É ao longo da Avenida Ratchadamnoen, que tem no centro o Monumento da Democracia, que se concentram os manifestantes tailandeses - desde que, em Novembro, o Governo tentou aprovar uma amnistia que abria a porta ao regresso de Taksin ao poder.
Com o shutdown marcado para a próxima segunda-feira, e as manifestações "de aquecimento" a acontecer noutras zonas da cidade, o "quartel-geral" dos Amarelos tem estado especialmente calmo, esta semana.
Ontem fui dar uma volta a este verdadeiro acampamento. Falei com algumas pessoas, fiz fotografias e tirei algumas conclusões ;)
A maior parte das pessoas que aqui está, pelo menos durante o dia, são reformados, desempregados e voluntários. Pessoas que vieram de fora da cidade e que juntam o útil (protestar contra este governo e a corrupção do sistema político em geral) ao agradável (fugir à rotina, passar algum tempo na capital). Ouvi um casal dizer, por exemplo, que esta era uma espécie de segunda lua-de-mel para eles.
Há tendas ao longo de toda a avenida, há refeitórios e muitas bancas de comida, farmácia e hospital de campanha - e até há massagens!
Quem não está a vender numa banca, dorme uma sesta, come qualquer coisa, conversa com os novos amigos, joga xadrez, vê os discursos de Suthep no ecrã gigante, debate a situação do país. O ambiente é muito familiar, até vi bebés a ser amamentados e crianças a brincar "à apanhada".
A maior parte da população activa só vem aqui ter ao fim da tarde, ouve os discursos nocturnos de Suthep - e durante o dia só se junta quando há manif. Como aquela que atravessou uma conhecida ponte, ontem, e que serviu de "aquecimento" para a próxima segunda-feira.
Ficam alguns "instantes" desta volta de ontem.
Às vezes tinha a sensação de estar no recinto de um festival, a ressacar os concertos da noite anterior :)
08/01/2014
07/01/2014
COM QUE CORES SE PINTA A INDIGNAÇÃO
Que cor tem a indignação? A frustração? Que cor tem o amor ao próximo, o patriotismo, a sensação de fazer parte de alguma coisa?
Servem as bandeiras e os símbolos para dar isso, parece-me.
O Eusébio morreu e o país pintou-se de encarnado. É normal, sendo o King uma lenda do Benfica, além de símbolo nacional.
Na Tailândia, fala-se de Camisas Vermelhas e Camisas Amarelas. Agora são os últimos na rua, mas há poucos anos era o contrário. E não interessa de que lado se está, a indignação aqui tem sempre três cores: vermelho, branco e azul.
Dizem os livros, a internet e os entendidos que o azul da "tricolor" simboliza a monarquia, o branco é o budismo e o vermelho a nação e o povo. Mas nas bandeiras agitadas nos comícios, nos apitos em histérico uníssono, nas t-shirts à venda nas ruas... estas são as cores da indignação. Estas cores dizem "sou tailandês e quero um futuro melhor". Seja qual for a cor política.
Fui dar uma volta, hoje de manhã, à Avenida Ratchadamnoen, ocupada pelos manifestantes há cerca de dois meses. Não foi a primeira vez que lá passei - mas hoje o objectivo era captar estas cores e a expectativa, quem sabe trocar ideias e conversar com algumas pessoas. Os objectivos foram todos cumpridos - e neste post partilho então uma amostra do carnaval montado à volta dos protestos.
Destas cores se pinta a indignação tailandesa:
Servem as bandeiras e os símbolos para dar isso, parece-me.
O Eusébio morreu e o país pintou-se de encarnado. É normal, sendo o King uma lenda do Benfica, além de símbolo nacional.
Na Tailândia, fala-se de Camisas Vermelhas e Camisas Amarelas. Agora são os últimos na rua, mas há poucos anos era o contrário. E não interessa de que lado se está, a indignação aqui tem sempre três cores: vermelho, branco e azul.
Dizem os livros, a internet e os entendidos que o azul da "tricolor" simboliza a monarquia, o branco é o budismo e o vermelho a nação e o povo. Mas nas bandeiras agitadas nos comícios, nos apitos em histérico uníssono, nas t-shirts à venda nas ruas... estas são as cores da indignação. Estas cores dizem "sou tailandês e quero um futuro melhor". Seja qual for a cor política.
Fui dar uma volta, hoje de manhã, à Avenida Ratchadamnoen, ocupada pelos manifestantes há cerca de dois meses. Não foi a primeira vez que lá passei - mas hoje o objectivo era captar estas cores e a expectativa, quem sabe trocar ideias e conversar com algumas pessoas. Os objectivos foram todos cumpridos - e neste post partilho então uma amostra do carnaval montado à volta dos protestos.
Destas cores se pinta a indignação tailandesa:
COUNTDOWN PARA O SHUTDOWN
Tic-tac, tic-tac.
