Chama-se Wat Rong Khun mas toda a gente o conhece por "White Temple". E apesar de ainda nem estar completo, é já uma das principais atracções turísticas do Norte da Tailândia, e promete transformar-se num ícone do país.
O click de hoje éuma das descobertas mais interessantes que fiz nos últimos tempos. Na contagem decrescente para o Songkran, o Festival da Água que celebra a entrada no novo ano tailandês, aluguei uma mota e fui passear por Chiang Rai. O objectivo era descobrir este templo situado a cerca de 13km do centro da cidade - e apesar do tempo não estar muito "amigo", admito que fiquei deslumbrado com aquilo que vi.
E o que vi foi isto:
15/04/2014
O INFERNO EM VALPARAÍSO
Ontem acordei com a notícia triste do incêndio que lavrava descontroladamente, há mais de 24 horas, em Valparaíso.
Esta cidade chilena que é reconhecida pela UNESCO como Património da Humanidade foi uma das paragens no meu roteiro de viagem, na aventura de três meses que fiz há um ano na América do Sul - e foi um dos lugares mais coloridos que já visitei.
Daí o choque, ao ver as fotografias publicadas pelos jornais, todas pintadas de fogo e negro. Um lugar tão feliz, que canta as cores do arco-íris, que grita o seu amor em cada parede. Uma cidade-poema. Que tragédia.
Curiosamente: apesar de só ter escrito sobre este passeio em Junho, completa-se agora um ano do dia em que visitei Valparaíso. Dezasseis de abril.
Lembro então dois posts que publiquei a propósito deste passeio, e que são como declarações de amor a este muito especial cantinho do mundo:
Ode a Valparaíso (Pablo Neruda)
Um colorido sobe-e-desce
Que passe rápido, Valpa. E que recuperes depressa o teu sorriso colorido, esse amor que tens à vida e à sua celebração.
Esta cidade chilena que é reconhecida pela UNESCO como Património da Humanidade foi uma das paragens no meu roteiro de viagem, na aventura de três meses que fiz há um ano na América do Sul - e foi um dos lugares mais coloridos que já visitei.
Daí o choque, ao ver as fotografias publicadas pelos jornais, todas pintadas de fogo e negro. Um lugar tão feliz, que canta as cores do arco-íris, que grita o seu amor em cada parede. Uma cidade-poema. Que tragédia.
Curiosamente: apesar de só ter escrito sobre este passeio em Junho, completa-se agora um ano do dia em que visitei Valparaíso. Dezasseis de abril.
Lembro então dois posts que publiquei a propósito deste passeio, e que são como declarações de amor a este muito especial cantinho do mundo:
Ode a Valparaíso (Pablo Neruda)
Um colorido sobe-e-desce
Que passe rápido, Valpa. E que recuperes depressa o teu sorriso colorido, esse amor que tens à vida e à sua celebração.
14/04/2014
FELIZ SONGKRAN!
Camisa às flores: check.
Bisnaga carregada com água: check.
Estou pronto para a festa.
Feliz Ano Novo, Tailândia!
Bisnaga carregada com água: check.
Estou pronto para a festa.
Feliz Ano Novo, Tailândia!
FELIZ ANO NOVO DE 2557!
Ontem, hoje e amanhã celebra-se por toda a Tailândia, Laos e Cambodja a entrada em mais um novo ano. E apesar de em quase todo o lado seguir-se o calendário gregoriano, na Tailândia contam-se os anos a partir do nascimento do Buda.
São dois mil quinhentos e cinquenta e sete.
Os tailandeses são muuuuito à frente ;)
Mas voltando ao que interessa: estou em Chiang Rai, na ponta Norte da Tailândia. E ontem passei a tarde e a noite em festa, numa rua transformada em discoteca, numa espécie de festa da espuma meets concurso miss t-shirt molhada. Um carnaval muito próprio, com bisnagas e música, sorrisos por todo o lado. Que festa!
É o meu quarto Songkran: três na Tailândia (Bangkok, Ayutyhaya e Chiang Rai), um no Laos (Luang Prabang). E porque desta vez guardei muito poucos registos da festa, partilho aqui algumas fotos de há quatro anos atrás, quando festejei o Ano Novo Tailandês com um grupo da Nomad em Ayutthaya:
São dois mil quinhentos e cinquenta e sete.
Os tailandeses são muuuuito à frente ;)
Mas voltando ao que interessa: estou em Chiang Rai, na ponta Norte da Tailândia. E ontem passei a tarde e a noite em festa, numa rua transformada em discoteca, numa espécie de festa da espuma meets concurso miss t-shirt molhada. Um carnaval muito próprio, com bisnagas e música, sorrisos por todo o lado. Que festa!
