18/08/2008
PARA QUEM NÃO TENHA REPARADO
Se é que alguém ainda vem a este blog... tendo em conta que o Até onde vais com 1000 euros? está a bombar, claro. Mas pronto: para quem não tenha reparado, estou de volta. Já cheguei da viagem de Dakar - há pouco mais de um mês. Estou "retirado" em Sintra, a escrever o livro sobre esta aventura. Será que volto a pegar neste blog? Espero que sim, tenho aqui tantas boas memórias e histórias. Mas por enquanto está assim, muito caladinho, sem grandes novidades.
03/02/2008
COUNTDOWN
Estou em contagem decrescente. Faltam alguns dias, não sei ao certo quantos, para partir em mais uma aventura. Desta vez, África. Assim que houver novidades, conto-as.
(Esta foi a primeira vez que falei, "em público", do projecto que viria a ser o "Até onde vais com 1000 euros?". Só foi pena que, uma vez lançado o outro blog, nunca mais me lembrei de vir deixar aqui um post a contar a novidade. Fico esquecido durante muito tempo, este blog...)
(Esta foi a primeira vez que falei, "em público", do projecto que viria a ser o "Até onde vais com 1000 euros?". Só foi pena que, uma vez lançado o outro blog, nunca mais me lembrei de vir deixar aqui um post a contar a novidade. Fico esquecido durante muito tempo, este blog...)
10/06/2007
SÓ ME FALTAVA MAIS ESTA
Já andei de mota a três. Já vi muitos filmes em salas de cinema com ventoínhas
a arrefecer o público histérico, já viajei em comboios a abarrotar, já brinquei às cores no Holi e
celebrei a luz no Diwali. Já bebi bhang lassi, visitei mesquitas e
templos, andei de camelo, conheci reis e marajás. Não tenho qualquer tipo de
problema em comer com a mão direita e fazer o que tem de ser feito com a mão
esquerda. Abano a cabeça de um lado para o outro quando quero concordar com
qualquer coisa, digo Atcha em vez de Ok. Faço um Namaste quando
quero cumprimentar alguém, toco no coração com a mão direita depois de apertar a
mão a um muçulmano.
E quem diria que, depois de tanto tempo na Índia, depois de tantas descobertas e experiências novas... ainda há muito com que me surpreender.
A chamada Experiência Indiana tem muito que se lhe diga. Se perguntarmos a cada estrangeiro qual é a sua, provavelmente temos tantas respostas diferentes quanto os entrevistados. O facto deste ser um país tão rico culturalmente, tão diferente do nosso e ao mesmo tempo tão próximo, faz com que as possibilidades de novas experiências sejam imensas.
Eu já experimentei muita coisa na Índia, de certa forma estava convencido que o mais básico estava feito, pouco mais me poderia surpreender. Por isso: qual não foi a minha surpresa quando um amigo em Orchha me perguntou se eu alguma vez tinha voado um papagaio.
E não, eu nunca tinha experimentado.
Na Índia, miúdos e graúdos são doidos por papagaios. Flying kytes, é como se diz. Os papagaios de papel, sejam a voar ou pendurados em árvores e fios de electricidade, são uma das marcas mais recorrentes da paisagem indiana. Há torneios nas aldeias, há até um Festival Internacional do Papagaio, é normal ver pessoas em cima dos terraços a voá-los ao mesmo tempo que os vizinhos, para ver quem derruba quem. Há quem esmague vidro e cole o pó resultante no fio, para derrubar os "inimigos". Há quem faça pequenos nós para “agarrar” o outro.
E eu... todo cheio de mim mesmo porque já fiz isto-e-aquilo... afinal eu nunca tinha feito uma coisa tão básica na cultura indiana. Nunca tinha voado um papagaio.
Só me faltava mais esta. Faltava.
E quem diria que, depois de tanto tempo na Índia, depois de tantas descobertas e experiências novas... ainda há muito com que me surpreender.
A chamada Experiência Indiana tem muito que se lhe diga. Se perguntarmos a cada estrangeiro qual é a sua, provavelmente temos tantas respostas diferentes quanto os entrevistados. O facto deste ser um país tão rico culturalmente, tão diferente do nosso e ao mesmo tempo tão próximo, faz com que as possibilidades de novas experiências sejam imensas.
Eu já experimentei muita coisa na Índia, de certa forma estava convencido que o mais básico estava feito, pouco mais me poderia surpreender. Por isso: qual não foi a minha surpresa quando um amigo em Orchha me perguntou se eu alguma vez tinha voado um papagaio.
E não, eu nunca tinha experimentado.
Na Índia, miúdos e graúdos são doidos por papagaios. Flying kytes, é como se diz. Os papagaios de papel, sejam a voar ou pendurados em árvores e fios de electricidade, são uma das marcas mais recorrentes da paisagem indiana. Há torneios nas aldeias, há até um Festival Internacional do Papagaio, é normal ver pessoas em cima dos terraços a voá-los ao mesmo tempo que os vizinhos, para ver quem derruba quem. Há quem esmague vidro e cole o pó resultante no fio, para derrubar os "inimigos". Há quem faça pequenos nós para “agarrar” o outro.