Contam-se as horas e os minutos para a próxima segunda-feira, aqui em Bangkok. Apesar de uma aparente normalidade nas ruas, apercebo-me de alguma ansiedade nas conversas, nos rostos, na linguagem corporal. Ninguém sabe ao certo o que vai acontecer depois de os Amarelos "desligarem Bangkok".
Como disse ontem, parece-me que mais do que um simples protesto, o que está a acontecer na Tailândia é o resultado de um complexo e intenso jogo de gestão de intenções e expectativas, ambições e medos. Sonhos - e muitos fantasmas.
Hoje os jornais comentam a calma com que o Exército está a lidar com o assunto. São cada vez mais fortes, e mais sustentadas, as teorias que afirmam que se prepara um golpe de Estado. Aliás: a partir do momento que isto mete superstições... ora vejamos: num dos principais jornais, o "Bangkok Post", li que o dia 14 de Janeiro é auspicioso para um golpe de estado, de acordo com os astrólogos.
Não estou a brincar.
Alguns analistas dizem que esta ideia de um golpe de estado serve apenas para meter medo. O Governo, aliás, adoptou esta postura, acenando com a bandeira da criminalização, ameaçando prisão a quem "cause distúrbios", "viole os direitos individuais dos cidadãos livres" e "ponha a propriedade em risco". Insiste na ideia de que esta manifestação vai tornar-se violenta (o que é muito provável que seja verdade) e apela a que as pessoas se abstenham de participar.
Os Amarelos acusam o Governo de estar a incitar os Vermelhos a virem para a rua, com esta insistência na violência e na possibilidade de outras pessoas se virarem contra os manifestantes.
E o pior é que todos têm razão.
Há até quem defenda que os próprios Amarelos estão dispostos a sacrificar a calma, encenando um pequeno ataque aos manifestantes, se for preciso, para dar ao Exército um motivo sólido para intervir.
O que acaba por nem ser vantajoso para ninguém: porque se houver um golpe de estado, acaba-se a brincadeira para os dois lados.
Há até quem "jure a pés juntos" que a primeira-ministra, a irmã mais nova de Taksin, terá confidenciado a uma alta patente do Exército que até agradecia se houvesse um golpe de estado, para libertá-la deste peso enorme que carrega.
Assim se faz a política, aqui. Isto está ao rubro!
Tic-tac, tic-tac...
De todo o lado surgem apelos para que Sunthep desmobilize. Chegou a hora de dialogar, este é o momento de passar a novas estratégias, quem sabe entregar as "rédeas" a outro. Muita gente que esteve presente nas manifestações iniciais, protestando contra a amnistia proposta pelo Governo, está agora contra esta escalada sem precedentes. Agradecem a Sunthep por ter conseguido o que conseguiu - e pedem que se retire.
Falta menos de uma semana. Muito ainda há-de acontecer, até ao dia treze. Entretanto os ponteiros do relógio avançam devagar, oiço claramente o tic-tac da contagem decrescente, lenta e tensa, ou serão as batidas dos corações dos tailandeses, que esperam ansiosos para ver o que vai acontecer. A ver vamos.
Contam-se as horas e os minutos para a próxima segunda-feira, aqui em Bangkok. Apesar de uma aparente normalidade nas ruas, apercebo-me de alguma ansiedade nas conversas, nos rostos, na linguagem corporal. Ninguém sabe ao certo o que vai acontecer depois de os Amarelos "desligarem Bangkok".
Como disse ontem, parece-me que mais do que um simples protesto, o que está a acontecer na Tailândia é o resultado de um complexo e intenso jogo de gestão de intenções e expectativas, ambições e medos. Sonhos - e muitos fantasmas.
Hoje os jornais comentam a calma com que o Exército está a lidar com o assunto. São cada vez mais fortes, e mais sustentadas, as teorias que afirmam que se prepara um golpe de Estado. Aliás: a partir do momento que isto mete superstições... ora vejamos: num dos principais jornais, o "Bangkok Post", li que o dia 14 de Janeiro é auspicioso para um golpe de estado, de acordo com os astrólogos.
Não estou a brincar.
Alguns analistas dizem que esta ideia de um golpe de estado serve apenas para meter medo. O Governo, aliás, adoptou esta postura, acenando com a bandeira da criminalização, ameaçando prisão a quem "cause distúrbios", "viole os direitos individuais dos cidadãos livres" e "ponha a propriedade em risco". Insiste na ideia de que esta manifestação vai tornar-se violenta (o que é muito provável que seja verdade) e apela a que as pessoas se abstenham de participar.
Os Amarelos acusam o Governo de estar a incitar os Vermelhos a virem para a rua, com esta insistência na violência e na possibilidade de outras pessoas se virarem contra os manifestantes.
E o pior é que todos têm razão.
Há até quem defenda que os próprios Amarelos estão dispostos a sacrificar a calma, encenando um pequeno ataque aos manifestantes, se for preciso, para dar ao Exército um motivo sólido para intervir.