É o meu quarto Songkran: três na Tailândia (Bangkok, Ayutyhaya e Chiang Rai), um no Laos (Luang Prabang). E porque desta vez guardei muito poucos registos da festa, partilho aqui algumas fotos de há quatro anos atrás, quando festejei o Ano Novo Tailandês com um grupo da Nomad em Ayutthaya:
13/04/2014
TAXI!
Koh Lipe não é uma ilha muito grande, e sabe bem andar a pé de um lado para o outro... mas para quem está longe do centro e da confusão como nós, às vezes apetece uma boleia. Quase todos os dias íamos jantar à Walking Street, entre a Sunrise Beach e Pattaya - e íamos quase sempre a pé. Mas no regresso, com a barriga cheia e cansados das intensas actividades do dia... não apetecia nada andar.
Assim sendo: toca a chamar um táxi.
Tenho pena de não ter andado mais vezes com a câmara. Gostava de ter fotografado mais táxis em Koh Lipe, mas só no último dia me dei ao trabalho, e só encontrei estes dois.
Esta espécie de side-cars improvisados era realmente muito original - era possível encontrar desde os mais simples aos mais elaborados, acolchoados e aerodinâmicos, com luzes de todas as cores, música, etc.
Para a próxima esforço-me mais, desta vez estava num registo diferente eheh.
Assim sendo: toca a chamar um táxi.
Tenho pena de não ter andado mais vezes com a câmara. Gostava de ter fotografado mais táxis em Koh Lipe, mas só no último dia me dei ao trabalho, e só encontrei estes dois.
Esta espécie de side-cars improvisados era realmente muito original - era possível encontrar desde os mais simples aos mais elaborados, acolchoados e aerodinâmicos, com luzes de todas as cores, música, etc.
Para a próxima esforço-me mais, desta vez estava num registo diferente eheh.
MÃEZINHA
Uma semana no mesmo lugar tem destas coisas: começamo-nos a ambientar, a travar conhecimentos, a dizer olá às pessoas do costume, a conhecer as rotinas e a fazer parte da paisagem.
Uma das "personagens" que marcou o tempo passado em Sunset Beach foi uma cadela muito simpática, de tetas cheias de leite e quatro cachorrinhos em eterna perseguição.
No primeiro dia a Mãezinha demorou a ganhar confiança, mas ao segundo já vinha ter ao nosso bungalow quando a chamávamos... e ao terceiro, era nossa insparável companheira. Passou a dormir na nossa varanda, os cãezinhos debaixo do bungalow. Quando voltávamos da praia ou da Walking Street, vinham a correr ter comigo, ela à frente e os quatro piolhos atrás, entrelaçando os seus desajeitados andares com as minhas passadas.
Confesso que evitava um contacto muito demorado ou "efusivo" com eles, porque estavam carregados de pulgas... mas eram irresistíveis e fartei-me de brincar com eles.
Ao fim de uma semana: fomos embora.
Confesso que tive pena, entre tantas outras coisas, de os deixar na praia. Vou ter saudades dos banhos e das conversas, dos ritmos e dos sorrisos, das pessoas... e sim, dos quatro cachorrinhos e da Mãezinha.
Uma das "personagens" que marcou o tempo passado em Sunset Beach foi uma cadela muito simpática, de tetas cheias de leite e quatro cachorrinhos em eterna perseguição.
No primeiro dia a Mãezinha demorou a ganhar confiança, mas ao segundo já vinha ter ao nosso bungalow quando a chamávamos... e ao terceiro, era nossa insparável companheira. Passou a dormir na nossa varanda, os cãezinhos debaixo do bungalow. Quando voltávamos da praia ou da Walking Street, vinham a correr ter comigo, ela à frente e os quatro piolhos atrás, entrelaçando os seus desajeitados andares com as minhas passadas.
Confesso que evitava um contacto muito demorado ou "efusivo" com eles, porque estavam carregados de pulgas... mas eram irresistíveis e fartei-me de brincar com eles.
Ao fim de uma semana: fomos embora.
Confesso que tive pena, entre tantas outras coisas, de os deixar na praia. Vou ter saudades dos banhos e das conversas, dos ritmos e dos sorrisos, das pessoas... e sim, dos quatro cachorrinhos e da Mãezinha.
WTF?!
Só no segundo dia é que nos apercebemos do nome do nosso "resort":
Desenganem-se aqueles que já estão a imaginar festas e câmaras de filmar, arrepios e gemidos, maminhas ao léu. Diz que Porn é um apelido na Tailândia. E esta, hem?