E eu... todo cheio de mim mesmo porque já fiz isto-e-aquilo... afinal eu nunca tinha feito uma coisa tão básica na cultura indiana. Nunca tinha voado um papagaio.
Só me faltava mais esta. Faltava.
Não que tenha estado horas a
aperfeiçoar técnicas e truques, mas experimentei. Por momentos peguei no fio e
brinquei com o papagaio lá em cima, um quadrado verde sobre um fundo branco e
cinzento, um céu carregado de nuvens, as monções quase a chegar.
Só me faltava mais esta, e também me faltava um ioga às cinco da manhã junto ao rio, com vista sobre templos e palácios. E faltava-me um banho matinal no rio, com direito a champô e sabão, à conversa com cinco ou seis amigos, um daqueles momentos que apetece eternizar.
Só me faltavam estas? Não, ainda há muito que experimentar. Mas de cada vez que se vive qualquer coisa de maravilhoso e novo, parece sempre que foi a derradeira experiência, que “agora é que estou completamente por dentro”.
Só me faltava mais esta, e também me faltava um ioga às cinco da manhã junto ao rio, com vista sobre templos e palácios. E faltava-me um banho matinal no rio, com direito a champô e sabão, à conversa com cinco ou seis amigos, um daqueles momentos que apetece eternizar.
Só me faltavam estas? Não, ainda há muito que experimentar. Mas de cada vez que se vive qualquer coisa de maravilhoso e novo, parece sempre que foi a derradeira experiência, que “agora é que estou completamente por dentro”.
06/06/2007
O DALAI LAMA DENTRO DE UM CARRO, UMA TEMPESTADE DE NEVE A 3500M & UMA SALA DE CINEMA IMPROVISADA
É um título comprido, o desta crónica. O que não quer dizer que me vá demorar muito – até porque o tempo não está para isso. Aliás, com 47 graus à sombra, o tempo não está nem para isso nem para mais nada.
Depois do pesadelo da viagem de regresso à Índia, estive uma semana a fazer pouco mais que nada em Dharamsala. Quer dizer... em McLeod Ganj. Ou em Baghsu, para ser mais preciso. Não interessa: fiquei em Baghsu, que é na continuação de McLeod, que por sua vez faz parte de Dharamsala. Fui mais explícito?
Já lá tinha estado com a Joana. Já sabia que era uma terra com pinta, cheia de bandeirinhas tibetanas por todo o lado; sabia que havia Royal Enfields muita loucas a passar na estrada, monges tibetanos à conversa com turistas, cursos de tudo-e-mais-alguma-coisa, bares de israelitas – e um bolo típico, o Baghsu Cake, que é uma delícia mas que não dá para levar para lado nenhum, nem para Portugal nem sequer para Delhi, porque se estraga num instante.
O que eu não sabia é que ia acabar por fazer um trekking com dois indianos até quase 3500m, batendo o recorde alcançado com o André e a Inês duas semanas antes, em Poon Hill. Também não sabia que ia ter um brevíssimo encontro com o Dalai Lama, que ia a passar de carro, e durante uma breve paragem da comitiva ficou mesmo ao meu lado – arrepios!
E, quem diria, o mundo é mesmo pequeno, encontrei uma portuguesa*, amiga de um amigo**, que conhecera mesmo antes dela vir para a Índia, nem eu sonhava que pouco depois era eu quem me metia num avião a caminho de Bombaim! E porque isto de viajar tem muito de partilha de experiências novas, eis que fomos ver o Shrek 3 numa sala de cinema improvisada... numa cave de uma loja de legumes!
* Matilde
** Locas
Depois do pesadelo da viagem de regresso à Índia, estive uma semana a fazer pouco mais que nada em Dharamsala. Quer dizer... em McLeod Ganj. Ou em Baghsu, para ser mais preciso. Não interessa: fiquei em Baghsu, que é na continuação de McLeod, que por sua vez faz parte de Dharamsala. Fui mais explícito?
Já lá tinha estado com a Joana. Já sabia que era uma terra com pinta, cheia de bandeirinhas tibetanas por todo o lado; sabia que havia Royal Enfields muita loucas a passar na estrada, monges tibetanos à conversa com turistas, cursos de tudo-e-mais-alguma-coisa, bares de israelitas – e um bolo típico, o Baghsu Cake, que é uma delícia mas que não dá para levar para lado nenhum, nem para Portugal nem sequer para Delhi, porque se estraga num instante.
O que eu não sabia é que ia acabar por fazer um trekking com dois indianos até quase 3500m, batendo o recorde alcançado com o André e a Inês duas semanas antes, em Poon Hill. Também não sabia que ia ter um brevíssimo encontro com o Dalai Lama, que ia a passar de carro, e durante uma breve paragem da comitiva ficou mesmo ao meu lado – arrepios!
