Há um ano que não viajo com máquina fotográfica - a minha "deu o berro" e ainda não tive coragem para investir dinheiro e tempo numa nova. Ou seja: quando quero registar algum insólito, um momento especial, um sorriso, um bocadinho do mundo... uso o telefone.
Só que a Birmânia está-se nas tintas para este meu infortúnio. Insiste em surpreender-me, por vezes com requintes de malvadez, com imagens e cores e momentos que me fazem chorar desconsoladamente pelo facto de não ter uma máquina comigo. "Tivesses!", é o que parece dizer-me o país.
Enfim: chega de lamechices. Verdade-seja-dita, mas não me envergonho nada daquilo que tenho conseguido com o meu iphone - e um bocadinho de photoshop. E a selecção de fotos que se segue, todas feitas durante a volta pela Birmânia com "Os Excursionistas", é a prova disso.
Boa viagem!
18/10/2016
OS EXCURSIONISTAS
Um nome. Um título. Uma alcunha.
Não acontece com todos os grupos com quem viajo. Não é mais uma "pancada" minha - que já tenho algumas e, aqui entre nós que mais ninguém ouve, dão-me uma suada trabalheira.
Mas, lá está; às vezes acontece.
Do primeiro grupo na Indochina (os "The Nine") ao mais recente na Birmânia ("Os Excursionistas"), às vezes acontece qualquer coisa, um episódio caricato, algum momento que marca a viagem e que de repente acaba por dar uma identidade ao grupo. Isso mesmo: um nome.
Neste caso mais recente, no grupo que terminou ontem a viagem à Birmânia, tudo começou em Yangon com um comentário de uma das viajantes, que em conversa com alguém disse qualquer coisa do género "esta é a segunda vez que viajo numa excursão".
Pára tudo!
Pára a rotação da Terra, se for preciso. Pára o Tempo e as Coisas Todas, os Sons e os Cheiros, Aquilo Que Já Foi e Aquilo Que Vai Ser.
Pára tudo: já.
Eu nem estava propriamente a acompanhar a conversa, confesso. A meia-distância, a pensar na vida ou no tempo que tínhamos para chegar sei-lá-onde... mas quando ouvi o eco daquela horrorosa expressão, um gélido arrepio atravessou-me a espinha como um relâmpago vindo de um qualquer lugar imaginário. Revirei os olhos, segurei-me à cadeira mais próxima, por instantes acreditei que ia dar-me qualquer-coisinha ;) e assim que recuperei energias, voltei-me a sorrir para a viajante em causa e, com cara de lili-caneças-frente-a-frente-a-uma-barata-toda-lambuzada-a-rastejar-para-fora-de-uma-prateada-travessa-de-tostas-com-caviar, disse-lhe:
"Excursão?!"
Ao que todo o grupo se voltou, profundamente escandalizado, para ela:
"Ex-cur-são?!"
Coitada. Se tivesse um buraco no chão para enfiar a cabeça, tenho a certeza que ter-se-ia transformado numa bonita avestruz.
"Isso quer dizer que somos Excursionistas, é isso?", rematei.
Gargalhada geral: já não havia volta a dar. Alguns ainda protestaram, e nos dias seguintes houve quem sugerisse outros títulos e apelidos. Mas não havia volta a dar. Quando pega, pega.
E este: pegou.
Do choque inicial ao profundo carinho já nos últimos dias, o grupo adoptou o título "Os Excursionistas" - e posso garantir que no futuro, sempre que cada um recordar alguma das muitas aventuras vividas nestas duas intensas semanas, as saudades vão ter este nome.
Não acontece com todos os grupos com quem viajo. Não é mais uma "pancada" minha - que já tenho algumas e, aqui entre nós que mais ninguém ouve, dão-me uma suada trabalheira.
Mas, lá está; às vezes acontece.
Do primeiro grupo na Indochina (os "The Nine") ao mais recente na Birmânia ("Os Excursionistas"), às vezes acontece qualquer coisa, um episódio caricato, algum momento que marca a viagem e que de repente acaba por dar uma identidade ao grupo. Isso mesmo: um nome.
Neste caso mais recente, no grupo que terminou ontem a viagem à Birmânia, tudo começou em Yangon com um comentário de uma das viajantes, que em conversa com alguém disse qualquer coisa do género "esta é a segunda vez que viajo numa excursão".
Pára tudo!
Pára a rotação da Terra, se for preciso. Pára o Tempo e as Coisas Todas, os Sons e os Cheiros, Aquilo Que Já Foi e Aquilo Que Vai Ser.
Pára tudo: já.
