Começa a tornar-se regra: sempre que faço uma viagem mais complicada, espera-me um destino especialmente simpático.
Mandvi, por exemplo: uma vila de pescadores junto ao mar, com um rio meio-seco onde se constroem dezenas de barcos à maneira antiga, ruas apertadas entre edifícios de tempos perdidos, gente sorridente e praias desertas à volta – boas energias!
04/04/2007
02/04/2007
O PIOR AUTOCARRO DE LUXO DO MUNDO
“É aquele?”, pergunto inocentemente ao velhote que decidiu ser o meu “protector” enquanto espero pelo autocarro para Mandvi.
Ele ri-se com condescendência e responde-me num tom paternal:
“Não... claro que não... o teu autocarro é um autocarro de luxo. Prateado, com DVD e assentos reclináveis e air suspension. O teu autocarro é o próximo a chegar, já te aviso.”
Espero mais cinco minutos e eis que entra na estação um autocarro que talvez já tenha sido prateado, quem sabe de luxo – há muito tempo atrás.
O pior autocarro de luxo do mundo está no Gujarat e faz a viagem nocturna de Ahmedabad para Mandvi. E eu estou prestes a embarcar.
Como já disse: em tempos este foi concerteza um autocarro de luxo, com televisão e DVD, som surround, assentos reclináveis, ar condicionado, air suspension e ABS brakes. Em tempos, concerteza.
Hoje, tem cordas a segurar as costas dos bancos ao tecto, porque de tanto reclinar, os assentos reclináveis deixaram de se aguentar na posição original. O ar condicionado não funciona, nem as pequenas luzes instaladas no tecto. As poucas cortinas ainda existentes estão imundas – a condizer com os bancos. Air suspension? Duvido. E quanto ao DVD e som surround, é das poucas coisas que ainda funciona (ou não estaríamos num autocarro indiano); mas como já é de esperar, a qualidade da imagem é fraquinha e o som vai sempre no máximo.
No pior autocarro de luxo do mundo convém viajar o mais quieto possível, sem mexer em muitas coisas. O movimento, neste cantinho ambulante do Universo, implica destruição e caos. Tocar no banco à nossa frente pode significar muito mais que um simples toque – pode ser que se fique com as costas do banco na mão. Pôr a bagagem nas “prateleiras” implica ficar com as ultimas nos braços, quem sabe.
Por isso o melhor é viajar quietinho, se possivel quase sem respirar, ligar o ipod e abstrair-me de tudo o que acontece – de estranho – à minha volta.
Ele ri-se com condescendência e responde-me num tom paternal:
“Não... claro que não... o teu autocarro é um autocarro de luxo. Prateado, com DVD e assentos reclináveis e air suspension. O teu autocarro é o próximo a chegar, já te aviso.”
Espero mais cinco minutos e eis que entra na estação um autocarro que talvez já tenha sido prateado, quem sabe de luxo – há muito tempo atrás.
O pior autocarro de luxo do mundo está no Gujarat e faz a viagem nocturna de Ahmedabad para Mandvi. E eu estou prestes a embarcar.
Como já disse: em tempos este foi concerteza um autocarro de luxo, com televisão e DVD, som surround, assentos reclináveis, ar condicionado, air suspension e ABS brakes. Em tempos, concerteza.
Hoje, tem cordas a segurar as costas dos bancos ao tecto, porque de tanto reclinar, os assentos reclináveis deixaram de se aguentar na posição original. O ar condicionado não funciona, nem as pequenas luzes instaladas no tecto. As poucas cortinas ainda existentes estão imundas – a condizer com os bancos. Air suspension? Duvido. E quanto ao DVD e som surround, é das poucas coisas que ainda funciona (ou não estaríamos num autocarro indiano); mas como já é de esperar, a qualidade da imagem é fraquinha e o som vai sempre no máximo.
No pior autocarro de luxo do mundo convém viajar o mais quieto possível, sem mexer em muitas coisas. O movimento, neste cantinho ambulante do Universo, implica destruição e caos. Tocar no banco à nossa frente pode significar muito mais que um simples toque – pode ser que se fique com as costas do banco na mão. Pôr a bagagem nas “prateleiras” implica ficar com as ultimas nos braços, quem sabe.
Por isso o melhor é viajar quietinho, se possivel quase sem respirar, ligar o ipod e abstrair-me de tudo o que acontece – de estranho – à minha volta.
PASSA A OUTRO E NÃO AO MESMO
Quanto a Ahmedabad: nada de especial a acrescentar.
Cidade gira, a zona velha é muito louca, come-se bem e há muitas ruínas por causa de um terramoto há dez anos atrás.
Next!
Cidade gira, a zona velha é muito louca, come-se bem e há muitas ruínas por causa de um terramoto há dez anos atrás.
Next!
31/03/2007
POIS É!
Rapidamente, porque não estou com muita paciência: a viagem de comboio de Shimla para Kalka é um espectáculo; a de Kalka para Delhi é igual a tantas outras. Adorei, tirei muitas fotografias, repetia e recomendo, está dito.
