(ler este texto em voz alta, como se fosse o trailer de um filme de cinema)
Ele parecia apenas mais um hóspede num hotel pacato de Goa...
Mas às vezes, as aparencias iludem...
(visualizar uma sequencia acelerada de explosões, perseguições de mota na praia, tiros e sangues e mulheres lindas a gritar)
As tatuagens e as cicatrizes contam a história de uma vida intensa... ele percorreu meio-mundo, experimentou de tudo, viveu as emoções mais radicais... mas ainda não está satisfeito...
fuidarumavolta filmes apresenta...
Gary Stevenson em...
Um Canibal Hawaiano em Goa
Uma comédia romântica com sabor a caril de peixe. Estreia quarta ou quinta neste blog.
22/04/2007
07/04/2007
A CAMINHO DE GOA
Regressei a Bombaim, mas para uma passagem muito rápida. O Abbey e a Louisa foram passar a semana da Páscoa ao Dubai, mas insistiram para eu ficar lá em casa à mesma.
Na Sexta-Feira Santa fui a uma missa campal em Bombaim, com a mãe do Abbey, e sábado ao fim do dia metemo-nos os dois num autocarro para Goa. É muito engraçado passear com ela – primeiro porque é completamente louca, depois porque toda a gente fica a olhar para nós, sem perceber muito bem qual a nossa relação ou parentesco.
Mas o melhor de tudo é a reacção das pessoas, quando a senhora lhes diz, com o ar mais sério do mundo, que sou filho dela.
Na Sexta-Feira Santa fui a uma missa campal em Bombaim, com a mãe do Abbey, e sábado ao fim do dia metemo-nos os dois num autocarro para Goa. É muito engraçado passear com ela – primeiro porque é completamente louca, depois porque toda a gente fica a olhar para nós, sem perceber muito bem qual a nossa relação ou parentesco.
Mas o melhor de tudo é a reacção das pessoas, quando a senhora lhes diz, com o ar mais sério do mundo, que sou filho dela.
05/04/2007
UMA DESILUSÃO, UMA SURPRESA E O INDIANO MAIS ROMÂNTICO DE SEMPRE
Uma desilusão: ainda não é desta que vou a Diu, estou muito perto mas não tenho tempo, se quero estar em Bombaim para o fim-de-semana de Páscoa.
Uma surpresa: fiquei em Junagadh, supostamente um ponto de paragem a caminho de Diu, mas o Destino quis que ficasse aqui dia e meio, antes de me meter na estrada novamente. Quem diria... um forte engraçado com dois poços gigantes a fazer lembrar os filmes do Indiana Jones, ruas cheias de edifícios antigos, templos hindus novinhos em folha, monumentos que podiam ser o ex-libris de qualquer cidade. E para rematar, quase todos os muros da cidade estão pintados com citações de personalidades históricas como Napoleão Bonaparte, Júlio César ou Gorbatchev.
O indiano mais romântico de sempre: conheci-o no forte, junto aos canhões que testemunharam a derrota do exército turco contra as forças portuguesas. Veio fazer conversa comigo, quando lhe perguntei o que estava ali a fazer disse-me “I’m waiting for my lover.”
Acabámos por passar a tarde juntos, primeiro a passear enquanto esperávamos pela amada/amante, que ele insistia em apresentar-me... mas ela não telefonou, e não apareceu, e o rapaz começou a ficar deprimido. Levou-me a uns templos, passeámos na cidade velha, ele sempre agarrado ao telefone porque tinha de ser ela a ligar-lhe, ele tinha telefonado na noite anterior e o pai dela atendeu o telefone... dramas amorosos, típicos na Índia.