Eu nem estava propriamente a acompanhar a conversa, confesso. A meia-distância, a pensar na vida ou no tempo que tínhamos para chegar sei-lá-onde... mas quando ouvi o eco daquela horrorosa expressão, um gélido arrepio atravessou-me a espinha como um relâmpago vindo de um qualquer lugar imaginário. Revirei os olhos, segurei-me à cadeira mais próxima, por instantes acreditei que ia dar-me qualquer-coisinha ;) e assim que recuperei energias, voltei-me a sorrir para a viajante em causa e, com cara de lili-caneças-frente-a-frente-a-uma-barata-toda-lambuzada-a-rastejar-para-fora-de-uma-prateada-travessa-de-tostas-com-caviar, disse-lhe:
"Excursão?!"
Ao que todo o grupo se voltou, profundamente escandalizado, para ela:
"Ex-cur-são?!"
Coitada. Se tivesse um buraco no chão para enfiar a cabeça, tenho a certeza que ter-se-ia transformado numa bonita avestruz.
"Isso quer dizer que somos Excursionistas, é isso?", rematei.
Gargalhada geral: já não havia volta a dar. Alguns ainda protestaram, e nos dias seguintes houve quem sugerisse outros títulos e apelidos. Mas não havia volta a dar. Quando pega, pega.
E este: pegou.
Do choque inicial ao profundo carinho já nos últimos dias, o grupo adoptou o título "Os Excursionistas" - e posso garantir que no futuro, sempre que cada um recordar alguma das muitas aventuras vividas nestas duas intensas semanas, as saudades vão ter este nome.
| Os Excursionistas dentro de um dos maiores sinos do Mundo. |
| A Rocha é Dourada, mas a fotografia é a Preto e Branco. |
| Os Excursionistas com a barriga cheia, depois do almoço em casa do Kyaw Kyaw. |
| Os Excursionistas em modo "Verano Azul". |
| Os Excursionistas a caminho da Concentração de Faro. |
| Os Escursionistas em Duas Rodas. |
| A primeira foto de grupo, em frente ao Karaweik de Yangon... |
| ...e a última, já no caminho de regresso a Mandalay. |
| Vestidos a rigor para o "jantar de gala" em Nyaung Shwe. |
| Os Excursionistas ficaram fãs do "escritório" da Nomad no Lago Inle. |
02/10/2016
WELCOME TO YANGON
Depois de uma rápida passagem por Portugal, em que celebrei as minhas trinta e dez primaveras e finalizei alguns detalhes relativos ao lançamento do meu novo livro, estou finalmente de volta ao Myanmar, prestes a arrancar com mais um grupo de dez pessoas para a viagem à "Terra Dourada".
Estava eu no táxi que me levou ao hotel quando o motorista, que tinha o rádio ligado numa qualquer estação local, aproveitou uma paragem num semáforo para "sacar" de um DVD e passá-lo no seu sistema hi-tech que até televisão tinha.
Confesso que nem liguei muito, estava concentrado a "pôr em dia" as mensagens acumuladas ao longo de quase 48 horas com limitado acesso à internet. Por isso qual não foi a minha surpresa ao ouvir os primeiros acordes de um grande clássico, e com um sorriso acompanhei o motorista na cantoria que se seguiu:
She's crazy like a fool...
What about it, Daddy cool!
Já não me consegui concentrar em mais mensagens no telefone. Entre os videos que iam passando no pequeno ecrã no tablier e o motorista a cantar... só rir! E à quarta música seguida dos Boney M. não resisti a perguntar:
"You like disco, hem?"
"Yes!", respondeu com um brilho quase infantil nos olhos, antes de abrandar em frente a um pagoda e, sem baixar o volume da música, juntar as palmas das mãos e fazer uma pequena oração.
Este país! :)
Acompanhei-o mais uma vez no "Rivers of Babylon" e, quando chegámos finalmente ao hotel, já só me apetecia uma bola de espelhos e uma pista de dança. Venham de lá os dez viajantes da Nomad, venham de lá os próximos quinze dias, os milhares de quilómetros sobre carris, por estrada e na água, mais os budas e os longyis, as saladas de folhas de chá e os mingalabar em forma de sorriso. Porque uma viagem que começa ao som de Boney M. tem tudo para ser um sucesso.
Estava eu no táxi que me levou ao hotel quando o motorista, que tinha o rádio ligado numa qualquer estação local, aproveitou uma paragem num semáforo para "sacar" de um DVD e passá-lo no seu sistema hi-tech que até televisão tinha.
Confesso que nem liguei muito, estava concentrado a "pôr em dia" as mensagens acumuladas ao longo de quase 48 horas com limitado acesso à internet. Por isso qual não foi a minha surpresa ao ouvir os primeiros acordes de um grande clássico, e com um sorriso acompanhei o motorista na cantoria que se seguiu:
She's crazy like a fool...