Desenganem-se aqueles que já estão a imaginar festas e câmaras de filmar, arrepios e gemidos, maminhas ao léu. Diz que Porn é um apelido na Tailândia. E esta, hem?
12/04/2014
CHEGUEI
Koh Lipe. Desembarcámos em Pattaya Beach e não tínhamos reservas feitas online nem intenções de ir para uma praia específica, não tínhamos dicas de amigos nem referências por-aí-além. Mas pelo movimento na praia percebemos logo que não queríamos ficar ali. Pedimos um mapa, deram-nos um mapa. E com este já desdobrado, estudámos muito rapidamente as opções.
"Vamos até ao fim da praia, metemo-nos por aquele caminho e atravessamos para esta parte..."
E assim fizemos. De mochila e suor às costas, fomos até ao fim da praia e metemo-nos por aquele caminho, atravessámos para aquela parte... e chegámos a uma pequena praia.
"Full", responderam-nos nos primeiros lugares onde procurámos bungalows.
"Thai people", diziam-nos com cara de quem explica o porquê do buraco do ozono.
Enfim: persistência à parte, o facto é que tínhamos de encontrar um sítio para ficar. Depressa. Seguimos pela estrada à procura de mais uma praia, e outra, e mais outra. O sol já se tinha posto e começava a escurecer. Não podíamos ficar na rua a olhar para as palmeiras e a ser picados por mosquitos.
Eis então que a certa altura deparámos com umas escadinhas que iam dar a uma praia. Eu fiquei com as mochilas no topo (estávamos fartos de tanto subir e descer carregados) e o Miguel desceu até à areia. Voltou pouco depois, com um sorriso na cara:
"Já temos poiso!"
Naquela noite adormecemos ao som das ondas a fazer amor com a areia, de bichos esquisitos a guinchar nas árvores, dos nossos vizinhos tailandeses à conversa até altas horas, no bungalow ao lado.
De manhã: abri a porta do bungalow e inspirei com um sorriso o cheiro quente a férias. Vesti os calções e desci em passos largos até à praia - mergulhei no mar cristalino. Bom dia, alegria. O sabor do sal nos lábios, na língua, no céu da boca. O céu azul polvilhado de gordas nuvens de algodão-doce. Os pés enterrados na areia, as mãos a voar na água quente. Deitei-me a boiar e a sorrir, que delicioso Agora, pouco depois voltei para a praia e sentei-me numa espreguiçadeira a dar festas a uma cadela muito simpática, de tetas cheias, perseguida por quatro cachorrinhos histéricos. A água a pingar do cabelo, os olhos a arder ligeiramente.
Cheguei.
Na noite anterior, a senhora da recepção perguntou-nos quantas noites íamos ficar. Respondemos-lhe que "por enquanto uma", mas que na manhã seguinte dizíamos ao certo quantas. Provavelmente três.
Ficámos uma semana. E só fomos embora porque tinha mesmo de ser.
"Vamos até ao fim da praia, metemo-nos por aquele caminho e atravessamos para esta parte..."
E assim fizemos. De mochila e suor às costas, fomos até ao fim da praia e metemo-nos por aquele caminho, atravessámos para aquela parte... e chegámos a uma pequena praia.
"Full", responderam-nos nos primeiros lugares onde procurámos bungalows.
"Thai people", diziam-nos com cara de quem explica o porquê do buraco do ozono.
Enfim: persistência à parte, o facto é que tínhamos de encontrar um sítio para ficar. Depressa. Seguimos pela estrada à procura de mais uma praia, e outra, e mais outra. O sol já se tinha posto e começava a escurecer. Não podíamos ficar na rua a olhar para as palmeiras e a ser picados por mosquitos.
Eis então que a certa altura deparámos com umas escadinhas que iam dar a uma praia. Eu fiquei com as mochilas no topo (estávamos fartos de tanto subir e descer carregados) e o Miguel desceu até à areia. Voltou pouco depois, com um sorriso na cara:
"Já temos poiso!"
Naquela noite adormecemos ao som das ondas a fazer amor com a areia, de bichos esquisitos a guinchar nas árvores, dos nossos vizinhos tailandeses à conversa até altas horas, no bungalow ao lado.
De manhã: abri a porta do bungalow e inspirei com um sorriso o cheiro quente a férias. Vesti os calções e desci em passos largos até à praia - mergulhei no mar cristalino. Bom dia, alegria. O sabor do sal nos lábios, na língua, no céu da boca. O céu azul polvilhado de gordas nuvens de algodão-doce. Os pés enterrados na areia, as mãos a voar na água quente. Deitei-me a boiar e a sorrir, que delicioso Agora, pouco depois voltei para a praia e sentei-me numa espreguiçadeira a dar festas a uma cadela muito simpática, de tetas cheias, perseguida por quatro cachorrinhos histéricos. A água a pingar do cabelo, os olhos a arder ligeiramente.