O que acaba por nem ser vantajoso para ninguém: porque se houver um golpe de estado, acaba-se a brincadeira para os dois lados.
Há até quem "jure a pés juntos" que a primeira-ministra, a irmã mais nova de Taksin, terá confidenciado a uma alta patente do Exército que até agradecia se houvesse um golpe de estado, para libertá-la deste peso enorme que carrega.
Assim se faz a política, aqui. Isto está ao rubro!
Tic-tac, tic-tac...
De todo o lado surgem apelos para que Sunthep desmobilize. Chegou a hora de dialogar, este é o momento de passar a novas estratégias, quem sabe entregar as "rédeas" a outro. Muita gente que esteve presente nas manifestações iniciais, protestando contra a amnistia proposta pelo Governo, está agora contra esta escalada sem precedentes. Agradecem a Sunthep por ter conseguido o que conseguiu - e pedem que se retire.
Falta menos de uma semana. Muito ainda há-de acontecer, até ao dia treze. Entretanto os ponteiros do relógio avançam devagar, oiço claramente o tic-tac da contagem decrescente, lenta e tensa, ou serão as batidas dos corações dos tailandeses, que esperam ansiosos para ver o que vai acontecer. A ver vamos.
ERA UMA PANTERA NEGRA FRESQUINHA, SFF
Esta encontrei no Cambodja, há uns meses. Na altura registei o momento mas a foto ficou esquecida algures nos arquivos - enfim, penso que esta é uma boa altura para a recuperar.
Um brinde a ti, Eusébio, que és Imortal, que mereces cada homenagem, cada tributo, cada lágrima, todos os sorrisos e histórias partilhadas. Descansa em paz.
Um brinde a ti, Eusébio, que és Imortal, que mereces cada homenagem, cada tributo, cada lágrima, todos os sorrisos e histórias partilhadas. Descansa em paz.
06/01/2014
ENQUANTO ISSO, EM BANGKOK
Em Portugal: a esta hora, suponho que todas as atenções estejam
viradas para o último adeus a Eusébio. Pelo que tenho lido na internet ao longo
da tarde, este Dia de Reis tem sido especialmente emocional. E é assim que tem de
ser.
Na Tailândia: apesar do desaparecimento do Pantera Negra ter
feito notícia nos jornais, a verdade é que por aqui as letras gordas estão mais
viradas para outros dramas. Resume-se numa só palavra. Uma palavra que está na boca de toda a gente, no
centro das atenções, no âmago de todas as preocupações, ansiedades e
expectativas:
Shutdown.
Sim: comprei uma t-shirt da Revolução. Vai dar um bom souvenir. Quem sabe, faz-se História na próxima semana.
Depois de uma rápida vista de olhos nos meios portugueses,
constato que ainda ninguém deu a devida importância ao que se está a passar em Bangkok. Ou melhor: ao que está prestes a acontecer.
Vamos por partes, então.
Como é sabido, a Tailândia vive tempos de alguma incerteza.
Depois de um golpe de estado em 2006 e do exílio do então primeiro-ministro,
Taksin Shinawatra, o país mergulhou numa profunda crise política, marcada por uma
forte tensão social, protestos e até alguma violência - as imagens do centro
financeiro de Bangkok a arder, há apenas três anos, estão ainda muito vivas na
memória de toda a gente, aqui.
Nessa altura eram os Camisas Vermelhas quem protestavam.
Queriam Taksin de volta, marcharam nas ruas pacificamente, atiraram litros de
sangue às fachadas de edifícios públicos, ocuparam zonas estratégicas do centro
da cidade - até que o exército interviu e o resultado foi aquele que se sabe.
Eventualmente o poder trocou de mãos, diz quase toda a gente
com quem falo que foi por meios menos limpos - já não é possível dizer quem é o
bom da fita. Se o há. Agora mandam outra vez os Vermelhos e à frente têm a irmã mais nova de Taksin - dizem ser um fantoche do mano -, que depois de um período sem abordar o assunto, este ano decidiu lançar na agenda política um
eventual perdão ao ex-primeiro-ministro, em nome de uma suposta "reconciliação
nacional". Claro que estas movimentações foram interpretadas como um tapete vermelho para um eventual regresso de
Taksin à política.
Indignado, o país saiu à rua.
Liderados por Suthep
Thaugsuban, os "Amarelos" estão há mais de dois meses estacionados em redor do Monumento da
Democracia, ao longo da Avenida Ratchadamnoen. Os protestos têm sido tão fortes
e as posições tão bem marcadas que o Governo acabou mesmo por resignar. Foram marcadas eleições
antecipadas para daqui a menos de um mês. Mas obviamente que mesmo este
"passo atrás" do Governo é visto como uma manobra política.
Isto está uma confusão dos diabos, é o que é.