A tarde passou sem que ela ligasse, eu já não sabia o que dizer porque o rapaz estava cada vez pior, a dada altura mostrou-me umas cicatrizes no braço onde tinha escrito, com uma lâmina, o nome dela, antes de lhe escrever uma carta com o próprio sangue. Arrepio! Quando já ao cair da noite ela finalmente ligou, o indiano mais romântico de sempre mudou radicalmente de personalidade. Só faltava cantar e dançar: ria às gargalhadas, levou-me a um barbeiro e cortou o cabelo, fez novo penteado e uma massagem capilar... tudo porque havia uma breve hipótese de a encontrar. Mas ela ligou outra vez - e nada feito. O pai não a deixava sair de casa.
Jorge, foge enquanto podes – bebemos um sumo de cana de açúcar e cada um seguiu com a sua vida.
Uma surpresa: fiquei em Junagadh, supostamente um ponto de paragem a caminho de Diu, mas o Destino quis que ficasse aqui dia e meio, antes de me meter na estrada novamente. Quem diria... um forte engraçado com dois poços gigantes a fazer lembrar os filmes do Indiana Jones, ruas cheias de edifícios antigos, templos hindus novinhos em folha, monumentos que podiam ser o ex-libris de qualquer cidade. E para rematar, quase todos os muros da cidade estão pintados com citações de personalidades históricas como Napoleão Bonaparte, Júlio César ou Gorbatchev.
O indiano mais romântico de sempre: conheci-o no forte, junto aos canhões que testemunharam a derrota do exército turco contra as forças portuguesas. Veio fazer conversa comigo, quando lhe perguntei o que estava ali a fazer disse-me “I’m waiting for my lover.”
Acabámos por passar a tarde juntos, primeiro a passear enquanto esperávamos pela amada/amante, que ele insistia em apresentar-me... mas ela não telefonou, e não apareceu, e o rapaz começou a ficar deprimido. Levou-me a uns templos, passeámos na cidade velha, ele sempre agarrado ao telefone porque tinha de ser ela a ligar-lhe, ele tinha telefonado na noite anterior e o pai dela atendeu o telefone... dramas amorosos, típicos na Índia.
A tarde passou sem que ela ligasse, eu já não sabia o que dizer porque o rapaz estava cada vez pior, a dada altura mostrou-me umas cicatrizes no braço onde tinha escrito, com uma lâmina, o nome dela, antes de lhe escrever uma carta com o próprio sangue. Arrepio! Quando já ao cair da noite ela finalmente ligou, o indiano mais romântico de sempre mudou radicalmente de personalidade. Só faltava cantar e dançar: ria às gargalhadas, levou-me a um barbeiro e cortou o cabelo, fez novo penteado e uma massagem capilar... tudo porque havia uma breve hipótese de a encontrar. Mas ela ligou outra vez - e nada feito. O pai não a deixava sair de casa.
Jorge, foge enquanto podes – bebemos um sumo de cana de açúcar e cada um seguiu com a sua vida.
?!
É uma mota? É um tractor? É uma carroça?
Não... é um meio de transporte como outro qualquer, não sei o nome mas parece-me uma mistura dos três anteriores. Não tem superpoderes, mas é uma loucura.
Não... é um meio de transporte como outro qualquer, não sei o nome mas parece-me uma mistura dos três anteriores. Não tem superpoderes, mas é uma loucura.
04/04/2007
SUA ALTEZA
Quatro anos depois, a história repete-se. Mais ou menos.
Depois da praia voltei ao palácio, para comprar uma garrafa de água. Sentia-me a desidratar, tonto de tanta beleza natural, precisava de me sentar um bocado à sombra, descansar, descer à terra por um bocado.
Fiquei à conversa com o rapaz que vendia água de côco, a tarde passou depressa e fui convidado para jantar com a família dele. E quando o palácio fechou e os últimos turistas saíram, eis que um dos velhotes jardineiros vem ter connosco e começa a dizer-me qualquer coisa sobre passear no jardim e o rei não-sei-quê... eu não percebia nada do que ele estava a dizer, pensava que ele me queria mostrar o jardim onde os reis antes passeavam... mas eis que o rapaz dos côcos me explica que o rei ainda vive no palácio, que está neste momento a dar uma volta no jardim... e que o velhote me está a perguntar se quero conhecer Sua Majestade.