E, quem diria, o mundo é mesmo pequeno, encontrei uma portuguesa*, amiga de um amigo**, que conhecera mesmo antes dela vir para a Índia, nem eu sonhava que pouco depois era eu quem me metia num avião a caminho de Bombaim! E porque isto de viajar tem muito de partilha de experiências novas, eis que fomos ver o Shrek 3 numa sala de cinema improvisada... numa cave de uma loja de legumes!
* Matilde
** Locas
29/05/2007
WELCOME TO INDIA
Eu sei que não é costume choramingar no blog. Sei que normalmente tento dar ênfase aos muitos momentos bons de viajar, e se menciono algum episódio menos positivo, é ao-de-leve.
Eu sei... mas o regresso à Índia foi mau de mais para passar ao lado.
Aviso já que é uma história longa.
Tudo começou ainda em solo nepalês. Às seis da manhã estava a enfiar-me num autocarro, esperavam-me pouco mais de sete horas de viagem rumo à fronteira. Foi uma viagem puxada, no mínimo. Estradas de montanha – como já era de esperar – e uma condução sem adjectivos foram os ingredientes necessários para um constante sobressalto geral, tanto nos estrangeiros como nos locais. Só para dar uma ideia, duas francesas decidiram sair a meio do caminho, e foram de taxi as restantes três horas – tal era o medo. Ainda tentaram convencer mais alguns viajantes a partilharem o carro, mas ninguém se deu ao trabalho.
Mas não foram só os estrangeiros a ficar incomodados com a viagem: então não é que, a duas horas da fronteira, estava eu meio-a-dormir, quando sinto qualquer coisa molhada no meu braço... a menina do banco de trás resolvera vomitar, sem avisar nem nada, sem ter a decência de pôr a cabeça de fora... e quem é que levou com o dal bhat ainda quente? Exactamente.
O pesadelo só agora começara. Lavei-me assim que parámos para um chichi, e depois foi rezar para chegar depressa à Índia. E que bom que foi passar a fronteira! Que bom, a diferença do cheiro e dos sons, os meus sentidos já estavam meio adormecidos com o ar puro e o silêncio dos Himalaias, bem que precisavam de um abanão.
Durou pouco, o estado de graça.
Abreviando porque isto de escrever na net implica abreviar: fica aqui um histórico do que se passou nas seguintes vinte e sete horas. Sim, escrevi bem, e escrevi por extenso para não haver enganos. Vinte e sete horas – num autocarro local, sem bancos reclináveis nem outras mordomias. Isso é para meninos, bem-vindos à Índia.
14:00 Comprei o bilhete numa banca junto ao autocarro, segundo as instruções do pica, depois de escapar a trinta mil esquemas. Mesmo assim, fiquei com a sensação que estava a ser enganado.
14:30 O autocarro já devia ter saído há dez minutos. O pica anunciou em voz alta que havia chegado o momento de pagar os bilhetes, 490 rupias para Delhi. Eu tinha pago 670 e apesar de se confirmar o roubo, resolvi não dar muita importância.
15:00 Vamos sair (finalmente!), com uma hora de atraso e o suor e desconforto que isso implica, com este calor...
15:01 Entra um homem que nunca-vi-mais-gordo e vem ter directamente comigo. Pede-me o bilhete, mostro-lhe o talão das 670 rupias e ele diz que aquilo não serve para nada e que tenho de pagar mais 490. Os 670 são uma taxa de serviço, diz-me. Eu passo-me, digo que não pago nem mais um tostão, ele expulsa-me do autocarro e eu digo que vou chamar a polícia e que ele e o pica vêm comigo. Gritos, ameaça de porrada, vou apanhar, vou apanhar.
15:05 Mantive o sangue-frio, insisti que ia chamar a polícia, gritei quase tão alto quanto ele, e declarei que o autocarro não saía sem mim. E como magia aparece um bilhete vindo sei-lá-de-onde, alguém arrasta o outro gajo, que já espuma da boca, para a rua... e o autocarro parte. Comigo lá dentro.
15:06 Sou um herói para os nepaleses que viajam comigo no autocarro. O episódio da quase-porrada vai ser conversa recorrente nas próximas vinte e sete horas.
15:10 Avançámos cinquenta metros, se tanto. Temos um furo.
16:15 O furo foi arranjado, o autocarro volta a arrancar. Estou prestes a afogar-me no meu próprio suor.
16:45 Somos parados pela polícia. Entram dois agentes que fingem revistar alguns sacos e caixas, mas estão claramente à procura de sacar alguma coisa. Tentam mexer na minha mochila (que tem o computador lá dentro) mas eu não deixo, pedem-me o passaporte e fingem que estão a le-lo. De pernas para o ar! Safo-me, não me chateiam mais.
17:00 Depois de chatearem quase toda a gente no autocarro, os policias deixam-nos partir. Mas não sem antes ficarem com uma das cinco caixas de maçãs que um miúdo levava para vender no mercado da terrinha. O puto está quase a chorar, era o ganha-pão dele. Apetece-me largar uma bomba atomica neste pais.