Por um lado: o Governo diz que cedeu e que as eleições vão
legitimar quem sair vencedor. Claro que num tão curto espaço de tempo há poucas
oportunidades de debater ideias, nem que seja porque o maior partido da
oposição já declarou que vai boicotar o acto eleitoral. Aliás: há qualquer
coisa de sinistro na campanha que arrancou esta semana. Só há cartazes de um
partido, o Pheu Thai, o tal que está neste momento no poder. Mais ninguém está a
fazer campanha. Que democracia, esta.
Por outro lado: a ideia generalizada é que o senhor Suthep
deixou o sucesso subir-lhe à cabeça. Apesar de ter colocado no topo da agenda o
debate sobre a urgente reforma do sistema político na Tailândia, a verdade é
que os analistas consideram que, com o plano de "desligar Bangkok", o
líder da oposição está a ir longe demais.
O plano é o seguinte: no próximo dia 13 de Janeiro, o
aparato montado à volta do Monumento da Democracia vai finalmente ser
abandonado - e a multidão de activistas vai separar-se em grupos e ocupar vinte
pontos estratégicos da cidade, isolando assim o centro da cidade. Bloqueando a
circulação de pessoas, bens e serviços. O objectivo: "desligar
Bangkok". E ai de quem tente furar.
Diz a maior parte dos analistas que o senhor Suthep perdeu o
"foco". No fundo, o movimento já conseguiu aquilo que exigia no
início da campanha, em Novembro. O Governo foi abaixo. A insistência numa
reforma política antes de haver quaisquer eleições parece a todos uma exigência
demasiado radical. Eu até percebo a urgência, tendo em conta a má vontade do
"outro lado". No entanto, parece-me quase unânime, em quase tudo o
que tenho lido, que este seria o momento certo para parar, recuperar forças e
passar ao próximo passo: negociações. Começar com a tal reforma política,
definir prazos e estratégias. Nem que seja para recuperar a razão.
Mas a verdade é que não há boa vontade, nem de um lado nem
do outro. Parece-me que andam a brincar ao gato e ao rato. A sério que é isso
que me parece. Este "shutdown" é um passo perigoso, claramente
arriscado, que afecta o cidadão comum, a imagem do país e pode descambar
facilmente em violência. Suthep ameaçou de represálias todos aqueles que tentem
furar os bloqueios. Fala em revolta popular. O tom do discurso está a mudar, portanto. O
Governo diz que o senhor está a incitar à violência e que representa uma ameaça à
estabilidade social, e foram accionados meios judiciais para confirmar se há
bases legais para o acusar. Nas redes sociais surgem acusações baseadas em fotografias... "photoshopadas". Vai aqui uma salganhada das graves.
Entretanto começam a surgir movimentos que pedem o
regresso à "normalidade". É a grande maioria silenciosa que agora
levanta a voz. São as pessoas sem cor política, fartas deste teimoso e
infantil impasse. Reconhecem a necessidade de mudança, pedem o fim da corrupção
mas não aceitam este jogo de poder e contra-poder, de informação e
contra-informação. Querem, como disse o Rei no seu discurso de Ano Novo,
"normalidade e felicidade".
"Out with the outdated Thai regime", diz este artigo de opinião que ilustra bem o descontentamento com o que se está a passar na Tailândia.
"Out with the outdated Thai regime", diz este artigo de opinião que ilustra bem o descontentamento com o que se está a passar na Tailândia.
O Governo admitiu a possibilidade de declarar o Estado de
Emergência, medida que foi vista por muitos como uma manobra de marketing para
extremar posições. A verdade é que se o Estado de Emergência fosse declarado,
tal implicaria a actuação do exército na próxima semana. As Forças Armadas e
alguns constitucionalistas, no entanto, descartaram tal possibilidade, pelo
menos por agora. Não passou de um susto.
Mas a política faz-se de tantas teorias, que começou a
falar-se de um possível Golpe de Estado - e daí a recusa das Forças Armadas em
pactuar com o Governo. Mais uma vez, parece-me que o objectivo aqui é causar
mais agitação. Nunca se sabe, claro, mas o facto do Exército estar neste
momento a dar formação e apoio logístico à Polícia, para prepararem o próximo
dia 13, dá a sensação de que há uma atitude responsável de quem manda aqui.
Pelo menos por enquanto. A partir de dia 13, dependendo de como as coisas evoluirem,
tudo pode acontecer.
Na minha muito modesta opinião, a de quem conhece apenas a
ponta do iceberg, o senhor Taksin devia sair de cena. E o outro também. Pelo bem do país. Não interessa quem é o bom e quem é o mau aqui. Quem tem razão, quem não tem, se foi ou poderia vir ser
um bom primeiro-ministro. O facto é que toda esta confusão se deve a Taksin, originalmente. E depois: aos que o apoiam, e aos que o perseguem. A sua presença, as suas acções e as reacções de Suthep e companhia
estão a criar uma ferida horrível na sociedade tailandesa. Já ouvi muita gente
a dizer que só segue Suthep porque
é anti-Taksin. Aliás: o sucesso destas últimas demonstrações têm deixado bem
claro que ele não é bem-vindo à Tailândia. Muito provavelmente, nunca mais voltará
ao país. Porque é que não se retira, então? Enfim, lá está: quem sou eu além de
um curioso.
