servir apenas três ou quatro filas e "fechar a loja", ou então a dar um telefone a duas pessoas do meu grupo, acordando-as do seu sono conseguido a custo - mas um telefone que não era deles, e que acabou devolvido ao próprio assistente, sem que ele tentasse saber de quem era realmente o telefone. Enfim, o rapaz era muito estranho, "fazia caras" quando o chamavam, tanto sorria imenso como soprava balões.
Mas voltando à família sentada atrás de mim: era uma família meio-ganzada, meio-chanfrada. Deram trabalho a quem trabalha, seja lá como for que trabalha, chatearam q.b. mas depois calaram-se e quase não se deu por eles até saírem, às seis da manhã.
E que bom que foi, quando saíram. Porque conquistei imediatamente dois dos seus lugares. Mas dessa corajosa movimentação falamos daqui-a-nada. Voltemos, por algumas linhas, ao momento da partida.
Acabei de entrar no autocarro. O grupo sentou-se nos lugares designados, e eu no meu. Sentado à janela, no lugar mesmo ao meu lado, viajava um velhote a dormir. Mas estaria mesmo a dormir? O senhor não se mexia, parecia já falecido. E o pior é que ocupava 110% do seu lugar - ou seja, 10% do meu. Não é muito, eu sei - mas é aquele bocadinho que uma pessoa não apetece chatear, para não ser "chatinho", mas que nos obriga a encolher um-tanto-ou-quanto, para depois tentar conquistar aos poucos aquilo que é nosso por direito, à medida que ficamos impacientes com o ligeiro desconforto.
O autocarro partiu, Turquia fora, pela noite dentro.
O meu lugar era incrivelmente curto, não só pelos 10% que me faltavam no lado direito, mas porque o banco à minha frente estava muito perto. Muito mesmo. Joelhos encostados ao banco da frente. Como na Iberia.
Ao fim de quarenta minutos parámos e, ao sair para tomar ar, apercebi-me que havia lugares estupidamente largos, outros mais "normais", alguns mais apertados. Quem desenhou o autocarro, ou quem o montou, esqueceu-se de uniformizar a distância entre bancos - e assim era uma questão de sorte (ou azar, no meu caso) o espaço que cada um tinha para as pernas.
Sabendo isto, fui a sofrer o resto da viagem.
Dormi pouco - e o pouco que dormi foi sendo interrompido pelas paragens que o autocarro fazia, ou porque as luzes acendiam para isto-ou-aquilo... ou porque, finalmente, às seis da manhã, a família ganzada-stressada saiu. E eu saltei de um banco para o outro. Que maravilha. E depois dormi a melhor hora e meia de sono, nesta noite.
Mas voltando ao senhor dos 110%, sentado a meu lado.
Por momentos especulou-se acerca do estado do homem. Estaria morto ou vivo? Ou algures in between? É que não mexia uma palha. Mas rapidamente me apercebi que o senhor estava vivo. Bem vivo - mas não muito famoso no que respeita ao intestino, derivado ao cheiro. ;)
A sério. Aquele momento em que, no escuro de uma viagem nocturna sentes o velhote ao teu lado a mexer-se, só alguns milímetros, muito ligeiramente... e depois um calorzinho no ar, acompanhado do cheiro de um pei... o quê?!
Sim: uma bufa.
E alguns minutos depois: outra.
E mais outra.
E mais vale sacar do tiger balm da mochila, aplicar um bocadinho debaixo do nariz e deixar actuar.
Dormi - ou tentei dormir - a noite toda virado para o corredor. E assim se justifica o facto de ter saltado do meu lugar para os outros, mal saiu a família ganzada/stressada.
05/09/2014
NET LENTA + VIAGEM RÁPIDA = GRRR
Nos últimos dias a net tem estado especialmente lenta. E o ritmo da viagem, especialmente intenso.
Por esta combinação de motivos, não tenho estado muito activo "por aqui".