What about it, Daddy cool!
Já não me consegui concentrar em mais mensagens no telefone. Entre os videos que iam passando no pequeno ecrã no tablier e o motorista a cantar... só rir! E à quarta música seguida dos Boney M. não resisti a perguntar:
"You like disco, hem?"
"Yes!", respondeu com um brilho quase infantil nos olhos, antes de abrandar em frente a um pagoda e, sem baixar o volume da música, juntar as palmas das mãos e fazer uma pequena oração.
Este país! :)
Acompanhei-o mais uma vez no "Rivers of Babylon" e, quando chegámos finalmente ao hotel, já só me apetecia uma bola de espelhos e uma pista de dança. Venham de lá os dez viajantes da Nomad, venham de lá os próximos quinze dias, os milhares de quilómetros sobre carris, por estrada e na água, mais os budas e os longyis, as saladas de folhas de chá e os mingalabar em forma de sorriso. Porque uma viagem que começa ao som de Boney M. tem tudo para ser um sucesso.
02/09/2016
BIRMANESICES #03
Estás no Myanmar, sentado à mesa de um qualquer restaurante ou café - e começas a reparar que os clientes estão a mandar beijinhos aos rapazes que servem às mesas.
Não é nenhuma insinuação mais marota, não há segunda intenções. Aqui, quando queres chamar o empregado, é mesmo assim que se faz. Esquece o "faz favor" ou o "ó chefe", esquece o indicador levantado a dizer "estou aqui, se não se importa". No Myanmar, se queres chamar a atenção mandas um beijinho, fazendo aquele som como se chamasses o cão para dar umas festinhas.
Birmanesices! ;)
Não é nenhuma insinuação mais marota, não há segunda intenções. Aqui, quando queres chamar o empregado, é mesmo assim que se faz. Esquece o "faz favor" ou o "ó chefe", esquece o indicador levantado a dizer "estou aqui, se não se importa". No Myanmar, se queres chamar a atenção mandas um beijinho, fazendo aquele som como se chamasses o cão para dar umas festinhas.
Birmanesices! ;)
31/08/2016
BEM-VINDOS AO MYANMAR
A todos os que planeiam visitar o Myanmar: muita atenção porque além de armas de fogo, explosivos, narcóticos e material obsceno, é expressamente proibido trazer para o país todo e qualquer tipo de material... imortal.
Só perecíveis, se faz favor. ;)
Só perecíveis, se faz favor. ;)
29/08/2016
DOIS MESES?!
Dois meses e uma semana, para ser exacto.
É este o tempo que passou desde a última vez que escrevi alguma coisa aqui no blog. Estou finalmente de volta "à estrada", depois de umas longas férias em Portugal. Já cheguei a Kuala Lumpur e estou em contagem decrescente para mais uma viagem na Birmânia, que vai acontecer no rescaldo (físico e emocional) do terramoto de há poucos dias.
Assim sendo, e porque me sinto cheio de energia e vontade de retomar a dinâmica deste blog, hoje retomo os relatos, as curiosidades e as peripécias.
Tenho tanto para contar: desde os dias passados no "nosso" Rectângulo (em que, obviamente, também me fartei de dar voltas); às aventuras que se seguem (tanto que aí vem!); e até à passagem pelo Irão (que acabei por deixar em "águas de bacalhau", no que ao blog diz respeito).
Endireitem os vossos bancos, recolham os tabuleiros e apertem os cintos: a viagem vai (re)começar!
É este o tempo que passou desde a última vez que escrevi alguma coisa aqui no blog. Estou finalmente de volta "à estrada", depois de umas longas férias em Portugal. Já cheguei a Kuala Lumpur e estou em contagem decrescente para mais uma viagem na Birmânia, que vai acontecer no rescaldo (físico e emocional) do terramoto de há poucos dias.
Assim sendo, e porque me sinto cheio de energia e vontade de retomar a dinâmica deste blog, hoje retomo os relatos, as curiosidades e as peripécias.
Tenho tanto para contar: desde os dias passados no "nosso" Rectângulo (em que, obviamente, também me fartei de dar voltas); às aventuras que se seguem (tanto que aí vem!); e até à passagem pelo Irão (que acabei por deixar em "águas de bacalhau", no que ao blog diz respeito).
Endireitem os vossos bancos, recolham os tabuleiros e apertem os cintos: a viagem vai (re)começar!
Subscrever:
Mensagens (Atom)










