Um curioso mais ou menos encravado, neste momento.
Estou sem passaporte, que entreguei numa agência para pedir
o visto da Índia. Supostamente tenho-o de volta no dia 15 à tarde. Espero que
não se atrasem. Na mesma noite tenho voo marcado para Calcutá. A ver vamos.
E o meu visto da Tailândia expira a 16.
Ou seja: por agora não me posso ausentar do país, porque não
tenho passaporte. E por muito que me apeteça, também não me quero afastar muito
de Bangkok, porque sabe-se lá o que vai acontecer e não calhava nada bem, ficar
isolado do lado de fora da cidade. Estou a ver
onde posso ir por dois ou três dias, algures aqui perto. Apetecia-me praia,
queria descansar um pouco, mas não sei se vai dar. Quero estar de volta a
Bangkok antes do dia 13, não posso arriscar ficar do lado de fora.
DESPEDIDAS
Assim sendo, desculpem-me a comparação mas enquanto Portugal chora por Eusébio, aproveito para enterrar o ano que ainda
há dias terminou.
Fica assim-e-aqui o meu balanço do mundo e do tempo, da forma como
os vivi nos últimos doze meses.
Um ano dominado pela
austeridade, este Dois Mil e Treze. Nas conversas, nas letras gordas, na fatalidade do dia-a-dia de
tanta gente que não tem como contornar a questão. Mas "longe da vista,
longe do coração": a distância permite-me esse luxo, o de me proteger,
dentro do possível, da pornografia à volta do drama.
2013 foi o ano do papa-rock-star. Aliás: penso que não há, neste
momento, pessoa mais unânime que Francisco - e, na minha modesta opinião,
merece todo o destaque e o estatuto de personagem-do-ano que lhe tem sido
atribuído pela imprensa internacional, painéis de especialistas, votações e
inquéritos. Da renúncia de Bento XVI às Jornadas da Juventude no Rio, das
pequenas notícias e curiosidades que vão circulando nos media à postura humilde
e às declarações pacificadoras e positivas - que homem. Contudo: para mim
não houve, no ano que passou, Herói Maior que o meu amigo António. Nas voltas e reviravoltas que o destino
lhe reservou, ele está a dar a volta, a redesenhar o seu mapa, a caminhá-lo passo
a passo, vitória a vitória - que orgulho tenho em ser seu Amigo: que Exemplo,
que Coragem, que Loucura. Só tenho pena de não estar mais presente.
Como todos os anos desde o princípio dos tempos e até ao fim
do fim, este foi um de tragédias e conquistas, de sorrisos e amargos-de-boca,
de surpresas e das coisas-do-costume. Os telejornais, o facebook e as capas de
jornais coloriram-se com as labaredas que "levaram" uma dezena de bombeiros, neste verão; com as
bombas na maratona de Boston, o incêndio numa discoteca brasileira, o comboio
que descarrilou em Santiago de Compostela, o atentado do centro comercial de
Nairobi, os miúdos que se afogaram no Meco, os reféns da refinaria na Argélia,
a polémica à volta da carne de cavalo. Com as cheias na Índia e em Buenos Aires. O
meteorito que caiu nos Urais, o balão que caiu na Capadócia, o prédio que caiu
no Bangladesh. O paralímpico que matou a namorada e o tufão que matou seis mil
pessoas, nas Filipinas. Que horror. Os protestos e a repressão no Parque Gezi,
no Brasil-pré-mundial, no Egipto, na Tailândia e no Cambodja - e em Portugal,
pois claro. O Grândola-vila-morena. Isto nunca mais passa, troikas e
ajustamentos e austeridade. E violência: na Síria, que já tinha sido notícia em
2012 e há-de continuar a ser em 2014; no Iraque, como de costume; no Mali e no
Sudão. Que mundo este.
E na política ainda pior: saiu de cena o Relvas mas voltou o Sócrates... e o Portas que sai-não-sai, que palhaçada, que fizemos "nós" para merecer estes energúmenos. Sim: energúmenos. Berlusconi-isto e troika-aquilo, é o Maduro e o papel higiénico, o da Coreia do Norte que manda despachar o tio, o super-macho Putin que já devia ter algum juízo, o "nosso-primeiro" que já vai em último, as patetices do Bochechas que não-sei-como ainda tem tempo de antena... yes we can?, já nem para o Obama há saco, com aquele ar de sonso, tanta conversa e tão pouca acção, mais o famoso selfie no funeral do Mandela, a perseguição ao Snowden em nome sabe-se lá de quê. Big Brother is watching you. Ou não. Estamos bem entregues, estamos. E finalmente o super-vilão do ano, aquele que mais arrepios me provocou, horror, nojo e tristeza... o senhor com tiques de ditador e uma tendência sensacional para o fundamentalismo e para a fatalidade... o turco que tem um "g" no nome mas o "g" é mudo, lá na terra dele. Faz favor de aprender de uma vez por todas: lê-se Erdoan.