Assim sendo, segue um ponto de situação:
Depois de explorarmos as ruínas romanas de Ephesus e de vermos o pôr-do-sol na praia enquanto bebíamos uma cerveja e nadávamos no Mar Egeu, avançámos pela Turquia fora até Pamukkale, onde passeámos nas varandas de calcário que ilustram milhares de postais por esse mundo fora. E ontem à noite enfiámo-nos num autocarro durante dez horas, que chegou a Goreme hoje de manhãzinha.
Estamos, neste momento, bem no coração da Capadócia.
E que dia, o de hoje!
Que longa, divertida, emocionante, intensa caminhada!
Estou quase-quase a desmaiar de cansaço... vou só ali mergulhar na cama, a ver se consigo pôr as ideias em ordem - amanhã conversamos :)
Istambul ao Curdistão com Jorge Vassallo
Por esta combinação de motivos, não tenho estado muito activo "por aqui".
Assim sendo, segue um ponto de situação:
Depois de explorarmos as ruínas romanas de Ephesus e de vermos o pôr-do-sol na praia enquanto bebíamos uma cerveja e nadávamos no Mar Egeu, avançámos pela Turquia fora até Pamukkale, onde passeámos nas varandas de calcário que ilustram milhares de postais por esse mundo fora. E ontem à noite enfiámo-nos num autocarro durante dez horas, que chegou a Goreme hoje de manhãzinha.
Estamos, neste momento, bem no coração da Capadócia.
E que dia, o de hoje!
Que longa, divertida, emocionante, intensa caminhada!
Estou quase-quase a desmaiar de cansaço... vou só ali mergulhar na cama, a ver se consigo pôr as ideias em ordem - amanhã conversamos :)
Istambul ao Curdistão com Jorge Vassallo
03/09/2014
PEDRA E ÁGUA
Hoje passámos o dia a ver pedra, em Ephesus.
E ao final da tarde, para compensar, fomos dar um mergulho no mar, saboreando uma Efes fresquinha.
Vou só tomar um duche e jantar, volto já para partilhar um pouco mais. :)
Mais sobre a viagem de Istambul ao Curdistão aqui.
E ao final da tarde, para compensar, fomos dar um mergulho no mar, saboreando uma Efes fresquinha.
Vou só tomar um duche e jantar, volto já para partilhar um pouco mais. :)
Mais sobre a viagem de Istambul ao Curdistão aqui.
02/09/2014
GULÉ GULÉ*, ISTAMBUL
Depois de dois dias a explorar Istambul, partimos daqui a pouco para a primeira viagem de autocarro desta aventura. É a noite toda a atravessar uma parte deste imenso país - e amanhã de manhã chegamos a Selçuk, uma pequena cidade ao pé de uma ex-grande cidade.
É aqui que vamos visitar as ruínas romanas de Ephesus.
Mas cada coisa a seu tempo. Amanhã é amanhã, hoje é hoje. E neste momento preparamo-nos para embarcar nessa longa viagem. Felizmente os autocarros aqui na Turquia são de qualidade. Vamos dar uma volta, então? ;)
Quanto ao click de hoje, foi feito durante a visita com o grupo da Nomad à Mesquita Azul. Estes senhores preparavam-se para ir rezar... e quando me viram ali a rondar, prometeram-me que iam pedir por uma atençãozinha especial para a epopeia que se segue ;)
Venham de lá esses quilómetros, então.
*gulé gulé quer dizer "adeus", em turco
É aqui que vamos visitar as ruínas romanas de Ephesus.
Mas cada coisa a seu tempo. Amanhã é amanhã, hoje é hoje. E neste momento preparamo-nos para embarcar nessa longa viagem. Felizmente os autocarros aqui na Turquia são de qualidade. Vamos dar uma volta, então? ;)
Quanto ao click de hoje, foi feito durante a visita com o grupo da Nomad à Mesquita Azul. Estes senhores preparavam-se para ir rezar... e quando me viram ali a rondar, prometeram-me que iam pedir por uma atençãozinha especial para a epopeia que se segue ;)
Venham de lá esses quilómetros, então.