Este foi apenas o início de um longo pesadelo, e se me vou poupar a muito mais descrições não é por falta de histórias. Desde darmos meia-volta e fazer dez quilómetros para trás porque o pica deixou o telemóvel num restaurante onde parámos para jantar; a termos trinta e tal pessoas a mais, crianças de colo incluídas, a dormir nos corredores; passando pela decisão do pica de expulsar três pessoas dos seus lugares para ele dormir confortavelmente (sob ameaça de que se não fossem para o corredor, iam para a rua), e dos inúmeros quase-choques-frontais e outros dramas... esta viagem foi qualquer coisa.
Cheguei a Delhi mais morto que vivo, praticamente sem ter dormido porque não havia posição possível... e fui recusado em três hoteis, sem razão aparente, até finalmente encontrar um poiso para o resto do dia.
Bem-vindo à Índia... e que bom que vai ser quando finalmente chegar a Dharamsala!
Eu sei... mas o regresso à Índia foi mau de mais para passar ao lado.
Aviso já que é uma história longa.
Tudo começou ainda em solo nepalês. Às seis da manhã estava a enfiar-me num autocarro, esperavam-me pouco mais de sete horas de viagem rumo à fronteira. Foi uma viagem puxada, no mínimo. Estradas de montanha – como já era de esperar – e uma condução sem adjectivos foram os ingredientes necessários para um constante sobressalto geral, tanto nos estrangeiros como nos locais. Só para dar uma ideia, duas francesas decidiram sair a meio do caminho, e foram de taxi as restantes três horas – tal era o medo. Ainda tentaram convencer mais alguns viajantes a partilharem o carro, mas ninguém se deu ao trabalho.
Mas não foram só os estrangeiros a ficar incomodados com a viagem: então não é que, a duas horas da fronteira, estava eu meio-a-dormir, quando sinto qualquer coisa molhada no meu braço... a menina do banco de trás resolvera vomitar, sem avisar nem nada, sem ter a decência de pôr a cabeça de fora... e quem é que levou com o dal bhat ainda quente? Exactamente.
O pesadelo só agora começara. Lavei-me assim que parámos para um chichi, e depois foi rezar para chegar depressa à Índia. E que bom que foi passar a fronteira! Que bom, a diferença do cheiro e dos sons, os meus sentidos já estavam meio adormecidos com o ar puro e o silêncio dos Himalaias, bem que precisavam de um abanão.
Durou pouco, o estado de graça.
Abreviando porque isto de escrever na net implica abreviar: fica aqui um histórico do que se passou nas seguintes vinte e sete horas. Sim, escrevi bem, e escrevi por extenso para não haver enganos. Vinte e sete horas – num autocarro local, sem bancos reclináveis nem outras mordomias. Isso é para meninos, bem-vindos à Índia.
14:00 Comprei o bilhete numa banca junto ao autocarro, segundo as instruções do pica, depois de escapar a trinta mil esquemas. Mesmo assim, fiquei com a sensação que estava a ser enganado.
14:30 O autocarro já devia ter saído há dez minutos. O pica anunciou em voz alta que havia chegado o momento de pagar os bilhetes, 490 rupias para Delhi. Eu tinha pago 670 e apesar de se confirmar o roubo, resolvi não dar muita importância.
15:00 Vamos sair (finalmente!), com uma hora de atraso e o suor e desconforto que isso implica, com este calor...
15:01 Entra um homem que nunca-vi-mais-gordo e vem ter directamente comigo. Pede-me o bilhete, mostro-lhe o talão das 670 rupias e ele diz que aquilo não serve para nada e que tenho de pagar mais 490. Os 670 são uma taxa de serviço, diz-me. Eu passo-me, digo que não pago nem mais um tostão, ele expulsa-me do autocarro e eu digo que vou chamar a polícia e que ele e o pica vêm comigo. Gritos, ameaça de porrada, vou apanhar, vou apanhar.
15:05 Mantive o sangue-frio, insisti que ia chamar a polícia, gritei quase tão alto quanto ele, e declarei que o autocarro não saía sem mim. E como magia aparece um bilhete vindo sei-lá-de-onde, alguém arrasta o outro gajo, que já espuma da boca, para a rua... e o autocarro parte. Comigo lá dentro.
15:06 Sou um herói para os nepaleses que viajam comigo no autocarro. O episódio da quase-porrada vai ser conversa recorrente nas próximas vinte e sete horas.
15:10 Avançámos cinquenta metros, se tanto. Temos um furo.
16:15 O furo foi arranjado, o autocarro volta a arrancar. Estou prestes a afogar-me no meu próprio suor.
16:45 Somos parados pela polícia. Entram dois agentes que fingem revistar alguns sacos e caixas, mas estão claramente à procura de sacar alguma coisa. Tentam mexer na minha mochila (que tem o computador lá dentro) mas eu não deixo, pedem-me o passaporte e fingem que estão a le-lo. De pernas para o ar! Safo-me, não me chateiam mais.