E na política ainda pior: saiu de cena o Relvas mas voltou o Sócrates... e o Portas que sai-não-sai, que palhaçada, que fizemos "nós" para merecer estes energúmenos. Sim: energúmenos. Berlusconi-isto e troika-aquilo, é o Maduro e o papel higiénico, o da Coreia do Norte que manda despachar o tio, o super-macho Putin que já devia ter algum juízo, o "nosso-primeiro" que já vai em último, as patetices do Bochechas que não-sei-como ainda tem tempo de antena... yes we can?, já nem para o Obama há saco, com aquele ar de sonso, tanta conversa e tão pouca acção, mais o famoso selfie no funeral do Mandela, a perseguição ao Snowden em nome sabe-se lá de quê. Big Brother is watching you. Ou não. Estamos bem entregues, estamos. E finalmente o super-vilão do ano, aquele que mais arrepios me provocou, horror, nojo e tristeza... o senhor com tiques de ditador e uma tendência sensacional para o fundamentalismo e para a fatalidade... o turco que tem um "g" no nome mas o "g" é mudo, lá na terra dele. Faz favor de aprender de uma vez por todas: lê-se Erdoan.
E por falar em vilões: Walter White. Este foi o ano do
"Breaking Bad", um dos mais intensos fenómenos que alguma vez passou
na televisão. Foi o meu vício de eleição, em 2013.
Mas voltando às notícias: nem todas foram cinzentas, este
ano.
Dois mil e treze foi tão côr-de-rosa quanto outros: das
palermices do Bieber e daquela miúda que era da Disney e virou estrela
pseudo-porno, às trágico-comédias do JCB, da MRP, da RP e os famosos do
costume; passando pelas peixeiradas do ex-ministro e da apresentadora de
televisão. O pivot que anda há anos a
brincar aos telejornais, a outra a pregar ao novo-rico da fórmula um, e o
marido que "pregava" à vereadora. O video das advogadas. É a "Casa dos Degredos"
na vida real. E "nós" adoramos, vamos ao circo e comemos pipocas e
algodão-doce, consumimos o produto, enchemos o bandulho, debatemos os
não-assuntos. Faz parte. Fosse tudo Telejornal e estávamos (ainda mais)
deprimidos.
No Reino Unido nasceu um bebé real, morreu uma ex-primeira-ministra e a rainha comemorou bodas de diamante. No Brasil, a Mulher Furacão casou-se com a namorada. E a Miss Hot Legs com o companheiro de longa data. Ah!, e a menina das cerejas-sem-caroço com o rapaz do rugby. O Tom separou-se da Katie e a Demi do Ashton. Depois de muitos vai-não-vai, foi-se o Comandante e foi-se o Madiba. E o senhor dos Sopranos, a mulher do Archie, o Lawrence da Arábia e não-sei-quem do Glee, mais o outro dos carros ferozes. E a minha máquina fotográfica, a meio de um dos mais espectaculares cenários que tive a sorte de ter visto. E o Lou Reed. E quantos outros, conhecidos-desconhecidos, portugueses-estrangeiros, que foram também dar a sua volta no lado selvagem, que desapareceram, nasceram, casaram e/ou se separaram, cresceram e/ou ganharam juízo. Ou não. E a vida continua, dizem os ombros amigos.
No Reino Unido nasceu um bebé real, morreu uma ex-primeira-ministra e a rainha comemorou bodas de diamante. No Brasil, a Mulher Furacão casou-se com a namorada. E a Miss Hot Legs com o companheiro de longa data. Ah!, e a menina das cerejas-sem-caroço com o rapaz do rugby. O Tom separou-se da Katie e a Demi do Ashton. Depois de muitos vai-não-vai, foi-se o Comandante e foi-se o Madiba. E o senhor dos Sopranos, a mulher do Archie, o Lawrence da Arábia e não-sei-quem do Glee, mais o outro dos carros ferozes. E a minha máquina fotográfica, a meio de um dos mais espectaculares cenários que tive a sorte de ter visto. E o Lou Reed. E quantos outros, conhecidos-desconhecidos, portugueses-estrangeiros, que foram também dar a sua volta no lado selvagem, que desapareceram, nasceram, casaram e/ou se separaram, cresceram e/ou ganharam juízo. Ou não. E a vida continua, dizem os ombros amigos.