*gulé gulé quer dizer "adeus", em turco
SABIA QUE... #29
...em Aya Sophia, o museu-que-já-foi-mesquita-que-já-foi-igreja (e que hoje é um dos ex-libris de Istambul), há um grafitti feito por vikings, no século IX.
Pouca gente repara nesta pequena curiosidade, tão abismados estão com a dimensão e espectacularidade deste monumento com mais de mil e quinhentos anos. Mas a verdade é que está lá: e este grafitti é um dos meus "segredos" preferidos de Aya Sophia.
Imaginem... há mais de mil anos terá chegado um barco de vikings a Constantinopla, loiros de capecete com cornos e tudo - e um deles foi visitar aquela que era então a maior igreja do mundo... e, vândalo como era suposto ser, assinou o nome no mármore.
E agora é uma relíquia, este pequeno acto de vandalismo. Ora espreitem:
Pouca gente repara nesta pequena curiosidade, tão abismados estão com a dimensão e espectacularidade deste monumento com mais de mil e quinhentos anos. Mas a verdade é que está lá: e este grafitti é um dos meus "segredos" preferidos de Aya Sophia.
Imaginem... há mais de mil anos terá chegado um barco de vikings a Constantinopla, loiros de capecete com cornos e tudo - e um deles foi visitar aquela que era então a maior igreja do mundo... e, vândalo como era suposto ser, assinou o nome no mármore.
E agora é uma relíquia, este pequeno acto de vandalismo. Ora espreitem:
01/09/2014
DIZ QUE É AZUL
Chamam-lhe a Mesquita Azul, à Sultanahmet.
Por fora é cinzenta, por dentro até que tem vontade de ser azul. Mas azul-azul? ;)
Hoje arrancou mais uma edição da viagem pela Turquia fora - Istambul estava pronta para nos receber e, mais uma vez, não decepcionou.
Eis alguns clicks feitos na Mesquita Azul, ainda há pouco, com a máquina apontada sempre para cima :)
Por fora é cinzenta, por dentro até que tem vontade de ser azul. Mas azul-azul? ;)
Hoje arrancou mais uma edição da viagem pela Turquia fora - Istambul estava pronta para nos receber e, mais uma vez, não decepcionou.
Eis alguns clicks feitos na Mesquita Azul, ainda há pouco, com a máquina apontada sempre para cima :)
BOM DIA... MIAAAAUU...
OS COLEGAS
Ontem à noite estava em "arrumações" no telefone, organizando algumas notas de viagem, recados e lembretes que tinha um bocado "ao molho" - quando encontrei uma nota chamada "Os Colegas".
Começava com a seguinte frase:
"Novo tema no blog dedicado aos companheiros de viagem em aviões, autocarros, comboios, etc."
E depois prosseguia com a descrição de duas situações vividas nos voos que fizera nessa quarta-feira de Julho, quando regressei a Portugal depois de mais um Transiberiano com a Nomad e das rápidas passagens por Macau, Hong Kong e Siem Reap.
Situação 1 (voo Siem Reap - Kuala Lumpur):
A primeira história referia-se a um chinês que vinha no mesmo voo que eu para a Malásia. Viajava, como eu, sozinho - e era daqueles "cromos" que mete conversa com toda a gente, que sorri imenso (demasiado?) e está sempre à procura de uma desculpa para aprofundar os novos conhecimentos.
Ora eu normalmente até sou uma pessoa sociável, gosto de fazer novos amigos, sou curioso, interesso-me por histórias. Às vezes. Porque tem dias que não estou muito para aí virado, admito. Não apetece. Não tenho paciência. Quero estar no meu cantinho, sozinho. E neste meu regresso a casa, que prometia demorar umas oitocentas e noventa e três horas, confesso que não estava para grandes conversas.