Começa a tornar-se um hábito. Há uns anos foi o Marajá de Jaipur, desta vez o Rei de Kutch. Estivemos um bocadinho à conversa, disse-me que já tinha estado em Espanha mas infelizmente nunca em Portugal, onde tem um amigo de longa data, onde sempre quis ir... mas está muito velho, já não pode viajar. E em tom de remate, mesmo antes de me ir embora (sem tirar fotografias, por muita pena minha, confesso que me senti um bocado constrangido), Sua Alteza dá-me mais um aperto de mão e diz:
“Uma vez disseram-me que Portugal é lindo na Primavera. Tenho tanta pena de nunca ter ido a Portugal na Primavera.”
Talvez um dia.
Antes que me esqueça e porque não quero ser acusado de ser mal-educado: o jantar foi óptimo. E é sempre impressionante constatar que é nestes lugares teoricamente mais simples que a qualidade de vida é melhor. O rapaz que vende côcos à porta do palácio vive com a família numa quinta com plantações de arroz, tudo propriedade deles! Gente humilde, é verdade, mas com uma casa enorme e limpa, tudo impecável, animais e terreno. Quem dera a tantos...
Depois da praia voltei ao palácio, para comprar uma garrafa de água. Sentia-me a desidratar, tonto de tanta beleza natural, precisava de me sentar um bocado à sombra, descansar, descer à terra por um bocado.
Fiquei à conversa com o rapaz que vendia água de côco, a tarde passou depressa e fui convidado para jantar com a família dele. E quando o palácio fechou e os últimos turistas saíram, eis que um dos velhotes jardineiros vem ter connosco e começa a dizer-me qualquer coisa sobre passear no jardim e o rei não-sei-quê... eu não percebia nada do que ele estava a dizer, pensava que ele me queria mostrar o jardim onde os reis antes passeavam... mas eis que o rapaz dos côcos me explica que o rei ainda vive no palácio, que está neste momento a dar uma volta no jardim... e que o velhote me está a perguntar se quero conhecer Sua Majestade.
Começa a tornar-se um hábito. Há uns anos foi o Marajá de Jaipur, desta vez o Rei de Kutch. Estivemos um bocadinho à conversa, disse-me que já tinha estado em Espanha mas infelizmente nunca em Portugal, onde tem um amigo de longa data, onde sempre quis ir... mas está muito velho, já não pode viajar. E em tom de remate, mesmo antes de me ir embora (sem tirar fotografias, por muita pena minha, confesso que me senti um bocado constrangido), Sua Alteza dá-me mais um aperto de mão e diz:
“Uma vez disseram-me que Portugal é lindo na Primavera. Tenho tanta pena de nunca ter ido a Portugal na Primavera.”
Talvez um dia.
Antes que me esqueça e porque não quero ser acusado de ser mal-educado: o jantar foi óptimo. E é sempre impressionante constatar que é nestes lugares teoricamente mais simples que a qualidade de vida é melhor. O rapaz que vende côcos à porta do palácio vive com a família numa quinta com plantações de arroz, tudo propriedade deles! Gente humilde, é verdade, mas com uma casa enorme e limpa, tudo impecável, animais e terreno. Quem dera a tantos...
ESTOU (QUASE) SEM PALAVRAS
A 9km de Mandvi, fica o Vijay Villas Palace. Era a residência de Verão dos Reis de Kutch - um palácio que mistura arquitectura colonial britânica com algumas influências indianas, fica no meio do nada... e é mesmo ao pé do mar.
Depois de visitar o palácio – que calor! – decidi aventurar-me com a minha bicicleta nas estradas de terra batida entre o mato, sempre em direcção ao mar. E qual não foi o espanto quando cheguei a um ponto em que já não dava para pedalar na areia – estava a chegar a uma praia.