Na noite anterior, a senhora da recepção perguntou-nos quantas noites íamos ficar. Respondemos-lhe que "por enquanto uma", mas que na manhã seguinte dizíamos ao certo quantas. Provavelmente três.
Ficámos uma semana. E só fomos embora porque tinha mesmo de ser.
FREE WIFI NO PARAÍSO
Terminada a 19ª edição da Indochina, voltei rapidamente a Bangkok - onde já me esperava o Miguel, um amigo de Lisboa com quem combinara ir dar uma volta pela Tailândia.
Sem planos delineados, a única coisa que sabia é que na primeira semana íamos descansar para alguma ilha no Sul do país - e depois, em princípio, subíamos para alguma cidade no Norte, para celebrar a entrada no novo ano tailandês.
Ou seja: saudades e abraços arrumados, vamos lá decidir para onde ir.
Eu não queria "repetir" as praias de há dez anos, o Miguel nunca cá tinha estado. Pesquisa-daqui, pergunta-dali, acabámos por comprar um voo para Hat Yai, bem no Sul da Tailândia, quase-quase na Malásia.
Na manhã seguinte, ainda noite cerrada, uma minivan veio buscar-nos ao hotel. Não tínhamos dormido quase nada. Que ressaca. Mas a viagem até ao aeroporto foi um piscar-de-olhos - e não porque tenha dormido durante quase toda o percurso - mas porque o senhor condutor, por favor, levava o pé no acelerador... se chocar, não faz mal... ok, u got the point.
Check-in feito. Uma hora e meia até ao voo sair.
Mais hora e meia no ar.
E outra hora e meia em Hat Yai, a fazer tempo até ao minibus partir. Sentámo-nos a ressacar a noite anterior num café com ar condicionado e wifi, demos uma volta pelo mercado chinês, almoçámos num restaurante familiar que servia uns noodles de chorar.
Depois: hora e meia de estrada até Pak Barra, o porto de saída para as ilhas. Sempre acompanhados de nuvens escuras e chuvas repentinas, pingos pesados e palmeiras despenteadas, que pontaria, se está o tempo assim nas ilhas, vamos ter as férias estragadas.
E a ressaca que não passa.
Mais hora e meia no cais, à espera do barco. Centenas de turistas, sobretudo grupos de locais que vão passar o fim-de-semana, munidos de lancheiras e chapéus de sol. Eu tinha lido qualquer coisa acerca de Koh Lipe, não me lembro das palavras exactas mas era qualquer coisa como "one of the last untouched islands in Thailand". Estamos feitos.
E finalmente: depois das horas-e-meia todas do resto do dia, a ressaca estava finalmente curada e entrámos no barco com mais cinquenta passageiros. E arrancámos. Para cima e para baixo, catrapumba e gargalhadas, que viagem, esta última hora e meia. Emoções ao rubro, o coração aos pulos, passageiros ensopados e aos gritos, alguns a vomitar, que filme é este, nunca mais chegamos...
Mas chegámos.
Uma espécie de paraíso.
Uma ilha como outras ilhas. Mar à volta, azul-turquesa e verde-esmeralda. Areia branca. Turistas côr-de-rosa. Tailandeses castanhos. Sorrisos brancos e música de todas as cores, palmeiras na praia, rastafaris e turistas de tanga, anúncios a massagens e a mergulhos, batidos e panquecas. O paraíso já não é o que era?
Vi algures uma seta a apontar para um ATM. E ao lado um cartaz pregado numa árvore, a dizer "free wifi".
Sem planos delineados, a única coisa que sabia é que na primeira semana íamos descansar para alguma ilha no Sul do país - e depois, em princípio, subíamos para alguma cidade no Norte, para celebrar a entrada no novo ano tailandês.
Ou seja: saudades e abraços arrumados, vamos lá decidir para onde ir.
Eu não queria "repetir" as praias de há dez anos, o Miguel nunca cá tinha estado. Pesquisa-daqui, pergunta-dali, acabámos por comprar um voo para Hat Yai, bem no Sul da Tailândia, quase-quase na Malásia.
Na manhã seguinte, ainda noite cerrada, uma minivan veio buscar-nos ao hotel. Não tínhamos dormido quase nada. Que ressaca. Mas a viagem até ao aeroporto foi um piscar-de-olhos - e não porque tenha dormido durante quase toda o percurso - mas porque o senhor condutor, por favor, levava o pé no acelerador... se chocar, não faz mal... ok, u got the point.