Quanto a Delhi: continuo fascinado com a cidade, é uma das grandes surpresas desta terceira vinda ao subcontinente. Das outras vezes evitei sempre vir a Delhi, contentava-me com Bombaim e umas quantas cidades menores, ainda bem que desta vez tive de cá vir – a primeira vez por uma boa razão (encontrar o Hamid e a Joana), e agora porque a Joana se vai embora.
Depois de duas semanas full speed, a Janota volta para casa – e eu fico outra vez entregue a mim mesmo e aos trinta e três milhões de deuses que por aqui andam. E às vacas.
Quanto a Delhi: continuo fascinado com a cidade, é uma das grandes surpresas desta terceira vinda ao subcontinente. Das outras vezes evitei sempre vir a Delhi, contentava-me com Bombaim e umas quantas cidades menores, ainda bem que desta vez tive de cá vir – a primeira vez por uma boa razão (encontrar o Hamid e a Joana), e agora porque a Joana se vai embora.
Depois de duas semanas full speed, a Janota volta para casa – e eu fico outra vez entregue a mim mesmo e aos trinta e três milhões de deuses que por aqui andam. E às vacas.
29/03/2007
DÁ QUE PENSAR
Desta vez, no hotel de Shimla. Um poster na parede com uma paisagem paradisíaca, e num canto a seguinte questão:
If there were dreams to sell,
what would you buy?
If there were dreams to sell,
what would you buy?
28/03/2007
SHIMLA À MODA DA CASA
Junte num tacho cheio de Himalaias duas colheres de sopa de Alpes Suíços, uma pitada de Escócia e uma boa mão cheia de mansões coloniais a cair de podres, e igrejas católicas pintadas de fresco.
Prepare um recheio de lojas e restaurantes indianos. Misture bem todos os ingredientes com caril e picante, deixe marinar durante alguns anos, acrescente macacos e vacas sagradas, e mesmo antes de servir prepare um acompanhamento de turistas indianos.
Primeiro estranha-se, depois entranha-se. É mais ou menos asim, o ditado, não é? Shimla é ao mesmo tempo estranha e deliciosa. Passear na rua principal de Shimla – The Mall – é como entrar noutra dimensão: fora deste tempo, num mundo muito longe do nosso.
Na principal cidade do estado de Himashal Pradesh, a antiga “Capital de Verão” nos tempos do domínio britânico, nada é “suficientemente indiano” para nos sentirmos na Índia; e no entanto nada é “suficientemente não-indiano” para nos situarmos noutra zona do globo, sejam os Alpes ou as Terras Altas da Escócia.
Prepare um recheio de lojas e restaurantes indianos. Misture bem todos os ingredientes com caril e picante, deixe marinar durante alguns anos, acrescente macacos e vacas sagradas, e mesmo antes de servir prepare um acompanhamento de turistas indianos.
Primeiro estranha-se, depois entranha-se. É mais ou menos asim, o ditado, não é? Shimla é ao mesmo tempo estranha e deliciosa. Passear na rua principal de Shimla – The Mall – é como entrar noutra dimensão: fora deste tempo, num mundo muito longe do nosso.
Na principal cidade do estado de Himashal Pradesh, a antiga “Capital de Verão” nos tempos do domínio britânico, nada é “suficientemente indiano” para nos sentirmos na Índia; e no entanto nada é “suficientemente não-indiano” para nos situarmos noutra zona do globo, sejam os Alpes ou as Terras Altas da Escócia.
POESIA NA ESTRADA
Os senhores da Junta Autónoma das Estradas cá do sítio são uns verdadeiros poetas.
Não é de agora, até tenho guardado alguns exemplos para mais tarde recordar, mas hoje deixo aqui um dos avisos que estava na estrada de Dhramsala para Shimla:
DON’T DIE LIKE FOOLS
OBBEY THE TRAFFIC RULES
27/03/2007
DESPORTOS RADICAIS NOS HIMALAIAS
Se és jovem, tens espírito aventureiro e gostas de emoções fortes, experimenta fazer o caminho que desce de McLeod Ganj para Dhramsala num riquexó, a travar só com o motor! Radicaaal!
E se aguentaste sem borrar as calças nem ter um ataque cardíaco, enfia-te logo a seguir num autocarro, durante sete horas, e atravessa os Himalaias até Shimla.
É do best, chaval! Paisagem fixe, precipícios a dar com um pau, razias brutais a camiões e muitas travagens de fazer um gajo tremer. Com sorte a menina ao teu lado enjoa e tens de a levar ao colo enquanto ela vomita pela janela... mas só por meia hora, porque depois a mãe lembra-se que também não gosta de montanhas e toca a trocar de lugar antes que vomite para cima de ti.
Chegas a Shimla e o Mundo é um lugar diferente, acredita.
E se aguentaste sem borrar as calças nem ter um ataque cardíaco, enfia-te logo a seguir num autocarro, durante sete horas, e atravessa os Himalaias até Shimla.