Pode ser?
Mas o senhor não sabia disso. O senhor sentou-se na mesma fila que eu, com um lugar vazio entre os dois - ora que sorte, hem? -, e até tentou uma ou duas ou três abordagens, mas eu respondi sempre com respostas curtas e sorrisos frios. E apesar de termos trocado as saudações normais de quem vai viajar junto, apesar de até ter respondido a esta e aquela pergunta... a verdade é que deixei que o meu olhar se perdesse na paisagem do lado de fora da janela e, sem grandes cerimónias, acabei por frustrar qualquer tentativa de socialização do lado de dentro do avião.
Assim sendo, o senhor voltou-se para outras pessoas.
Apesar de ter dormido a viagem quase toda, apercebi-me que o senhor levantou-se e sentou-se uma série de vezes. Ouvi-o a falar com este e aquele, a rir e a espantar-se com alguma coisa - não me interessou o suficiente para abrir os olhos, por isso não dei por nada.
Mas quando chegámos ao fim do voo, quando finalmente o avião aterrou e pudemos desapertar os cintos e tirar as malas dos compartimentos em cima das nossas cabeças - então começou um rol imenso de despedidas e votos de muita saúde, boa sorte, boa viagem, etc.
"As melhoras para a sua tia!"
"Divirta-se no festival!"
"Não pense mais nisso, vai ver que tudo se resolve."
O senhor estava íntimo de metade do avião. Imagino quantos amigos terá no facebook. ;)
Situação 2 (voo Istambul - Lisboa):
Enquanto esperava para embarcar no último voo desta longa epopeia de regresso a casa, sentou-se quase-quase ao meu lado uma senhora (portuguesa, penso eu) que não arava de tossir.
Eu nem sou muito paranóico com as doenças e os vírus de que se ouve falar por aí - mas à 79ª vez em seis minutos de convivência no mesmo espaço, confesso que comecei a sentir-me um bocado incomodado.
Ainda apanho qualquer coisa.
Resisti a levantar-me durante algum tempo, mas o incómodo era tal que não tive alternativa. Fingi que tinha uma coisa importantíssima a fazer algures longe dali, qual Clark Kent à procura de uma cabine telefónica onde se despir para depois sair a voar e salvar o Mundo... acho que tive sucesso.
Quando começou o embarque deixei que a maioria das pessoas entrasse. Não gosto de ficar em pé na fila, normalmente deixo-me sentado e entro mais para o final. E quando finalmente me levantei do meu novo lugar para ir para o avião, meti-me na fila e senti que alguém também se tinha posicionado atrás de mim.
Cof-cof-cof.
Não pode ser.
Cof-cof-cof.
É ela. Reconheço-a pelos três cofs.
Que nervos.
Cof-cof-cof.
E eu a olhar para o infinito, para o lado oposto da senhora, a tentar não respirar.
Cartão de embarque, passaporte, 'bora lá. Atravessei o corredor em passos largos, entrei no avião e pedi aos santinhos todos, aos anjos e arcanjos, aos deuses hindus e aos filósofos chineses: por favor, que a senhora do cof-cof-cof não se sente ao meu lado.
Tive sorte, calhou-me na rifa um velhote que veio a dormir o tempo todo.
Começava com a seguinte frase:
"Novo tema no blog dedicado aos companheiros de viagem em aviões, autocarros, comboios, etc."
E depois prosseguia com a descrição de duas situações vividas nos voos que fizera nessa quarta-feira de Julho, quando regressei a Portugal depois de mais um Transiberiano com a Nomad e das rápidas passagens por Macau, Hong Kong e Siem Reap.