Check-in feito. Uma hora e meia até ao voo sair.
Mais hora e meia no ar.
E outra hora e meia em Hat Yai, a fazer tempo até ao minibus partir. Sentámo-nos a ressacar a noite anterior num café com ar condicionado e wifi, demos uma volta pelo mercado chinês, almoçámos num restaurante familiar que servia uns noodles de chorar.
Depois: hora e meia de estrada até Pak Barra, o porto de saída para as ilhas. Sempre acompanhados de nuvens escuras e chuvas repentinas, pingos pesados e palmeiras despenteadas, que pontaria, se está o tempo assim nas ilhas, vamos ter as férias estragadas.
E a ressaca que não passa.
Mais hora e meia no cais, à espera do barco. Centenas de turistas, sobretudo grupos de locais que vão passar o fim-de-semana, munidos de lancheiras e chapéus de sol. Eu tinha lido qualquer coisa acerca de Koh Lipe, não me lembro das palavras exactas mas era qualquer coisa como "one of the last untouched islands in Thailand". Estamos feitos.
E finalmente: depois das horas-e-meia todas do resto do dia, a ressaca estava finalmente curada e entrámos no barco com mais cinquenta passageiros. E arrancámos. Para cima e para baixo, catrapumba e gargalhadas, que viagem, esta última hora e meia. Emoções ao rubro, o coração aos pulos, passageiros ensopados e aos gritos, alguns a vomitar, que filme é este, nunca mais chegamos...
Mas chegámos.
Uma espécie de paraíso.
Uma ilha como outras ilhas. Mar à volta, azul-turquesa e verde-esmeralda. Areia branca. Turistas côr-de-rosa. Tailandeses castanhos. Sorrisos brancos e música de todas as cores, palmeiras na praia, rastafaris e turistas de tanga, anúncios a massagens e a mergulhos, batidos e panquecas. O paraíso já não é o que era?
Vi algures uma seta a apontar para um ATM. E ao lado um cartaz pregado numa árvore, a dizer "free wifi".
11/04/2014
DEZ ANOS DEPOIS
Voltei às ilhas.
Nos últimos cinco invernos tenho andado às voltas pela Indochina, com a Nomad. Faço constantemente o Vietname, de cima a baixo; no Cambodja os lugares do costume; apaixono-me todos os dias pelo Laos - mas da Tailândia, pouco mais que Bangkok.
Desta vez decidi que ficava na Tailândia: quinze dias de férias, no final da temporada, antes de voltar a Portugal. E regressei às ilhas.
A última vez que me lembro de enterrar os pés na areia-cerelac de uma praia tailandesa foi em 2004... e oportunidades não me faltaram. Mas vá-se lá perceber porquê. Dez anos.
E agora estou de volta. Já não era sem tempo.
Como não queria correr o risco de destruir a imagem que guardo de alguns lugares onde estive há uma década, escolhi uma praia onde nunca tinha estado.
Koh Lipe.
É por causa desta ilha que não tenho passado por aqui ultimamente para partilhar as voltas. Aqui: no blog. A culpa é do mar azul-turquesa, desta indomável vontade de não fazer nada, do frenesim de morcegos e bicharada à noite, que mal me deixa dormir. Dos dias que passam a correr, a ler Jorge Amado, estendido numa espreguiçadeira de madeira, na "minha" praia. Das noites à conversa no alpendre do meu bungalow, ao som das ondas a fazer amor com a areia. O repelente para mosquitos com cheiro a erva-prícipe. A água do mar que brilha de azul à noite, quando nado. Os longtail boats com fitas às cores, que atravessam a baía barulhentos. O pôr-do-sol impossível que só pode ser photoshopado, tão intenso que tenho de desligar os filtros da máquina para não parecer demasiado exagerado.
Enquanto não preparo o tanto que tenho, fica aqui a foto que partilhei ontem no facebook. É um cliché. Está em todos os postais, nas brochuras turísticas das agências de viagens, nas revistas da especialidade - e está aqui à minha frente, todos os dias.
Nos últimos cinco invernos tenho andado às voltas pela Indochina, com a Nomad. Faço constantemente o Vietname, de cima a baixo; no Cambodja os lugares do costume; apaixono-me todos os dias pelo Laos - mas da Tailândia, pouco mais que Bangkok.
Desta vez decidi que ficava na Tailândia: quinze dias de férias, no final da temporada, antes de voltar a Portugal. E regressei às ilhas.
A última vez que me lembro de enterrar os pés na areia-cerelac de uma praia tailandesa foi em 2004... e oportunidades não me faltaram. Mas vá-se lá perceber porquê. Dez anos.