17:00 Depois de chatearem quase toda a gente no autocarro, os policias deixam-nos partir. Mas não sem antes ficarem com uma das cinco caixas de maçãs que um miúdo levava para vender no mercado da terrinha. O puto está quase a chorar, era o ganha-pão dele. Apetece-me largar uma bomba atomica neste pais.
Este foi apenas o início de um longo pesadelo, e se me vou poupar a muito mais descrições não é por falta de histórias. Desde darmos meia-volta e fazer dez quilómetros para trás porque o pica deixou o telemóvel num restaurante onde parámos para jantar; a termos trinta e tal pessoas a mais, crianças de colo incluídas, a dormir nos corredores; passando pela decisão do pica de expulsar três pessoas dos seus lugares para ele dormir confortavelmente (sob ameaça de que se não fossem para o corredor, iam para a rua), e dos inúmeros quase-choques-frontais e outros dramas... esta viagem foi qualquer coisa.
Cheguei a Delhi mais morto que vivo, praticamente sem ter dormido porque não havia posição possível... e fui recusado em três hoteis, sem razão aparente, até finalmente encontrar um poiso para o resto do dia.
Bem-vindo à Índia... e que bom que vai ser quando finalmente chegar a Dharamsala!
18/05/2007
Começou ontem à tarde. Estava em Pashupati, uma zona sagrada de Kathmandu que é uma espécie de aldeia dentro da cidade, cheia de templos e sadhus a meditar, e um rio onde os nepaleses lavam os pés dos mortos antes de os cremarem.
Eu estava sentado numa espécie de varanda sobre o rio, no topo de uma colina com vista sobre toda a área. Eu e dezenas de nepaleses, e lá em baixo outras tantas centenas, ao longo das margens, nas pontes, espalhados pelos templos.
O fumo das cremações enchia o ar com um cheiro que me é difícil descrever. O cheiro a carne queimada – carne humana.
E de repente a chuva. Grossos pingos de água quente manchando a pedra do chão, primeiro timidos e ganhando confiança aos poucos. Abriguei-me debaixo de uma árvore, junto a vários nepaleses, à espera que acalmasse. Passaram cinco minutos, e outros cinco, nos degraus junto ao rio já corria uma cascata castanha. A árvore deixou de ser abrigo, chovia copiosamente sobre quem se juntara debaixo dela.
Corremos à procura de um lugar mais abrigado. Corremos devagar, porque a corrente da água no chão era tão forte que corríamos o risco de escorregar. Antes molhado que partido.
Apesar de quase cheio, ainda havia espaço num dos templos. Encharcado, sentei-me no muro a fumar um cigarro. Ao meu lado, um sadhu com rastas até à cintura e o corpo coberto de cinzas, a cara pintada de amarelo e encarnado, ouvia música através de uns headphones cor-de-laranja. Um sadhu com um MP3 novinho em folha!
Num pequeno templo mesmo ao nosso lado, um grupo de rapazes nepaleses tinha-se sentado à conversa com um sadhu, a fumar uma ganza. E mesmo à nossa frente, do outro lado do rio, começava mais uma cremação. O barulho da chuva a cair na pedra e da água a correr nos degraus abafava o choro das mulheres. Três homens faziam companhia a um cadáver cujos pés estavam mergulhados no rio. Levantaram-no devagar e levaram-no para junto da multidão. Seis fogueiras continuavam a arder, apesar da chuva. O fumo misturava-se com os pingos, o ar continuava impregnado daquele cheiro, o mesmo de Varanasi.
Ainda não parou de chover em Kathmandu. Ontem à tarde, ontem à noite, hoje de manhã e parece-me que vai ser assim o resto do dia. Troveja, de vez em quando o flash de um relâmpago ilumina o ar húmido da cidade. A electricidade é desligada entre as quatro da tarde e as oito e meia da noite. Chove, e eu vou-me embora. Daqui a dois ou três dias volto a atravessar a fronteira, de regresso à Índia.
Eu estava sentado numa espécie de varanda sobre o rio, no topo de uma colina com vista sobre toda a área. Eu e dezenas de nepaleses, e lá em baixo outras tantas centenas, ao longo das margens, nas pontes, espalhados pelos templos.
O fumo das cremações enchia o ar com um cheiro que me é difícil descrever. O cheiro a carne queimada – carne humana.
E de repente a chuva. Grossos pingos de água quente manchando a pedra do chão, primeiro timidos e ganhando confiança aos poucos. Abriguei-me debaixo de uma árvore, junto a vários nepaleses, à espera que acalmasse. Passaram cinco minutos, e outros cinco, nos degraus junto ao rio já corria uma cascata castanha. A árvore deixou de ser abrigo, chovia copiosamente sobre quem se juntara debaixo dela.
Corremos à procura de um lugar mais abrigado. Corremos devagar, porque a corrente da água no chão era tão forte que corríamos o risco de escorregar. Antes molhado que partido.
Apesar de quase cheio, ainda havia espaço num dos templos. Encharcado, sentei-me no muro a fumar um cigarro. Ao meu lado, um sadhu com rastas até à cintura e o corpo coberto de cinzas, a cara pintada de amarelo e encarnado, ouvia música através de uns headphones cor-de-laranja. Um sadhu com um MP3 novinho em folha!