É do best, chaval! Paisagem fixe, precipícios a dar com um pau, razias brutais a camiões e muitas travagens de fazer um gajo tremer. Com sorte a menina ao teu lado enjoa e tens de a levar ao colo enquanto ela vomita pela janela... mas só por meia hora, porque depois a mãe lembra-se que também não gosta de montanhas e toca a trocar de lugar antes que vomite para cima de ti.
Chegas a Shimla e o Mundo é um lugar diferente, acredita.
26/03/2007
SHIVA CAFE
Ontem de manhã fomos dar um passeio, o Hamid tinha-nos recomendado umas cascatas e uns cafés lá ao pé. Só o caminho foi um espectáculo, fizemos uma espécie de trekking pela montanha e no fim uma escalada que ia dar à parte de cima da cascata... onde havia um café... meus amigos... não digo mais nada.
25/03/2007
O MERECIDO DESCANSO
Depois da tempestade, a bonança.
O ritmo de viagem finalmente acalmou. A correria pelo Rajastão e Punjab deixaram-nos de rastos, Dharamsala era mesmo o que estávamos a precisar.
Dharamsala está dividida em duas secções, com 500m de diferença entre as duas – o resultado de um terramoto em 1905, que matou cerca de 900 pessoas e destruiu TODOS os edifícios da cidade. Os britânicos, então no poder, mandaram construir Dharamsala-de-Baixo (traduzido é o que dá!), que é onde estão todos os edifícios administrativos – enfim, a parte com menos piada.
Dharamsala-de-Cima, ou como é conhecida por todos, McLeod Ganj, é o lugar onde os tibetanos se instalaram depois da ocupação do Tibete pela China, em 1959. A Índia deu asilo ao Dalai Lama, e assim o budismo regressou à sua origem.
McLeod Ganj é um dos lugares mais mágicos da Índia, um bocadinho do Tibete aqui misturado com as vacas sagradas e outros indianismos. É um espectáculo, transpira energia positiva, tem os Himalaias mesmo ali ao lado, neve no topo das montanhas, rios a correr, ar puro... sabe bem, sabe muito bem depois de toda a correria.
O ritmo de viagem finalmente acalmou. A correria pelo Rajastão e Punjab deixaram-nos de rastos, Dharamsala era mesmo o que estávamos a precisar.
Dharamsala está dividida em duas secções, com 500m de diferença entre as duas – o resultado de um terramoto em 1905, que matou cerca de 900 pessoas e destruiu TODOS os edifícios da cidade. Os britânicos, então no poder, mandaram construir Dharamsala-de-Baixo (traduzido é o que dá!), que é onde estão todos os edifícios administrativos – enfim, a parte com menos piada.
Dharamsala-de-Cima, ou como é conhecida por todos, McLeod Ganj, é o lugar onde os tibetanos se instalaram depois da ocupação do Tibete pela China, em 1959. A Índia deu asilo ao Dalai Lama, e assim o budismo regressou à sua origem.
McLeod Ganj é um dos lugares mais mágicos da Índia, um bocadinho do Tibete aqui misturado com as vacas sagradas e outros indianismos. É um espectáculo, transpira energia positiva, tem os Himalaias mesmo ali ao lado, neve no topo das montanhas, rios a correr, ar puro... sabe bem, sabe muito bem depois de toda a correria.
24/03/2007
CRICKET NEWS
A Índia voltou a perder, está praticamente eliminada do Mundial. Ainda há uma hipótese, muito remota... matemáticas!, nós portugueses conhecemos bem o esquema.
Quanto a outros dramas, confirmam-se os piores prognósticos: o Bob Woolmer (seleccionador do Paquistão) foi mesmo assassinado. Há várias teorias, ainda está tudo em aberto, não acredito que tenha sido alguém da selecção. Estou mais inclinado para alguém envolvido nas apostas ilegais.
More news coming soon...
Quanto a outros dramas, confirmam-se os piores prognósticos: o Bob Woolmer (seleccionador do Paquistão) foi mesmo assassinado. Há várias teorias, ainda está tudo em aberto, não acredito que tenha sido alguém da selecção. Estou mais inclinado para alguém envolvido nas apostas ilegais.
More news coming soon...
GOLDEN AMRITSAR!
A passagem por Amritsar foi rápida, o suficiente para nos deslumbrarmos com o Templo Dourado, mais um “daqueles” lugares.
Não conseguimos ir ao Paquistão, porque é preciso um visto que demora muito tempo, custa muito dinheiro, e só se consegue em Delhi. Fica para a próxima!, por isso amanhã de manhã apanhamos um autocarro e lá para meio da tarde chegamos a Dharamsala.
O Hamid não faz ideia que vamos ter com ele.
Não conseguimos ir ao Paquistão, porque é preciso um visto que demora muito tempo, custa muito dinheiro, e só se consegue em Delhi. Fica para a próxima!, por isso amanhã de manhã apanhamos um autocarro e lá para meio da tarde chegamos a Dharamsala.
O Hamid não faz ideia que vamos ter com ele.
23/03/2007
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