E agora estou de volta. Já não era sem tempo.
Como não queria correr o risco de destruir a imagem que guardo de alguns lugares onde estive há uma década, escolhi uma praia onde nunca tinha estado.
Koh Lipe.
É por causa desta ilha que não tenho passado por aqui ultimamente para partilhar as voltas. Aqui: no blog. A culpa é do mar azul-turquesa, desta indomável vontade de não fazer nada, do frenesim de morcegos e bicharada à noite, que mal me deixa dormir. Dos dias que passam a correr, a ler Jorge Amado, estendido numa espreguiçadeira de madeira, na "minha" praia. Das noites à conversa no alpendre do meu bungalow, ao som das ondas a fazer amor com a areia. O repelente para mosquitos com cheiro a erva-prícipe. A água do mar que brilha de azul à noite, quando nado. Os longtail boats com fitas às cores, que atravessam a baía barulhentos. O pôr-do-sol impossível que só pode ser photoshopado, tão intenso que tenho de desligar os filtros da máquina para não parecer demasiado exagerado.
Enquanto não preparo o tanto que tenho, fica aqui a foto que partilhei ontem no facebook. É um cliché. Está em todos os postais, nas brochuras turísticas das agências de viagens, nas revistas da especialidade - e está aqui à minha frente, todos os dias.
05/04/2014
DE FÉRIAS!
Ainda não consegui juntar energias para me organizar com os conteúdos do blog. O último grupo da temporada foi embora, dei um saltinho a Bangkok e já estou no Sul da Tailândia, a caminho de uma qualquer ilha paradisíaca onde possa enterrar os pés na areia e fazer NADA o dia todo.
Ou seja... eu sei lá quando é que venho aqui escrever... :)
Mas com tanto tempo livre - e eu conheço-me bem - já sei que mais-cedo-ou-mais-cedo recomeço a escrever alguma coisa. Assim sendo, repito a despedida dos últimos posts: até já!
Ou seja... eu sei lá quando é que venho aqui escrever... :)
Mas com tanto tempo livre - e eu conheço-me bem - já sei que mais-cedo-ou-mais-cedo recomeço a escrever alguma coisa. Assim sendo, repito a despedida dos últimos posts: até já!
31/03/2014
O FIM DA 5ª TEMPORADA
Será que, ao estilo das minhas séries de televisão preferidas, também esta temporada da Indochina nos reserva um final inesperado e chocante, rico em twists e surpresas? Espero que não. Pelo menos, que não seja nada de tão dramático como no Breaking Bad ou no Game of Thrones.
Está quase a acabar, o 19º episódio da Indochina. Já estamos em Luang Prabang - foram mais umas semanas memoráveis, a que partilhei com este último grupo. Tão intensas que nem tenho tempo para actualizar o blog, há bastantes dias.
Mas, como disse no post anterior, matéria não falta.
A ver se hoje ou amanhã consigo dedicar-me um bocadinho mais a isso. Agora vou ali buscar a minha mota, que tenho de ir visitar um amigo monge. Depois vamos (eu e o grupo da Nomad) passar o dia nas cataratas de Kuang Si.
Até já!
Está quase a acabar, o 19º episódio da Indochina. Já estamos em Luang Prabang - foram mais umas semanas memoráveis, a que partilhei com este último grupo. Tão intensas que nem tenho tempo para actualizar o blog, há bastantes dias.
Mas, como disse no post anterior, matéria não falta.
A ver se hoje ou amanhã consigo dedicar-me um bocadinho mais a isso. Agora vou ali buscar a minha mota, que tenho de ir visitar um amigo monge. Depois vamos (eu e o grupo da Nomad) passar o dia nas cataratas de Kuang Si.
Até já!
23/03/2014
TANTO & TÃO POUCO
Tanto a acontecer, peripécias e histórias para partilhar... e tão pouco tempo para me sentar com cabeça e publicar aqui. Valha-me o facebook que é mais imediato. Mas assim que puder...
Até já. ;)
Até já. ;)
18/03/2014
ONDE? AQUI.
Não me lembro em concreto de nenhum sonho hoje, mas acordei a cantarolar o clássico dos Moloko, "The time is Now".
Acordar com uma música a massacrar-me a cabeça não tem nada de novo. Acontece-me com uma frequência absurda, por vezes dou por mim a cantar algumas de que nem gosto especialmente. Muito de vez em quando, canções que abomino. Mas vá-se lá perceber os primeiros minutos do dia. ;)
O que é especial no facto de ter acordardado com esta música na cabeça é que, no espaço de dois ou três dias, deve ser o milésimo-trigésimo-sétimo estímulo que me transporta para a eterna questão que tem atormentado tanta gente ao longo dos tempos.