Num pequeno templo mesmo ao nosso lado, um grupo de rapazes nepaleses tinha-se sentado à conversa com um sadhu, a fumar uma ganza. E mesmo à nossa frente, do outro lado do rio, começava mais uma cremação. O barulho da chuva a cair na pedra e da água a correr nos degraus abafava o choro das mulheres. Três homens faziam companhia a um cadáver cujos pés estavam mergulhados no rio. Levantaram-no devagar e levaram-no para junto da multidão. Seis fogueiras continuavam a arder, apesar da chuva. O fumo misturava-se com os pingos, o ar continuava impregnado daquele cheiro, o mesmo de Varanasi.
Ainda não parou de chover em Kathmandu. Ontem à tarde, ontem à noite, hoje de manhã e parece-me que vai ser assim o resto do dia. Troveja, de vez em quando o flash de um relâmpago ilumina o ar húmido da cidade. A electricidade é desligada entre as quatro da tarde e as oito e meia da noite. Chove, e eu vou-me embora. Daqui a dois ou três dias volto a atravessar a fronteira, de regresso à Índia.
17/05/2007
16/05/2007
WHY LIKE THIS?
O André e a Inês foram embora hoje de madrugada. Vieram despedir-se ao meu quarto, mas eu estava ferrado e não me lembro de quase nada. Eram cinco da manhã, acho. Voaram para Delhi, daqui a dois dias voltam para Portugal. Eu por cá fico, mais algum tempo, até novo reencontro em Lisboa.
Então poderemos lembrar, mais uma vez, os dias loucos desta aventura a três. O fim de tarde no Nine Bar, o nosso amigo canibal, as conversas em Português nas ruas de Panjim, as corridas do André até ao mar por razoes que não é preciso descrever. A noite ao relento em Palolem, de fato-de-banho, deitados na canga até às tantas a rir de tudo e mais alguma coisa. Vingativo como um caranguejo!
Depois de Goa, Bombaim. O Abbey e a Louisa, a night que era só para ser um copo e acabou num after-hours com tudo bêbado. O passeio de carro, com motorista, da ponta sul ao extremo norte da cidade, com passagem em Juhu Beach e no pani puri de Lokhanwala.
Aurangabad, as grutas de Ellora, as grutas de Ajanta – e Fardapur. Eu e o André a fazer a barba e hair massage, o jantar em casa do Shoo Shoo e do Ashroft, a henna da Inês que teima em nao sair. A minha visão do Inferno, numa estação de comboios cujo nome nem me vou dar ao trabalho de tentar lembrar. E depois a viagem de 28 horas até Varanasi, a chegada à noite, o riquexó que obviamente nos queria levar a todo o lado menos ao nosso hotel. A caminhada pelas ruas, de mochila às costas, às escuras. O passeio de barco ao nascer-do-sol, o passeio de barco ao pôr-do-sol, e a cerimónia inesquecivel junto ao rio a que tivémos o privilégio de assistir.
E finalmente o Nepal! Os três dias de trekking, o sol a nascer no Annapurna, os 3280 degraus de uma assentada só, o ataque das sanguessugas, os cães que nos fizeram companhia, o passeio à noite em Gandruk, a chuvada a caminho de Birethandi. As pessoas sempre a sorrir e a dizer Namaste. Os Himalaias, os Himalaias, os Himalaias! E Kathmandu, provavelmente uma das surpresas mais agradáveis dos últimos tempos, quem diria que a cidade é-o-que-é.
Eles foram embora – eu fico mais uns dias e depois volto à estrada. Quero perceber melhor Kathmandu, quero aventurar-me nas ruas cheias de templos e gente. Há qualquer coisa de estranho e maravilhoso no ritmo desta cidade, ainda não sei muito bem o quê mas vou tentar descobrir.
Eles foram embora, e como diz aqui o ditado:
What to do? Back to Kathmandu!
Então poderemos lembrar, mais uma vez, os dias loucos desta aventura a três. O fim de tarde no Nine Bar, o nosso amigo canibal, as conversas em Português nas ruas de Panjim, as corridas do André até ao mar por razoes que não é preciso descrever. A noite ao relento em Palolem, de fato-de-banho, deitados na canga até às tantas a rir de tudo e mais alguma coisa. Vingativo como um caranguejo!
Depois de Goa, Bombaim. O Abbey e a Louisa, a night que era só para ser um copo e acabou num after-hours com tudo bêbado. O passeio de carro, com motorista, da ponta sul ao extremo norte da cidade, com passagem em Juhu Beach e no pani puri de Lokhanwala.