E que praia! Quilómetros e quilómetros de areia branca. Ninguém à volta. Não tenho palavras. Uma cabana abandonada, troncos de coqueiros caídos na praia, o mar a chamar o meu nome – senhores e senhoras, cheguei ao Paraíso!
Deixo, no próximo post, algumas fotos para os mais invejosos. ;)
Depois de visitar o palácio – que calor! – decidi aventurar-me com a minha bicicleta nas estradas de terra batida entre o mato, sempre em direcção ao mar. E qual não foi o espanto quando cheguei a um ponto em que já não dava para pedalar na areia – estava a chegar a uma praia.
E que praia! Quilómetros e quilómetros de areia branca. Ninguém à volta. Não tenho palavras. Uma cabana abandonada, troncos de coqueiros caídos na praia, o mar a chamar o meu nome – senhores e senhoras, cheguei ao Paraíso!
Deixo, no próximo post, algumas fotos para os mais invejosos. ;)
MAU MARIA
Começa a tornar-se regra: sempre que faço uma viagem mais complicada, espera-me um destino especialmente simpático.
Mandvi, por exemplo: uma vila de pescadores junto ao mar, com um rio meio-seco onde se constroem dezenas de barcos à maneira antiga, ruas apertadas entre edifícios de tempos perdidos, gente sorridente e praias desertas à volta – boas energias!
Mandvi, por exemplo: uma vila de pescadores junto ao mar, com um rio meio-seco onde se constroem dezenas de barcos à maneira antiga, ruas apertadas entre edifícios de tempos perdidos, gente sorridente e praias desertas à volta – boas energias!
02/04/2007
O PIOR AUTOCARRO DE LUXO DO MUNDO
“É aquele?”, pergunto inocentemente ao velhote que decidiu ser o meu “protector” enquanto espero pelo autocarro para Mandvi.
Ele ri-se com condescendência e responde-me num tom paternal:
“Não... claro que não... o teu autocarro é um autocarro de luxo. Prateado, com DVD e assentos reclináveis e air suspension. O teu autocarro é o próximo a chegar, já te aviso.”
Espero mais cinco minutos e eis que entra na estação um autocarro que talvez já tenha sido prateado, quem sabe de luxo – há muito tempo atrás.
O pior autocarro de luxo do mundo está no Gujarat e faz a viagem nocturna de Ahmedabad para Mandvi. E eu estou prestes a embarcar.
Como já disse: em tempos este foi concerteza um autocarro de luxo, com televisão e DVD, som surround, assentos reclináveis, ar condicionado, air suspension e ABS brakes. Em tempos, concerteza.
Hoje, tem cordas a segurar as costas dos bancos ao tecto, porque de tanto reclinar, os assentos reclináveis deixaram de se aguentar na posição original. O ar condicionado não funciona, nem as pequenas luzes instaladas no tecto. As poucas cortinas ainda existentes estão imundas – a condizer com os bancos. Air suspension? Duvido. E quanto ao DVD e som surround, é das poucas coisas que ainda funciona (ou não estaríamos num autocarro indiano); mas como já é de esperar, a qualidade da imagem é fraquinha e o som vai sempre no máximo.
No pior autocarro de luxo do mundo convém viajar o mais quieto possível, sem mexer em muitas coisas. O movimento, neste cantinho ambulante do Universo, implica destruição e caos. Tocar no banco à nossa frente pode significar muito mais que um simples toque – pode ser que se fique com as costas do banco na mão. Pôr a bagagem nas “prateleiras” implica ficar com as ultimas nos braços, quem sabe.
Por isso o melhor é viajar quietinho, se possivel quase sem respirar, ligar o ipod e abstrair-me de tudo o que acontece – de estranho – à minha volta.
Ele ri-se com condescendência e responde-me num tom paternal:
“Não... claro que não... o teu autocarro é um autocarro de luxo. Prateado, com DVD e assentos reclináveis e air suspension. O teu autocarro é o próximo a chegar, já te aviso.”