O Aqui-Agora, como gosto de lhe chamar.
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment last
Conheci, no avião que me trouxe a Hànôi, um francês filho de cambodjanos emigrados em Paris que está a dar uma volta ao Mundo. Viemos o tempo todo à conversa, descobrimos coincidências e curiosidades, partilhámos histórias de vida e insólitos, trocámos contactos - e acabámos por jantar no dia seguinte com uns amigos, no Quan An Ngon; e depois fomos para um bar muito cool junto à linha do comboio, para festejar os anos de uma rapariga que dá aulas no Liceu Francês. Passámos a noite à conversa, entre shots de aguardente de arroz e uma bebida de manga muito doce, cigarros e música de gosto duvidoso que os clientes do bar iam escolhendo no Youtube. Foi uma daquelas conversas que parece que estava-só-à-espera-de-acontecer, interrompida apenas quando um comboio passava à porta do bar, algo único que nunca tinha experienciado e que empresta ao lugar uma espécie de aura insólita. Muito giro.
Anyway: uma das questões que mais discutimos ao longo da noite, entre viagens, religião, história e meditação... foi esta do Aqui-Agora.
Quantas vezes nos permitimos ficar reféns do Passado e do Presente, das Expectativas e dos Medos, daquilo que Devia-Ser, do que É-Suposto, do que Foi-Sempre-Assim. Quantas vezes não vivemos absolutamente o tempo Presente, o espaço Presente - porque estamos demasiado preocupados com aquilo que aí vem, com as consequências, ou com as coisas que nos agarram de trás os preconceitos, as ideias-feitas, todas as amarras.
Onde? Aqui.
Quando? Agora.
Este sou Eu.
Sim: sou também um produto de todas as experiências, dos encontros e das conquistas, das frustrações, do acumular de vários Aquis e muitos Agoras. Sou matéria prima para tudo o que me espera, Bom e Mau, Quente e Frio, Curto ou Prolongado. Somos todos isto tudo.
Mas apesar desta discussão "dar pano para mangas", não me vou demorar muito mais na abordagem ao tema. Este é um blog de viagens. Cada qual, com as suas vivências e opiniões, deve ter os seus pontos de vista, os seus argumentos, as suas dúvidas. Que sirva este post de gatilho para uma discussão, seja elas interior ou com o vizinho do lado, ou entre amigos, ou à mesa com a família.
No outro dia li no facebook uma frase do Dalai Lama que abordava esta temática. Não me lembro ao certo do que dizia. E depois foi um parágrafo que alguém transcreveu do "Disse-me um Adivinho". Ando a ser perseguido pelo Aqui-Agora. :)
E ontem, em passeio pelo Old Quarter de Hanói, passei por um bar que tinha um nome muito original. Chamava-se Where? Now. E o logotipo era um jogo muito interessante com as duas palavras sobrepostas.
Resolvi adaptá-lo. Fiz da frase a foto de capa do FUI DAR UMA VOLTA, no facebook.
Fica aqui a minha versão:
Acordar com uma música a massacrar-me a cabeça não tem nada de novo. Acontece-me com uma frequência absurda, por vezes dou por mim a cantar algumas de que nem gosto especialmente. Muito de vez em quando, canções que abomino. Mas vá-se lá perceber os primeiros minutos do dia. ;)
O que é especial no facto de ter acordardado com esta música na cabeça é que, no espaço de dois ou três dias, deve ser o milésimo-trigésimo-sétimo estímulo que me transporta para a eterna questão que tem atormentado tanta gente ao longo dos tempos.
O Aqui-Agora, como gosto de lhe chamar.
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment last
Conheci, no avião que me trouxe a Hànôi, um francês filho de cambodjanos emigrados em Paris que está a dar uma volta ao Mundo. Viemos o tempo todo à conversa, descobrimos coincidências e curiosidades, partilhámos histórias de vida e insólitos, trocámos contactos - e acabámos por jantar no dia seguinte com uns amigos, no Quan An Ngon; e depois fomos para um bar muito cool junto à linha do comboio, para festejar os anos de uma rapariga que dá aulas no Liceu Francês. Passámos a noite à conversa, entre shots de aguardente de arroz e uma bebida de manga muito doce, cigarros e música de gosto duvidoso que os clientes do bar iam escolhendo no Youtube. Foi uma daquelas conversas que parece que estava-só-à-espera-de-acontecer, interrompida apenas quando um comboio passava à porta do bar, algo único que nunca tinha experienciado e que empresta ao lugar uma espécie de aura insólita. Muito giro.