Ombros amigos foi o que eu e muitos benfiquistas precisámos, este ano, quando fomos confrontados com um fenómeno trágico: a época que parecia de glória transformou-se, em poucos dias, numa anedota sem graça, numa vergonhosa mancha. Noutras andanças, o
Armstrong admitiu o doping no
programa da Oprah, o Óscar-não-sei-quantos matou a namorada a tiro, o pai do
Bola D'Ouro fez-isto-e-aquilo, o Sir Alex deixou o Manchester, o Special One
foi corrido de Madrid.... e, no reverso da medalha, um tuga brilhou no Tour de France,
Tóquio foi escolhida para receber os Olímpicos de 2020, a
sensação Neymar ingressou no Barcelona, a maior lenda indiana
do cricket reformou-se e o país entrou em delírio. O CR7 inaugurou o seu próprio
museu, depois de um ano de mais golos, muitos recordes e brilharete qb. E a selecção apurou-se - "à rasquinha" mas apurou-se! - para o Mundial.
2013 foi o ano em que uma equipa de pesquisa portuguesa fez
avanços notáveis no combate à malária, Coimbra foi reconhecida como Património
da Humanidade, a Croácia entrou para a União Europeia. A Aaung Suu Ki foi autorizada
a viajar e a situação na Birmânia melhorou consideravelmente. A senhora dos
sapatos da Marilyn conquistou finalmente o Mundo, a fadista da voz quente
ganhou prémios e mais fama, um fotógrafo português foi distinguido pelo World
Press Photo, o CR7 fartou-se de marcar golos e a Selecção apurou-se para o
Mundial do Brasil. O Harlem Shake sucedeu ao coreano e por momentos pôs
meio-mundo a abanar-se. E a Enciclopédia Britânica anunciou a semana passada
que a palavra do ano é "selfie".
Eu é mais os meus pés pelo mundo fora, nas voltas que dou. Não
sou muito dado aos "selfies".
Mas se fosse: em 2013 teria feito alguns no Corcovado e na Praça Vermelha, no
Machu Picchu e nos Guerreiros de Terracota, no glaciar Perito Moreno e na
Muralha da China, nas Torres del Paine e em Angkor Wat, na Capadócia e em
Bagan, no Salar de Uyuni e no Estreito do Bósforo, na Baía de Halong e na
Capadócia, no lago Baikal, no lago Titicaca, no rio Mekong. Na Linha do Equador
e no Estreito de Magalhães. Teria partilhado selfies no show de Ping Pong em Bangkok, no Santo António em
Lisboa, no wrestling de Cholitas em La Paz, no concerto dos Pearl Jam em Buenos
Aires. Num vulcão de lama em Cartagena das Índias, num hammam em Ankara, num
festival de barcos no lago Inle, nos protestos de Phnom Penh, num balão a
sobrevoar a Capadócia. A andar de mota no Vietname e na Birmânia, a cavalo na
Mongólia e de elefante no Laos, em barcos no Cambodja, Argentina e Birmânia; e
de jipe na Bolívia, a cinco mil metros de altitude. De kayak na Baía de Halong
e de bicicleta em Mandalay e em San Pedro de Atacama.
Provavelmente publicaria selfies a comer ceviche em Lima, bun cha em Hanói, francesinhas no Porto, strogonoff em Moscovo, pato em Pequim, travesseiros em Sintra, pad thai em Bangkok, laap em Luang Prabang. A beber um martini no Sirocco, com Bangkok a meus pés; uma caipirinha no Leblon, depois de um dia de praia; um ginger mojito em Saigão, na esplanada do Hotel Rex; um pisco sour no Chile, a meio de um trekking de cinco dias; um vinho tinto em Mendoza, num restaurante "chique" de um amigo de um amigo; e uma ginginha na noite de Natal, em Siem Reap. A comer até dizer "chega" no porcão de Ipanema, a provar o leitão de Cebu e o caranguejo de Singapura. E de certeza que também partilharia selfies no topo das Torres Petronas, e a tomar banho num geyzer a 4000 metros de altitude, a dançar no Lux, a ver os monges a "receber almas", a passear por São Paulo e a ver tango em Buenos Aires, a cantar num karaoke vietnamita, a apagar as velas em Kuala Lumpur, a ver peixes no Aquário de Singapura, a passear pelas ruas do centro histórico de Manila, a dar uma entrevista ao Pedro Rolo Duarte, no estúdio da Antena 1 - e à Rosa Ruela, da Visão, por skype. Selfies a ver o nascer-do-sol em Angkor Wat, a ver o nascer-do-sol em Bagan, a ver o nascer-do-sol em Halong Bay, a ver o nascer-do-sol na ponte de teca Ubein, a ver o nascer-do-sol no topo do Nemrut Dagi.