Espero mais cinco minutos e eis que entra na estação um autocarro que talvez já tenha sido prateado, quem sabe de luxo – há muito tempo atrás.
O pior autocarro de luxo do mundo está no Gujarat e faz a viagem nocturna de Ahmedabad para Mandvi. E eu estou prestes a embarcar.
Como já disse: em tempos este foi concerteza um autocarro de luxo, com televisão e DVD, som surround, assentos reclináveis, ar condicionado, air suspension e ABS brakes. Em tempos, concerteza.
Hoje, tem cordas a segurar as costas dos bancos ao tecto, porque de tanto reclinar, os assentos reclináveis deixaram de se aguentar na posição original. O ar condicionado não funciona, nem as pequenas luzes instaladas no tecto. As poucas cortinas ainda existentes estão imundas – a condizer com os bancos. Air suspension? Duvido. E quanto ao DVD e som surround, é das poucas coisas que ainda funciona (ou não estaríamos num autocarro indiano); mas como já é de esperar, a qualidade da imagem é fraquinha e o som vai sempre no máximo.
No pior autocarro de luxo do mundo convém viajar o mais quieto possível, sem mexer em muitas coisas. O movimento, neste cantinho ambulante do Universo, implica destruição e caos. Tocar no banco à nossa frente pode significar muito mais que um simples toque – pode ser que se fique com as costas do banco na mão. Pôr a bagagem nas “prateleiras” implica ficar com as ultimas nos braços, quem sabe.
Por isso o melhor é viajar quietinho, se possivel quase sem respirar, ligar o ipod e abstrair-me de tudo o que acontece – de estranho – à minha volta.
PASSA A OUTRO E NÃO AO MESMO
Quanto a Ahmedabad: nada de especial a acrescentar.
Cidade gira, a zona velha é muito louca, come-se bem e há muitas ruínas por causa de um terramoto há dez anos atrás.
Next!
Cidade gira, a zona velha é muito louca, come-se bem e há muitas ruínas por causa de um terramoto há dez anos atrás.
Next!
31/03/2007
POIS É!
Rapidamente, porque não estou com muita paciência: a viagem de comboio de Shimla para Kalka é um espectáculo; a de Kalka para Delhi é igual a tantas outras. Adorei, tirei muitas fotografias, repetia e recomendo, está dito.
Quanto a Delhi: continuo fascinado com a cidade, é uma das grandes surpresas desta terceira vinda ao subcontinente. Das outras vezes evitei sempre vir a Delhi, contentava-me com Bombaim e umas quantas cidades menores, ainda bem que desta vez tive de cá vir – a primeira vez por uma boa razão (encontrar o Hamid e a Joana), e agora porque a Joana se vai embora.
Depois de duas semanas full speed, a Janota volta para casa – e eu fico outra vez entregue a mim mesmo e aos trinta e três milhões de deuses que por aqui andam. E às vacas.
Quanto a Delhi: continuo fascinado com a cidade, é uma das grandes surpresas desta terceira vinda ao subcontinente. Das outras vezes evitei sempre vir a Delhi, contentava-me com Bombaim e umas quantas cidades menores, ainda bem que desta vez tive de cá vir – a primeira vez por uma boa razão (encontrar o Hamid e a Joana), e agora porque a Joana se vai embora.
Depois de duas semanas full speed, a Janota volta para casa – e eu fico outra vez entregue a mim mesmo e aos trinta e três milhões de deuses que por aqui andam. E às vacas.
29/03/2007
DÁ QUE PENSAR
Desta vez, no hotel de Shimla. Um poster na parede com uma paisagem paradisíaca, e num canto a seguinte questão:
If there were dreams to sell,
what would you buy?
If there were dreams to sell,
what would you buy?
28/03/2007
SHIMLA À MODA DA CASA
Junte num tacho cheio de Himalaias duas colheres de sopa de Alpes Suíços, uma pitada de Escócia e uma boa mão cheia de mansões coloniais a cair de podres, e igrejas católicas pintadas de fresco.