Situação 1 (voo Siem Reap - Kuala Lumpur):
A primeira história referia-se a um chinês que vinha no mesmo voo que eu para a Malásia. Viajava, como eu, sozinho - e era daqueles "cromos" que mete conversa com toda a gente, que sorri imenso (demasiado?) e está sempre à procura de uma desculpa para aprofundar os novos conhecimentos.
Ora eu normalmente até sou uma pessoa sociável, gosto de fazer novos amigos, sou curioso, interesso-me por histórias. Às vezes. Porque tem dias que não estou muito para aí virado, admito. Não apetece. Não tenho paciência. Quero estar no meu cantinho, sozinho. E neste meu regresso a casa, que prometia demorar umas oitocentas e noventa e três horas, confesso que não estava para grandes conversas.
Pode ser?
Mas o senhor não sabia disso. O senhor sentou-se na mesma fila que eu, com um lugar vazio entre os dois - ora que sorte, hem? -, e até tentou uma ou duas ou três abordagens, mas eu respondi sempre com respostas curtas e sorrisos frios. E apesar de termos trocado as saudações normais de quem vai viajar junto, apesar de até ter respondido a esta e aquela pergunta... a verdade é que deixei que o meu olhar se perdesse na paisagem do lado de fora da janela e, sem grandes cerimónias, acabei por frustrar qualquer tentativa de socialização do lado de dentro do avião.
Assim sendo, o senhor voltou-se para outras pessoas.
Apesar de ter dormido a viagem quase toda, apercebi-me que o senhor levantou-se e sentou-se uma série de vezes. Ouvi-o a falar com este e aquele, a rir e a espantar-se com alguma coisa - não me interessou o suficiente para abrir os olhos, por isso não dei por nada.
Mas quando chegámos ao fim do voo, quando finalmente o avião aterrou e pudemos desapertar os cintos e tirar as malas dos compartimentos em cima das nossas cabeças - então começou um rol imenso de despedidas e votos de muita saúde, boa sorte, boa viagem, etc.
"As melhoras para a sua tia!"
"Divirta-se no festival!"
"Não pense mais nisso, vai ver que tudo se resolve."
O senhor estava íntimo de metade do avião. Imagino quantos amigos terá no facebook. ;)
Situação 2 (voo Istambul - Lisboa):
Enquanto esperava para embarcar no último voo desta longa epopeia de regresso a casa, sentou-se quase-quase ao meu lado uma senhora (portuguesa, penso eu) que não arava de tossir.
Eu nem sou muito paranóico com as doenças e os vírus de que se ouve falar por aí - mas à 79ª vez em seis minutos de convivência no mesmo espaço, confesso que comecei a sentir-me um bocado incomodado.
Ainda apanho qualquer coisa.
Resisti a levantar-me durante algum tempo, mas o incómodo era tal que não tive alternativa. Fingi que tinha uma coisa importantíssima a fazer algures longe dali, qual Clark Kent à procura de uma cabine telefónica onde se despir para depois sair a voar e salvar o Mundo... acho que tive sucesso.
Quando começou o embarque deixei que a maioria das pessoas entrasse. Não gosto de ficar em pé na fila, normalmente deixo-me sentado e entro mais para o final. E quando finalmente me levantei do meu novo lugar para ir para o avião, meti-me na fila e senti que alguém também se tinha posicionado atrás de mim.
Cof-cof-cof.
Não pode ser.
Cof-cof-cof.
É ela. Reconheço-a pelos três cofs.
Que nervos.
Cof-cof-cof.
E eu a olhar para o infinito, para o lado oposto da senhora, a tentar não respirar.
Cartão de embarque, passaporte, 'bora lá. Atravessei o corredor em passos largos, entrei no avião e pedi aos santinhos todos, aos anjos e arcanjos, aos deuses hindus e aos filósofos chineses: por favor, que a senhora do cof-cof-cof não se sente ao meu lado.
Tive sorte, calhou-me na rifa um velhote que veio a dormir o tempo todo.
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