Anyway: uma das questões que mais discutimos ao longo da noite, entre viagens, religião, história e meditação... foi esta do Aqui-Agora.
Quantas vezes nos permitimos ficar reféns do Passado e do Presente, das Expectativas e dos Medos, daquilo que Devia-Ser, do que É-Suposto, do que Foi-Sempre-Assim. Quantas vezes não vivemos absolutamente o tempo Presente, o espaço Presente - porque estamos demasiado preocupados com aquilo que aí vem, com as consequências, ou com as coisas que nos agarram de trás os preconceitos, as ideias-feitas, todas as amarras.
Onde? Aqui.
Quando? Agora.
Este sou Eu.
Sim: sou também um produto de todas as experiências, dos encontros e das conquistas, das frustrações, do acumular de vários Aquis e muitos Agoras. Sou matéria prima para tudo o que me espera, Bom e Mau, Quente e Frio, Curto ou Prolongado. Somos todos isto tudo.
Mas apesar desta discussão "dar pano para mangas", não me vou demorar muito mais na abordagem ao tema. Este é um blog de viagens. Cada qual, com as suas vivências e opiniões, deve ter os seus pontos de vista, os seus argumentos, as suas dúvidas. Que sirva este post de gatilho para uma discussão, seja elas interior ou com o vizinho do lado, ou entre amigos, ou à mesa com a família.
No outro dia li no facebook uma frase do Dalai Lama que abordava esta temática. Não me lembro ao certo do que dizia. E depois foi um parágrafo que alguém transcreveu do "Disse-me um Adivinho". Ando a ser perseguido pelo Aqui-Agora. :)
E ontem, em passeio pelo Old Quarter de Hanói, passei por um bar que tinha um nome muito original. Chamava-se Where? Now. E o logotipo era um jogo muito interessante com as duas palavras sobrepostas.
Resolvi adaptá-lo. Fiz da frase a foto de capa do FUI DAR UMA VOLTA, no facebook.
Fica aqui a minha versão:
TODAS AS CORES
Hoje a Índia "ressaca" o festival de cores e alegria. E eu, cheio de saudades e uma vontade enorme de estar lá, aproveito as geografias trocadas e partilho um click muito especial que fiz no melhor dos três Holi que experienciei.
17/03/2014
AS SELFIES DO HOLI
Achava eu que só recentemente tinha adoptado a moda das selfies, quando fui procurar fotos antigas do Holi - para ilustrar um post sobre o tema - e encontrei umas pérolas... ou, dependendo das opiniões, uns "tesourinhos deprimentes".
;)
Nos dois dias em que festejei o Holi em Mathura - a terra natal do lorde Krishna, e logo o melhor sítio na Índia para se comemorar o chamado Festival das Cores - voltei para o meu quarto ao fim da noite, embebido no espírito, coberto de cores, e já depois de ter bebido alguns bhang lassi.
Quem não sabe o que é um bhang lassi, faz favor de pesquisar na net. Mas só se quiserem meeeesmo saber. :)
Continuando: no bonito estado em que cheguei, vá-se lá saber porquê mas decidi fazer uns auto-retratos. Os mesmos que hoje se chamam selfies.
Fica aqui uma pequena amostra da longa série de selfies feitos nessas duas noites. Não sei se devo estar orgulhoso, envergonhado, ou seja lá o que for. Não me interessa. Fartei-me de rir a relembrar estes momentos, e agora partilho-os aqui.
Quem me dera estar hoje na Índia, a celebrar com os amigos este Festival das Cores. Quem sabe para o ano volto.
Até lá: um feliz Holi para todos. Que seja um ano colorido e alegre.
;)
Nos dois dias em que festejei o Holi em Mathura - a terra natal do lorde Krishna, e logo o melhor sítio na Índia para se comemorar o chamado Festival das Cores - voltei para o meu quarto ao fim da noite, embebido no espírito, coberto de cores, e já depois de ter bebido alguns bhang lassi.
Quem não sabe o que é um bhang lassi, faz favor de pesquisar na net. Mas só se quiserem meeeesmo saber. :)
Continuando: no bonito estado em que cheguei, vá-se lá saber porquê mas decidi fazer uns auto-retratos. Os mesmos que hoje se chamam selfies.
Fica aqui uma pequena amostra da longa série de selfies feitos nessas duas noites. Não sei se devo estar orgulhoso, envergonhado, ou seja lá o que for. Não me interessa. Fartei-me de rir a relembrar estes momentos, e agora partilho-os aqui.
Quem me dera estar hoje na Índia, a celebrar com os amigos este Festival das Cores. Quem sabe para o ano volto.
Até lá: um feliz Holi para todos. Que seja um ano colorido e alegre.
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