Prepare um recheio de lojas e restaurantes indianos. Misture bem todos os ingredientes com caril e picante, deixe marinar durante alguns anos, acrescente macacos e vacas sagradas, e mesmo antes de servir prepare um acompanhamento de turistas indianos.
Primeiro estranha-se, depois entranha-se. É mais ou menos asim, o ditado, não é? Shimla é ao mesmo tempo estranha e deliciosa. Passear na rua principal de Shimla – The Mall – é como entrar noutra dimensão: fora deste tempo, num mundo muito longe do nosso.
Na principal cidade do estado de Himashal Pradesh, a antiga “Capital de Verão” nos tempos do domínio britânico, nada é “suficientemente indiano” para nos sentirmos na Índia; e no entanto nada é “suficientemente não-indiano” para nos situarmos noutra zona do globo, sejam os Alpes ou as Terras Altas da Escócia.
Prepare um recheio de lojas e restaurantes indianos. Misture bem todos os ingredientes com caril e picante, deixe marinar durante alguns anos, acrescente macacos e vacas sagradas, e mesmo antes de servir prepare um acompanhamento de turistas indianos.
Primeiro estranha-se, depois entranha-se. É mais ou menos asim, o ditado, não é? Shimla é ao mesmo tempo estranha e deliciosa. Passear na rua principal de Shimla – The Mall – é como entrar noutra dimensão: fora deste tempo, num mundo muito longe do nosso.
Na principal cidade do estado de Himashal Pradesh, a antiga “Capital de Verão” nos tempos do domínio britânico, nada é “suficientemente indiano” para nos sentirmos na Índia; e no entanto nada é “suficientemente não-indiano” para nos situarmos noutra zona do globo, sejam os Alpes ou as Terras Altas da Escócia.
POESIA NA ESTRADA
Os senhores da Junta Autónoma das Estradas cá do sítio são uns verdadeiros poetas.
Não é de agora, até tenho guardado alguns exemplos para mais tarde recordar, mas hoje deixo aqui um dos avisos que estava na estrada de Dhramsala para Shimla:
DON’T DIE LIKE FOOLS
OBBEY THE TRAFFIC RULES
27/03/2007
DESPORTOS RADICAIS NOS HIMALAIAS
Se és jovem, tens espírito aventureiro e gostas de emoções fortes, experimenta fazer o caminho que desce de McLeod Ganj para Dhramsala num riquexó, a travar só com o motor! Radicaaal!
E se aguentaste sem borrar as calças nem ter um ataque cardíaco, enfia-te logo a seguir num autocarro, durante sete horas, e atravessa os Himalaias até Shimla.
É do best, chaval! Paisagem fixe, precipícios a dar com um pau, razias brutais a camiões e muitas travagens de fazer um gajo tremer. Com sorte a menina ao teu lado enjoa e tens de a levar ao colo enquanto ela vomita pela janela... mas só por meia hora, porque depois a mãe lembra-se que também não gosta de montanhas e toca a trocar de lugar antes que vomite para cima de ti.
Chegas a Shimla e o Mundo é um lugar diferente, acredita.
E se aguentaste sem borrar as calças nem ter um ataque cardíaco, enfia-te logo a seguir num autocarro, durante sete horas, e atravessa os Himalaias até Shimla.
É do best, chaval! Paisagem fixe, precipícios a dar com um pau, razias brutais a camiões e muitas travagens de fazer um gajo tremer. Com sorte a menina ao teu lado enjoa e tens de a levar ao colo enquanto ela vomita pela janela... mas só por meia hora, porque depois a mãe lembra-se que também não gosta de montanhas e toca a trocar de lugar antes que vomite para cima de ti.
Chegas a Shimla e o Mundo é um lugar diferente, acredita.
26/03/2007
Subscrever:
Mensagens (Atom)


