Aurangabad, as grutas de Ellora, as grutas de Ajanta – e Fardapur. Eu e o André a fazer a barba e hair massage, o jantar em casa do Shoo Shoo e do Ashroft, a henna da Inês que teima em nao sair. A minha visão do Inferno, numa estação de comboios cujo nome nem me vou dar ao trabalho de tentar lembrar. E depois a viagem de 28 horas até Varanasi, a chegada à noite, o riquexó que obviamente nos queria levar a todo o lado menos ao nosso hotel. A caminhada pelas ruas, de mochila às costas, às escuras. O passeio de barco ao nascer-do-sol, o passeio de barco ao pôr-do-sol, e a cerimónia inesquecivel junto ao rio a que tivémos o privilégio de assistir.
E finalmente o Nepal! Os três dias de trekking, o sol a nascer no Annapurna, os 3280 degraus de uma assentada só, o ataque das sanguessugas, os cães que nos fizeram companhia, o passeio à noite em Gandruk, a chuvada a caminho de Birethandi. As pessoas sempre a sorrir e a dizer Namaste. Os Himalaias, os Himalaias, os Himalaias! E Kathmandu, provavelmente uma das surpresas mais agradáveis dos últimos tempos, quem diria que a cidade é-o-que-é.
Eles foram embora – eu fico mais uns dias e depois volto à estrada. Quero perceber melhor Kathmandu, quero aventurar-me nas ruas cheias de templos e gente. Há qualquer coisa de estranho e maravilhoso no ritmo desta cidade, ainda não sei muito bem o quê mas vou tentar descobrir.
Eles foram embora, e como diz aqui o ditado:
What to do? Back to Kathmandu!
08/05/2007
VICISSITUDES... :)
Um mês em Goa de papo para o ar. Três semanas por conta própria e uma com o André e a Inês, que já chegaram. Depois Bombaim - os comboios suburbanos, driver para nos levar a casa, Juhu Beach e uma noitada de copos. Aurangabad, as grutas de Ellora e Ajanta, e como ja é costume Phardapur.
Estamos em Varanasi, depois de 28h num comboio, e tanto ou tão pouco temos feito que não tem havido tempo nem muita paciência, confesso, para escrever no blog.
Estou em falta com a descrição do Gary, com um resumo do mês passado em Goa e tudo o resto que se seguiu. Assim que puder, venho cá publicar qualquer coisa.
Próxima Paragem... Nepal?
Estamos em Varanasi, depois de 28h num comboio, e tanto ou tão pouco temos feito que não tem havido tempo nem muita paciência, confesso, para escrever no blog.
Estou em falta com a descrição do Gary, com um resumo do mês passado em Goa e tudo o resto que se seguiu. Assim que puder, venho cá publicar qualquer coisa.
Próxima Paragem... Nepal?
22/04/2007
BREVEMENTE
(ler este texto em voz alta, como se fosse o trailer de um filme de cinema)
Ele parecia apenas mais um hóspede num hotel pacato de Goa...
Mas às vezes, as aparencias iludem...
(visualizar uma sequencia acelerada de explosões, perseguições de mota na praia, tiros e sangues e mulheres lindas a gritar)
As tatuagens e as cicatrizes contam a história de uma vida intensa... ele percorreu meio-mundo, experimentou de tudo, viveu as emoções mais radicais... mas ainda não está satisfeito...
fuidarumavolta filmes apresenta...
Gary Stevenson em...
Um Canibal Hawaiano em Goa
Uma comédia romântica com sabor a caril de peixe. Estreia quarta ou quinta neste blog.
Ele parecia apenas mais um hóspede num hotel pacato de Goa...
Mas às vezes, as aparencias iludem...
(visualizar uma sequencia acelerada de explosões, perseguições de mota na praia, tiros e sangues e mulheres lindas a gritar)
As tatuagens e as cicatrizes contam a história de uma vida intensa... ele percorreu meio-mundo, experimentou de tudo, viveu as emoções mais radicais... mas ainda não está satisfeito...
fuidarumavolta filmes apresenta...
Gary Stevenson em...
Um Canibal Hawaiano em Goa
Uma comédia romântica com sabor a caril de peixe. Estreia quarta ou quinta neste blog.
07/04/2007
A CAMINHO DE GOA
Regressei a Bombaim, mas para uma passagem muito rápida. O Abbey e a Louisa foram passar a semana da Páscoa ao Dubai, mas insistiram para eu ficar lá em casa à mesma.
Na Sexta-Feira Santa fui a uma missa campal em Bombaim, com a mãe do Abbey, e sábado ao fim do dia metemo-nos os dois num autocarro para Goa. É muito engraçado passear com ela – primeiro porque é completamente louca, depois porque toda a gente fica a olhar para nós, sem perceber muito bem qual a nossa relação ou parentesco.
Mas o melhor de tudo é a reacção das pessoas, quando a senhora lhes diz, com o ar mais sério do mundo, que sou filho dela.
Na Sexta-Feira Santa fui a uma missa campal em Bombaim, com a mãe do Abbey, e sábado ao fim do dia metemo-nos os dois num autocarro para Goa. É muito engraçado passear com ela – primeiro porque é completamente louca, depois porque toda a gente fica a olhar para nós, sem perceber muito bem qual a nossa relação ou parentesco.
Mas o melhor de tudo é a reacção das pessoas, quando a senhora lhes diz, com o ar mais sério do mundo, que sou filho dela.