Provavelmente publicaria selfies a comer ceviche em Lima, bun cha em Hanói, francesinhas no Porto, strogonoff em Moscovo, pato em Pequim, travesseiros em Sintra, pad thai em Bangkok, laap em Luang Prabang. A beber um martini no Sirocco, com Bangkok a meus pés; uma caipirinha no Leblon, depois de um dia de praia; um ginger mojito em Saigão, na esplanada do Hotel Rex; um pisco sour no Chile, a meio de um trekking de cinco dias; um vinho tinto em Mendoza, num restaurante "chique" de um amigo de um amigo; e uma ginginha na noite de Natal, em Siem Reap. A comer até dizer "chega" no porcão de Ipanema, a provar o leitão de Cebu e o caranguejo de Singapura. E de certeza que também partilharia selfies no topo das Torres Petronas, e a tomar banho num geyzer a 4000 metros de altitude, a dançar no Lux, a ver os monges a "receber almas", a passear por São Paulo e a ver tango em Buenos Aires, a cantar num karaoke vietnamita, a apagar as velas em Kuala Lumpur, a ver peixes no Aquário de Singapura, a passear pelas ruas do centro histórico de Manila, a dar uma entrevista ao Pedro Rolo Duarte, no estúdio da Antena 1 - e à Rosa Ruela, da Visão, por skype. Selfies a ver o nascer-do-sol em Angkor Wat, a ver o nascer-do-sol em Bagan, a ver o nascer-do-sol em Halong Bay, a ver o nascer-do-sol na ponte de teca Ubein, a ver o nascer-do-sol no topo do Nemrut Dagi.
Tantas experiências, tantas memórias, tantos encontros. E tantos mais. Não cabe tudo aqui.
2013 foi o "melhor" ano deste blog. Aquele em que
fui mais "disciplinado" e o que tive mais retorno. Foi um ano intenso
no facebook e no instagram. Foi um ano de muitas histórias e fotos, de risadas
e arrepios, de caricaturas e imprevistos. Um ano intenso, em que acompanhei
vários grupos da Nomad, viajei com quase cem pessoas, ao todo. Um ano de altos e baixos,
como é natural. De ritmos vários, de correrias e preguicites, de variações de humor e de
tempos, de uma geografia de ziguezagues, ricochetes e reviravoltas.
Foi um ano cheio, este em que me estreei na
América do Sul. Noventa e nove dias, oito países, milhares de fotografias,
peripécias e re-encontros, experiências e sensações. Números e histórias que
apesar de encher, sabem sempre a pouco. Quero voltar, explorar com outros
cuidados, com outros tempos, quero conhecer melhor. E mesmo assim repito aqui o
que respondo a quem me pergunta se é desta que mudo da Ásia para outro
continente: "gostei muito, quero regressar - mas não é um one night stand que vai dar cabo de uma
relação de dez anos".
Foi o ano em que regressei à Birmânia, primeiro com dois amigos e depois com um grupo da Nomad. E vou voltar, já falei "a quem de direito" e tenho regresso marcado para breve.
Foi o ano em que a minha mãe me veio "visitar" a um dos meus "poisos" preferidos: a Indochina. E aquele em que fiz as pazes com Singapura e com Halong Bay. O ano em que completei por duas vezes o Transiberiano - para além de três Reunification Express e outros comboios. Tenho de fazer as contas: devo ter ao todo uns vinte mil quilómetros sobre carris, em 2013.
Foi o ano em que regressei à Birmânia, primeiro com dois amigos e depois com um grupo da Nomad. E vou voltar, já falei "a quem de direito" e tenho regresso marcado para breve.
Foi o ano em que a minha mãe me veio "visitar" a um dos meus "poisos" preferidos: a Indochina. E aquele em que fiz as pazes com Singapura e com Halong Bay. O ano em que completei por duas vezes o Transiberiano - para além de três Reunification Express e outros comboios. Tenho de fazer as contas: devo ter ao todo uns vinte mil quilómetros sobre carris, em 2013.
Foi um ano em que não pisei solo indiano. Que triste facto. Mas muito em
breve vou matar essa saudade.
2013 foi o ano do "Get Lucky" - mas não só. Além
dos Daft Punk, passou muito mais pelos meus headphones, com destaque para Alt J, Arcade Fire, The
Black Keys, The National - e Pearl Jam, pois claro, num regresso que ao início
me soube a pouco, mas devagar me conquistou. Foi o ano do "Game of
Thrones", que devorei quase tão avidamente quanto o "Breaking
Bad"; das sequelas no cinema, que me passaram ao lado; da Gaiola Dourada,
que ainda não vi mas quero ver; da Odisseia do Bruno Nogueira, já assisti a
dois episódios e quero ver até ao fim; e foi o ano em que o Brasil me
apresentou ao "Porta dos Fundos". Foi também o ano em que
"descobri" o mundo de Hakuri Murakami, de Valter Hugo Mãe, de Afonso
Cruz. O ano em que reli o Ramayana, e pela enésima vez o Principezinho.
2013 foi um ano em que redescobri o valor da amizade, da fragilidade da vida como ela é, das coisas que damos por garantidas, das pequenas vitórias, da importância de dizer que se gosta de alguém, sempre que se pode. E o que valem os simbolos e as histórias.
E por falar em símbolos:
Ainda antes deste triste arranque com a partida do Pantera Negra, o ano acabou com uma triste ironia. Um acidente estúpido, um
Inexplicável que ainda vai "dar pano para mangas". Força aí, Shumi!
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