05/04/2007
UMA DESILUSÃO, UMA SURPRESA E O INDIANO MAIS ROMÂNTICO DE SEMPRE
Uma desilusão: ainda não é desta que vou a Diu, estou muito perto mas não tenho tempo, se quero estar em Bombaim para o fim-de-semana de Páscoa.
Uma surpresa: fiquei em Junagadh, supostamente um ponto de paragem a caminho de Diu, mas o Destino quis que ficasse aqui dia e meio, antes de me meter na estrada novamente. Quem diria... um forte engraçado com dois poços gigantes a fazer lembrar os filmes do Indiana Jones, ruas cheias de edifícios antigos, templos hindus novinhos em folha, monumentos que podiam ser o ex-libris de qualquer cidade. E para rematar, quase todos os muros da cidade estão pintados com citações de personalidades históricas como Napoleão Bonaparte, Júlio César ou Gorbatchev.
O indiano mais romântico de sempre: conheci-o no forte, junto aos canhões que testemunharam a derrota do exército turco contra as forças portuguesas. Veio fazer conversa comigo, quando lhe perguntei o que estava ali a fazer disse-me “I’m waiting for my lover.”
Acabámos por passar a tarde juntos, primeiro a passear enquanto esperávamos pela amada/amante, que ele insistia em apresentar-me... mas ela não telefonou, e não apareceu, e o rapaz começou a ficar deprimido. Levou-me a uns templos, passeámos na cidade velha, ele sempre agarrado ao telefone porque tinha de ser ela a ligar-lhe, ele tinha telefonado na noite anterior e o pai dela atendeu o telefone... dramas amorosos, típicos na Índia.
A tarde passou sem que ela ligasse, eu já não sabia o que dizer porque o rapaz estava cada vez pior, a dada altura mostrou-me umas cicatrizes no braço onde tinha escrito, com uma lâmina, o nome dela, antes de lhe escrever uma carta com o próprio sangue. Arrepio! Quando já ao cair da noite ela finalmente ligou, o indiano mais romântico de sempre mudou radicalmente de personalidade. Só faltava cantar e dançar: ria às gargalhadas, levou-me a um barbeiro e cortou o cabelo, fez novo penteado e uma massagem capilar... tudo porque havia uma breve hipótese de a encontrar. Mas ela ligou outra vez - e nada feito. O pai não a deixava sair de casa.
Jorge, foge enquanto podes – bebemos um sumo de cana de açúcar e cada um seguiu com a sua vida.
Uma surpresa: fiquei em Junagadh, supostamente um ponto de paragem a caminho de Diu, mas o Destino quis que ficasse aqui dia e meio, antes de me meter na estrada novamente. Quem diria... um forte engraçado com dois poços gigantes a fazer lembrar os filmes do Indiana Jones, ruas cheias de edifícios antigos, templos hindus novinhos em folha, monumentos que podiam ser o ex-libris de qualquer cidade. E para rematar, quase todos os muros da cidade estão pintados com citações de personalidades históricas como Napoleão Bonaparte, Júlio César ou Gorbatchev.
O indiano mais romântico de sempre: conheci-o no forte, junto aos canhões que testemunharam a derrota do exército turco contra as forças portuguesas. Veio fazer conversa comigo, quando lhe perguntei o que estava ali a fazer disse-me “I’m waiting for my lover.”
Acabámos por passar a tarde juntos, primeiro a passear enquanto esperávamos pela amada/amante, que ele insistia em apresentar-me... mas ela não telefonou, e não apareceu, e o rapaz começou a ficar deprimido. Levou-me a uns templos, passeámos na cidade velha, ele sempre agarrado ao telefone porque tinha de ser ela a ligar-lhe, ele tinha telefonado na noite anterior e o pai dela atendeu o telefone... dramas amorosos, típicos na Índia.
A tarde passou sem que ela ligasse, eu já não sabia o que dizer porque o rapaz estava cada vez pior, a dada altura mostrou-me umas cicatrizes no braço onde tinha escrito, com uma lâmina, o nome dela, antes de lhe escrever uma carta com o próprio sangue. Arrepio! Quando já ao cair da noite ela finalmente ligou, o indiano mais romântico de sempre mudou radicalmente de personalidade. Só faltava cantar e dançar: ria às gargalhadas, levou-me a um barbeiro e cortou o cabelo, fez novo penteado e uma massagem capilar... tudo porque havia uma breve hipótese de a encontrar. Mas ela ligou outra vez - e nada feito. O pai não a deixava sair de casa.
Jorge, foge enquanto podes – bebemos um sumo de cana de açúcar e cada um seguiu com a sua vida.
?!
É uma mota? É um tractor? É uma carroça?
Não... é um meio de transporte como outro qualquer, não sei o nome mas parece-me uma mistura dos três anteriores. Não tem superpoderes, mas é uma loucura.
Não... é um meio de transporte como outro qualquer, não sei o nome mas parece-me uma mistura dos três anteriores. Não tem superpoderes, mas é uma loucura.
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